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JOSÉ DE PAIVA NETTO – Salvemos nossas crianças

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Jesus, no Seu Evangelho, consoante Mateus, 24:15 e 16, alertou: “Quando, pois, virdes a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda! — qui legit, intelligat), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes”.

Que lugar mais santo no mundo pode existir além da intimidade das criaturas de Deus, o coração, o cérebro, a Alma das pessoas?

Atentemos para a covardia e crueldade contra nossas crianças que, quando não são arrancadas do útero materno, sofrem todo tipo de agressão física e/ou psicológica por parte daqueles que deveriam protegê-las. Tudo isso nos leva a pensar que já vivemos a época anunciada pelo Divino Mestre. Nunca como agora a abominação desoladora atacou tanto o ser humano. É palmar “fugir para os montes”, do pensamento e da compaixão, ou seja, para que do mais alto vigiemos melhor o “lugar santo”.

Num planeta que se arma até os dentes, mesmo parecendo que não, tendo a deusa morte como grande inspiradora, os locais seguros vão se reduzindo em velocidade descomunal. Mas existe um oásis que se deve fortalecer, porque é o abrigo das futuras gerações: o coração dos pais, em especial, o das mães. É nesse acolhedor ambiente que os pequeninos moldarão os seus caracteres. Daí terão ou não respeito ao semelhante, saberão ou não discernir o certo do errado, portanto, construirão ou não um mundo mais feliz.

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O emblemático episódio, há alguns anos, envolvendo pessoa aparentemente “acima de qualquer suspeita”, guardiã da lei, que, segundo a perícia médica, impôs maus-tratos à filha adotiva, de apenas 2 anos, e tantos outros noticiados pela mídia são de estarrecer. Jogam por terra a ideia de que a violência doméstica está somente ligada à desarmonia familiar, às dificuldades financeiras, a problemas com drogas, a exemplo do álcool. Fica patente o grave desequilíbrio emocional presente nas esferas das relações humanas. Urge, pois, por significativa parcela da humanidade, acurado exame de consciência.

Por que permitimos que a situação chegue a esse ponto? Valores como família, dignidade, fé e Espiritualidade precisam sobrepor-se à cultura do consumismo desenfreado, à frieza de sentimentos, à falta de caridade e à ganância desmedida.

Reflexões da Alma

Não somos palmatória do mundo, mas gostaríamos de colaborar na busca de respostas a essas inquietantes indagações. No meu livro Reflexões da Alma (2003), pondero:

O mundo fatiga-se com demasia de palavras e pobreza de ações eficazes, atos que de forma efetiva sirvam de modelo para a concretização de um espírito de concórdia, de Boa Vontade, que verdadeiramente transforme o indivíduo de dentro para fora, coisa que não se consegue por decreto. É evidente que esse trabalho espiritual e humano de iluminação das criaturas deve ser acompanhado por acertadas medidas políticas, econômicas e sociais; Instrução; Educação; e a indispensável Espiritualidade Ecumênica. Isto é, uma perfeita sintonia com as Dimensões Superiores da humanidade Celeste, até agora invisíveis aos nossos olhos materiais.

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O estágio de fragilidade moral do mundo é tão avançado, apesar dos progressos atingidos, que, para acabar com a violência, só existe uma medicina forte: a da escalada da Fraternidade Solidária, aliada à Justiça, na Educação. Por isso, ecumenicamente espiritualizar o ensino é um poderoso antídoto contra a agressividade. Por falar na “Senhora de Olhos Vendados”, aqui um ilustrativo pensamento do ensaísta francês Luc de Clapiers, Marquês de Vauvenargues (1715-1747): “Não pode ser justo quem não é humano”. Por conseguinte, também não é possível ser feliz.

Jesus e as mães

A professora Adriane Schirmer, de São Paulo/SP, enviou-me e-mail no qual destaca meu artigo “Jesus e as Mães”: “O que dizer de tão comovida prece? Numa sociedade em que o Dia das Mães é direcionado às vendas, o senhor não se esquece nem daquelas que já estão no mundo espiritual, zelando, com certeza, pelos que aqui ficaram”.

Grato, professora Adriane. A maternidade é um sol que não se apaga.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. [email protected] — www.boavontade.com

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CAIUBI KUHN – A Amazônia e o desenvolvimento

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A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, ela se estende por nove países e abrange uma área de 7 milhões de km². No Brasil, o ecossistema ocorre em nove estados: Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima e parte dos estados do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. Toda essa região é conhecida como Amazônia Legal, nome dado pela lei 1.806 de 06 de janeiro de 1953. Conforme estimativas do IBGE (2019) residem nos estados situados na Amazônia Legal 28.990.627 pessoas, população maior que a soma de países como Suécia, Noruega e Dinamarca.

É indiscutível a importância e função da Amazônia para o mundo. A maior floresta tropical do planeta preserva uma biodiversidade sem igual e possui funções ambientais essenciais. Mas nesse território também existem milhões de pessoas que precisam ter acesso à educação, saúde, emprego e outras necessidades sociais essenciais.

