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Opinião

LUCIANO VACARI – Está tudo errado. E o pior, todo mundo acha que está certo.

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Qual a justa medida entre uma aceitação absoluta e uma oposição imoderada? Qual o limite entre liberdade de expressão e crime contra a honra de alguém? Como aceitar os direitos dos que possuem opiniões divergentes?

Até onde nossos valores e princípios se sobrepõem aos do próximo, quando o próximo não é espelho.

Essas perguntas são naturalmente difíceis de serem respondidas. É natural do ser humano buscar pela homogeneidade, mesmo que utópica, como se fosse um mecanismo de defesa na tentativa de afastar aquilo que ameaça. Busca inútil. Não somos iguais, nunca seremos. As diferenças estão em aspectos fisiológicos, sociais e culturais inerentes da pessoa humana.

A busca é justamente pelo respeito às diferenças, por mecanismos que permitam o diálogo, o debate saudável, a troca de experiências, a negociação e o aprendizado. Coisas que parecem cada vez mais distante, não só da política, mas do dia a dia de cada um.

Recentemente em Mato Grosso, duas meninas espancaram uma colega até ela desmaiar no banheiro da escola. Toda a cena foi filmada e compartilhada nas redes sociais em um total processo de banalização da violência. A vítima já vinha relatando que estava sofrendo discriminação racial das colegas. As crianças envolvidas tinham oito anos de idade.

No Paraná, esta semana, um policial militar matou oito pessoas, sendo seis delas da própria família e tirou a própria vida. Um crime estarrecedor que deverá entrar para as chocantes estatísticas de feminicídio, já que as autoridades acreditam ter sido motivado pela não aceitação do fim do casamento.

Também no Paraná, uma troca de tiros tirou a vida de um guarda municipal que comemorava seu aniversário de 50 anos e teve a festa invadida por outro agente da segurança pública. O homem morto era eleitor de um, e o outro homem dizem que é eleitor de outro!

Em cada uma das situações acima, um motivo diferente levou pessoas a cometerem um crime. Porém, em todas elas, não houve tolerância com o diferente.  Seja nas crianças que não aceitavam a colega negra, no homem que não queria o fim do relacionamento ou no eleitor que não concordou com o tema da festa de um desconhecido, o que se vê é incapacidade de lidar com aquilo que não agrada.

A falsa sensação de anonimato e impunidade das redes sociais está contaminando as relações humanas. As pessoas não sabem mais ouvir, só querem falar, esbravejar, impor a sua verdade. É preciso exercitar a democracia, a escuta, o diálogo. Está tudo errado. E o pior, todo mundo acha que está certo.

Luciano Vacari é gestor de agronegócios

 

 

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Opinião

WILSON FUÁH – Os objetivos são essenciais

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Em prol do imediatismo, os valores legítimos da alma, tais como virtudes e as conquistas intelectuais, ficam esquecidos.

De acordo com as escalas de valores, os indivíduos seguem pelos caminhos de uma vida depressiva, pois ninguém está livre desses infortúnios, como: perda um emprego, privação de prestígio social, perda de um imóvel, dinheiro, carro, joias ou mesmo a perda do poder de compra de um objeto eleito como essencial.

As pessoas estão colocando no topo das suas escalas de valores os bens transitórios e assim ao atingi-los não sabem o que fazer com as conquistas, pois elas envelhecem muito rapidamente e ficam no canto do esquecimento.

A cada minuto a vida está virando as páginas, e por isso, é preciso respeitar os limites de cada ser e compreender que cada um faz o melhor que pode de acordo com o seu grau de evolução moral e intelectual, entender que não somos melhores ou piores que ninguém, apenas diferentes uns dos outros.

A tradição faz com que cada pessoa possa agregar a soma das experiências e estilos, mesmo que sejam momentâneos, fazendo com que cada um de nós sejamos apresentados: com uma “cara” ou uma “marca” e nisso cada pessoa é definida como qualificada ou desqualificada, quando na verdade foram criadas durante o crescimento individual e estão agregados nos pensamentos e que se identificam em todos os momentos das nossas vidas.

Somos apenas seres sobreviventes do que arriscamos, e assim, vamos tentando compartilhar sucessos e os prazeres das conquistas como forma de felicidade, mas por “bobeiras pessoais”, alguns desavisados apostam em prazeres individuais e pensam que a vida não tem energia própria.

O futuro não tem o poder de regeneração, e todos os momentos do passado o que passaram ficarão registrados na história da nossa vida, mas o importante é entender que os pequenos detalhes que às vezes passam despercebidos, são eles que podem assumir proporções gigantescas na lei de causa e efeito, e que na verdade são determinantes em nosso futuro e podem potencializar as diferenças para o sucesso e para o crescimento espiritual.

Saber lidar com as coisas do mundo das adversidades é descobrir o equilíbrio e crescer acima dos problemas, o importante é não inverter os valores da vida com intolerâncias desnecessárias, a paz é a consagração da nossa existência.

