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Mais tempestades como a de Recife são uma certeza, diz especialista

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Mais tempestades como a de Recife são uma certeza, diz especialista
Flickr/Palácio do Planalto

Mais tempestades como a de Recife são uma certeza, diz especialista

Sul da Bahia, Minas Gerais, Petrópolis, Paraty e, agora, Recife. Em praticamente seis meses diversas ocorrências de tempestades no país resultaram em tragédias, com cidades soterradas, centenas de mortes, milhares de desabrigados. A intensificação e o aumento na frequência desses eventos extremos, porém, não podem ser apontados como uma notícia surpreendente, explica Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“Isso já era previsto desde o primeiro relatório do IPCC, há mais de 25 anos”, explica o especialista em mudanças climáticas.

Da Alemanha, onde está participando de uma semana de trabalhos no Instituto Max Planck de Bioquímica, uma das instituições europeias que vem se debruçando sobre o debate do aquecimento global, Artaxo, que também trabalhou na Nasa e na Universidade de Harvard, falou com O GLOBO sobre a tragédia no Grande Recife, que já vitimou mais de 90 pessoas e deixou cerca de 5 mil desabrigadas. O físico explica que, atualmente, não se trata de uma questão sobre a possibilidade de novos eventos semelhantes acontecerem no Brasil. Trata-se de uma certeza, só não se sabe, ainda, exatamente onde e quando acontecerão de novo.

Segundo Artaxo, o governo precisa adotar ações emergenciais de fortalecimento de Defesa Civil e de retirada de moradores de área de risco. E também precisa cumprir as promessas internacionais de cessar o desmatamento no país, além de reduzir as emissões de gases causadores de efeito estufa.

Como a tragédia de Recife se encaixa na tendência de aumento de eventos extremos no planeta, uma consequência sempre alertada por especialistas em função do aquecimento global?

Os eventos climáticos extremos estão aumentando rapidamente, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Veja a onda de calor de 52 graus, que está fazendo agora na Índia, por exemplo, então é um fenômeno mundial. Está aumentando sim (a tendência), fortemente, e também no Brasil.

Então é possível que aconteçam outros casos semelhantes, em breve, no país? Não é que seja possível que vão ocorrer outros eventos. É com certeza. Aconteceu, somente nos últimos seis, sete meses, em Petrópolis, em Paraty, no Sul da Bahia, em Minas Gerais, e agora no Recife. Então não precisa nem ser cientista para perceber que o clima está indo para uma direção de eventos extremos cada vez mais fortes.

O que aconteceu em Recife foi algo muito fora da curva?

Não há curva. O que acontece é que os eventos climáticos extremos estão aumentando de frequência e intensidade, isso é uma realidade. Já era previsto desde o primeiro relatório do IPCC, há mais de 25 anos, e estamos vendo a intensificação dos eventos devido à maior quantidade de energia no sistema climático global causado pelo aquecimento.

Quais os principais emissores de gases de efeito estufa no mundo?

Das emissões totais, 83% vêm da queima de combustíveis fósseis e 17% do desmatamento de florestas tropicais no mundo. A maior força do desequilíbrio climático global é a queima de combustível fósseis pelos países desenvolvidos.

E o que cabe ao Brasil no combate ao aquecimento global?

O país precisa reduzir sua emissão de gases de efeito estufa e reduzir o desmatamento para zero, conforme o governo se comprometeu na COP-26 (26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), em uma meta até 2028.

Mas na prática estamos vemos isso?

Compromisso internacional é compromisso internacional. Um país que deseja recuperar sua credibilidade internacional precisa cumprir esses compromissos. Mas as políticas públicas e ações tomadas pela atual gestão não sugerem que a promessa será cumprida.

O que o Brasil precisa fazer como medidas emergenciais, então?

O Brasil vai ter que se adaptar às mudanças climáticas, que não são só os eventos extremos, inclusive. E isso demanda ação governamental urgente, para que mitigue o impacto causado na população. É preciso, por exemplo, reforçar a Defesa Civil e retirar a população de áreas de risco.

O senhor já declarou, em outras ocasiões, que o Brasil é um país vulnerável dentro do contexto de desequilíbrio climático. Por que?

Primeiro porque é um país tropical, então sentimos mais os impactos do que em outros países de regiões mais temperadas. Segundo, por causa da precariedade social e econômica da maior parte da população. Obviamente que uma chuva forte impacta mais, em média, um cidadão do Brasil do que um cidadão da Alemanha.

Quais efeitos do aquecimento global já estamos sentindo no país, além da recorrência de eventos extremos?

O clima mudou, em alguns lugares do Brasil a temperatura média aumentou de dois a três graus. Está chovendo menos no Brasil central e no Nordeste, e isso requer uma política pública de adaptação às mudanças climáticas. O aumento gradual da temperatura pode ser visto em qualquer cidade, assim como a forte alteração no perfil de chuva. O Brasil está se tornando cada vez mais seco, com menos precipitação.

Algum efeito já pode ser considerado irreversível?

Isso depende de vários fatores. Mas, no caso do aquecimento global, evidentemente que num espaço de tempo de milhares de anos, é algo irreversível. Porque os gases de efeito estufa continuam aquecendo o planeta.

O que se projeta para a situação do Brasil nos próximos anos?

