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Opinião

LUIZ HENRIQUE LIMA – Estocolmo 1972

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Uma reunião em Estocolmo cinquenta anos atrás foi decisiva para a humanidade. Foi a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente. Pela primeira vez, reuniram-se representantes de alto nível e de tantas nações para debater temas ambientais, até então ignorados na definição de políticas públicas. Naquele momento, a maior parte dos países, inclusive o Brasil, não dispunha de órgãos ambientais ou de uma legislação minimamente protetora do meio ambiente.

Estocolmo 1972 foi o ponto da virada.

Das discussões acaloradas surgiu a memorável Declaração sobre o Meio Ambiente Humano, que inspirou a elaboração e a compreensão do conceito de desenvolvimento sustentável. O mundo não foi mais o mesmo.

Organizações governamentais e privadas tiveram não apenas que se adaptar, mas modificar profundamente seus processos produtivos e decisórios. Constituições e normas foram alteradas. Universidades redirecionaram suas linhas de pesquisa permitindo extraordinários avanços científicos na compreensão de todas as formas de vida em nosso planeta e da sua interdependência. Na arte e na cultura produziram-se livros, filmes, peças, danças, gravuras e todas as demais formas de expressão criativa. O despertar da consciência ambiental impactou a educação das novas gerações trazendo novos hábitos de comportamento individuais e coletivos.

Com tudo isso, notáveis resultados foram alcançados. Grandes questões que eram relegadas a segundo plano tornaram-se essenciais na definição de políticas públicas, como o licenciamento ambiental para empreendimentos potencialmente geradores de impactos ambientais significativos.

Da mesma forma, o desflorestamento, a proteção dos recursos hídricos e dos oceanos, a coleta e disposição adequada de resíduos sólidos, a criação de unidades de conservação ambiental etc. Em inúmeras regiões degradadas, a adoção de políticas ambientais consistentes permitiu a melhoria da qualidade do ar, a recuperação da balneabilidade de rios e praias, a redução de enfermidades provocadas por poluentes, a proteção de certas espécies ameaçadas de extinção, entre outros benefícios.

De Estocolmo 1972 originou-se a Rio-92, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento que, não por acaso, inverteu a precedência dos termos meio ambiente e desenvolvimento. A Rio-92, com a presença de mais de uma centena de chefes de estado, assinalou a elaboração da Agenda 21 e das Convenções sobre mudanças climáticas e biodiversidade, bem como a assunção de compromissos, objetivos e metas.

Todavia, como canta Milton Nascimento, “se muito vale o já feito, mais vale o que será”. Tudo o que se avançou em termos de proteção ambiental ainda é insuficiente e o planeta enfrenta grandes desafios, como as mudanças climáticas e a perda da biodiversidade que, apesar dos tratados e declarações, não foram desacelerados.

Cinquenta anos depois de Estocolmo 1972, é tempo de renovar a luta, reafirmar princípios, reforçar instrumentos e reunir todos os de boa-vontade em defesa do meio ambiente. Cada um de nós está convocado a agir.

Luiz Henrique Lima é auditor substituto do Tribunal de Contas do Estado

 

 

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Opinião

MARIA AUGUSTA RIBEIRO – Por que não dar smartphone a criança

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Você deixa seus filhos menores de 8 anos ter acesso a um smartphone? E tablets?  Sabia que isso pode acarretar problemas de desenvolvimento, contribuir para que tenha um QI menor que ao dos pais  e ainda expor uma criança a crimes digitais.

Mas as crianças não são nativas digitais? Se a tecnologia é para todos, porque não devemos dar um celular para quem nasceu em tempos de telas para todo lado? “Nativo digital” é apenas um termo, mas o cérebro de uma criança de hoje é fisicamente igual a de 100 anos atrás, então pare com esta bobeira.

QI menor que o dos pais:

Há uma infinidade de estudos sólidos que dizem que uma criança em formação exposta a uma tela, mesmo que em doses pequenas, esta sujeita a ter problemas de desenvolvimento cerebral, de fala, déficit de atenção, atrasos cognitivos, distúrbios de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções.

Já imaginou um pequeno que não consegue se comunicar com os outros, que não consegue ficar um minuto sem olhar para uma tela e ainda que não vai conseguir aprender?

De acordo com o neurocientista Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França e autor do livro “Fábrica de Cretinos Digitais”, que recomendo leitura, diz que as telas estão produzindo pessoas com QI menores que a de seus pais em razão de toda atividade cotidiana de uma criança nos dias de hoje esta ligada a uma tela.

Fotos Íntimas e Pedofilia:

Nos últimos anos, um dos crimes sexuais mais praticados em todo o mundo contra menores é a pedofilia via digital. Muito porque os pais não veem mal algum em publicar fotos dos filhos de biquíni, sem camisa ou mesmo sem roupa quando são bebês.

