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Jovem acusa militares do Exército de tortura: “Espancado com taco de beisebol”

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Rafael Soares/Agência O Globo

Mototaxista relatou tortura por militares do Exército: “Fui espancado com um taco de beisebol”

Após passar 467 dias preso por um crime que não cometeu, o mototaxista, de 27 anos, deixou o Complexo Penitenciário de Gericinó no último sábado. Ele é um dos dez homens que denunciaram à Justiça terem sido torturados num quartel do Exército na Zona Oeste do Rio. As agressões aconteceram após o grupo ser detido por militares numa megaoperação no Complexo da Penha em 20 de agosto de 2018. No último dia 29, um ano e três meses depois, o mototaxista e outros dois presos foram absolvidos: segundo a sentença, as agressões foram atestadas por exames periciais e não ficaram comprovadas as acusações dos militares de que os detidos estavam com drogas.

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Quatro dias após ser solto, o jovem deu detalhes da sessão de tortura numa entrevista de duas horas na praça de alimentação de um shopping na Zona Norte do Rio. Em meio a crises de tosse, que não pararam desde a temporada na prisão, ele afirmou que foi agredido com um taco de beisebol dentro de uma sala iluminada com luz vermelha no quartel, enquanto militares à paisana perguntavam onde havia fuzis escondidos na favela.

Como e por que você foi preso naquela madrugada?

Eu estava numa festa com amigos numa casa, depois fui para um pagode no Campo de Ordem. A operação começou e, como estava de moto, comecei a levar as pessoas em casa. Uma menina que morava longe me pediu para eu levá-la em casa e nós fomos. Ela morava próximo a uma área de mata. Quando cheguei lá, ela desceu da moto. Já estava voltando e bati de frente com o jipe do Exército. Nessa hora, como estava sem capacete, me escondi. Eles me viram, me abordaram e me levaram para o mato.

As agressões começaram já na favela?

Logo que me encontraram, colocaram um lacre de plástico nas minhas mãos e passaram a perguntar “cadê a pistola?”. Disse que não tinha pistola. Aí começou a sessão de tortura, com socos e chutes. Não sei quantos eram. Me colocaram deitado com a cara para o chão molhado, perto de uma caixa d’água. Tentei olhar para o alto e deram um tiro com bala de borracha na minha testa.

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Por que você foi acusado de estar com outros dois homens? Você já os conhecia?

Nunca tinha visto nenhum dos dois. Eles não moravam na favela, só estavam lá naquele momento. Cada um foi abordado num ponto diferente. Depois, eles dois foram levados para perto de mim.

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E a droga que os militares disseram que estava com vocês? Como ela apareceu?

Um dos outros detidos estava com uma mochila. Os militares abriram e viram que só tinha roupas. Ele não morava na Penha e trouxe roupas para passar a noite na casa de um amigo. Ficaram dizendo que ele era traficante porque tinha roupa de marca. Um dos militares pegou a mochila e a vestiu. Ele nunca mais viu essa mochila. Outra, maior, que já estava com eles, foi colocada no lugar. Essa estava cheia de drogas e munição. Falaram que nós estávamos com ela. Não foi só a mochila dele que foi roubada: eu estava com um relógio, um cordão e um celular. Tudo foi roubado pelos militares.

Você passou por um exame médico para detectar lesões no Exército. Como foi feito esse exame?

Sim, antes de ir para o quartel fui levado a um médico militar. Antes de eu entrar na sala do médico, um militar que participou da sessão de tortura me falou: “Diz que você bateu com a cara na pedra”. Estava com uma marca enorme na testa por causa do tiro de borracha. Quando entrei na sala para ser examinado, ele entrou comigo! Ficou o tempo todo ali, fardado, escutando tudo o que eu ia dizer. O médico perguntou se eu estava machucado quando fui preso. Disse que não. Mas não falei mais nada.

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Quando vocês foram levados para a 1ª Divisão de Exército?

