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Opinião

MARCELO FERRAZ – Garimpeiros do caos

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Analisando os seis meses de mandato da nova “ordem” política implantada pelos bolsonaristas no país, a nítida sensação que fica, para aqueles que têm o mínimo de bom senso e equilíbrio mental, é que essa radicalização ideológica da direita conservadora no poder, só trouxe desordem e retrocessos à Pátria brasileira.

Isso porque, os eleitores do “mito”, além de assinar um cheque em branco, também abriram a porteira do garimpo para impor à Nação uma espécie de terrorismo político, calcado no desmonte generalizado das políticas ambientais; em troca de uma flexibilização da legalidade, a fim de permitir que alguns setores da iniciativa privada, que estavam lucrando de forma irregular e ilícita, pudessem continuar com suas atividades predatórias ao Meio Ambiente, bem como nocivas para toda sociedade, sobretudo, às minorias dos povos tradicionais.

Pelo andar da carruagem desgovernada, parece que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pretende transformar o artigo 225 da CF/88,  – o qual diz: “ Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” – em uma norma sem aplicabilidade no governo dele.

Desta forma, em seis meses, o desmatamento ilegal aumentou consideravelmente em todo território Nacional, ou seja, nunca os madeireiros, os latifundiários e as mineradoras, que atuam na clandestinidade, lucraram tanto assim no Brasil mesmo sabendo que a União e os Entes da Federação têm teoricamente inúmeros mecanismo de fiscalização.

Estes que foram praticamente desmobilizados no atual governo. De 1º de janeiro a 15 de maio, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou 850 multas – 35% a menos do que o mesmo período em 2018. Já o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) efetuou 317 autuações, menos da metade do que o intervalo do ano passado. Em abril, o ICMBio não realizou nenhuma operação de fiscalização.

Segundo a reportagem veiculado pelo National Geographic, intitulada ” Desmatamento na Amazônia dispara e futuro da floresta está ameaçado”, o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real, divulgados em 10 de junho, pelo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registrou 739,68 km2 desmatados na Amazônia Legal em maio – maior taxa desde 2016 e área equivalente à cidade de Goiânia. Outros 1.102,57 km2 foram degradados. No mesmo mês em 2018, 550,2 km2 haviam sido derrubados conforme os dados divulgados.

Em junho, novo recorde: 920,4 km² de floresta desmatada na Amazônia Legal, o pior mês desde que o sistema foi criado, em 2015. A taxa é 88% maior do que o mesmo período de 2018. Ainda de acordo com a mesma reportagem, o maior volume de desmatamento se concentra no Pará (249,64 km2), seguido pelo Mato Grosso (191,42 km2), Amazonas (175,88 km2) e Rondônia (111,8 km2).

Mas se não bastasse isso, para engrossar a marcha do caos, a turma aloprada dos bolsonaristas liberaram geral o veneno na produção rural brasileira. Desta forma, o Ministério da Agricultura aprovou o registro de 42 agrotóxicos, totalizando 211 neste ano. A ação gerou discussão sobre quais são os níveis aceitáveis do uso desses produtos e de como isso pode afetar a alimentação. Contudo, fato é que, entre 2007 e 2014, o Ministério da Saúde teve cerca de 25 mil ocorrências de intoxicações por agrotóxicos.

Além disso, para piorar a imagem do país lá fora, enquanto a maioria dos países desenvolvidos luta para minorar os efeitos dos desequilíbrios climáticos com a implantação de políticas que estimulem a visão de sustentabilidade ambiental, o Brasil partiu para contramão da privatização das reservas ecológicas, a fim de alavancar o crescimento econômico a qualquer custo dessas regiões, porém, sem levar em conta nenhum parâmetro de equilíbrio ecológico.

Não é à toa que esta semana o ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, afirmou que o Brasil não pode fazer “mudanças na estrutura do Fundo Amazônia sem o consentimento” do governo norueguês. Hoje, a Noruega é responsável por mais de 90% das doações do Fundo Amazônia, lançado em 2008 como o maior projeto da história de cooperação internacional para a preservação da floresta amazônica.

Em 11 anos, os noruegueses doaram cerca de US$ 1,2 bilhão (ou R$ 4,6 bilhões, em valores corrigidos) para o fundo. Em seguida estão os alemães, que doaram cerca de US$ 100 milhões (ou R$ 380 milhões). Deste modo, com o intuito de evitar essa calamidade para as políticas de preservação ambiental; servidores do BNDES, Ibama e ICMBio criam um site em defesa do Fundo Amazônia.

Em maio, o jornal Estadão revelou que o governo Jair Bolsonaro queria mudar as regras do fundo, após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciar uma análise que teria identificado “fragilidades na governança e implementação” dos projetos apoiados. “Com uma canetada a Presidência da República decidiu extinguir o Comitê Orientador do Fundo Amazônia e o Comitê Técnico do Fundo Amazônia, diz o texto publicado no site criado por esses servidores.

Contudo, toda essa derrocada da desregulamentação dos meios de fiscalização, com a finalidade única de permitir um modelo de produção ilegal e insustentável, bem como a descriminalização de prática nocivas ao Meio Ambiente e, de maneira geral, à toda sociedade… tem contribuído para sujar a imagem e até inviabilizar as atividades do agronegócio brasileiro, que por sua vez, despendeu inúmeros esforços com intuito de atender aos padrões de qualidade, legalidade e sustentabilidade exigidos pelos mercados internacionais.

Assim, metaforicamente narrando, para vender a maçã envenenada, o governo brasileiro tem contaminado com sua agenda antiambiental o resto das frutas boas. Ou seja, todo esforço descomunal que os produtores rurais fizeram para se enquadrem à legalidade das leis vigentes, está indo por água baixo, ao serem nivelados com a banda pobre da agricultura marginalizada, o que tem afetado e desvalorizado toda cadeia produtiva do agronegócio brasileiro.

Nem os bárbaros da idade média adotavam esse viés – do extremismo ideológico – de destruírem todas as obras dos inimigos ainda que elas fossem benéficas para qualquer comunidade. Então, fica a dica, as políticas públicas positivas têm que ser aproveitadas e até ampliadas, caso contrário, o cidadão brasileiro vai assistir, a cada mandato, à desconstrução eterna de um castelo de areia, à beira mar.

Marcelo Ferraz é jornalista e escritor.

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JORGE MACIEL – A FMF e marcas que patrocinam a segregação e o monopólio

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JORGE MACIEL

Faz poucos dias e espero a tramitação que consome mais algum tempo, protocolei no Ministério Público (MPE), como jornalista e como [muito] pequeno empresário das comunicações uma petição a fim de me acercar do modus operandi da sra. FMF (federação de futebol local), cujos procedimentos pertinentes ao campeonato mato-grossense são, ao meu ver, completamente sombrios e duvidosos.

Ora, há em curso uma competição em que puseram uma única TV, exclusividade, para explorar [no sentido letal da palavra] o certame, com um contrato nada insuspeito em que jogos, que de maneira arrepiante ou cômica, são transmitidos de dentro para dentro, com fosca comprovação de audiência, afastando o torcedor dos estádios – ou a fazer torcedores, que não vão aos estádios, trocarem de canais  para outras praças de SP, RS ou RJ.

Essa é o eis da primeira questão !

A Federação de futebol local, não se sabe bem ao quê, envida todos e quaisquer esforços para que empresas de porte patrocinem os clubes (e a FMF), sem que a opinião saiba que, no fundo, essas empresas (Sicredi, Eletromóveis Martinello, Fiat / Domani, Unimed sic, sic) estão drenando suas verbas publicitárias[ tolamente ou pela intenção de também segregar -,  para uma única emissora e de forma antiética e nada democrática .

Como se sabe, há rádios, outras TVs, sites e jornais que cobrem a competição, mas todas as campanhas  publicitárias são dadas pela FMF, como uma mãe serve como colher o ‘papá’ à cria, na boca e esôfago famintos da TVCA.

O campeonato mato-grossense não pertence, verdadeiramente, ao público (veja que torcedores pagantes são, na média, menos que 380 pessoas por partida, porque o interior do Estado ajuda muito – posto que na Arena Pantanal esse número despenca, pela média, para o abismal montante de 210 torcedores pagantes/jogo. Desde que essa transmissão foi instituído, a média de público vem caindo como pencas.