Expor uma criança em fotos com pouca roupa, não só vai atrair pedófilos, mesmo que seu perfil seja privado, como causar constrangimento no futuro.

E pasmem, com a normalidade de se fazer post muitas crianças também fazem fotos íntimas dos pais sem eles perceberem e publicam na internet, com a ingenuidade de que tudo precisa ser compartilhado.

Estimulo ao Vicio

Você sabia que seu comportamento diante das telas pode estimular o vicio em tecnologia nos pequenos? Não é incomum conhecer alguém que somente se comunicam com os filhos pelos WhatsApp, ou mesmo acredita que dar uma tela na mão de uma criança vai funcionar como uma chupeta ou uma baba.

Há estudos de diversas partes do mundo ligando diretamente a utilização excessiva de tecnologia a uma série de distúrbios emocionais. Entre os mais citados pelos pesquisadores estão depressão infantil, ansiedade, transtorno bipolar, psicose e comportamento problemático.

Crianças tendem a repetir comportamentos dos adultos e de personagens que consideram referências. Logo, a exposição as telas podem gerar vicio em jogos, consumismo e comportamentos agressivos.

A tecnologia é uma ferramenta maravilhosa, mas precisa continuar sendo apenas ferramenta, os pais estão entendendo que ela é um brinquedo e dando na mão das crianças e isso é perigoso.

Este artigo não tem intenção de julgar ninguém, apenas orientar porque muitos entendem que se vivemos em tempos digitais dar um smartphone na mão de uma criança parece ser a saída.

O que as crianças de hoje precisam voltar a fazer é brincar, viver o ócio e de ter tempo de qualidade com a família sem a interação de uma tela na mão. Somente criamos memória quando temos experiências reais. Pense nisso!

Maria Augusta Ribeiro é especialista em Netnografia e Comportamento Digital. 

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Opinião

ALFREDO DA MOTA MENEZES – Sorte e azar na política

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Expressão antiga diz que goleiro bom e político tem que ter sorte. Político de sorte pode estar no lugar certo na hora certa, o de má sorte no lugar errado na hora idem.

Políticos recentes com sorte? Lula e Blairo Maggi. Os dois chegaram aos governos, em 2003, num momento da explosão dos preços das commodities. Impacto forte no Brasil e MT.

Não havia nenhuma crise local, nacional ou mundial. Em 2008 a crise imobiliária nos EUA bateu aqui, provocou confusão econômica. Ambos já estavam reeleitos desde 2006.

Os dois governos se beneficiaram de momento especial na economia mundial. É preciso dizer que os que têm essa sorte tem que ter capacidade para administrar e tocar o bom momento. Se não perde a oportunidade. E dizer também que quem tem a má sorte pode, em tese e com competência, suplantar os problemas.

Caso recente de má sorte é o de Bolsonaro. Primeiro apareceu a crise hídrica. Faltou água nos reservatórios, afetava a área energética. Tarifas subiram, consumidores reclamaram. Com a falta de chuva a coisa esquentou.

Desde março de 2020 o Brasil e o mundo convivem com a pandemia da covid. A regra foi ficar em casa e se cuidar. É mais que óbvio que ia afetar a produção econômica do país. Bolsonaro queria que a população saísse e trabalhasse. O STF, seguindo o que queriam os governadores e prefeitos, concordou com isolamento maior. Aliás, o bom senso recomendava isso.

No meio do caminho dessa má sorte a Rússia invade a Ucrânia e provoca um fuzuê nas áreas de combustível e alimentos. Combustível mais caro, encarece frete, que transporta comida, que ajuda a aumentar a inflação.

O governo corta impostos federais e o Congresso derruba ICMS dos estados. Menos recursos nos cofres públicos para investir. Mas o problema maior está na inflação que atrapalha e muito a vida cotidiana dos mais pobres. E a eleição está bem ali na dobra da esquina.

Por causa da pandemia, da guerra e consequências, a inflação não foi somente no Brasil, apareceu em muitos países. Governos estão aumentando juros, como os EUA e a Europa. Juros mais altos fazem que dinheiro saia daqui para aqueles mercados.

Na esteira desse incômodo momento o dólar pode subir. Com a guerra em andamento o barril do petróleo tende a ter preço mais alto ainda. O que se fez no Brasil para diminuir preço do combustível pode ser derrubado por esses fatores.

Tudo numa avalanche enorme. Muito azar e, no meio do caminho, tem uma tentativa de reeleição. Mostram as pesquisas que o principal fator dessa eleição está na economia. Com inflação alta a coisa pode se complicar.

Não tem cavalo de pau político ou econômico que resolva tudo isso. Ou, na frase conhecida, o momento faz o herói ou o destrói. Bolsonaro estaria sabendo vencer a má sorte política que lhe caiu na cacunda?

Alfredo da Mota Menezes é analista político

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