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Opinião

LUCIANO VACARI – Dinheiro no bolso, bife no prato

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As exportações de carne bovina para a China estão suspensas desde o dia 04 de setembro e, próximo de completar 60 dias desde o início do embargo, a retomada do comércio é incerta, o preço do boi está ladeira abaixo e os consumidores daqui ansiosos pelos descontos no balcão dos açougues. Recentemente, uma pesquisa mostrou que o brasileiro está comendo cada vez menos carne bovina e as razões são inúmeras, de opção à renda.

Escolhas à parte, a renda é um fator primordial na hora de comprar a proteína, seja no Brasil ou na China. Ao cruzar os dados da PIB per capita chinês com as exportações de carne brasileira para lá, percebe-se uma correlação forte entre os dois fatores. Até 2013, a exportação de carne para a China era bem tímida e não representava mais do que 10% do faturamento total das vendas externas brasileiras.

Foi a partir de 2018 que este cenário mudou, e pouco mais de dois anos as vendas já representavam metade do montante total. Entrou nesta conta a peste suína, que reduziu consideravelmente a oferta de carne suína na Ásia, a principal fonte de proteína deles.

Mas, paralelamente, vimos que o PIB per capita na China passou de US$ 959 em 2000 para US$ 10,5 mil em 2020. Em 2015 o PIB per capita chinês já está em 8,5 mil, justamente no ano que a participação do país nas exportações de carne bovina brasileira rompeu a casa dos 10%.

Do lado de cá do oceano, a renda da população está caindo desde o início da pandemia e o alto índice da inflação está limitando o consumo das famílias. A combinação é perfeita para que o brasileiro troque a carne vermelha por outras fontes de proteína, inclusive pelo ovo.

Vale lembrar que se o preço do boi aumentou lá na fazenda, os custos também aumentaram. Não tem ninguém nadando de braçada na atual situação. E neste cenário, os elos da cadeia ainda encontram espaço para troca de acusações, como se achar um culpado fosse resolver o problema. Sobrou até para o Ministério da Agricultura, que está fazendo o dever de casa, negociando com as autoridades chinesas, mas o pano de fundo da discussão está muito além do mal da vaca louca, suposto motivo do embargo.

Entram na lista o protecionismo chinês para impulsionar as vendas internas de suínos, a tradicional habilidade asiática para negociar preços e até mesmo outras mercadorias, como tecnologia 5G. Nosso mercado da carne precisa se fortalecer internamente e buscar alternativas externas para não se tornar refém de poucos consumidores. E no final do dia, para se ter bife no prato, é preciso ter dinheiro no bolso.

LUCIANO VACARI é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria.

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Opinião

LUIZ CARLOS AMORIM – Homem livro

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Li, outro dia, uma reportagem mostrando o “Homem Livro”, de Aracaju. Por que ele é chamado “Homem Livro”? Porque angaria livros, junta-os e sai à rua para distribuí-los às pessoas, gratuitamente. Ele pede livros em doação e os entrega para quem gosta de ler. Não é sensacional? Já conheci muitos homens livros e muitas mulheres livros. Já vi muitos incentivadores de leitura, gente que sai no bairro e pede livros aos vizinhos e vai formando uma biblioteca comunitária, gente que ao invés de pedir os livros, pede lixo reciclável, então os vende para comprar livros novos para bibliotecas e escolas. Aqui em Florianópolis há até um menino que pediu um cantinho do “boteco” do pai, foi recolhendo livros na comunidade e improvisou uma biblioteca e agora empresta livros às pessoas do bairro. De graça, é claro.
Mas não tinha visto um personagem curioso assim como o “Homem Livro”, que pede livros por onde passa, vai ao centro da cidade caracterizado – na sua roupa existem trechos de livros, capas de livros, tudo sobre livros – e os oferece à comunidade. Precisamos de mais homens livros, precisamos que eles se multipliquem para que o incentivo à leitura e o acesso ao livro, objeto tão caro hoje em dia, seja democratizado de maneira tão generosa.
Precisamos de mais gente generosa como o “homem livro”, que se transformou em estandarte vivo em prol da democratização do acesso à leitura, em prol da criação de mais leitores, promovendo a distribuição de cultura e de informação. É bom ver iniciativas como esta. A gente constata que nem tudo está perdido. Que ainda existem novas ideias, criatividade e dedicação na luta conta a ignorância e a miséria. Que há quem se preocupe com a educação e com a instrução das pessoas, mesmo as mais humildes, ao contrário de nossos governantes, que deveriam promover a cultura e a educação, mas ao invés disso, fazem questão de destruí-las.

Felizmente, conheço gente empenhada em levar livros, de graça, a leitores de todas as idades, democratizando-o e possibilitando o acesso à leitura, como a professora Mariza, de Joinville, e a professora Edna Matos, de Divinópolis, com seus projetos vitoriosos. Sei que há muitas outras pessoas como elas e como o homem livro por aí, graças a Deus, e a gradeço a Ele por elas existirem.
Há uma luz no fim do túnel. Há esperança para nós, seres humanos. Ainda.

Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor

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Opinião

DAVID PINTOR – Redução de impostos e flexibilização aquecem economia, mas cenário pede equilíbrio

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O ano começa com boa expectativa de crescimento econômico para  Mato Grosso e todo o país. Apesar de lento, está longe da retração vivida em 2020, pois a flexibilização das medidas impostas pela pandemia e a redução de impostos  feita pelo Governo deram um fôlego para comerciantes e consumidores, e isso fez aumentar  as ofertas de emprego e, consequentemente, circulação de dinheiro.

Só para termos ideia do potencial para este ano, em 2021 foram registradas a abertura de 75 mil empresas em Mato Grosso, onde o setor de serviços lidera esse montante seguido pelo comércio. O número é 20% maior que o mesmo período do ano anterior, quando a pandemia de covid-19 pegava a todos de surpresa e impôs medidas inéditas ao comércio e ao convívio interpessoal.

Mais empregos, maior renda e economia aquecida após quase dois anos de incertezas e contenção.

Outro ponto positivo que favorece o comércio e a economia como um todo é o pacote de redução de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), executada pelo Governo com corte de impostos em vários setores: energia elétrica, comunicação, gás industrial, gasolina e o diesel. As medidas vão aliviar o orçamento doméstico de milhares de pessoas e também de empresas.

Apesar do otimismo perante tais números, os próximos meses serão desafiadores, já que a inflação, a instabilidade política, as altas taxas de câmbio seguram o crescimento e o retorno à estabilidade. Somadas  a isso, temos as novas variantes do corona vírus, surto de gripe que acende novamente o alerta sobre o futuro e exige precaução.

A palavra para 2022 é EQUILÍBRIO  entre os interesses dos comerciantes e do consumidor, para que o excesso de otimismo não possa comprometer a cadeia produtiva em nenhuma das partes.

Existem grandes possibilidades para recuperação dessa tração de crescimento, mas sem tirar os olhos das necessidades humanas e de estarmos preparados para as dificuldades de um ano de eleições, no qual as medidas, que ainda recomendam que se evitem certos eventos, impactam diretamente a economia de algumas cidades, e a inflação que não convida a população a focar no extremo necessário.

Contudo, ressaltamos que mesmo com as dificuldades que nos são impostas, seguimos acreditando em mais um ano de crescimento econômico e de bons resultados na geração de empregos  em Mato Grosso, a exemplo de 2021.

David Pintor é comerciante e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Várzea Grande (CDL VG), e da Federação de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso (FCDL MT). Email: [email protected]

 

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