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Opinião

LOUDER MENDES – O receio da guerra cibernética

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Quando em 2005 o vírus computacional Stuxnet foi capaz de, pela primeira vez na história mundial, causar danos grandes e críticos na infraestrutura de um país, abriu-se a brecha para que o mundo todo ficasse de olhos abertos sobre a proximidade e os perigos da concretização de uma guerra cibernética. Àquela altura, o mundo começava a pensar quando seria dado o start para esse modelo de confronto sem barreiras físicas.

Muitos chegaram a achar que esse momento havia chegado, quando foi anunciado o início dos confrontos entre a Rússia e a Ucrânia. De fato, muitos ataques hackers marcaram o início dos conflitos, entre eles, o que teve autoria confirmado pelo grupo Anonymous, e que derrubou os canais de comunicação oficiais do Kremlin. Mas desde então, pouco, de fato, se viu sobre isso. E ainda bem.

Na realidade, temos observado muitas notícias dando conta sobre trocas de ataques hackers. Porém, ainda, não há dados sobre ofensivas verdadeiramente high techs, daquelas que podem alterar a base das nações e provocar a quebra de confiança em suas instituições. Os danos de uma guerra cibernética são tão grandes, que mesmo a Rússia e a Ucrânia, ao que dizem, recusam-se em dar esse primeiro passo.

De fato, seria uma ação de proporções catastróficas e que desencadearia uma reação em cadeia global. Quando se trata de guerras que envolvem potenciais mundiais, outras nações acabam sendo inseridas nas tratativas. E todas que embarcarem nesse cenário, podem se envolver nos ataques virtuais. As estruturas econômicas e segredos das maiores nações estariam sendo colocadas à mercê de uma rede que é invisível.

Por enquanto, nesses pouco mais de dois meses de confrontos no Leste Europeu, estamos ainda vivenciando o que já está sendo chamado de “Guerra Fria Cibernética”. Contudo, não é porque esse embate ainda não foi iniciado, que ele não possa vir a ocorrer. E esse é um dos maiores receios principalmente do mundo ocidental, que está junto contra a Rússia.

Diversos países, entre eles os que compõem a União Europeia, Estados Unidos, entre outros, se manifestaram contra a política ostensiva de Vladimir Putin e impuseram uma série de políticas de restrições. Mas não sem o receio de que ele direcione a elas, suas máquinas de ciberataque. No mês passado mesmo, o Tribunal de Contas Europeu praticamente admitiu isso abertamente em um relatório divulgado.

No documento, chegou a ser citado que o nível de cibersegurança dos órgãos da União Europeia, em geral, não é compatível com as ameaças crescentes. Também já a Casa Branca, diretamente do governo de Joe Biden, alertou para o risco elevado de ataques cibernéticos russos, devido às sanções que o país aplicou a Moscou. Desde então, estão tomando medidas de reforço para tentar se resguardar.

Esse medo generalizado não é à toa. Uma guerra cibernética pode trazer implicações políticas significativas e minar a confiança nos países e a estabelecimentos que as regem. E como consequência, todo o mercado, financeiro, administrativo, geopolítico, fica estremecido. Sabemos bem as implicações que esse tipo de impacto pode ocasionar nas estruturas em escala continental.

Elas rugem sobre as bolsas de valores. E na sequência, impactam sobre o preço de commodities, alterando toda estrutura financeira dos países e sobre os cidadãos que vivem sob sua tutela. Por isso, faz tanto sentido que o mundo todo esteja andando na ponta dos pés para tentar se posicionar contra a guerra, mas sem causar uma fúria tão elevada que leve os atores principais dela a tomarem um passo desproporcional.

Antigamente, a espionagem era a principal arma que os países utilizavam para tentar se armar contra seus inimigos em um campo de visão obscuro. Agora, com a tecnologia de ponta que nós deste lado da tela só imaginamos pensar que exista, o cibernético é o rei do embate.

Louder Mendes é analista de Sistemas, especialista em Segurança da Informação e diretor executivo da On Line Engenharia de Sistemas

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Opinião

EUSDÉDIT DE ALMEIDA – O irmão universal, Charles de Foucauld

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Neste domingo, 15 de Maio, o Papa Francisco canonizará sete beatos (primeira etapa da canonização), entre eles está o Beato Carlos de Foucauld, conhecido mundialmente como o “Irmão Carlos ounIrmão universal”, por causa da sua admirável abertura ecumênica e dedicação aos mais pobres, exemplificado por sua bondosa presença entre os irmãos Muçulmanos (Turuagues, nômades do deserto), no deserto do Saara.

