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LUIZ FERNANDO AMORIM – A cidade que fere; a cidade que mata!

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Sou médico ortopedista e presto serviço a todas às classes sociais, uma vez que atento os meus pacientes tanto no meio privado quanto pelo Sistema Público de Saúde (SUS). Por isso posso afirmar que nossas cidades ferem, mutilam e matam!

O número de pacientes que tenho recebido cuja origem do problema vem do trânsito é algo próximo aos campos de atendimentos das velhas guerras travadas até o século XIX, onde as batalhas se davam por confronto direto entre os oponentes. É possível afirmar que nosso trânsito é um campo de guerra.

As ruas, calçadas e, principalmente, os acidentes envolvendo veículos, motocicletas e bicicletas vão desde pequenas torções a lesões traumáticas que inviabilizam futuros movimentos. Mas tem também aqueles que nem fico sabendo, que tiveram apenas escoriações ou foram a óbito.

A cidade foi feita para viver e acolher as pessoas e não para machucá-las. Então por que está assim? Está assim, primeiro: pelo fato da cidade ser construída pensando em alguns e nunca em todos. Por isso temas como acessibilidade foram e continuam sendo, na maioria das vezes, ignorados.

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Segundo: a regulação do trânsito de automóveis (mobilidade urbana) deve ser tratada com seriedade por parte do Poder Público. Não apenas nas regulações e punições, mas principalmente no exercício de oferecer condições para trafegabilidade, promovendo condições e segurança. No trânsito somos todos iguais. Ricos, pobres, motoristas, pedestres, deficientes ou não, temos os mesmos direitos.

E o que pode ser feito? O município não tem o poder de fazer tudo, mas pode fazer muito.  Calçadas dignas, com acessibilidade, passarela ou túneis para pedestres, vias exclusivas para ciclistas, ou mesmo patinetes ou skate. Sinalizações horizontais e verticais em locais apropriados…

Para o trânsito de automóveis é necessário sinalizar bem e padronizar a velocidade de tráfego, respeitando as condições de ruas de bairro, de áreas comerciais e de vias expressas. O que não pode é em uma mesma rua encontrar dois ou mais tipos de velocidade indicada por placas que mais confundem que orientam.

A fiscalização antes de ser punitiva tem que ser educativa. Há aparato suficiente para fazer uma fiscalização preventiva, mas, acima de tudo, educativa, organizando o trânsito principalmente nos locais mais críticos, colaborando com as pessoas e ensinando, não somente trafegar, mas a conviver com a cidade. Isso se faz com campanhas educativas e agentes nas ruas.

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Muito tem que ser feito. A preferência pela vida tem que vir em primeiro lugar. Afinal, no trânsito somos todos iguais. Precisamos estabelecer prioridades, defender e salvar vidas. Evitar que pessoas se machuquem é uma prioridade inquestionável. O Poder Público tem que garantir a liberdade com responsabilidade para pedestre ou motorista. Desta forma vai estar cuidando da vida e prevenindo acidentes. Viver na cidade tem que ser mais seguro e mais prazeroso!

Dr. Luiz Fernando Amorim é médico ortopedista e traumatologista em Cuiabá

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JOSÉ DE PAIVA NETTO – Deus, Equação e Amor

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O maior estorvo para o grande amplexo entre Religião e Ciência, que são irmãs, é a continuação, no palco do saber, do deus antropomórfico, que não prejudica somente o laboratório, como também o altar.

Guerra Junqueiro (1850-1923), combativo poeta português, que ainda hoje provoca silêncio temeroso ou polêmica, canta o Deus Divino em oposição ao deus humano, vingativo e sanguinário, nestes versos tocantes de “O Melro”, quando um velho abade, comovido com a morte do pássaro, com quem diariamente digladiava, e de seus filhotes, exclama:

“(…) Tudo o que existe é imaculado e é santo!/ Há em toda a miséria o mesmo pranto/ E em todo o coração há um grito igual./ Deus semeou d’almas o universo todo./ Tudo que o vive ri e canta e chora…/ Tudo foi feito com o mesmo lodo,/ Purificado com a mesma aurora./ Ó mistério sagrado da existência,/ Só hoje te adivinho,/ Ao ver que a alma tem a mesma essência,/ Pela dor, pelo amor, pela inocência,/ Quer guarde um berço, quer proteja um ninho!/ Só hoje sei que em toda a criatura,/ Desde a mais bela até à mais impura,/ Ou numa pomba ou numa fera brava,/ Deus habita, Deus sonha, Deus murmura!… (…)/ Ah, Deus é bem maior do que eu julgava…”

Certo estava o abade apresentado pelo autor de A Musa em Férias:

― “Ah, Deus é bem maior do que eu julgava…”

Ele não tem forma humana. Não se trata, pois, do que tão restritivamente alguns ainda cogitam a Seu respeito. O ser humano por enquanto não O vê, mas pode senti-Lo toda vez que, em verdade, ama e Dele se afasta quando odeia. Deus seria, poetizando, uma Sublime Equação cujo resultado é o Amor.

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Como o Universo perspectiva um colossal poema em louvor à ação e à beleza, nesta crônica cabe muito bem a apologia que faz da Eternidade o grande pensador francês Victor Hugo (1802-1885):

“Tudo se move e exalta e se esforça e gravita;/ Tudo se evola e eleva e vive e ressuscita;/ Nada pode ficar na surda obscuridade./ D’alma exilada a senda é toda a eternidade,/ que se aconchega ao céu, que a todos nós reclama./ Aos dóceis se atenua a dolorosa flama/ da dura provação. A sombra faz-se aurora,/ homem e besta em anjos se aprimora;/ e pela expiação, escada de equidade,/ de que uma parte é treva e a outra claridade,/ sem cessar, sob o azul do céu calmo e formoso,/ sobe ao universo dor, ao universo gozo”.

