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Opinião

LUIZ CARLOS AMORIM – Homem livro

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Li, outro dia, uma reportagem mostrando o “Homem Livro”, de Aracaju. Por que ele é chamado “Homem Livro”? Porque angaria livros, junta-os e sai à rua para distribuí-los às pessoas, gratuitamente. Ele pede livros em doação e os entrega para quem gosta de ler. Não é sensacional? Já conheci muitos homens livros e muitas mulheres livros. Já vi muitos incentivadores de leitura, gente que sai no bairro e pede livros aos vizinhos e vai formando uma biblioteca comunitária, gente que ao invés de pedir os livros, pede lixo reciclável, então os vende para comprar livros novos para bibliotecas e escolas. Aqui em Florianópolis há até um menino que pediu um cantinho do “boteco” do pai, foi recolhendo livros na comunidade e improvisou uma biblioteca e agora empresta livros às pessoas do bairro. De graça, é claro.
Mas não tinha visto um personagem curioso assim como o “Homem Livro”, que pede livros por onde passa, vai ao centro da cidade caracterizado – na sua roupa existem trechos de livros, capas de livros, tudo sobre livros – e os oferece à comunidade. Precisamos de mais homens livros, precisamos que eles se multipliquem para que o incentivo à leitura e o acesso ao livro, objeto tão caro hoje em dia, seja democratizado de maneira tão generosa.
Precisamos de mais gente generosa como o “homem livro”, que se transformou em estandarte vivo em prol da democratização do acesso à leitura, em prol da criação de mais leitores, promovendo a distribuição de cultura e de informação. É bom ver iniciativas como esta. A gente constata que nem tudo está perdido. Que ainda existem novas ideias, criatividade e dedicação na luta conta a ignorância e a miséria. Que há quem se preocupe com a educação e com a instrução das pessoas, mesmo as mais humildes, ao contrário de nossos governantes, que deveriam promover a cultura e a educação, mas ao invés disso, fazem questão de destruí-las.

Felizmente, conheço gente empenhada em levar livros, de graça, a leitores de todas as idades, democratizando-o e possibilitando o acesso à leitura, como a professora Mariza, de Joinville, e a professora Edna Matos, de Divinópolis, com seus projetos vitoriosos. Sei que há muitas outras pessoas como elas e como o homem livro por aí, graças a Deus, e a gradeço a Ele por elas existirem.
Há uma luz no fim do túnel. Há esperança para nós, seres humanos. Ainda.

Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor

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Opinião

WILSON FUÁ – Tudo é possível

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O medo de mudar vem junto com o poder invisível que provoca  desmotivação, e quando o inédito não é  planejado pode até ser transforma num salto no escuro, pois o receio de errar faz com as pessoas interiorizem as suas vontades apenas em forma de sonhos, por isso, são possuídas pela força do comodismo e preferem ficar eternamente estacionada na zona de conforto.

Seguir pela vida sem ação, não produz resultado nenhum, sabemos que na proximidade de assumir um novo projeto, pode vir junto com uma sensação de insegurança, pela possibilidade de ocorrerem erros e acertos, e diante dessas incertezas é que passamos a conviver com os fatores inevitáveis  e paralisantes.

Os saudosistas vivem presos em grades imaginárias do passado, e viver com o pensamento no passado pode até paralisar as ações futuras, por isso, despeça do que passou, entenda que o futuro está a lhe procurar para viver com ele, saiba usar a vontade  das emoções positivas e entenda que no espetáculo da vida,  pode existir somente uma vaga, ela pode estar especialmente reservada só para você.

O que está esperando?

A vida nos oferece infinitas opções, mas decidir não é fácil. Mas, é preciso tentar, tentar, tentar até que de repente, o que parecia obscuro e intangível, ao usar a força da benevolência e da fé, nos iluminará e mostrará o caminho certo e verdadeiro. Despedir é desfazer de algumas coisas boas, mas algumas dores da vida também ficarão para traz, pois estamos embarcados em veículos transitórios, o importante é deixar para trás algumas coisas que nos prendiam como se fosse um poderoso imã, mas na verdade são apenas forças sentimentais que nos levam ao comodismo, e ao sairmos da zona de conforto com trabalhos e projetos definitivos, o retorno das conquistas aparecerão de forma clara e cristalina, fazendo com que possamos assumir o prazer de ser também um vencedor.