Hoje nós não temos uma política de adaptação às mudanças climáticas e, obviamente, sofremos com vulnerabilidades extremamente importantes. Precisamos de um governo que se preocupe com os impactos principalmente na população de baixa renda, e que se preocupe com as mudanças climáticas como um todo.

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Justiça de SP condena mulher que roubava vítimas conhecidas no Tinder

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Mulher marcava encontros via Tinder e roubava as vítimas
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Mulher marcava encontros via Tinder e roubava as vítimas

Uma mulher foi condenada por roubar homens com os quais marcava encontros por meio de aplicativos de relacionamento . De acordo com a decisão da 2ª Vara Criminal (São Carlos) do Tribunal de Justiça de São Paulo, Maria Angélica Macedo da Silva recebeu uma pena de mais de 19 anos de prisão em regime fechado após praticar o golpe contra pelo menos três vítimas.

Os crimes teriam ocorrido no início do ano passado, quando ela criou uma conta no Tinder, conheceu um homem e marcou um encontro com ele. Durante o passeio, ela disse estar armada e que pertencia a uma facção criminosa. 

O homem, então, entregou a carteira, mas conseguiu fugir da abordagem durante um momento de distração da acusada, logo após ela pedir senhas dos cartões.

A vítima, no entanto, ainda foi atingida com um golpe de faca no braço. Além dele, outros dois homens foram alvos do mesmo golpe praticado por Maria Angélica. Também por meio de redes sociais de relacionamento, ela conseguiu marcar encontros com cada um deles.


Em ambas as ocasiões, o carro ele em que eles estavam eram interceptados por comparsas da acusada, que levavam os pertences. Nos dois casos, as vítimas também conseguiram fugir e ajudaram na identificação da acusada na delegacia.

“O reexame do acervo coligido traduz inequívoca convicção quanto ao acerto do desate condenatório, já que Maria Angélica foi reconhecida por três vítimas distintas como a pessoa que, após atrai-las, subtraiu, ou tentou subtrair, bens e valores que lhes pertenciam”, diz trecho da decisão, proferida pela desembargadora Claudia Fonseca Fannucchi.

Em sua defesa, Maria Angélica “negou as imputações, alegando que, no momento dos fatos, estava em casa” e “afirmou que não conhece as vítimas e não possui telefone celular, ou conta no aplicativo ‘Tinder’”, reiterando, em juízo, que tinha apenas um perfil no Facebook e que “ficava em casa em isolamento”, versão considerada “frágil” pelo tribunal.

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Fonte: IG Nacional

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Unesp investiga acusações de assédio contra professor

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Alunas da Unesp Bauru denunciam professor por assédio
Reprodução/Twitter

Alunas da Unesp Bauru denunciam professor por assédio

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) instaurou nesta segunda-feira, 4, uma sindicância administrativa para apurar as acusações de assédio sexual feitas por estudantes contra Marcelo Magalhães Bulhões , professor adjunto da instituição.

Em nota, a universidade disse que “não poupará esforços para apurar e punir eventuais culpados”, e informou que o prazo para a conclusão da sindicância é de 60 dias, mas com a possibilidade do processo ser prorrogado pelo mesmo período.

Na última sexta-feira, 1º de julho, Bulhões foi alvo de uma manifestação feita por estudantes do câmpus de Bauru, interior de São Paulo. Elas afirmam ter sido vítimas de assédio sexual cometido pelo docente.

As jovens exibiram banners com fotos das conversas que o professor supostamente teve com as alunas via e-mail, redes sociais e aplicativos de mensagens. Nos diálogos, Marcelo chegava afirmar estar interessado em ter relações sexuais com as estudantes – “a verdade é que o nosso desejo não passa”, teria dito ele em uma das mensagens enviadas.

“A Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) repudia toda e qualquer prática de assédio. A atual gestão, iniciada em 2021, não poupará esforços para apurar e punir eventuais culpados”, se manifestou a universidade.

“Nesta segunda-feira, 4 de julho, foi instaurada uma sindicância administrativa para análise e identificação de responsabilidades O prazo para conclusão da sindicância é de 60 dias, prorrogável por igual período mediante justificativa fundamentada.”

No mesmo comunicado, a Unesp afirmou que a investigação foi aberta em decorrência dos protestos da semana passada, e informou ainda que a medida faz parte do protocolo da instituição para o atendimento às vítimas de violência sexual identificadas pela ouvidoria da universidade.

Em 2017, uma sindicância também foi aberta para investigar as condutas de Marcelo. O processo, porém, foi arquivado no ano seguinte. Apesar disso, ele foi afastado do curso de Jornalismo e realocado para lecionar na graduação de Relações Públicas.

Professor nega as acusações

Marcelo Magalhães Bulhões negou na semana passada as acusações e afirmou ser vítima de calúnia por parte das estudantes. Por meio de nota, ele afirma que nunca “houve indício concreto” de já ter praticado assédio ao longo dos 28 anos em que leciona na universidade.

“Foi com estarrecimento que fiquei sabendo que cartazes foram afixados no câmpus com teor acusatório a mim. Estou ainda chocado.”, disse o docente na semana passada. “Entendo que legítimas e importantes demandas da atualidade – luta contra o racismo, movimento feminista – têm produzido uma mobilização de empatia diante de causas importantes. Nesse caso, todavia, estou sendo vítima de calúnia, cuja propagação em tempos digitais é implacável”, acrescentou.

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Fonte: IG Nacional

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