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Opinião

JOSÉ ANTONIO LEMOS – A dimensão urbana de Manso

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Não fosse Manso, no dia 15 de janeiro de 2002, exatos 20 anos atrás, teriam passado sob a Ponte Júlio Muller 3.250 m3/s de água, volume superior aos 3.075m3/s da cheia de 1974, de triste memória para os cuiabanos.

Inaugurada no ano anterior, Manso foi então logo testada como protetora da cidade contra outras possíveis tragédias, razão inicial da construção da barragem. Embora sucesso total, poucos ficaram cientes. Teria repetido em 2010.

Com algum controle posterior da ocupação do solo urbano poderia ter sido uma alternativa de solução definitiva para esse tipo de problema em Cuiabá, e outras cidades.

Importante relembrar este acontecimento, em especial aos mais jovens, para destacar que a origem da barragem foi como equipamento de proteção urbana contra inundações após a cheia de 1974, que inundou totalmente a região mais populosa de Cuiabá, formada pelos antigos bairros Terceiro (“de Dentro” e “de Fora”), Ana Poupino e Barcelos.

No dia 17 de março daquele ano o rio atingiu na régua linimétrica o nível de 10,87 m servindo de referência para posterior construção da Avenida Manuel José de Arruda, a popular “Beira-Rio”, com seu nivelamento básico na cota 150 metros acima do nível do mar.

Diziam os antigos que a estação das chuvas em Cuiabá tinha dois picos, um em dezembro/janeiro e outro em março, também chamado de “repique”, por volta do dia de São José encerrando o período chuvoso. As cheias eram aguardadas nessas épocas, ainda que nem sempre as duas com a mesma intensidade.

A cheia de São José em 74 foi uma tragédia para a cidade quando esta dava um salto de crescimento em função da inauguração de Brasília. Grosso modo Cuiabá saltaria de 56 mil habitantes em 1960 para 240 mil em 80, e a cidade não estava preparada, após décadas de estagnação. Alguns visionários, verdadeiros profetas já desenvolviam, por exemplo, a ideia do CPA.

O governo Geisel tomara posse dois dias antes, dia 15, já com a inundação avançada. Logo o ministro do Interior Rangel Reis veio a Cuiabá e tomou duas decisões radicais para a cidade: determinou a demolição do que sobrara dos bairros atingidos, transferindo suas populações para conjuntos residenciais a serem construídos.

Perderam-se aí alguns marcos da cultura cuiabana que viraram saudade nas lembranças dos blocos carnavalescos “Sempre Vivinha”, “Coração da Mocidade” e “Estrela Dalva”, por exemplo. Outra determinação do ministro foi a realização de estudos técnicos para evitar tragédias semelhantes em Cuiabá resultando em Manso, em princípio só para reduzir picos de novas enchentes, um “açudão” de proteção urbana. Fosse só este seu objetivo, Manso já teria valido a pena.

Depois, em 1978 no antigo Minter, a Comissão da Divisão do Estado, da qual eu fazia parte, transformou Manso em um projeto de aproveitamento múltiplo (APM), pioneiro no Brasil para solucionar também a questão energética, na época o principal problema estadual.

Com a energização do “açudão”, foram acrescidos os objetivos de regularização de vazão do rio (além de reduzir suas cotas máximas, garantir uma cota mínima de água), a irrigação rural e o abastecimento de água por gravidade para as cidades da Baixada Cuiabana, três barragens a fio d’água rio abaixo, sendo que seu lago poderia também receber projetos de piscicultura, turismo e lazer, ampliados agora com aquicultura e as possibilidades de um parque gerador de energia solar.

Hoje é comum pensar a APM Manso só como uma usina hidrelétrica, o que seria um erro grave, ainda que sua geração elétrica seja importante garantidor da estabilidade energética ao estado.

Mas, não se pode desprezar os demais potenciais do grande empreendimento que, tem nome e sobrenome: APM Manso. E assim deve sempre ser lembrado para um dia ser aproveitado em todas suas dimensões: APM Manso.

José Antonio Lemos Dos Santos é arquiteto e urbanista, membro da Academia de Arquitetura e Urbanismo (AAU-MT)

 

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Opinião

WILSON FUÁ – Tudo é possível

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O medo de mudar vem junto com o poder invisível que provoca  desmotivação, e quando o inédito não é  planejado pode até ser transforma num salto no escuro, pois o receio de errar faz com as pessoas interiorizem as suas vontades apenas em forma de sonhos, por isso, são possuídas pela força do comodismo e preferem ficar eternamente estacionada na zona de conforto.

Seguir pela vida sem ação, não produz resultado nenhum, sabemos que na proximidade de assumir um novo projeto, pode vir junto com uma sensação de insegurança, pela possibilidade de ocorrerem erros e acertos, e diante dessas incertezas é que passamos a conviver com os fatores inevitáveis  e paralisantes.

Os saudosistas vivem presos em grades imaginárias do passado, e viver com o pensamento no passado pode até paralisar as ações futuras, por isso, despeça do que passou, entenda que o futuro está a lhe procurar para viver com ele, saiba usar a vontade  das emoções positivas e entenda que no espetáculo da vida,  pode existir somente uma vaga, ela pode estar especialmente reservada só para você.

O que está esperando?

A vida nos oferece infinitas opções, mas decidir não é fácil. Mas, é preciso tentar, tentar, tentar até que de repente, o que parecia obscuro e intangível, ao usar a força da benevolência e da fé, nos iluminará e mostrará o caminho certo e verdadeiro. Despedir é desfazer de algumas coisas boas, mas algumas dores da vida também ficarão para traz, pois estamos embarcados em veículos transitórios, o importante é deixar para trás algumas coisas que nos prendiam como se fosse um poderoso imã, mas na verdade são apenas forças sentimentais que nos levam ao comodismo, e ao sairmos da zona de conforto com trabalhos e projetos definitivos, o retorno das conquistas aparecerão de forma clara e cristalina, fazendo com que possamos assumir o prazer de ser também um vencedor.

Tudo é possível.

Desistir, não é apenas um verbo qualquer, na verdade é acima de tudo uma ação que nunca deveria ser usada. Quando a vontade de conquista é forte o suficiente, todo o seu corpo é possuído por um prazer de se transformar num ser aspirante, que sabe aonde quer chegar, e a partir daí, nem ninguém,  nem aquelas forças negativas que nasciam do nada, nem o medo de errar poderá impedi-lo, pois a parte mais interessante e comovente,  não é a vitória em si, mas o fato de saber que você nunca vestiu a roupa dos desistentes e apesar dos pesares,  é saber que você jamais abriu mão dos seus sonhos.

O importante é entender que a glória do homem não está tão somente no ato de vencer.  Vencer é apenas uma consequência, pois o código de honra é não desistir nunca, pois a sua vontade verdadeira é que o levará ao encontro do seu próprio prazer de ser também um vencedor.

Econ. Wilson Carlos Soares Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: [email protected]

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Opinião

GABRIEL NOVIS NEVES – Mania dos Cuiabanos

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O cuiabano de “tchapa e cruz” tem o hábito de colocar nome em tudo que encontra e vê, geralmente rico em humor.

Quem não se lembra “da pedra canga”, recém-chegado à Cuiabá (rosto com cicatrizes de varíola)?

O governador do Estado acabara de inaugurar a Escola Senador Azeredo no Porto, com autoridades e povo.

Na saída da festa um transeunte perguntou ao amigo de onde tinha vindo.

Este lhe respondeu: da inauguração da “Escola do Peixe Frito”.

O antigo cuiabano ainda se lembra com humor que o primeiro otorrino de Cuiabá era surdo (Dr. Alberto Novis).

O Tabelião de Registro de Imóveis era cego (Dr. Luís Philipe Pereira Leite).

E o Arcebispo era agiota (Dom Orlando Chaves).

A Academia de Letras era conhecida como “Casa dos Imortais”.

O cuiabano acrescentou: “Casa dos Imortais, Mortais”.

Moro em um espaçoso apartamento com quatro quartos.

Um quarto é onde durmo.

Os outros três têm nomes: “quarto do Pace” (amigo que em vida se hospedava lá), da “enfermeira” (que me acompanha) e do “Fábio” (fisioterapeuta, onde deixa o seu avental branco e material de exercícios).

Acho fantástico essa tradição, que deveria ser mantida como as demais.

Como é gostoso percorrer o centro histórico de Cuiabá, guardião dessa nossa tradição de dar “nomes próprios” aos becos, ruas, avenidas, travessas e morro!

Tenho certeza que poucos cuiabanos conhecem o “Parque” Antônio Pires de Campos (bandeirante paulista do século XVIII, que aqui adentrou à caça de índios para vender como escravos em São Paulo).

Mas, pelos apelidos conseguirão facilmente localizar o Morro da Luz ou da Prainha.

Até a Praça Alencastro, construída pelo meu bisavô engenheiro militar Vasconcelos recebeu o nome de Jardim (antigo ponto de encontro dos cuiabanos).

Os apelidos de pessoas não eram pejorativos e acompanhavam as famílias de forma carinhosa.

O Marechal Rondon, só chamava o índio branco de Tripé.

Saudades do João Galinha (barbeiro), João Banana (alfaiate), João Butu (meu primo), João Papa Vela (fundador do Diário de Cuiabá), Chico Jorge (o seu nome era Arthur), Nhô Matraca (comerciante e político), Totó Carijó (comerciante), Nhonhô Tamarineiro (fazendeiro e político), Hélio Goiaba (compositor), Lebrinha (empresário de água mineral), Jabuti de Gravata (meu professor), Pé de Chumbo (jogador de futebol), Fôrma de Pote (professor e político), Paizomé ( taxista), Hélio Carrapato (meu vizinho e filho do Batinga da rua do Campo), Chupapaia ( jogador de futebol e carnavalesco), e o Bugre do bar (meu pai).

Gabriel Novis Neves é médico em Cuiabá

 

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