A baixa densidade demográfica da Amazônia traz com ela muitos desafios. Qualquer serviço que for desenvolvido possui um custo maior que em outras regiões. Um exemplo está na educação, para se garantir acesso ao ensino em alguns locais na região amazônica, as pessoas precisam se transportar por longas distâncias e, mesmo assim, as turmas, em geral, possuem um número menor de alunos que nos grandes centros. Com isso o custo para se garantir a educação para um jovem pode em alguns casos ser bem mais elevado que em outras regiões.

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Comecei esse texto falando de educação, pois acredito que essa seja a base para qualquer modelo de desenvolvimento. Na Amazônia temos grandes desafios desde o ensino básico até a pós-graduação. Hoje, por exemplo, não temos nenhum programa de pós-graduação com nota 7 (maior nota) na Amazônia Legal. Isso demonstra também que temos muito que avançar em relação ao desenvolvimento de ciência nesta região do país, uma vez que, no Brasil, os programas de pós-graduação são hoje os grandes responsáveis pela produção científica nacional.

Os desafios do mundo atual trazem também para região amazônica oportunidades. A região pode se transformar em um centro de desenvolvimento de pesquisa e geração de empregos verdes. Para o leitor que não está habituado com o termo, empregos verdes são aqueles gerados por atividades que reduzem o impacto ambiental ou não geral impacto. Tais atividades podem ser certificadas e com isso assegurar para o mercado a procedência sustentável dos produtos e com isso agregar valor.

Nos últimos anos, Mato Grosso vem realizando esforços para fomentar a geração de empregos verdes e demonstrar no âmbito nacional e internacional relevância das ações de desenvolvimento sustentável. Iniciativas como a estratégia Produzir, Conservar e Incluir (PCI) e a Partnership for Action on Green Economy (PAGE) demonstram o compromisso da sociedade civil, governo e empresários na construção de iniciativas sustentáveis.

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O caminho escolhido pelo estado de Mato Grosso com certeza tem mais possibilidades de trazer muitos frutos positivos para economia, sociedade e meio ambiente, do que o caminho escolhido pelo governo federal, que apresenta um discurso retrogrado onde se insiste em negar a importância de diversos aspectos ambientais.

Precisamos garantir oportunidades e desenvolvimento para as pessoas que vivem na Amazônia Legal, e a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável é a melhor forma para assegurar a preservação desse importante ecossistema, e ao mesmo tempo, gerar oportunidades para as pessoas que nele vivem. Mas para isso, é preciso tratar o tema com seriedade no âmbito estadual e federal.

Caiubi Kuhn – Professor da Faculdade de Engenharia – UFMT

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JOSÉ DE PAIVA NETTO – À espera de um ponto final

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Não há como fugir do tema étnico. Contudo, devemos enfrentar os nossos desafios, analisando com muita parcimônia as diferenças culturais existentes em cada nação no que tange aos conflitos raciais. Vejamos o exemplo dos Estados Unidos: primeiro, é preciso conhecer um pouco do passado recente norte-americano para perceber que lá a cor da pele ainda influencia na escolha do colégio do filho, do bairro em que se mora, dos relacionamentos afetivos, enfim, do convívio social de um modo amplo. Daí a vitória de um afro-americano para o posto mais alto dos EUA ter merecido tamanho destaque no mundo: o advogado Barack Obama foi o 44o presidente do país de 2009 a 2017.

É nesse aspecto que volto os olhos para o Brasil: Após a eleição dele, indaguei na imprensa: E Obama cá? Sim, pois, contrariamente ao que muitos pensam, a força de uma nação está na mistura das etnias, nesta miscigenação abençoada que faz do brasileiro um povo aguerrido e trabalhador. Nomes não faltam. Basta citar Nilo Peçanha (1867-1924), tido como o primeiro e único negro a governar o nosso país, por dezessete meses. Mas essa compreensão precisa ter visibilidade concreta no dia a dia. Quando veremos, por exemplo, mulheres e homens afrodescendentes, em larga escala, nas mais destacadas posições da sociedade? É uma interrogação a espera de um ponto final favorável a todas as etnias.

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Saída ideal para o Brasil

Em O Capital de Deus, um de meus próximos lançamentos, no capítulo “Nações anglo-saxônicas e miscigenação”, relembro que, ao ser entrevistado pelo radialista Paulo Vieira, no programa “Jesiliel e os seus sucessos”, na Rádio Estéreo Sul, de Volta Redonda/RJ, em 5 de abril de 1991, expressei ponto de vista que defendo desde a minha adolescência:

Uma saída para o Brasil começa pela necessidade de confiar nele próprio. O dia em que deixarmos de nos restringir ao simples status de copiadores e pararmos com essa conversa de que nosso país é assim por ser resultado de uma miscigenação de negros, europeus e índios, nos levantaremos do “berço esplêndido” e não haverá ninguém que nos possa esmorecer o ânimo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. [email protected] — www.boavontade.com

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