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Opinião

JOSÉ DE PAIVA NETTO – A virtude da paciência

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A respeito do fundamental exercício da paciência na vida dos seres humanos, transcrevo a página “O mais difícil”, de autoria do Espírito Hilário Silva, no capítulo 10 do livro A vida escreve. Reproduzo aqui o texto da forma que o saudoso Irmão Alziro Zarur (1914-1979) magistralmente a interpretava durante suas pregações da Hora do Ângelus, na Mensagem da Ave, Maria!

“Diante das águas calmas, Jesus refletia.

“Afastara-se da multidão, alguns momentos antes.

“Ouviu remoques e sarcasmos.

“Viu chagas e aflições.

“E o Mestre pensava…

Tadeu Tiago, o moço, João e Bartolomeu se aproximaram. Não era aquele um momento raro? E ensaiaram perguntas.

“— Senhor — disse João —, qual é o mais importante aviso da Lei de Moisés na vida dos homens?

“E o Divino Amigo passou a responder:

“— Amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Mas o meu Mandamento é: Amai-vos como Eu vos amo.

“— E qual é a virtude mais preciosa? — indagou Tadeu.

“— É a humildade.

“Então, Tiago perguntou:

“— E qual o talento mais nobre, Senhor?

“Jesus respondeu:

“— O trabalho.

“— E a norma de triunfo mais elevada, Senhor? — perguntou Bartolomeu.

“— A persistência no Bem.

“— Mestre, qual é, para nós todos, o mais alto dever?

“— Amar a todos, a todos servir sem distinção.

“— Mas, Senhor — respondeu Tadeu —, isso é quase impossível!

“E clamou Tiago:

“— A maldade é atributo geral. Eu faço o Bem quanto posso, mas apenas recolho espinhos de ingratidão.

“— Vejo homens bons sofrendo calúnias por toda a parte.

“— Tenho encontrado mãos criminosas toda vez que estendo as mãos para ajudar.

“E todos desfilaram as suas mágoas diante do Mestre silencioso.

“Então, o Discípulo Amado voltou a interrogar:

“— Jesus, o que é mais difícil? Qual é a aquisição, realmente, mais difícil de todas?

“Jesus declarou:

“— A resposta está aqui mesmo em vossas lamentações. O mais difícil é ajudar em silêncio, é amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar… A aquisição mais difícil para nós todos chama-se paciência”.

A Dor é a libertação da Alma

Tanta gente padece na existência terrena. Mas poderá usufruir o benefício de várias encarnações enquanto for necessário esse medicamento para a sua Alma em evolução. Depois receberá a recompensa eterna da consciência tranquila pelo dever bem cumprido.

Não adianta fugir à Dor. O segredo para evitá-la é não a provocar. De que maneira?! Respeitando a Lei Divina. Por isso, é necessário conhecê-la bem. Trata-se de um estudo empolgante e infinito.

Ovídio (43 a.C.-17 ou 18 d.C.) compreendeu a lição do sofrimento: “Suporta e persevera, que essa dor acabará por te ser de grande proveito”.

Como tem sido ao Supremo Político, Jesus, que, em Seu Sermão da Montanha (Evangelho, segundo Mateus, 5:5), nos convida:

— Bem-aventurados os pacientes, porque eles herdarão a Terra.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. [email protected] — www.boavontade.com

 

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Opinião

ALFREDO DA MOTA MENEZES – Pandemia e política

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As falas do presidente Bolsonaro sobre a pandemia têm merecido muitos comentários e deve trazer consequências politicas e eleitorais. Adversários estão aproveitando a situação para tentar desgastá-lo ainda mais. Frases ditas pelo presidente mostram o estrago eleitoral.

Nos últimos dias o presidente se mostrou contra a vacinação de crianças.  Disse que não tem conhecimento de mortes de crianças por covid. Se a maioria dos pais quer vacinar, se outros países fazem isso, por que ele se põe no outro lado? Antes havia sugerido expor nomes de técnicos da Anvisa que insistem em vacinação.

Lá atrás disse que o Brasil estava parecendo um país de maricas, tudo era pandemia, teria que acabar esse negócio. Alguém fora vacinado com a Coronavac (que ele chamava de vacina do Dória) e, por alguma complicação, veio a falecer. O presidente falou, na época, mais uma que Jair Bolsonaro ganha.

Ele disse que a única vacina obrigatória seria para o Faísca (o cachorro de estimação dele). Em outro momento, confrontado sobre o número de mortes pelo país, responde e daí, sou Messias mas não faço milagres. Ou aquela frase de que vamos todos morrer um dia. Isso no momento que o Brasil enfrentava um turbilhão de mortes pela covid e não se tinha ainda a vacina.

Falou que esse assunto da pandemia estava superdimensionado. Criticou a mídia por dar tanto espaço a esse tema, seja aqui ou no exterior. Falou, lá no inicio, que era uma gripezinha. Se acredita que o presidente tirou essa frase de um famoso homem de imprensa dos EUA, Rush Linbaugh, que tinha um programa de rádio de alcance nacional naquele país. Ele era do lado conservador do partido Republicano.

O presidente ainda criticou o STF, prefeitos e governadores por concordarem com lockdown no auge da pandemia.  Alguém pode alegar que o presidente falava e fala tudo aquilo, mesmo sabendo que terá desgaste, para amarrar ainda mais seus apoiadores. Mas esses já são Bolsonaro faça chuva ou faça sol.

Não precisa desse tipo de posicionamento para amarrá-los ainda mais. Ou ainda que ele fala tudo isso porque é autêntico. Podia reservar suas opiniões para grupos mais restritos e não afrontar a nação num assunto melindroso, principalmente porque é candidato à reeleição.

Outros lados políticos andam aproveitando dessas falas do presidente para tentar queimá-lo perante o eleitorado. Aliás, pesquisas Datafolha mostram que acima de 90% dos brasileiros defendem vacinação em geral e também para crianças. E que 65% aceitam o passaporte da vacina. Bolsonaro, ao ir contra, estaria contrariando toda essa gente.

Se ele sabe disso, se pesquisas mostram seu desgaste nesse assunto, por que continua a bater nessa mesma tecla? Uma atitude política incompreensível.

Donald Trump, nos EUA, com a economia indo bem no seu governo, tinha caminho certo para a reeleição. Um dos fortes motivos para sua derrota foi seu negacionismo a sua equivocada atuação na pandemia. Não serviu de exemplo para o presidente do Brasil?

Alfredo da Mota Menezes é analista político.

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Opinião

Dirceu Cardoso – A vacinação das crianças e a pouca orientação

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O município de São Paulo começará na segunda-feira, dia 17, a vacinação  das crianças dos 5 aos 11 anos contra o Covid-19.  As vacinas, com dosagem diferente das destinadas aos adultos, já chegaram ao Brasil e nas próximas horas estarão à disposição dos governos estaduais e municipais que já definiram o começo da aplicação. Vacinar as crianças é uma inovação em relação ao ano passado, quando se afirmava que, por serem menos susceptíveis ao vírus, os públicos infantil e juvenil não necessitavam de imunização. A vivência da pandemia mudou o conceito, crianças e jovens pereceram e, agora, todos devem ser vacinados. É a redefinição do processo vacinal, desenvolvido em regime emer gencial, no calor da necessidade,  com a aplicação do imunizante mesmo antes de comprovada sua eficiência e os possíveis efeitos colaterais.
Temos visto pais com sérias dúvidas, agora, quando as crianças começarão a receber a primeira dose. Invocam a mesma discussão que no ano passado girou em torno da vacina para os adultos: até onde a droga resolverá a pandemia e poderá deixar efeitos indigestos para o futuro. Os resultados da vacinação dos adultos – queda das internações e dos óbitos de vacinados – diminuíram um pouco as resistências, mas mesmo assim ainda temos 20 milhões de brasileiros que fugiram da segunda dose, numa época em que muitos já receberam a terceira e estão se preparando para a quarta. Em relação às crianças, coloca-se uma preocupação adicional. Por terem o organismo em desenvolvimento, até onde a vacina poderá inibir a adequada formaç&atil de;o ou funcionamento de algum dos órgãos.
As autoridades sanitárias, que disponibilizam a vacina e administram a estrutura de sua aplicação têm sido pouco convincentes quanto aos efeitos de longo prazo. Os governos estaduais e municipais, que atuam mais próximos do público alvo, deveriam ser mais propositivos e até realizar massivas campanhas informativas pelos jornais, rádios, TVs e redes sociais,  destacando a importância de vacinar. Isso tranquilizaria  a população. Além disso,  acionar  mais frequentemente os centros médicos e científicos existentes no país para que, à sombra do conhecimento, seus especialistas emitissem opiniões e orientações. Infelizmente, isso não tem ocorrido com na intensidade aconselhável e, por consequência, proliferam as opiniões de gente que não te m credenciais para discutir o assunto ou simplesmente repete o que ouviu alguém dizer.
O tratamento e os antídotos de uma pandemia deveriam ser tratados de forma até reverencial, pois se destinam a salvar vidas. Mas, no Brasil do Covid-19, o assunto tornou-se polêmica das mais rasteiras e o que se verifica é uma expressiva  parcela da população amedrontada. Em vez de serem contestados e até achincalhados, como foram em alguns lugares onde compareceram, os infectologistas e outros especialistas deveriam ser ouvidos e instados a dar o melhor do seu conhecimento ao deslinde da vacina. Os médicos também não deveriam ter sido perseguidos por terem opiniões diferentes uns dos outros e dos que dominavam a cena. O tal negacionismo, tão citado hoje em dia, não passa da luta entre grupos que  almejam lucro político, social, profissional e até econômico com a pandemia.
Já passou da hora de acabarem os desentendimentos. Enquanto governantes, autoridades sanitárias, parlamentares  e outros envolvidos discutem, o povo morre pela moléstia não combatida da melhor forma. É compreensível que ainda não existam respostas a todas as indagações sobre a vacina, pois os experimentos e pesquisas carecem de tempo de maturação. No entanto, a grande dívida que a estrutura social-governamental tem para com a população é a falta da orientação adequada e convincente das pessoas. Todos têm o direito de saber o que receberão de benefício e quais os riscos ao ter inoculada a droga e decidir qual caminho tomar. O ideal é que todos se vacinem, livrem-se na medida do possível do Covid-19 e se, futuramente, tiverem problemas, os resolvam na devida &eacut e;poca. Nada impedirá, por exemplo, que os centros de pesquisas acompanhem o desenrolar a vida pós-vacina. Aliás, isso deve ser uma obrigação tanto dos órgãos governamentais, custeados com o dinheiro do povo, quanto da indústria farmacêutica, que lucra com a produção da vacina…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
[email protected]                                                                                                     

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