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Saúde

Marcada por preconceito, empresária relata vida com psoríase; conheça a doença

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Em 2009, aos 40 anos, Janice Souza de Jesus foi diagnosticada com psoríase. Na época, ela não conhecia a doença, que se desenvolveu em seu corpo inteiro. “Tenho placas, literalmente, da cabeça aos pés”, diz a empresária que procurou ajuda médica por conta de uma verruga na coxa e manchas na pele. “Comecei a chorar”, lembra ao receber o diagnóstico. 

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A psoríase é uma doença que causa manchas e descamações na pele e, diante disso, os portadores sofrem preconceito

Para quem não conhece, a psoríase é uma doença crônica e não contagiosa que provoca vermelhidão e descamação. “Ela ocorre devido a uma falha imunológica que provoca inflamação e, em seguida, renovação acelerada das células da pele”, aponta o Dr. Gleison Duarte, dermatologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia.  

Enquanto em pessoas saudáveis as células da pele se multiplicam e levam, em média, um mês para chegar à superfície, em pacientes com psoríase o processo ocorre de forma contínua e acelerada, em poucos dias, provocando a formação de placas e descamação. A doença, ainda, impacta na qualidade de vida dos portadores. 

Entre os tipos, a mais comum é a em placas, que atinge entre 85 e 90% dos pacientes. Duarte destaca que mais de um terço dos pacientes apresentam sintomas moderados ou graves que são mais difíceis de tratar. Outras formas são a ungueal (das unhas), artropática (causando artrite psoriática), em gotas e palmo-plantar (afetando palmas das mãos e solas dos pés).

A doença pode aparecer em qualquer idade, seja na infância ou na adolescência, mas é mais comum em adultos, principalmente dos 30 aos 50 anos. As áreas mais afetadas incluem couro cabeludo, cotovelos, joelhos, rosto, nádegas, mãos e pés. No entanto, a doença pode atingir outras regiões do corpo. 

Sem uma causa definida, ela pode ter um fator genético, em que 30 a 40% dos pacientes possuem histórico familiar da doença. “Outros fatores como estresse, obesidade, tabagismo, consumo de bebidas alcóolicas, infecções e o tempo frio podem influenciar no desenvolvimento”, explica o dermatologista, que é Mestre e Doutor em Ciência da Saúde.

Sintomas e tratamento da psoríase 

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Identificar os sintomas da psoríase é fundamental para fazer o tratamento e o paciente ter mais qualidade de vida

O especialista explica que os sintomas da psoríase variam de paciente para paciente, mas os mais comuns são manchas vermelhas com descamação da pele, manchas brancas ou escuras, pele descamativa ou fissurada com eventuais sangramentos, coceira, queimação, dor, inchaço e rigidez nas articulações.  

Duarte destaca que existem diversos tratamentos que ajudam no controle da doença que, por ser crônica, não tem cura, mas pode ser controlada por algum tempo. “A gravidade vai determinar o que será feito. É importante lembrar que não importa se é leve, moderada ou grave, já é possível atingir uma pele sem ou quase sem lesão”, aponta. 

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Nos pacientes diagnosticados com casos leves, a recomendação é manter a pele hidratada e utilizar medicamentos como pomadas e cremes nas lesões para ajudar no alívio dos sintomas. A exposição diária ao sol também é importante. No entanto, é importante respeitar os horários adequados para não trazer riscos à saúde da pele.  

“Em casos moderados, além dos passos utilizados no tratamento da psoríase moderada, a exposição à luz ultravioleta A ou B pode ser uma alternativa para controlar os sintomas. Já em casos graves, medicamentos orais ou injetáveis, geralmente, são os mais adequados”, pontua o dermatologista.

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Em todos os casos, sempre que perceber alguns dos sinais, é preciso procurar um dermatologista para que o profissional possa fazer o diagnóstico e indicar como a doença será tratada adequadamente em cada caso. “Controlar os fatores de risco externos também é importante para diminuir as chances de desenvolvimento ou agravamento da doença”, diz Duarte.

No caso de Janice, ela tentou diversos tratamentos. “Usei cremes e pomadas, fiz fototerapia e utilizei medicamentos orais. Mas, quando fui a uma clínica que fazia tratamento imunobiológico para psoríase, minha vida melhorou demais. Continuo com as injeções até hoje”, conta a empresária, que hoje está com a doença controlada. 

Além psoríase, ela também desenvolveu artrite psoriásica, doença inflamatória que afeta as articulações. “Os pacientes podem sentir dores e inflamações nas articulações, assim como lesões e descamações”, destaca o dermatologista, que estima-se que até 10% dos pacientes com psoríase também desenvolvam a artrite psoriásica, sendo comum até 10 anos depois. 

Para o profissional, o portador da psoríase precisa entender que se trata de uma doença sistêmica e não somente da pele e articulações. Por conta disso, é importante ter hábitos saudáveis, como realizar atividades físicas, evitar cigarro e álcool e dormir bem. A hidratação diária da pele com emolientes pode ajudar no controle das lesões e da coceira.

Embora a doença apareça em todas as épocas do ano, os cuidados nos dias frios devem ser redobrados. Isso porque, por conta da redução dos níveis de radiação ultravioleta, menor frequência de exposição solar e maior ressecamento da pele, é comum que aconteça uma piora nos dias mais frios.  

Como é feito o diagnóstico? 

Geralmente, o diagnóstico é feito através da avaliação clínica dos sintomas apresentados por cada um dos pacientes. “Não existe um exame de sangue, por exemplo, que comprove a psoríase. As lesões avermelhadas e placas esbranquiçadas são características da doença”, ressalta o profissional. 

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Por outro lado, se ao detectar descamação da pele e lesões avermelhadas e ainda não ter certeza do diagnóstico, o médico poderá pedir uma biópsia para diferenciar a psoríase de outras doenças de pele que apresentam sintomas parecidos, como é o caso, por exemplo, da dermatite seborreica. 

“Comunique ao seu médico se, além da psoríase, tem outros sintomas que parecem não ter nenhuma relação: dor ou rigidez articular, dor de coluna/quadris, problemas hepáticos ou renais, dificuldades de ereção ou outros problemas sexuais, dor nos olhos ou dificuldade em enxergar bem, além de diabetes, colesterol alto ou pressão alta”, alerta Duarte. 

Preconceito em torno da doença 

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A conscientização por parte da população é importante para evitar que as pessoas com a doença sofram preconceito

Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia apontam que, em todo o mundo, mais de 125 milhões de pessoas possuem a doença. No Brasil, são mais de cinco milhões de portadores. E, infelizmente, muitas dessas pessoas sofrem preconceito diariamente em diversas circunstâncias do dia a dia.

Janice, por exemplo, já passou por vários momentos constrangedores nos últimos anos. “Na praia, em encontro com amigos, reuniões de negócios”, relembra a mulher, que também viveu situações complicadas na academia. No caso, as pessoas não queriam se aproximar ou até mesmo utilizar os mesmos aparelhos em seguida por conta da aparência de sua pele.  

Além das questões sociais, a doença afetou outros aspectos do cotidiano da empresária. “A psoríase impactou minha vida sexual também. Não me sentia à vontade para mostrar meu corpo para meu marido. Tanto ele quanto minha família foram essenciais no apoio para eu dar continuidade com o tratamento”, destaca. 

O dermatologista aponta que a falta de informação é a principal causa de preconceito. “ A psoríase não é contagiosa. Porém, devido a aparência das lesões, muitas pessoas se afastam de quem tem a doença com medo do contato”, diz. Com isso, os pacientes acabam se afastando das pessoas e, muitas vezes, não conseguem levar uma vida normal.  

“Foi realizada uma pesquisa que mostrou que o Brasil é o segundo país onde os pacientes são mais humilhados e discriminados por conta da psoríase . Cerca de 95% dos pacientes brasileiros afirmam ter sofrido algum tipo de preconceito por causa da doença. A média mundial é de 85%”, pontua o profissional. 

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Diante desses dados, é fundamental discutir a doença e esclarecer as dúvidas dos pacientes e das pessoas ao redor deles. “É importante para os pacientes saberem que existem métodos de controlar a doença e atingir uma pele sem lesão”, destaca Duarte ao falar sobre a campanha Pele Sem Psoríase , que tem como objetivo a conscientização.  

Fonte: IG Saúde
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Saúde

Painel internacional diz que estamos despreparados para nova epidemia mundial

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O Conselho de Monitoramento para a Preparação Global (CMPG), publicou seu primeiro relatório sobre a saúde no mundo. O documento é menos otimista do que muitos esperavam e faz um alerta importante: estamos sob ameaça de novas doenças pandêmicas e não há preparo para elas. 