Tudo é possível.

Desistir, não é apenas um verbo qualquer, na verdade é acima de tudo uma ação que nunca deveria ser usada. Quando a vontade de conquista é forte o suficiente, todo o seu corpo é possuído por um prazer de se transformar num ser aspirante, que sabe aonde quer chegar, e a partir daí, nem ninguém,  nem aquelas forças negativas que nasciam do nada, nem o medo de errar poderá impedi-lo, pois a parte mais interessante e comovente,  não é a vitória em si, mas o fato de saber que você nunca vestiu a roupa dos desistentes e apesar dos pesares,  é saber que você jamais abriu mão dos seus sonhos.

O importante é entender que a glória do homem não está tão somente no ato de vencer.  Vencer é apenas uma consequência, pois o código de honra é não desistir nunca, pois a sua vontade verdadeira é que o levará ao encontro do seu próprio prazer de ser também um vencedor.

Econ. Wilson Carlos Soares Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: [email protected]

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Opinião

GABRIEL NOVIS NEVES – Mania dos Cuiabanos

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O cuiabano de “tchapa e cruz” tem o hábito de colocar nome em tudo que encontra e vê, geralmente rico em humor.

Quem não se lembra “da pedra canga”, recém-chegado à Cuiabá (rosto com cicatrizes de varíola)?

O governador do Estado acabara de inaugurar a Escola Senador Azeredo no Porto, com autoridades e povo.

Na saída da festa um transeunte perguntou ao amigo de onde tinha vindo.

Este lhe respondeu: da inauguração da “Escola do Peixe Frito”.

O antigo cuiabano ainda se lembra com humor que o primeiro otorrino de Cuiabá era surdo (Dr. Alberto Novis).

O Tabelião de Registro de Imóveis era cego (Dr. Luís Philipe Pereira Leite).

E o Arcebispo era agiota (Dom Orlando Chaves).

A Academia de Letras era conhecida como “Casa dos Imortais”.

O cuiabano acrescentou: “Casa dos Imortais, Mortais”.

Moro em um espaçoso apartamento com quatro quartos.

Um quarto é onde durmo.

Os outros três têm nomes: “quarto do Pace” (amigo que em vida se hospedava lá), da “enfermeira” (que me acompanha) e do “Fábio” (fisioterapeuta, onde deixa o seu avental branco e material de exercícios).

Acho fantástico essa tradição, que deveria ser mantida como as demais.

Como é gostoso percorrer o centro histórico de Cuiabá, guardião dessa nossa tradição de dar “nomes próprios” aos becos, ruas, avenidas, travessas e morro!

Tenho certeza que poucos cuiabanos conhecem o “Parque” Antônio Pires de Campos (bandeirante paulista do século XVIII, que aqui adentrou à caça de índios para vender como escravos em São Paulo).

Mas, pelos apelidos conseguirão facilmente localizar o Morro da Luz ou da Prainha.

Até a Praça Alencastro, construída pelo meu bisavô engenheiro militar Vasconcelos recebeu o nome de Jardim (antigo ponto de encontro dos cuiabanos).

Os apelidos de pessoas não eram pejorativos e acompanhavam as famílias de forma carinhosa.

O Marechal Rondon, só chamava o índio branco de Tripé.

Saudades do João Galinha (barbeiro), João Banana (alfaiate), João Butu (meu primo), João Papa Vela (fundador do Diário de Cuiabá), Chico Jorge (o seu nome era Arthur), Nhô Matraca (comerciante e político), Totó Carijó (comerciante), Nhonhô Tamarineiro (fazendeiro e político), Hélio Goiaba (compositor), Lebrinha (empresário de água mineral), Jabuti de Gravata (meu professor), Pé de Chumbo (jogador de futebol), Fôrma de Pote (professor e político), Paizomé ( taxista), Hélio Carrapato (meu vizinho e filho do Batinga da rua do Campo), Chupapaia ( jogador de futebol e carnavalesco), e o Bugre do bar (meu pai).

Gabriel Novis Neves é médico em Cuiabá

 

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