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Opinião

MANOEL VICENTE DE BARROS – Gatilhos da 2ª onda

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Situações traumáticas marcam. Medo, batedeira no peito, falta de ar, frio na barriga. Doeu, mas passou. Nosso cérebro armazena essas memórias nas camadas mais profundas e elas podem emergir à superfície trazendo todo o borbulhar de sensações e angústia do sofrimento original.

Uma palavra, um cheiro, uma notícia pode ser o gatilho para reviver aquele evento e todas as sensações associadas. Uma vez que o gatilho é disparado, é difícil interromper o que se segue, o processo ganha vida própria.

Esse mês estudos apontaram que o COVID 19 pode ter efeito direto sobre o cérebro dos infectados, mas muito além da invasão ao tecido nervoso, parece que ele penetrou fundo em nosso emocional e gerou memórias traumáticas.

E os gatilhos estão aparecendo: poucos leitos, lockdown, nova onda, e o turbilhão emocional do primeiro susto também ameaça voltar.

Quando pensamos no vírus, emergem o medo, a incerteza, o temor pelos entes queridos e a insegurança financeira. Também pode emergir a raiva dos que não se isolaram ou da obrigação ao isolamento. Entrar nessa estressa ainda mais sua saúde mental.

Se focar ao máximo em informações realistas do presente te ajuda a interromper o fluxo emocional negativo.  É se beliscar para acordar.

Quem se fixa no presente não se entrega a memórias ou confabulações de um futuro catastrófico. Usa como referência apenas o que realmente está acontecendo. Então vamos aos fatos, efetivamente existe uma pandemia. Um vírus não pode infectar menos pessoas, sempre serão mais, os números vão subir, querendo ou não. Podemos tentar diminuir a velocidade e só.

Países ricos europeus e nossos vizinhos latinos não foram capazes de prevenir uma triste segunda onda, então era certo que ela nos atingiria também.

É importante ter em mente que estamos muito mais preparados. Médicos tiveram tempo de aprender sobre o manejo da doença, a melhor hora de prescrever o remédio certo, o uso de oxigênio e prevenção de tromboses. Os estabelecimentos estão adaptados, com mais higiene, distanciamento, máscaras são realmente vistas em qualquer lugar.

Sim, bares estão cheios, pessoas sem proteção ainda estão por aí, mas a maioria está fazendo o que é possível. No começo da pandemia a orientação era de máscaras apenas para os doentes, então certamente avançamos.

Um lockdown é questão de tempo, pois os números justificam, mas deve ser menos duradouro que o primeiro e não seremos privados de espaços abertos. Empresas se modernizaram, a telemedicina avançou, consumidores estão mais à vontade na Internet e nos aplicativos.

É indiscutível que estamos mais próximos da imunidade coletiva do que 10 meses atrás. Vários foram contaminados e já tem anticorpos que conferem proteção, não absoluta, mas significativa. Profissionais de saúde e idosos mais frágeis estão sendo imunizados.

Nossos eus da primeira onda invejariam essas vantagens, o você de hoje precisa ter clareza delas. Dominado por gatilhos, não existe clareza. Devemos seguir com serenidade para aceitar o que não se pode mudar, coragem para enfrentar essa segunda onda e não perder de vista o que já conquistamos.

Manoel Vicente de Barros é psiquiatra em Cuiabá

 

 

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Opinião

LICIO MALHEIROS – Projeto Transporte Escolar

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O Calcanhar de Aquiles, dos governos: Federal, Estadual e Municipal. Passa necessariamente pela questão da educação, que já vinha apresentando fortes sinais de desaceleração e baixo rendimento, em termos de ensino-aprendizagem.

Nessa relação, educador e educando os mesmos trocam de papéis o tempo todo: portanto o educando aprende ao passo que ensina e o educador ensina e aprende com o outro, desta forma ocorre feedback.

Em função da falta de políticas públicas voltadas a atender as necessidades prementes dos educandos; por falta de profissionais qualificados na educação, além de um elemento norteador da mesma, principalmente em município mais distantes da Capital. Um outro elemento norteador que ajuda aguçar ainda mais desinformações   nas regiões mais longínquas, passa necessariamente, pela falta do transporte escolar.

O transporte escolar é um meio de acesso à educação, frequência às aulas e redução dos índices de evasão escolar, pois possibilita aos alunos residentes em áreas sem unidade escolar a devida inclusão educacional.

Agora, com o surgimento dessa doença maldita a Covid-19, as questões educacionais ficaram deixadas para segundo plano; em função da falta de aulas presenciais, que neste momento, é perfeitamente compreensivo, porém essa situação se agrava nos municípios mais longínquos da Capital, pela grande quantidade de propriedades rurais    existes e principalmente pela falta do transporte escolar,  um ônibus ou micro-ônibus.

Felizmente hoje, o parlamento estadual, mais precisamente a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em seus quadros, vem apresentando uma plêiade de parlamentares municipalistas, com visão altruísta e baseadas em visitações in loco por parte dos mesmos, para detectarem as regiões mais sofridas no interior.

As redes sociais hoje, representam papel de destaque no encaminhamento das informações; como acompanho pari passu as informações, deparei-me com uma informação, que talvez para nós da Capital, não surta tanto efeito, porém para a cidade de Barra do Garças e cidades circunvizinhas, está notícia por certo,  será  alvissareira.

O deputado estadual Elizeu Nascimento (PSL), em suas redes sociais, deu ênfase, ao dizer ter destinado de sua emenda parlamentar o valor de R$ 280 mil, para aquisição de um micro-ônibus para o município de Barra do Garças – MT.

Foi além ao dizer “Reconheço a real necessidade do transporte escolar para facilitar o acesso e aprendizagem dos alunos que residem no campo é importante para fortalecer sua identidade cultural, principalmente das pessoas que no campo vivem e constroem suas histórias de vida”. Ele fecha sua fala, com uma frase de efeito “Investir em Educação é investir no futuro”.

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

 

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Opinião

LUIS FERNANDO BOTELHO FERREIRA – Acorda, Brasil!

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Avaliando os últimos e recentes dados divulgados pelas Nações Unidas quanto ao ranking do Índice de Desenvolvimento Humano-IDH, deparamo-nos com a estagnação do Brasil na 84ª posição. Já quando olhamos somente para a desigualdade social, a nossa “Pátria amada” perde 17 posições. O alarme soa quando observamos que perdemos para países como Colombia, Chile e México!.

Em contrapartida a esses números, é sabido que possuímos a maior carga tributária do mundo, onde é divulgado o dígito de 36,2% do PIB como sendo da carga tributária. Porém isso reflete apenas se levarmos em conta o que os governos conseguem arrecadar. Se considerarmos o que os brasileiros deveriam pagar, essa aberração numérica chegaria a 47,9% do PIB. Você está espantado? Sim, os governos tentam ficar com aproximados 50% de toda a produção dos habitantes da Terra Brasilis.

Poderíamos até comemorar, pois uma arrecadação dessas faria com que fôssemos 9ª economia do mundo, no entanto nossos resultados são tão pífios que a muitos desanima. Apesar de todas essas montanhas e montanhas de recursos arrecadados, a maioria, “em troca”, continua a receber os piores serviços de saúde, educação, transporte, infraestrutura, dentre outros. Tudo isso parece exercício de retórica, pois o sofrimento do brasileiro é de domínio público, tendo este que trabalhar 5 meses por ano somente para manter a lenta caminhada desse elefante chamado Administração Pública, que está cada vez mais gorda e corrupta e que, dia-a-dia, busca intervir mais na vida do contribuinte. Estado faminto e habilidoso em criar, cada vez mais, burocracias e entraves, devolvendo quase nada de resultados, ou seja, todos os poderes em uma corrida incessante por verba, verba e mais verba.

Com uma inflação que transpôs a barreira dos dois dígitos, e além, devido à era Lula/Dilma, começou já nesses governos o desmoronamento do Castelo de Areia construído pela economia ideológica da esquerda, que, em piscar de olhos, passou da esperança à crise, sem sustentabilidade da nossa realidade. Castelo construído na base da irresponsabilidade e escândalos, como “nunca antes na história”; decorado pelas mãos e ações dos marqueteiros laranjas, todos presos. A Copa do mundo 2014, Olimpíadas 2016 e demais projetos faraônicos e mentirosos, ao arrepio de planejamento e recursos, não poderiam ter nos deixado outro legado e rastro que não o de um tsunami: obras públicas inacabadas (7.000 obras), sistemas educacional (aparelhado), de segurança, de saúde e de empresas públicas falidos! Está bom para você? Claro que não! Para limparmos isso tudo não bastará vontade, mas uma operação pós-guerra!

Hoje vemos asseclas desses ex-governantes falando de estufar o papo do quanto foi bom aqueles tempos. Fala sério! Que tempo? Hoje percebemos que foram tempos de desenvolvimento e fartura ilusórios, operados por gangsteres que nos roubaram, inclusive, a esperança. Se tivesse sido bom mesmo, estaríamos usufruindo até hoje. Alguém está, porem poucos privilegiados, veja o IDH.

Um verdadeiro plano desenvolvimentista tem que ser alicerçado em boas e viáveis estratégias. Consequentemente o sucesso será para gerações e atenderá aos interesses de todos os grupos sociais da nação. Não aceitemos mais que nosso futuro seja construído em areia como foi, mas sim em bases sólidas de VERDADES, para que consigamos atravessar, ao menos, uma ventania.

A diferença entre as nações pobres e ricas não está na dependência de recursos naturais nem da idade de sua descoberta, mas da responsabilidade de seus governantes e agentes públicos.

Luis Fernando Botelho Ferreira é servidor público municipal

 

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