Epidemias podem se espalhar rapidamente no mundo arrow-options
BBC

Mais de 600 amostras de sangue de pacientes da Guiné serão analisadas

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De acordo com o painel – montado em conjunto pelo Banco Mundial e Organização Mundial de Saúde (OMS) –  epidemias como ebola, gripe e sars estão cada dia mais difíceis de gerenciar devido ao cenário de longos conflitos e imigração forçada. 

“Um patógeno rápido teria potencial de matar dezenas de milhões de pessoas, desorganizando economias e prejudicando a segurança nacional”, diz um trecho do relatório. 

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O documento ainda critica a ação dos países contra o surto de ebola que devastou a África Ocidental entre os anos de 2014 e 2015 e diz que “por muito tempo, permitimos que se instalasse um ciclo de pânico e negligência quando há epidemias”.

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Outra preocupação do Conselho de Monitoramento seria a velocidade com que, hoje, as doenças podem se espalhar através do grande fluxo de pessoas em aviões. Um surto equivalente à gripe espanhola, por exemplo – doença que matou 50 milhões de pessoas em 1918 – hoje poderia se espalhar por diferentes países e deixar até 80 milhões de vítimas fatais em menos de 36 horas. 

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O documento faz um apelo aos governos e pede que seja dada a necessária atenção “às lições que esses surtos estão nos ensinando”, além de um maior investimento para fortalecer sistemas de saúde e pesquisas. Também existe uma lista de propostas e soluções que podem ser adotadas pelos países para reduzir os danos de novas epidemias.

Fonte: IG Saúde
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Saúde

5 cuidados básicos para sobreviver às mudanças de tempo sem ficar doente

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A combinação entre baixa umidade do ar e mudanças de tempo pode ser hostil para o sistema respiratório de muita gente. Com previsão de mais uma queda brusca de temperatura para este fim de semana em São Paulo, quem vive na cidade já procura maneiras de diminuir o desconforto e o risco de contrair doenças.

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Mudanças no tempo podem agravar problemas respiratórios

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De acordo com a médica otorrinolaringologista Maura Neves, os problemas – que vão desde o agravamento de alergias até infecções virais – acontecem devido a uma espécie de “sobrecarga” nas funções do corpo.

“É um estresse para o sistema respiratório, que precisa adaptar-se às novas condições de umidade e temperatura. Além disso, o tempo seco prejudica as defesas do nariz por causa do muco ressecado, o que abre portas para algumas infecções”, explica. 

Diminuir os riscos e o desconforto do temido “efeito gangorra”, porém, é possível com alguns cuidados simples. Veja quais são: 

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1. Beba água! 

A dica parece simples, mas de acordo com Maura Neves é justamente nisso que muita gente descuida. Principal fonte de hidratação, a ingestão de água ainda é fundamental para repor os líquidos que, durante o tempo seco, sempre são perdidos para o ambiente.

2. Faça lavagens nasais 

Para limpar as impurezas do ar, umidificar as vias nasais e garantir o conforto pelo melhor funcionamento do nariz, a dica é lavá-lo com soluções salinas ou soro fisiológico . “É ideal para diminuir o desconforto de pessoas alérgicas ou não. A lavagem pode ser feita de duas a três vezes por dia”, recomenda a profissional.

3. Umidifique o ambiente 

Umidificadores, bacias com água dentro do quarto ou até mesmo uma toalha molhada na cabeceira da cama podem garantir uma noite mais tranquila. Para quem é adepto de melhorar o ambiente com recipientes cheios d’água, porém, a médica alerta: “Não adianta uma bacia muito cheia d’água, porque o mais importante é que ela evapore. Um prato com água ou bacia rasa são ideais para deixar o cômodo mais úmido”.

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4. Não descuide da alimentação 

Outra orientação básica, mas fundamental. A profissional destaca que “não é possível olhar o corpo como partes separadas. Independente das mudanças de tempo ou umidade do ar, o sistema respiratório depende do bom funcionamento de todas as outras partes” e, por isso, um prato colorido e equilibrado não pode ficar de fora! 

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5. Lave as mãos 

Muitas das crises alérgicas e infecções são ocasionadas por microorganismos que são levados das mãos para o resto do corpo. Para evitar complicações, ainda mais com as mudanças de tempo , é importante não descuidar da higiene das mãos. “Caso não seja possível lavar com água e sabão, o álcool gel também é uma boa opção nos momentos de pressa”, recomenda Maura.

Fonte: IG Saúde
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