O Irmão Carlos nasceu na França, em Estrasburgo, em 15 de Setembro de 1858. Órfão aos 6 anos, cresceu com sua irmã Maria, sob os cuidados do seus avós maternos. Em 1876 é admitido nas forças armadas Francesa. Foi um militar de alta patente(oficial) e possuidor de grande fortuna.

O dinheiro o conduziu para uma vida mundana e desregrada. Por falta de disciplina, foi expulso do exército. Embora nascendo em um núcleo familiar católico, abandonou sua fé na adolescência, inclinando-se para o ateísmo e indiferentismo.

Ele mesmo reconheceu em suas meditações: “Minha fé esteve completamente morta durante 12 anos”. Em 1883 ele embarca em uma perigosa exploração ao Marrocos.

O testemunho de fé dos Muçulmanos desperta uma pergunta sobre Deus: “Meu Deus, se você existe, faz-me conhece-lo”.

Estudou o Alcorão e aprendeu muitas verdades importantes para sua vida.  Suas dúvidas e incertezas foram curadas em 1886, na Igreja de Santo Agostinho (Paris). Sua Sobrinha o encaminhou ao Pe. Huvelin (Paris) para uma direção espiritual. Converte-se ao cristianismo pelas mãos deste Sacerdote  que se torna seu guia espiritual. Pe. Huvelin, após ouvi-lo atentamente disse-lhe, “Ajoelha e confessa seus pecados”. Em seguida foi diante do sacrário e concedeu-lhe a sagrada comunhão.

O próprio Irmão Carlos disse, após sua conversão: “Após a descoberta que fiz de Deus, não poderia mais fazer outra coisa a não ser viver só para Ele”. Depois de sua conversão viaja para terra santa onde trabalha, como jardineiro e doméstico, durante quatro anos com as irmãs Clarissas de Nazaré. Foi em Nazaré a consolidação da sua vocação:  seguir Jesus e viver como Ele. Foi em Nazaré que ele produziu grande parte dos seus escritos e suas meditações nas longas horas de adoração ao Santíssimo. Irmão Carlos é um convertido que fascina as pessoas por seu amor apaixonado por Jesus e aos mais pobres deste mundo.

Em 9 de Junho de 1901 é ordenado Sacerdote na França (Viviers) e resolve partir para o deserto do Saara, norte da África, para dedicar-se, de acordo com suas palavras, às “ovelhas mais abandonadas e estar junto com os últimos”. Fixa sua moradia entre os Tuaregues (grupo Nômade que habitava o deserto do Saara) e lá se dedica a esse grupo humano que ele chamava de “Irmãos”. A sua casa (cabana) era chamada casa da fraternidade.  Em 1916, morre assassinado, com um tiro na cabeça, por um jovem fanático de um grupo dissidente Senussitas Tuaregues.

Assim proferiu D. Edson Damián, Bispo da S. Gabriel da Cachoeira e membro da Fraternidade Jesus Caritas: “Num tempo em que a religiosidade orna-se de ruídos, balbúrdia de palavras e jogos de efeito, a espiritualidade Foucauldiana é um contraponto para quem se sente mais evangélico no silêncio da oração, na adoração silenciosa da Eucaristia, na busca do deserto, no serviço aos pobres e na defesa da vida, no anonimato inspirado na vida oculta de Jesus em Nazaré”. Bem antes do Concilio Vaticano II, Foucauld começava a praticar o que chamamos de macro ecumenismo ao afirmar: “Estou aqui não para converter os Tuaregues, mas para compreendê-los.

Acredito que o Bom Deus acolherá no céu aqueles que forem bons e honestos. Os tuaregues são muçulmanos, mas Deus receberá a todos, se merecermos.” Diante de tantos preconceitos raciais, culturais, religiosos e sociais que geram conflitos e exclusões em toda a parte, o Irmão Universal nos ensina que somos diferentes, mas profundamente iguais em dignidade e direitos.

Precisamos a aprender a dialogar sem julgar, sem impor, sem condenar.  O lema da vida do Irmão Carolos era: “Gritar o evangelho com a vida”.  Aprendamos com o seu exemplo.

Hoje, temos a Fraternidade sacerdotal Jesus Caritas e Irmãzinhas Jesus caritas que cultivam, no mundo, a mística espiritual e carisma do “Irmão universal, Charles de Foucauld”.            

Deusdédit de Almeida é padre na Catedral.

