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Opinião

JOSÉ DE PAIVA NETTO – O ser humano foi criado para a Vida

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O ser humano deve orgulhar-se de existir e lutar infatigavelmente pela Vida. Vencer a si próprio, de modo a conquistar, para todo o sempre, sua dignidade espiritual, “o tesouro que o ladrão não rouba, a traça não rói nem a ferrugem consome” (Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 6:20).

“Vencedor é aquele que vence a si mesmo”, preconiza André Luiz (Espírito). Deus, que é Vida, para a Vida o criou. Dizia Napoleão Bonaparte (1769-1821) que “a melhor figura de retórica é a repetição”. É bom, portanto, reiterar esta advertência de Jesus: “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos. Por não crerdes nisso, errais muito”(Evangelho, segundo Marcos, 12:27).

Eis por que, quando o alcança a morte, dela não herda o esquecimento ou o ócio perenes; porém, mais e mais Vida… A morte não existe. É um boato. “Deus não nos criou para nos matar”, afirmava Alziro Zarur (1914-1979).

Graham Greene (1904-1991), famoso escritor inglês, nas suas meditações concluiu, esperançoso, que “nosso mundo não é todo o Universo. Talvez exista um lugar onde Cristo não esteja morto”.

Ora, sabemos, com certeza, que essa dimensão esplêndida é uma realidade. Aos Seus seguidores — aqueles que, pelos milênios, perseverarem até o fim —, Jesus, o Divino Mestre, deixou esta revelação consoladora:

“Jesus conforta os Discípulos

(Boa Nova, segundo João, 14:1 a 3)

“1 Não se turbe o vosso coração; crede em Deus, crede também em mim.

“2 Na casa de meu Pai [o Universo], há muitas moradas. Se assim não fosse, Eu o teria dito a vós. Vou preparar-vos lugar.

“3 E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde Eu estiver, estejais vós também”.

Antes e depois da Vida, há Vida. Diga não ao suicídio!

Sucumbem em erro os que buscam o suicídio, pois a parca lhes ofuscará os olhos, que procuraram a sombra de uma pretensa inação, com mais luz, isto é, mais Vida, a lhes cobrar severas contas de antigos compromissos assumidos. Antes e depois da Vida, há Vida e as incorruptíveis Leis que universalmente a regem e sobre ela preponderam.

De Deus não se zomba

Recordemos o alertamento de Paulo Apóstolo: “De Deus não se zomba. Aquilo que o homem semear, isso mesmo terá de colher” (Epístola aos Gálatas, 6:7).

Assim está, sob muitos aspectos, o mundo nestes últimos tempos: suicida.

A maior das reformas: a do ser humano

A Terra é belíssima! Convida ao sucesso. Mas o ser humano nem sempre tem sabido respeitá-la. Por isso, a reforma precípua é a dele próprio. Urge, neste término de século e de milênio, que esta preceda as demais. Daí a importância da Educação com Espiritualidade Ecumênica, o mais seguro passo que uma nação pode dar em favor da liberdade de seu povo, pois, quanto mais ignorante for, mais escravo será.

A vida é uma conquista diária. Lição de Fé Realizante a todo momento solicitada, para que não venhamos a cair na ociosidade, mãe e pai dos piores males que assolam o Espírito e enfermam consequentemente o corpo físico e o social.

Na verdade, não basta ter agido bem ontem. Necessário se faz melhor caminhar hoje e ainda mais gloriosamente amanhã.

Água parada: lodo. Vida ociosa: inferno

Bem a propósito estas palavras do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860): “Aristóteles dizia com acerto: ‘A vida consiste em movimento e nele tem sua essência’ (De Anima, I, 2). Em todo o interior do organismo, impera um movimento incessante e rápido. (…) Se houver uma ausência quase completa de movimento externo, como ocorre na maneira de vida sedentária de inúmeras pessoas, então nascerá uma desproporção gritante e perniciosa entre a calma exterior e o tumulto interior, pois até o constante movimento interior quer ser apoiado pelo exterior”.

Observou Goethe (1749-1832) que “Uma vida ociosa é uma morte antecipada”.

E o escritor irlandês Oliver Goldsmith (1728-1774) sugere: “Tal como a abelha, façamos do nosso ofício a nossa satisfação”.

Deus é o Criador do Universo, Magna Vida, na qual sobrevivem todas as Suas criaturas. O Cosmos é, pois, dinâmica. Jesus, o maior dos pensadores, sintetiza tudo: “Meu Pai não cessa de trabalhar” (Evangelho, segundo João, 5:17).

É, portanto, obtusa a ideia de um paraíso de desfrutáveis tocadores de harpa, ditos salvos, mas, na verdade, pelo que parece, totalmente despreocupados com o sofrimento dos seus Irmãos. Tal lugar não pode ser o Paraíso de um Deus de Amor, cujo Filho Primogênito veio à Terra pregar a Solidariedade sem fronteiras. Cabe-lhe melhor, àquele pseudoparaíso, o título de inferno.

Neste acentuado transcurso de tempos, nenhum país poderá progredir sem promover Desenvolvimento Social, Solidário e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Esporte, com Espiritualidade Ecumênica, a fim de que haja Consciência Socioambiental, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos os seus componentes, despertando neles a Cidadania Planetária.

A existência humana sem atividade produtiva e lazer é a própria morte para o cidadão.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. [email protected] — www.boavontade.com

 

 

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Opinião

GAUDÊNCIO TORQUATO – A crise de governança

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Crise econômica, com desemprego de 15 milhões de pessoas e um estado de deflação, com dois trimestres de PIB negativo; crise sanitária com milhões de brasileiros mortos e contaminados pela pandemia da Covid 19; crise política, com a gaveta cheia de reformas desviadas e aprovação de orçamentos secretos; crise social com as margens recuando para a base da pirâmide e cenas de desmaios por fome nas filas de postos de saúde; e ameaça de crise hídrica por falta d’água nos reservatórios. Esse é um retrato 3 x 4 do país.

A verve de Roberto Campos apontava dois traços característicos da psique de Países em desenvolvimento: a ambivalência e o escapis­mo. É ambivalência querer equacionar o descontrole em con­trolar os controladores. Aprova-se uma PEC dos Precatórios, sabendo-se que o preço político foi alto. Até o PT votou a favor.

É escapismo argumentar que as crises se devem às circunstâncias. Na verdade, as coisas erradas são patrocinadas por um Governo, cuja leniência torna-se cada vez mais patente ante a escalada de desvios e ilegalidades vio­lência que se abatem sobre a sociedade. O espaçoso terreno público se apresenta todo esburacado.

Pergunta de resposta previsível: por que a máquina es­tatal é ineficaz na implementação de suas políticas? Porque o desem­penho dos gestores é movido por interesses alheios ao bem-comum e desprovido dos componentes inerentes à prática da administração pública: planejamento, transparência, probidade, controle e respon­sabilidade.

A improvisação campeia na malha administrativa, a partir do instante em que os comandos das estruturas são reservados a re­presentantes de grupos e partidos. O PP e os outros partidos do Centrão fatiam a máquina administrativa. Cada qual organiza, ao bel prazer, a concepção e a ordem das ações a serem desenvolvidas, solicitando às áreas jurídicas e contábeis que ajustem as contas nos termos da legis­lação.

Dessa forma, orçamentos são engolidos em projetos feitos sob pressão de grupos e em programas superficiais. Se a gestão tem sabor político, é natural que os dirigentes concentrem as decisões, evitando perder força. Explica-se desse modo como o foco político amortece o foco técnico na miríade de pequenas, médias e grandes estruturas dos três entes federativos.

E, para evitar especulações e denúncias, impõe-se rígido sigilo, razão pela qual, mesmo sob a Lei de Responsabilidade Fiscal, os gestores omitem informações e escamoteiam dados. O STF impõe transparência dos autores de emendas parlamentares, mas os dribles são frequentes.  Resultado: entre 30% a 40% dos orçamentos são despendidos em ações inócuas.

O pano de fundo que agasalha os maus gerenciadores é a impuni­dade. Sabendo que, mais cedo ou mais tarde, serão inocentados, arcam com o ônus da improbidade, transferindo-o para a avaliação aos Tribunais de Contas. Calcula-se que cerca de 70% dos 5.570 municípios enfrentam problemas com a Lei de Responsabilidade Fiscal. E assim a cultura personalista toma assento na administração, expandindo a violação de normas, contribuindo para a ausência de parâmetros re­gulatórios fixos e confiáveis e fortalecendo o pretorianismo, a lei do mais forte.

Abre-se, a partir dessa lógica, uma crise de governança e não de go­vernabilidade, como alguns entendem, porquanto o sistema político, a forma de governo e as relações entre os Poderes, mesmo operando em um complexo desenho institucional como o nosso – federalismo, presidencialismo, bicameralismo, representação proporcional, voto majoritário, pluripartidarismo – chegam a esmorecer, mas não matar a democracia.

Em suma, o Brasil está patinando no mesmo lugar. Índice de renovação de lideranças, 2, numa escala até 10. Índice de meritocracia na máquina pública, 3; índice de reforma política, 3; índice de corrupção, 8; índice de responsabilidade e boa gestão, 2; índice de qualidade nos serviços públicos, 4. Cada um que dê a sua nota.

Gaudêncio Torquato é jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor político [email protected]

 

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RUI PERDIGÃO – Novo Apartheide

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África, o eterno continente esquecido, corre agora o risco de ser transformado no continente fechado. África tem números inacreditáveis e no que respeita ao contexto viral, são assustadores. Deixando o Ebola bem quietinho no seu canto, cabe destacar os 17 milhões de mortos em duas décadas de convivência com o HIV e a atual média de 3% de cidadãos vacinados no continente africano, contra o coronavírus. Números que acabam por ser somente números aos olhos do mundo. Números que na consciência de muitos se apresentam razoáveis e tecnicamente aceitáveis, não merecedores de séria preocupação. Talvez até oportunos para justificar um confinamento.

Sem pretender menosprezar outras violências estruturais de que uma boa parte da humanidade é vítima, este cenário de saúde pública expressa sem quaisquer duvida uma intencional evolução civilizacional seletiva, que a história passada e recente não consegue negar, nem mesmo quando contada pelos “vencedores”. A velha expressão, tantas vezes escutada em momentos de vitória ou de partida, de que ninguém será deixado para trás, precisa passar a mostrar o que efetivamente contém entre suas linhas: ninguém dos nossos!

Ninguém morre de fome, morre sim de miséria. Aos cerca de 40% de alimentos produzidos e seguidamente desperdiçados anualmente no mundo, junta-se-lhe agora a capacidade de se produzir anualmente vacina em quantidade 5 vezes superior à população planetária, e com igual ineficiência para com o objetivo para que foi criada. Mas será que é mesmo uma questão de ineficiência? ou será que o objetivo para que foi criada é também outro? Muito possivelmente a resposta a essas perguntas não se encontra na economia, nem na sociologia. Quiça se encontre na ciência médica, mas na área da psiquiatria, não da virologia.

Hoje produzimos alimentos suficientes para erradicar a fome, assim como medicamentos para muitos dos nossos males. Dinheiro também existe em quantidade suficiente, acreditem. Mas a globalização que desde os anos 80 é apresentada como um projeto mundial de inspiração social, cultural e política, nunca deixou de mascarar a verdadeira ambição finalística do lucro pelo lucro, a todo o custo e com acesso reservado. Um projeto de mundo onde as desigualdades se acentuam e onde África não é um aliado, mas sim mero parceiro com quem se desenvolvem renovadas técnicas de Apartheid.

Essa realidade a que assistimos tranquilamente encontra-se impregnada em nós através da lógica de que se a outra pessoa não reproduz em conformidade, não pensa igual e é muito diferente, fica automaticamente legitimada a perca de direitos, até os mais elementares. E é assim que deixamos acontecer, totalmente desinteressados em saber que a autoestrada que dessa forma abrimos proporciona velocidades onde qualquer movimento imprevisto ou deliberado causará desastres fatais horríveis. O recente holocausto nazi foi um deles, mas tem mais, muitos mais.

Neste contexto diabólico cabe anexar o relatório “Panorama Humanitário Mundial 2022” que a Organização das Nações Unidas apresentou esta semana ao mundo, onde revela que no próximo ano 274 milhões de humanos irão precisar de ajuda humanitária para sobreviver. Não é uma novidade, mas o aumento de quase 20% é, comparativamente a 2021 que já teve os piores números das últimas décadas. E o que mais envergonha é que o combate a esse flagelo que atinge a nossa espécie se faz essencialmente através de fundos de empréstimo, programas de crédito e doações. Políticas públicas concretas e efetivas, 0,001 da nossa riqueza. O estudo menciona também que a pandemia do coronavírus não é a causadora de tudo isso, sendo sim responsável por colocar a descoberto muitas das necessidades prementes. E isso nos impõe questionar sobre quais são as prioridades mundiais. As “grandes” nações falam que é a busca por Paz, o combate ao Terrorismo, o desenvolvimento de tecnologias que permitam reduzir o impacto das ações negativas que temos sobre o meio ambiente, mas só falam, falam e se repetem agindo sempre em sentido contrário. Na cara.

Eu acredito que as diferenças se afirmam pela igualdade, mas não está nada fácil resolver os problemas de dentro para fora. Quem está dentro, dentro da bolha do bem-estar, não quer ficar de fora, nem partilhar espaço. E se esta forma de estar não mudar, a tendência é de que as coisas acabem por se resolver de fora para dentro e com dor. Se assim é e assim for, é muito grave que demos risadas às provocações que nos estão sendo feitas.

Rui Perdigão – Administrador, geógrafo e presidente da Associação Cultural Portugueses de Mato Grosso

 

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