A vanguarda de uma Ciência que elevará o ser humano a raciocínios, hoje, inconcebíveis para a maioria volta o seu olhar para a Espiritualidade.

Alziro Zarur selecionou a palavra de diversos luminares do campo científico, na sua Proclamação da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, entre eles:

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Einstein (1879-1955) — “O homem que considera sua existência e a de seus semelhantes destituídas de sentido não é apenas infeliz: está quase desqualificado para a vida”.

George Davis Snell (1903-1996) — “Se um Universo pudesse criar-se a si mesmo, encarnaria os poderes de um Criador, e seríamos forçados a concluir que o Universo é Deus”.

Edwin Conklin (1863-1952) — “A probabilidade de se haver a vida originado por acaso é comparável à probabilidade de um dicionário completo resultar de uma explosão na tipografia”.

O aplaudido Gilberto Gil, com sua marcante sensibilidade, verseja em parceria com o cantor e compositor Arnaldo Antunes:

“A Ciência não avança/ A Ciência alcança/ A Ciência em si”.

Quanta grandiosidade Deus-Ciência oferece ao nosso bom senso investigativo!

O elétrico diretor de cinema Jéan Cocteau (1889-1963), com muito espírito, convida-nos à audácia:

“Por não saber que era impossível, ele foi lá e fez”.

O conhecimento não tem limites. Que seria de nós sem a Ciência?!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. [email protected] — www.boavontade.com

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WILSON FUÁH – A vida noturna cuiabana

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A vida noturna desta cidade é extraordinária, é só andar por ai. Em todos os lugares existem a magia que transforma todos os pontos, em lugares dos encontros.

Cuiabá a cidade que não dorme, e quando a noitece, as luzes iluminam as almas escuras e os zun-zun das conversas infindáveis existe informa que tem um mundo novo a  esperar pelos boêmios, que se juntam aos artistas anônimos, um violão e uma voz, e a alegria ou tristeza  de uma canção, atinge o coração de quem se ama.

Sem roteiros específicos, as múltiplas músicas são cantadas em forma de misturas sem exclusividade, (do Samba ao Chorinho; do Rasqueado ao Sertanejo), são baladas que embalam a tristeza dos que estão com ausência de amor que se foi ou amplia a alegria de jovens baladeiros, ou aos tristes boêmios modernos, esses barzinhos se transformam no grande  universo de gente comum e ao mesmo tempo tão diferentes.

Com a chegada da noite, a vida prolonga para os “bon vivant cuiabano”,  pois os habitantes noturnos que são a razão do espetáculo dos prazeres da vida, soma-se a mistura da diversidade de gostos e sabores. Pelas mesas existem uma mistura de alegria e tristeza estampada no ar e nos rostos dos novos boêmios, se identifica os seres adoradores da noite, é um universo que não discrimina a formação social, ali estão os intelectuais, os políticos, os estudantes ou puxadores de ferros das academias, e neste mundo da nova Cuiabá, encontramos homens e mulheres solitários por opções ou acolhedores de infindáveis sonhos, estes são contagiados pela magia inexplicável dos “bate-papos” e a cada gole gelado nasce uma felicidade artificial embalada pelos encontros passageiros, que às vezes  finda com o nascer da luz do sol.

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Com a chegada da noite, cada adorador da noite assume o seu lugar na vida noturna de Cuiabá, e  de chope em chope o grande espetáculo noturno é instalado,  nos principais pontos da cidade deixa de ter exclusividade, o mundo do “vai-e-vem” do tribos noturnos  que povoam  a   Praça Popular ou Praça da Mandioca,  onde a noite só termina com a luz do dia; e nesse mundo dos prazeres da carne ou do comer pelos gostos apurados, pessoas buscam lugares nos gostos e sabores do restaurantes da Av. Vargas e Shoppings  com opções infindáveis,  e mesmo passando pelas calçadas da Av. Rubens de Mendonça onde se bebe e se come com a espontaneidade dos estabelecimentos da noite, enfim  esses lugares retratam a cara da Cuiabá festiva e dos encontros noturnos, pois em todos os lugares destas cidade existe alguém a espera de alguém, é só escolher.

O mundo de opções estão em todos os lugares,  a tristeza não faz morada neste lugar, ninguém vive sozinho nesta cidade, a não ser por opção.          Em todo canto  existem pessoas dispostas a ser um grande “PARCEIRO”,   querendo partilha felicidade, porque os sentimentos noturnos são compostos de espontaneidades, basta derrubar as barreiras que são colocadas de imediato em função de imagens desiguais aos iguais, ou por estereótipos não desejados que dificultam o poder de interagir facilmente.
Por opção, muitos preferem passar longe do mundo noturno, acreditam que para cuidar do lado espiritual o caminho é não ter caminho, e se isolam.

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Mas na verdade, é o contrário, as descobertas trazem em si, a obrigatoriedade de compartilhar, porque o mundo é totalmente associativo, quando menos percebemos,  estamos rodeados de pessoas que comungam o mesmo sentimento que o nosso, e é através dessas pessoas felizes ou infelizes que nos escancara as experiências que enriquecem o nosso viver, pois a grande verdade é que nunca seremos felizes isolando em nosso egoísmo de viver eternamente só.

Cuiabá é uma cidade dos encontros, aqui no Centro da América do Sul, é onde todos os caminhos e as histórias se encontram e se confundem, formando a mistura perfeita de gente de todos os lugares e de todas as raças e costumes, é por isso, quem chega por opção ou necessidade parte do mundo, faz de Cuiabá a sua morada eterna.

 Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em Administração Financeira e  Recursos Humanos

Fale com o Autor: [email protected]         

 

 

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