conecte-se conosco


Opinião

MANOEL VICENTE DE BARROS – Afinal, o que faz o Psiquiatra?

Publicado

Muito mais que “médico de doido”, o psiquiatra atua nas alterações de humor, como tristeza e irritabilidade, do comportamento, como a impulsividade, e dos pensamentos.

A psiquiatria ganhou essa fama, de tratar apenas pessoas com alterações graves, com quadros incapacitantes, porque por muito tempo esse era realmente o público atendido pela especialidade.

Quem tivesse situações mais leves e moderadas tinha poucas alternativas a não ser aprender a conviver com os sintomas e sofrimento durante grande parte da vida. As medicações tinham efeitos colaterais importantes, como ganho de peso e sonolência.

Desse retrato do passado, veio a imagem que alguns ainda tem do médico psiquiatra.

Da década de 90 para cá, a ciência evoluiu, a especialidade cresceu, a compreensão do ser humano só aumentou.

O tratamento com o psiquiatra não é mais sinônimo de “ficar dopado o dia inteiro”, de ganho de peso, nem de piora de qualidade de vida. Da mesma forma, o tratamento não é mais para quem está “no fundo do poço”, com depressão grave, esquizofrenia ou doenças que precisam de internação.

Não só as medicações ficaram mais modernas, aumentaram as abordagens de terapia, e surgiram tratamentos não medicamentosos, como a Estimulação Magnética Transcraniana.

Entendemos que alterações no estilo de vida, com prática de exercícios, meditação e espiritualidade podem ser transformadoras.

Isso mudou tudo. Agora o Psiquiatra deve ser visto como o médico de quem quer se sentir bem, de quem sabe que não merece conviver com sofrimento diário, de quem não está se sentindo no controle da própria vida. Você pode estar com um problema passível de melhora.

Se a sua preocupação são os efeitos colaterais, então fale sobre isso. Não quer ficar dependente de medicação? Questione o profissional. A consulta é o momento de falar e ser ouvido sem julgamentos.

Antes de tratar sintomas da mente, nós lidamos com gente. Não tenha medo, procure atendimento, o vínculo que você vai desenvolver pode iniciar uma nova fase da sua vida.

Manoel Vicente de Barros é Médico Psiquiatra em Cuiabá e atua no tratamento de Depressão e Ansiedade, CRM 8273, RQE 4866.

 

 

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Opinião

MAX RUSSI -Inclusão e respeito às PCDs

Publicado

Estamos na Semana Nacional de Luta pelas Pessoas com Deficiência e são inúmeras as questões enfrentadas pelas PCDs, que mesmo diante de diversas políticas afirmativas que vêm sendo construídas no Brasil ao longo dos últimos anos, sabemos que essa é uma parcela da população que ainda mais sofre com as ausências de políticas públicas do Estado.

Para contribuir com a construção de uma sociedade realmente inclusiva, tenho priorizado os temas relacionados às PCDs junto à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e ao PSB Mato Grosso.

Só neste ano, já apresentei cinco projetos de leis que tratam sobre temáticas relacionadas às PCDs. São proposições que buscam, acima de tudo, a inclusão, o amparo social e a garantia de que a vida na comunidade será menos penosa.

Em um desses, o PL 182/2021, determina que deve ser obrigatória a fixação de placas no sistema braile, que possam indicar o sentido das escadas rolantes. Uma medida que pode parecer banal para nós que enxergamos, mas que faz toda diferença para que pessoas que possuem cegueira tenham acesso a ambientes muitas vezes pouco frequentados por elas, por falta de acessibilidade, como shopping center.

Temos dois projetos que tratam sobre a importância do gerenciamento de dados. O PL 36/2021 dispõe sobre a obrigatoriedade de informação sobre o nascimento de bebês com deficiência às Secretarias de Saúde. O segundo é o PL 271/2021, que dispõe sobre o cadastramento de recém-nascidos e crianças com deficiência, que forem atendidas em unidades públicas e privadas de saúde. Esses PLs visam criar mecanismos de acompanhamento e identificação que possam otimizar a aplicação das políticas públicas de forma assertiva e ágil.