Mesmo no tempo de crise bem maior que esta, o público ainda era de 1.200 na média total dos campeonatos daquela época: até o quádruplo, antes desse espetáculo enfadonho e de aborrecimento das 15 horas, aos domingos.

Mesmo com o esconde-esconde de seus atos, pudemos levantar que a TVCA transfere a cada um dos dez clubes de Mato Grosso a bagatela de cerca R$ 30 mil para toda a jornada, ou seis mil reais mensais que deverão, por lei, ser repassados aos planteis [atletas, pelo sistema naming right, ou direito de imagem], dados referentes a 2019. Ao cabo do campeonato, nenhum atleta receberá mais que R$ 10 ou 13 reais, individualmente. É uma forma de escravidão.

O Sicredi, Martinello, Fiat, e afins, se sabem dessa exploração (de índole inegavelmente escravagista) misturam-se à política suja e excludente da FMF, pois que, em sabendo, julgo natural pô-las no esquadro da famosa frase do cientista e escritor Johann Goete: “Diz-me com quem anda, dir-te-ei quem és”. Alguns cartolas assinam embaixo, a custa de “merreca” e  se unem à essa política discriminatória.

Todos sabemos que as federações de futebol de outros estados, alguns bem mais pobres que Mato Grosso, como Sergipe e Piauí, auxiliam (pagam, na verdade) as emissoras de rádio, TVs, sites e jornais que cobrem os campeonatos patrocinados por elas, sem monopólio.

Todos sabemos, também, que a FMF, como todas as demais federações, recebem da CBF o quinhão para custeio de estrutura e logística, incluindo folha e salário do presidente. Mas a FMF sempre se mostra indiferente e incapaz de esclarecer isso. Como faz com o contrato com a única emissora.

Há, contam nas bocas e botecos, variáveis procedimentos na gestão institucional do futebol profissional que são lucrativos e bons para um ‘grupelho’, mas são nocivos ao o futebol,  protagonizados pela dupla FMF, com o auxílio luxuoso de empresas que a patrocinam.

Ademais, há o sentimento estreito de que é a tevê em tela a dona do campeonato, cujos repórteres são tratados com mimos, enquanto os demais são quase que escorraçados (nada contra os profissionais, pessoalmente). Como entidade de perfil indiretamente público, o presidente da FMF deveria por à mesa as cartas, ser mais transparente e mais educado, deixar de pensar que é onisciente e impermeável às ações da lei.

O maioral da minha profissão, Assis Chateaubriand, cunhou uma frase onde se lê que “o jornalista nada sabe, mas quer saber”. A minha iniciativa de conhecer pormenores de um contrato que me parece estrambótico e maléfico ao futebol do meu estado não é de má intenção. É apenas porque assimilo e nutro admiração pela frase cunhada por Martin Luther King, segundo a qual é criminoso maior não aquele que pratica o crime, mas o que vê e se omite.

JORGE MACIEL

Jornalista – Fenaj/MT 404-02

JORGE MACIEL 
Jornalista – Fenaj/MT 404-02
É diretor de Redação do Futebolpress, correspondente em MT do Futebolinterior,  e editor-adjunto (plantonista) do Grupo ODocumento, site odocumento e TV Cuiabá. Foi editor de vários jornais grandes da Capital e de Goiânia (Diário da Manhã (GO), O Popular (GO), A Gazeta, Folha do Estado, Diário de Cuiabá, Revista RDM e Municípios, Assessor de Imprensa do Conselho Regional de Economia,  IBGE, Creci entre outros veículos)  

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Opinião

JOSÉ DE PAIVA NETO – Religião não rima com intolerância

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Em 21 de janeiro, celebra-se o Dia Mundial da Religião. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, na década de 1980, arguido por um leitor se não sectarizaria minha palavra o fato de, em meus escritos, dar muito valor à Religião, expande o que anteriormente havia registrado no primeiro volume de O Brasil e o Apocalipse (1984), que já esgotou várias edições.