Econ. Wilson Carlos Soares Fuáh – É Especialista em   Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: [email protected]

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Opinião

DEUSDÉDIT DE ALMEIDA – Semana nacional da família

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A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), através da Comissão Nacional de pastoral para a Vida e Família, promoverá a 26ª Semana Nacional da Família, com o início no dia dos Pais (14  a 21 ).

É um acontecimento religioso consolidado em nossa história e na vida eclesial. É uma semana de intensa oração, reflexão e mobilização em defesa dos valores da família. O tema deste ano é: “Amor familiar, vocação e caminho de santidade”.

Este tema motivador é um convite para que Pais e filhos descubram a doce, prazerosa e reconfortante alegria de viver o amor cristão no relacionamento conjugal e familiar.

Realmente, o que faz a beleza, o encanto e a felicidade da vida em família é o amor cristão. Mas o que significa o amor cristão? No ensinamento de Jesus, o amor significa doação, gratuidade, alteridade e oblatividade. É sair de si em direção ao outro. O amor cristão é o bem querer, sem querer nada do outro.

O verdadeiro amor não é interesseiro. Assim, o amor familiar cristão, transforma a família em fonte de alegria, paz e serenidade de seus membros. Diante das investidas devastadoras contra a unidade e identidade da família, precisamos proclamar a beleza e a grandeza da união indissolúvel e perene. Apesar do ambiente social e cultural desfavoráveis ao arranjo familiar, hoje, podemos constatar milhares de casais que cultivam gestos solícitos de bondade, de compreensão e ternura que encantam o mundo, tornando adoráveis os relacionamentos!

Quantas famílias vivem a grandeza do amor conjugal e familiar, celebrando bodas de prata, de ouro e diamante.

São muitos os casais que vivem na fidelidade, em harmonia conjugal e cultivando a santidade no dia a dia. Pois, o amor familiar é o melhor caminho de santidade. A vida exemplar destes incontáveis números de casais é o melhor anúncio da boa nova da família!

Mais do que nunca, hoje, precisamos aglutinar e somar as forças em favor da unidade, da identidade e da função da família na sociedade e no mundo. Pois, estamos mergulhados numa cultura “anti-família” e com uma forte mentalidade contraceptiva.

Com a semana nacional da família, a Igreja quer, uma vez mais, salientar a importância da família, que, talvez, mais do que outras Instituições, tem sido impactada pelas amplas, profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura. Vivemos uma mudança de época. Isto é, mudam-se os critérios de compreensão ou visão da pessoa humana, da família, da sociedade e do mundo.

Neste cenário, é necessário um olhar atento dirigido à família, como a mais bonita invenção Divina e a “Joia” mais preciosa da humanidade. Não compensa ganhar o mundo e perder a família!

No plano natural, ela é a primeira e fundamental expressão da natureza social do homem. É uma comunidade de pessoas, a menor célula social, e como tal, é uma instituição fundamental para o equilíbrio da sociedade. Ela é o espaço privilegiado para forjar no coração do homem os valores perenes, sejam eles humanos ou espirituais, e as virtudes sociais. Por esta razão, a família é o bem maior da pessoa humana, da Igreja e da sociedade.

O momento atual exige da nossa ação evangelizadora um profundo e renovado ardor missionário para ajudar as famílias na realização de sua missão na Igreja e no mundo.

No dia dos Pais, recordamos aos filhos que o bom comportamento, a docilidade, o amor e a retidão de vida, constituem os elementos reconfortantes e consoladores do coração de um Pai! Gosto de lembrar a canção “quando eu me chamar saudade”, do sambista Nelson Cavaquinho: “Flores, carinho e mão amiga eu quero em vida.

Quando eu morrer, quero preces e nada mais”.  Finalmente, a exemplo de Jesus, precisamos amar e acolher com carinho, todas as famílias nas condições em que elas se encontram: famílias incompletas, irregulares, em segunda ou terceira união, famílias desestruturadas e machucadas pela extrema pobreza. Pesquisas recentes, apontam para o aumento da pobreza nas grandes Metrópoles, incluindo Cuiabá. Dados da Secretaria Estadual de Assistência social e cidadania (CadÚnico), registram a existência de 18.385 famílias vivendo em situação de extrema pobreza em Cuiabá (fila dos ossinhos).

É muito contraditório, um Estado produtor e exportador de alimento para mundo marginalizando tantas famílias no próprio Estado.  Em relação às famílias irregulares, disse o Papa Francisco: “Devemos ser uma Igreja mais acolhedora e menos julgadora! A Pergunta é: o que Jesus faria se estivesse em nosso lugar, diante destas novas situações em que se encontram as famílias?  Ainda que nenhuma família seja perfeita, precisamos nos orgulhar da família que temos, dizendo: “Amo minha família, pois, embora não sendo perfeita é o bem maior e mais precioso da minha vida”!

E que Deus abençoe as famílias! Parabéns a todos os Pais, colaboradores de Deus na obra da transmissão da vida!

Deusdédit de Almeida é padre da Catedral de Cuiabá

 

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