Só chegamos às 20h da noite, muito depois da prisão. Fomos levados, um por um, para sermos torturados. Eu fui o último. Me conduziram para uma sala no alto de uma rampa. Quando entrei, tinha uma luz vermelha ligada. Ali, tinham seis militares à paisana. Todos eram mais velhos, cabelo grisalho, tinha um já careca. Não eram os mesmos que me prenderam.

Você poderia detalhar como foi a sessão de tortura na sala?

Um ficava no computador, com um mapa da favela aberto. Fui colocado numa cadeira, algemado. Começaram perguntando onde o tráfico esconde os fuzis. Diziam que queriam me ajudar, que se eu apontasse podiam me ajudar. Cada vez que eu dizia que não sabia, me batiam. Na primeira pancada, no peito, já desmaiei e me deram água para acordar. Usavam um taco de beisebol, de madeira lisa, grossa e uma vara, mais fina. Dois me batiam, os outros faziam perguntas, me provocavam, diziam para baterem mais. Fiquei duas horas lá dentro.

Outros dois presos também apresentaram lesões similares às de mototaxistaOutros dois presos também apresentaram lesões similares às de mototaxista

Como foi o período na cadeia?

Passei quatro meses no presídio de Água Santa. Foi lá que tive tratamento médico. Foram os presos que me atenderam. Passaram pomada e fizeram curativo. Em Bangu, fiquei numa cela com 240 presos e só 75 camas. Em cada cama de solteiro dormiam dois espremidos e ainda tinha gente que dormia no chão. Tem que ter psicológico forte para aguentar. Se não souber levar, você fica doido.

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Quais são seus planos para o futuro?

Nunca ia imaginar que ia ficar um ano preso. Aquela mochila não era minha. Achava que tudo ia se resolver rápido. Agora que eu saí, ainda estou desorientado, a ficha não caiu. Nem saí de casa direito. Mas vou voltar a trabalhar. Vou refazer habilitação, que venceu, e voltar a trabalhar na moto.

Fonte: IG Nacional
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Marco Zero de São Paulo reúne histórias curiosas que nem paulistanos conhecem

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Rayanne Albuquerque/ Repórter iG

Alife Melo ao lado de Ricardo Diógenes apreciando detalhes do Marco Zero paulistano

Quem cruza as ruas do centro de São Paulo e se depara com o Marco Zero , fincado desde 1934 em frente à Catedral Metropolitana de São Paulo, na , não imagina as histórias por trás dos símbolos e da construção do monumento. O centro de irradiação das estradas para os diferentes pontos do Estado foi pensado como referência para a ordenação numérica de quilometragem das vias que se iniciam na capital paulista. O marco também norteia a medição das linhas ferroviárias, áreas e numeração telefônica da cidade. O que pouca gente sabe são das curiosidades relacionadas ao local.

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A primeira delas é que o hexágono visto em frente à matriz da Sé não se trata da primeira versão do monumento, mas sim, da quarta. A primeira não mantinha a mesma forma geométrica de hoje e teria sido erguida por volta do final do século XVI, época em que a capital mais rica do Brasil era apenas uma vila e ficava em frente à primeira igreja da Sé , localizada na altura da rua Venceslau Brás. Já o segundo Marco Zero estava diretamente ligado à religião: não era um monumento, mas a torre da segunda igreja da Sé. Na tentativa de separar a vivência urbana da religião, foi criado um terceiro monumento, ao lado da mesma matriz.

No começo do século XX, a igreja da Sé e imóveis ao redor foram demolidos para dar espaço à nova Catedral e ao pátio localizado à frente, o que incluía o Marco Zero. Nessa altura, São Paulo deixou de ter uma centralização e a ideia de um novo monumento ressurgiu em 1921, sugerido pelo jornalista Américo R. Neto. Anos depois, o monumento foi desenhado pelo francês Jean Gabriel Villin, artista que criou o primeiro Saci Pererê nas obras de Monteiro Lobato. A materialização do Marco Zero aconteceu mais de uma década após a ideia de Américo, em 1934.