Não vejo Religião como ringues de luta livre, nos quais as muitas crenças se violentam no ataque ou na defesa de princípios, ou de Deus, que é Amor, portanto Caridade, e que por isso não pode aprovar manifestações de ódio em Seu Santo Nome nem precisa da defesa raivosa de quem quer que seja. Alziro Zarur (1914-1979), dizia: “O maior criminoso do mundo é
aquele que prega o ódio em nome de Deus”.

Compreendo Religião como Fraternidade, Solidariedade, Entendimento, Compaixão, Generosidade, Respeito à Vida Humana, Salvação das Almas, Iluminação do Espírito que todos somos. Tudo isso no sentido mais elevado. Creio na Religião como algo dinâmico, vivo, pragmático, altruisticamente realizador, que abre caminhos de luz nas Almas e que, por essa razão, deve estar na vanguarda
ética
. Não a vejo como coisa abúlica, nefelibata, afastada do cotidiano de luta pela sobrevivência que sufoca as massas.

Não a entenderia se não atuasse também, de modo sensato, na transformação das realidades tristes que ainda atormentam os povos.
Estes, cada vez mais, andam necessitados de Deus, que é antídoto para os males espirituais, morais e, por consequência, os sociais, incluídos o imobilismo, o sectarismo e a intolerância degeneradores, que obscurecem o Espírito das multidões. (…) E de maneira alguma devem-se excluir os ateus de qualquer providência que venha beneficiar o mundo.

Deus, Sabedoria e Misericórdia

Religião, como sublimação do sentimento, é para tornar o ser
humano melhor, integrando-o no seu Criador, pelo exercício da Fraternidade e da
Justiça entre as Suas criaturas. O Pai Celestial é fonte inesgotável de Sabedoria e Misericórdia, quando não concebido como caricatura, estereótipo, ódio, vingança,
porquanto “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João, 4:8), sinônimo de Caridade.

Com apurado senso de oportunidade, preconiza o Profeta Muhammad (570-632) — “Que a Paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele!” — no Corão Sagrado, Surata Al ´Ankabut (A Aranha), 29:46: “(…) Cremos no que nos foi revelado e no que vos foi revelado. Nosso Deus e vosso Deus é o mesmo. A Ele nos submetemos”.

Vêm-me à lembrança estas palavras de Santa Teresa d’Ávila (1515-1582): “Procuremos, então, sempre olhar as virtudes e as coisas boas que virmos nos outros e tapar-lhes os defeitos com os nossos grandes pecados”.

Religião na vanguarda

Tudo evolui. Ontem os homens diziam, por exemplo, que a Terra era chata. Afirmava-se que o nosso planeta seria o centro do Universo. Por que, então, as religiões teriam de estacionar
no tempo?
 Pelo contrário. Religião, quando sinônimo de Solidariedade e Misericórdia, tem de iluminar harmoniosamente a vanguarda de tudo: da Filosofia, da Ciência, da Política, da Arte, do Esporte, da Economia etc. É também por intermédio dela — a Religião — que Deus, que é Amor, nos manda os mais potentes raios da Sua Generosidade. (…)

Bem a propósito esta meditação do nada menos que cético Voltaire (1694-1778): “A tolerância é tão necessária na política como na religião. Só o orgulho é intolerante”.

Para amainar a frieza de coração

Cabe reiterar esta máxima abrangente de Zarur: “Religião, Filosofia, Ciência e Política são
quatro aspectos da mesma Verdade, que é Deus”.

Ora, querer conservar os ramos do saber universal confinados em departamentos estanques, em preconceituosa conflagração, tem sido a origem de muitos males que nos assolam, em especial tratando-se de Religião, entendida no mais alto sentido. É principalmente de sua área que deve provir o espírito solidário, que, faltando à Comunicação, à Filosofia, à Educação, à Economia, à Arte, ao Esporte, à Política e à própria Religião, resulta na frieza de sentimentos que tem
caracterizado as relações humanas, nestes últimos tempos.

(…) O milagre que Deus espera dos seres espirituais e humanos é que aprendam a amar-se,
para que não ensandeçam de vez, como na pesquisa para o uso bélico da antimatéria.

O melhor altar para a veneração do Criador são Suas criaturas. Torna-se
urgente que a humanidade tenha Humanidade.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. [email protected] www.boavontade.com

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