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Opinião

JANDIRA PEDROLLO – O que fazer com as capivaras?

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As notícias sobre a circulação de capivaras em vias movimentadas de Cuiabá são corriqueiras. Após rápida pesquisa, constatei que o mesmo acontece em outras capitais, como Curitiba, Teresina, Campo Grande, Palmas e mesmo São Paulo.

Em Cuiabá, elas são vistas pastando nas Avenidas Érico Preza (em frente ao parque Tia Nair) e Dr. Hélio Ribeiro (saída do Parque das Águas), no Parque Zé Bolo Flor (Região do Coxipó) e na Orla do Porto. Há relatos delas nas matas ciliares dos córregos de condomínios residenciais.

Porém, em vários deles, já não estão mais conseguindo circular porque os “tubulões” existentes para dar vazão aos córregos foram telados. Tanto Cuiabá, quanto Várzea Grande, possuem vasta rede hídrica, por isso não é de estranhar a existência das capivaras nas duas cidades.

Seus habitats são os corpos de águas permanentes, entre eles rios, lagoas e pântanos, próximos a regiões onde há alimentos em abundância: capins, ervas e plantas aquáticas. Com elevada fertilidade, as capivaras podem ter 2 gestações anuais com 4 crias em cada.

Entre os predadores naturais estão onças, jaguatiricas, cobras, jacarés e cachorros-do-mato. Mas, confinadas em espaços pequenos, esses predadores são muito difíceis de serem encontrados. Nessas regiões urbanas, restaram alguns poucos jacarés e raras cobras.

As reclamações mais recentes quanto à permanência das capivaras nos parques se dão principalmente em razão de maus-tratos sofridos. Os animais se proliferam rapidamente, a comida fica escassa, então, procuram se fartar em locais como os canteiros centrais de avenidas e matas ciliares.

O problema é que ao circular pelas áreas comuns das cidades, estão expostos a inúmeros riscos. Nesta semana, por exemplo, dois animais foram encontrados mortos por atropelamento, um deles em trabalho de parto, no Jardim das Américas, em uma avenida movimentada.

Mas, por que só agora isso é um problema? Com a ocupação urbana excessiva, áreas com as características adequadas ao seu abrigo (matas ciliares, várzeas, pântanos e lagoas) têm sido escolhidas para implantação de parques urbanos.

Com o passar dos anos, tenho a ciência de que as matas ciliares e os parques públicos devem compor uma grande rede integrada de vegetação sem obstáculos e com a livre circulação da fauna.

Em caso de travessias, devem ser construídas passarelas subterrâneas para que os animais possam transpor as pistas. Ainda há tempo, temos matas ciliares e áreas vazias que permitem tal desenho urbano.

Sobre as capivaras circulantes, fala-se na possível transferência para o Pantanal, no entanto, entendo como necessária a composição de equipe multidisciplinar de profissionais habilitados ao assunto, pois novos problemas podem ser criados com a transferência, inclusive a “não aceitação” de grupos diferentes pelos que lá estão instalados, além da crise hídrica atual.

Então o que fazer? Controle da natalidade? Maior rigidez no controle dos portões dos parques? Tratar das áreas verdes com plantas que suprem os animais de alimentos? Diante de tantos questionamentos, precisamos de vários profissionais envolvidos na solução: veterinários, biólogos, engenheiros das diversas modalidades e inclusive arquitetos e urbanistas.

Observem que a implantação de um parque não depende só de um bom projeto, é necessário o estudo inclusive do entorno das áreas e, quiçá, de estudo de impacto de vizinhança para prever os impactos que causarão e implantar as medidas necessárias para a mitigação desses impactos.

Jandira Maria Pedrollo, arquiteta e urbanista, membro da Academia de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (AAU/MT)

 

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Opinião

MARIA RIBEIRO – Será que sou dependente das telas?

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A vida moderna nos trouxe novos desafios. E a tecnologia nos trouxe como resultado de seus avanços uma triste realidade. Estamos produzindo cidadãos com dependência em tecnologia, e principalmente uma geração de dependentes de telas.

A digitalização que caracteriza a sociedade atual está afetando o estilo de vida adotado pelas novas gerações. Do nascimento à morte somos inundados por uma infinidade de dispositivos eletrônicos que não estão sendo tratados como ferramentas, e sim como comandantes de nossas decisões.

Se pensarmos do ponto de vista clínico, a Dependência Tecnológica é quando o indivíduo não consegue controlar o próprio uso das telas, ocasionando sofrimento e prejuízo significativo em diversas áreas da vida.

Mas não é o que todos nós estamos fazendo? Hoje os smartphones, PC, tables, e TVs passaram de suas funções iniciais de comunicação para um mix de ferramentas que estão saqueando mais a atenção do que servindo para melhorar nossas rotinas.

Diante desse cenário, como saber se sou dependente de telas? De cara, é bom lembrar que a dependência em tecnologia é uma patologia, e somente um médico e/ou psicólogo pode diagnosticar.

Mas, com tantos dispositivos à nossa volta, podemos identificar algumas coisas. Como quando seu companheiro não dorme, não come ou deixa de tomar banho porque suas atenções são para a Internet, ou perde o controle da vida porque fica horas em jogos online.

Quando seu filho fica ansioso ou irritado porque o uso da Internet é restringido. E aumenta quando os esforços repetidos por ter uma vida fora do digital são malsucedidos.

E quantas vezes tem colegas de trabalho com medo de ficar fora do mundo tecnológico, e há uma preocupação excessiva se tem sinal, se o 5g funciona, ou se o e-mail já chegou?

Quando nossos avós acham que andam passando mais tempo online do que deveriam. Sim, são as pessoas com mais de 70 anos alguns dos maiores campões em e-sports do mundo.

Em momentos que alguns de nós mente sobre a quantidade de horas conectados e tem necessidade de aumentar o tempo de uso para sentir a mesma satisfação que antes, mas esconde, porque não quer ser taxado de “viciado em tecnologia”.

Quando crianças com amigos virtuais são levados a redes sociais inúteis para fugir de relações empobrecidas, conflitos familiares e isolamento social.

A total falta de interesse de alguns amigos por uma vida real, com emoções que podemos sentir, não somente almejar.

Com líderes com faces distorcidas por tratamentos estéticos, e selfies infinitas em busca de aceitação na rede social para um marketing de propósito, sem mesmo ter um.

E fenômenos da tecnologia, criando metaverso (é a terminologia utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais) para gerações, mas colocando seus próprios filhos em escolas com zero acesso à tecnologia, porque sabe dos malefícios das telas.

As pessoas estão perdendo o controle de suas rotinas e usando o tempo de tela para fugir dos problemas. Sim, estamos todos nós dependente de telas, e nossas relações sociais, afeto e opiniões estão em risco.

Ok! E o que fazemos com tremenda informação?

A primeira delas é colocar regra na vida. A máxima de ter hora para acordar, comer, dormir é a premissa de uma vida com menos telas e mais decisões.

Ah sim, já vou avisando: isso dá trabalho, porque ser melhor, vai exigir que você seja exemplo para os seus filhos, que líderes sejam motivadores de suas equipes, e que famílias comecem a exercitar a melhor ferramenta de comunicação de todos os tempos: a conversa cara a cara. Vamos praticar?.

Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e netnografia. Belicosa.com.br

 

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Opinião

ALFREDO DA MOTA MENEZES – Na eleição do ano que vem

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O barulho eleitoral de 2022 ainda não chegou forte à rua. Mas nas conversas paralelas, aquelas entre amigos e grupos, a coisa anda quente.

A presença de Sergio Moro no cenário é uma das que tem mais comentários. Ninguém duvida que ele seja candidato à presidência e não ao Senado. Já aparece em pesquisa à frente de outros na chamada terceira via, passando inclusive Ciro Gomes.

De quem ele mais tiraria votos, de Lula ou Bolsonaro? É comum ouvir que ele entra mais na seara de Bolsonaro. Moro busca aproximação com o PIB nacional e os militares.

Até que ponto isso pode influenciar ou não na ida do Bolsonaro para o segundo turno também entra nas diferentes avaliações. É aceito que Moro, ou os da terceira via, não tem ainda condições de impedir a ida do presidente para o segundo turno.

Tem opinião de todos os tamanhos sobre Bolsonaro. Que ganha a eleição presidencial e até que ele poderia abandonar a candidatura lá na frente. Os que defendem esse ponto de vista arguem que, se o Bolsonaro chegar ali por junho do ano que vem, sem crescer nas pesquisas, podendo ser derrotado pelo Lula, ele abandonaria a disputa. Difícil ocorrer, mas é um dos argumentos do momento.

Alguns acham que o Lula não será candidato ou que deve aparecer algo na Justiça que impediria sua candidatura.

A maioria das opiniões vai em direção oposta, acredita que ele é candidato mesmo e que herdaria, num segundo turno, a maior parte dos votos dos candidatos da terceira via. Outros torcem para que o seu vice seja mesmo Geraldo Alkmin.

Que isso daria força à candidatura em São Paulo, lugar que Bolsonaro não tem sido muito popular.

Outra conversa é sobre os votos do Nordeste para presidente. Hoje ali o Lula tem boa votação, mostram as pesquisas. Mas com o Auxilio Brasil de 400 reais, muito maior do que se pagava no Bolsa Família, isso poderia alterar o jogo e Bolsonaro encostar no Lula no Nordeste? Grande incógnita para o ano que vem.

Daria tempo, em menos de um ano desse novo auxilio, para mudar o quadro eleitoral no Nordeste? Não esquecer que Lula é nordestino.

A terceira via nessa próxima eleição teria mais votos do que em eleições passadas? A tradição brasileira é a polarização entre duas candidaturas. A do ano que vem não foge à regra, Lula e Bolsonaro serão os nomes dessa vez. Na ultima eleição, com exceção da votação em Marina Silva, outros como Geraldo Alkmin e Henrique Meireles, nomes fortes no canário nacional, tiveram votações raquíticas? Agora seria diferente? Que patamar poderia chegar Moro?

Simone Tebet teria a preferência do voto feminino? Ciro melhora sua votação dessa vez? Como ficaria João Dória com seu PSDB no caminho do racha? Essa terceira via chegaria aos 30% dos votos na eleição 2022? Fato que nunca ocorreu antes.

Pode-se ficar aqui fazendo incontáveis especulações sobre o cenário eleitoral. Aliás, é a melhor parte da conversa sobre política.

Alfredo da Mota Menezes é analista político.

 

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