 

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CAIUBI KUHN – A política de preços da Petrobrás, uma extorsão aos brasileiros

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Os preços dos combustíveis estão em disparada. Nesta semana a Petrobrás anunciou um novo reajuste para o Diesel. O leitor que tem o carro a gasolina, álcool ou flex deve estar aliviado. Mas o aumento do diesel também irá afetar sua vida. A base da estrutura logística do Brasil está no transporte rodoviário. O aumento do diesel significa o aumento do custo de transporte do trigo, do arroz, do feijão e quase tudo que você usa no dia-a-dia. Enquanto o Brasileiro a cada dia paga mais caro nos combustíveis, a Petrobras no ano de 2021 distribui mais de 106 bilhões para os acionistas, e anunciou lucro de R$ 44,5 bilhões para o primeiro trimestre de 2022. Mas por que a Petrobrás lucra tanto? Neste texto vou explicar por que a atual política de preços é uma extorsão feita a você cidadão.

Atualmente a Petrobrás define o preço dos combustíveis com base no Preço de Paridade Internacional (PPI). Mas o que é isso? Para explicar, irei utilizar a mesma lógica a outro produto. Imagine que você seja um produtor de banana. Para produzir e entregar uma dúzia de bananas no mercado local você gaste 2 reais, somados a mais dois reais de lucro do comerciante que fizer a venda do produto, o consumidor comprará a dúzia de bananas por 4 reais no total.

Se fosse aplicar a lógica do PPI usada pela Petrobrás para o caso da banana, ao invés de considerar o custo de produção e transporte local, a conta do custo total passaria a considerar o preço de uma banana importada do caribe, ou seja, colocando o valor para transportar uma dúzia de bananas do caribe até sua cidade, assim como os impostos de importação e demais taxas. Somando tudo isso o cálculo hipotético de custo seria de 5 reais por dúzia. O comerciante local venderia para você a mesma dúzia de banana em sua cidade por 7 ou 8 reais. Porém o custo de produção continuou sendo de 2 reais por dúzia, mas a margem de lucro do produtor de banana saltou lá em cima. É justo? Claro que não, pois a banana não veio do caribe e não foi de fato feito nenhum dos gastos com importação ou transporte das bananas em longas distâncias.

Sim, é exatamente isso que a Petrobrás faz. Na definição do preço ela considera como se todo combustível fosse importado, mas ele não é. O Brasil produziu em 2021 em média 2,905 milhões de barris por dia, o que em teoria é o suficiente para atender a demanda interna. O custo de produção médio do Petróleo Brasileiro está em cerca US$ 12 por barril. Porém, o preço internacional em geral está em patamares superiores a US$ 100 por barril. A capacidade instalada de refino é de 2,4 milhões de barris por dia. Apesar de ainda faltar ampliar a capacidade para assegurar ao país autonomia em refino, a maioria do combustível que é usado no país é produzido nacionalmente.

A Petrobrás, na hora de definir o preço interno, não está considerando o custo local de produção ou de refino. Igual o caso da banana importada do caribe, a Petrobrás faz a conta do preço total dos combustíveis considerando como se toda gasolina e diesel fossem importados de outros países, e tudo em Dólar. Mas na verdade os combustíveis são produzidos em sua maioria com petróleo nacional e com custos em reais. Você acha isso certo?

Além do preço ser um crime a pátria e a população brasileira, a distribuição do lucro exorbitante feito pela companhia também é inaceitável. A Petrobras tem o dever moral e estratégico de garantir que o Brasil possa alcançar a autonomia de refino. Caso a empresa tivesse investido 50% do lucro que foi distribuído aos acionistas nos últimos dois anos, com certeza o problema já estaria resolvido ou muito perto de ser solucionado.

O pior de tudo é que este “lucro” extorquido de você consumidor é transferido para os acionistas sem que seja pago nenhum centavo de imposto. Isso porque, diferente da maioria dos países no mundo, os lucros e dividendos são isentos de impostos no Brasil. Quem paga imposto é eu e você, leitor, e quem paga o lucro injusto destes acionistas também somos nós. Precisamos urgente que a Petrobras volte a fazer seu papel estratégico. Precisamos de autonomia de refino e de um preço nacional de derivados de petróleo. Afinal, como já se dizia no tempo de Getúlio, o petróleo é nosso!

Caiubi Kuhn, Professor na Faculdade de Engenharia (UFMT), geólogo, especialista em Gestão Pública (UFMT), mestre em Geociências (UFMT).

 

 

 

 

 

 

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