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Os fatos curiosos, no entanto, não param por aí. O Marco Zero hexagonal que hoje está em frente à matriz de São Paulo já foi arrancado do local por um acidente envolvendo um caminhão em 22 de janeiro de 2019, dias antes do aniversário de 465 anos da cidade. O monumento foi reinstalado no mesmo local e segue reunindo turistas e passantes curiosos sobre a sua forma e inscrições.

Há mais história tragicômica do Marco Zero : a tampa de mármore do monumento atual foi roubada e a que está no local é uma réplica. Assim como a original, a nova estampa os rios Tietê e Pinheiros na superfície,  assim como a estação da Luz, a Faculdade de Medicina da USP, o Museu do Ipiranga e vias como a rua Voluntários da Pátria, na zona norte, a rua da Consolação e a avenida Paulista , no centro. Todas eram áreas principais de São Paulo na época em que o monumento foi elaborado.

Mas afinal, o que tem escrito nas laterais do Marco Zero? 

Marco Zero de São Paulo arrow-options
Rayanne Albuquerque/ Repórter iG

Marco Zero de São Paulo

A ideologia do período em que foi concebido o Marco Zero de São Paulo está expresso nos detalhes cravados em mármore e bronze: o papel central do Estado na formação nacional de acordo com a visão dos paulistas da época. O valor simbólico do monumento desponta entre os principais valores do Marco. O bloco de mármore que estampa o Marco Zero foi extraído de uma jazida localizada no município de Cachoeira Paulista

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As laterais são obeliscos com desenhos que ilustram as particularidades das regiões geográficas vizinhas ao Estado. Ao nordeste está o Rio de Janeiro, representado por uma ilustração do Pão de Açúcar. Já ao Norte do prisma, fica a representação de Minas Gerais, com desenhos de instrumentos de mineração. Goiás está ilustrado no Noroeste, com figuras do garimpo, enquanto o Mato Grosso está ao Sudoeste, com desenhos das roupas dos bandeirantes. O Porto de Santos, representado por um navio a vapor, está na direção Sudeste do prisma. O Paraná representa o Sul, ilustrada por uma Araucária, árvore típica da região.

Para turista ver

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Rayanne Albuquerque/ Repórter iG

Parte superior do Marco Zero de São Paulo. Esta é a réplica de bronze. Original foi roubada.

Quem vier à capital de São Paulo deve se ater ao detalhe do Marco: ele pode ser visto de longe, diferente de muitos que estão no mesmo nível do chão. Com a dimensão de 1x13m, 0,70m, 0,70m, o ponto reúne turistas que visitam a área histórica da cidade. O arquiteto Ricardo Diógenes, de 41 anos, é natural de Fortaleza e veio olhar com mais detalhes o Marco Zero de São Paulo, capital que ele já conhecia.

“O berço nascedouro da cidade quase sempre surge ao redor de uma catedral. Aqui em São Paulo não é diferente. O que eu acho interessante é que tudo se desenvolve no entorno desses marcos, os centros comerciais, a cultura, os grandes bancos, associações de comércios”. 

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Já para o comissário de voo Alief Melo, de 36 anos, que veio de Rondônia para conhecer a capital paulista, o Marco Zero representa um ponto turístico que não pode ficar de fora da agenda de visitas pela cidade. “Aqui é literalmente o coração de São Paulo. Não podia deixar de visitar. Estou encantado com os detalhes, com o local em que foi colocado”.  

Em 2007, a estrutura foi tombada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo ( CONPRESP ). Nesse mesmo ano, recebeu a primeira restauração.

Fonte: IG Nacional
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Sexta-feira nublada e fresca em São Paulo

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Reprodução Redes Sociais/Avertigus

Previsão do tempo é de tempo nublado

São Paulo amanhece nesta sexta (24), véspera do aniversário da cidade, fazendo jus ao apelido de terra da garoa. Chuviscos são sentidos durante a manhã, mas a partir do meio dia a chuva cessa, dando lugar ao sol, segundo a previsão do tempo do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas ( CGE ).

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O céu permanece nublado ao longo de todo o dia, com índices de umidade de ar acima de 50%. A temperatura na capital paulista varia entre os 17ºC e os 24Cº.

Fonte: IG Nacional
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