Também propus, via PL 40/2021, a regulamentação da profissão de tradutor e intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras), uma profissão que é indispensável para que a acessibilidade seja uma realidade para as pessoas com surdez.

Por fim, dentre as proposições que fiz neste ano, está o PL 818/2021, que institui o uso do Colar de Girassol como instrumento para auxiliar na orientação e identificação de pessoas com deficiências ocultas. Essas pessoas muitas vezes são questionadas de suas deficiências ou até mesmo barradas na hora em que exigem seus direitos. Dentre as deficiências ocultas mais conhecidas está o transtorno do espectro autista.

Sabemos que existe muito mais a ser feito pelas PCDs, e que nossa luta só está começando. E no nosso caso, o PSB MT está alinhado com a Tese 401 da Autorreforma do partido, que estabelece: “as lutas libertárias de mulheres, negros, trabalhadores, LGBTs, jovens, idosos, pessoas com deficiência e movimentos populares devem ser compreendidas como uma das linhas prioritárias da atuação partidária, devendo o Partido ajudar a organizar suas bandeiras, respeitando sua autonomia e diversidade, sem perder de vista a visão geral do Brasil como uma potência criativa e sustentável”.

O PSB Mato Grosso está firme neste propósito de garantir que a inclusão e o respeito às pessoas com deficiência aconteçam em todos os âmbitos do Estado.

MAX RUSSI é deputado estadual, presidente da ALMT e do PSB-MT.

 

Continue lendo

Opinião

IRAJÁ LACERDA – Ações possessórias

Publicado

A natureza jurídica da posse é um dos temas mais controversos do Direito brasileiro. Devido a mecanismos na legislação criados especificamente para tratar do tema, constata-se a posição de destaque que lhe é dado em relação à propriedade.

O próprio Código de Processo Civil dispensa um tratamento especial às ações possessórias, prevendo a possibilidade de concessão de liminar sem o requisito da urgência, e nenhuma abordagem especial, sob o aspecto procedimental, à tutela jurisdicional da propriedade.

Em suma, as ações possessórias são utilizadas quando há necessidade de proteger a posse de determinado bem. De acordo com o artigo 1.228 do Código Civil, “o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha”. Já o Art. 1.210 destaca o direito do possuidor: “O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.”

O esbulho representa a privação total da posse do bem, isto é, o possuidor perde todo o contato com a coisa esbulhada. A turbação pode ser entendida como um esbulho em menor grau; o possuidor perde somente parte da posse do bem. Já a ameaça é a iminência de esbulho ou de turbação, ou seja, não é uma lesão concretizada à posse, mas é um receio de ter o direito de posse violado.

O Novo Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) em seus Arts. 554 a 565 dispõe três ações distintas para proteger o legítimo possuidor e a sua posse: a ação de reintegração de posse, a ação de manutenção de posse, e o interdito proibitório. Cada uma é identificada pelo ato que coloca a “posse” em risco.

O NCPC, que passou a vigorar em 2016, não altera as regras existentes referente as ações possessórias, porém, trouxe a garantia constitucional disposta no Art. 5º, LXXVIII referente à celeridade processual, e acrescenta dispositivos que regulamentam, em especial, a legitimidade coletiva e a possibilidade de mediação em conflitos derivados da posse de bens.

Diante da legislação atual conclui-se, portanto, que um invasor pode receber do Estado a proteção da posse de um imóvel em desfavor do seu proprietário, entretanto, como a posse não tem sempre as mesmas características, pode acarretar consequências jurídicas diversas devido à complexidade que cada caso exige. O fato é que esses avanços no ordenamento jurídico se adaptam às transformações sociais e ocorrem para garantir que o direito de todos sejam respeitados.

Irajá Lacerda é advogado.

 

Continue lendo

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana