conecte-se conosco


Internacional

Itália: entenda a crise que ameaça o governo Draghi

Publicado

Mario Draghi governa a Itália desde fevereiro de 2021
Foto: ANSA

Mario Draghi governa a Itália desde fevereiro de 2021

O governo do premiê da Itália, Mario Draghi, está à beira de uma crise política que pode até levar o país a realizar eleições antecipadas ainda neste ano.

No poder desde fevereiro de 2021, o economista chefia uma coalizão de união nacional que vai da esquerda à extrema direita e tem como objetivo garantir um governo estável até o pleito legislativo previsto para o primeiro semestre de 2023.

No entanto, um dos partidos mais importantes da base aliada, o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), promete boicotar uma votação no Senado nesta quinta-feira (14), postura que deve abrir uma crise potencialmente irreversível para Draghi.

A votação em questão diz respeito a um pacote bilionário de ajudas financeiras contra a inflação para famílias e empresas, porém o M5S é contra o texto devido a um artigo que permite a construção de uma usina de energia de resíduos em Roma, projeto ao qual o movimento sempre se opôs.

Já aprovado na Câmara, o decreto será submetido nesta quinta ao voto de confiança no Senado, um instrumento usado pelo governo para acelerar a tramitação parlamentar e que condiciona sua continuação no poder à aprovação do texto tal qual foi apresentado.

Na prática, ao não participar da votação, o M5S indica que não dá mais sua confiança ao primeiro-ministro, que ficaria pressionado a entregar sua renúncia ao presidente Sergio Mattarella.

Mesmo sem o movimento antissistema, Draghi teria os votos necessários para seguir no poder, porém ele mesmo já disse que, sem o M5S, seu governo de união nacional não teria mais razão de existir, posição que encontra eco na maioria dos outros partidos.

“O próprio Draghi disse: sem os 5 Estrelas, não haverá outro governo. Se os 5 Estrelas fizerem essa escolha, palavra aos italianos”, afirmou na última quarta o senador e ex-ministro do Interior Matteo Salvini, líder do partido de ultradireita Liga.

Draghi é apoiado por praticamente todas as grandes legendas, com exceção do partido de extrema direita Irmãos da Itália (FdI), que cobra eleições antecipadas.

“Guerra, pandemia, inflação, pobreza crescente, risco de desabastecimento energético, crise alimentar, e o governo ‘dos melhores’ está imóvel. Chega, por favor. Todos para casa, e eleições imediatamente”, escreveu no Facebook a deputada Giorgia Meloni, líder do FdI, sigla que lidera a maioria das pesquisas de intenção de voto.

Cenários

Se Draghi cair, a Itália pode ter eleições antecipadas no último trimestre deste ano, pleito que redimensionaria muitos partidos, inclusive o M5S, chefiado pelo ex-primeiro-ministro Giuseppe Conte.

Vencedor das últimas eleições legislativas, em março de 2018, com pouco mais de 30% dos votos, o movimento antissistema participou de todos os três governos empossados desde então, mas sofreu várias deserções nos últimos quatro anos e hoje amarga o quarto lugar nas pesquisas, com cerca de 10% da preferência.

Já a Liga, soberana no campo conservador durante a atual legislatura, correria sério risco de perder essa hegemonia para o FdI, que lidera as pesquisas com cerca de 23% das intenções de voto.

Para Conte, assumir a responsabilidade de derrubar um governo de união nacional em um cenário de tamanha incerteza poderia ser mais um golpe na popularidade do M5S. Por outro lado, aliados do ex-premiê acreditam que essa é a única forma de fazer o partido recuperar parte do apoio e reafirmar sua identidade antissistema.

Na semana passada, Conte chegou a apresentar uma lista de demandas a Draghi e disse que daria tempo para o premiê avaliar os pedidos, mas poucos dias depois voltou a acenar com a hipótese de uma crise.

O premiê deu uma coletiva de imprensa na última terça-feira (12) e afirmou que muitas propostas do M5S estavam em linha com a agenda do governo, como a redução da carga tributária e a instituição de um salário mínimo, porém ressaltou também que não aceitaria “ultimatos”.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.  Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Mundo

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Internacional

‘EUA estão buscando prolongar o conflito’, diz Putin sobre guerra

Publicado

Putin ataca EUA em discurso na Conferência de Moscou sobre Segurança Internacional
Reprodução/Kremlin – 09.05.2022

Putin ataca EUA em discurso na Conferência de Moscou sobre Segurança Internacional

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, atacou os  Estados Unidos durante seu discurso na 10ª Conferência de Moscou sobre Segurança Internacional nesta terça-feira (16) e afirmou que Washington quer “prolongar” a guerra na Ucrânia – iniciada por Moscou em 24 de fevereiro.

“A situação na Ucrânia demonstra que os Estados Unidos estão buscando prolongar o conflito. Além disso, estão agindo de forma similar e alimentando o potencial de conflitos na Ásia, na África e na América Latina”, disse o mandatário.

Além disso, Putin afirmou que o Ocidente usa o povo ucraniano como “carne de canhão” e que essas nações “têm necessidade de conflitos para manterem a sua hegemonia” no mundo. Segundo o mandatário, eles têm um “projeto anti-Rússia, fecharam os olhos para o uso da ideologia neonazista e sobre a morte em massa de civis no Donbass e forneceram armas, também pesadas, ao regime de Kiev”.

As acusações são as mesmas feitas por Putin para justificar a invasão da Ucrânia em fevereiro e, desde então, Moscou vem sendo alvo de pesadas sanções ocidentais, que causam danos à economia do país – apesar das negativas do Kremlin.

A princípio, Moscou queria derrubar o governo de Volodymyr Zelensky com uma campanha militar rápida, mas os planos fracassaram e a Rússia começou a concentrar suas operações nas áreas ao sul e na área do Donbass, que conta com as regiões separatistas de Donetsk e Lugansk.

Em outro ataque a Washington, o presidente russo afirmou que a visita da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan no início de agosto foi uma tentativa de “desestabilizar” a região indo-pacífica.

“Como vocês sabem, recentemente, os Estados Unidos tentaram mais uma vez, deliberadamente, jogar gasolina no fogo e estremecer a situação na região Ásia-Pacífico. A aventura norte-americana em Taiwan não foi só uma viagem de um único político irresponsável, mas faz parte de uma estratégia deliberada e consciente dos EUA para desestabilizar e deteriorar a situação na região. Uma falta de respeito”, acusou ainda.

Após o discurso de Putin, o Ministério da Defesa informou que fechou um contrato para a entrega de mísseis balísticos intercontinentais Sarmat.

Em junho deste ano, em outro evento, o mandatário russo havia informado que esperava que os Sarmat estariam disponíveis “até o fim do ano” e que eles dariam “garantias de segurança” à Rússia contra “as atuais ameaças”, fazendo “refletir quem está nos ameaçando”.

Os mísseis do tipo tiveram o primeiro teste oficial realizado em abril deste ano e os equipamentos têm a capacidade de transportar até 15 ogivas para ataque.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.  Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Mundo

Continue lendo

Internacional

Embaixador da China alerta Reino Unido sobre aproximação com Taiwan

Publicado

Zheng Zeguang, embaixador da China no Reino Unido
Divulgação/Embaixada Chinesa no Reino Unido

Zheng Zeguang, embaixador da China no Reino Unido

O embaixador da China no Reino Unido, Zheng Zeguang, afirmou que o país europeu pode sofrer “sérias consequências” caso  siga os passos dos Estados Unidos e realize movimentos de aproximação junto a Taiwan.

A afirmação foi feita em um artigo publicado nesta terça-feira (16) no jornal britânico The Guardian. De acordo com o embaixador chinês, o Reino Unido não deve cruzar uma “linha vermelha” nas relações com Taiwan.

“Qualquer movimento que viole o princípio de Uma Só China e as disposições do comunicado conjunto, ou cruze a linha vermelha do lado chinês, trará sérias consequências para as relações bilaterais. Não deve haver nenhum erro de cálculo sobre isso”, enfatizou Zheng Zeguang.

A autoridade chinesa ressaltou ainda que apelos que tenham o objetivo de ajudar a ilha a se defender são “irresponsáveis e prejudiciais”.

“A questão de Taiwan é uma questão importante de princípio. Não há razão para o Reino Unido ignorar esse fato e seguir os passos dos EUA. Apelos para ‘ajudar Taiwan a se defender’ e similares são extremamente irresponsáveis ​​e prejudiciais”, afirmou.

Zeguang argumentou que China e Reino Unido assinaram um comunicado conjunto em 1972, quando começaram a trocar embaixadores. Neste acordo, os britânicos também oficializaram o fechamento do seu consulado em Taipei, capital de Taiwan.

O Reino Unido reconheceu, no mesmo acordo, que o governo da República Popular da China como é o único governo legal da China, prometendo manter uma relação não oficial com Taiwan.

“Sob tais circunstâncias, a China e o Reino Unido devem fortalecer, em vez de enfraquecer, sua cooperação. Os dois lados devem seguir os princípios de respeito mútuo, igualdade e não interferência nos assuntos internos de cada um, engajar-se no diálogo e na cooperação e dar as mãos para enfrentar os desafios comuns”, completou o embaixador chinês.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.  Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Mundo

Continue lendo

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana