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Incompatibilidade de personalidades pode abalar namoros de pandemia

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Vera Arsic/Pexels

“A gente não se conhecia mais”, diz mulher que morou com o namorado, com quem ela começou a se relacionar no início da pandemia

A relações públicas Miranda*, 21, começou a namorar no meio da pandemia. Ela e o rapaz se conheceram pela internet em um momento em que a solidão foi um sentimento marcante para as pessoas. Pouco depois, devido a questões familiares que Miranda passou, passaram a morar juntos no apartamento dele. Tudo parecia ir bem: os dois se davam bem, se apoiavam e tinham uma boa convivência. Mas foi quando os limites da pandemia começaram a afrouxar que os dois notaram que o relacionamento não iria para frente.

Quando os espaços públicos começaram a retirar as restrições derivadas da pandemia, Miranda e o companheiro voltaram a ver os amigos e a conviver com outras pessoas. “Ele nunca conheceu como eu era em outros lugares, então a gente ficou naquele mundinho em que só existia nós dois. Com a flexibilização, começamos a perceber que éramos estranhos um para o outro. A gente não se conectava mais”, lembra ela em conversa com o iG Delas.

A relações públicas afirma que, por terem se conhecido pela internet, engatado um namoro e juntado as escovas de dente tão rápido, perderam a etapa inicial do namoro, que consiste em se conhecer, ficar eufórico e apaixonado. Isso também dificultou que ambos conhecessem o lado individual de cada um.

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Por exemplo: Miranda se lembra que o rapaz estranhou o jeito extrovertido dela; enquanto ela descobriu que ele fazia piadas que soavam mal para ela. No entanto, ela não sabia se o correto seria chamar atenção, já que esse comportamento poderia fazer parte da personalidade do parceiro.

“A parte individual é importante porque, sem ela, acaba acontecendo uma dependência emocional. Sentimos que estávamos olhando um para o outro e pensando: ‘Tá, e agora?’. Não tínhamos mais vontade de nos conhecer. Até as manias que tínhamos, que antes eram fofas para nós dois, passaram a nos deixar irritados”, relata.

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Miranda afirma que passou por desgastes na pandemia que fizeram com que seu laço ficasse mais forte com o namorado. Além dos problemas familiares, ela perdeu o pai e o irmão durante a pandemia – o parceiro, aliás, foi quem a amparou nesse período. Mas ela analisa que essas situações também contribuíram para o estremecimento da relação. “Por mais que existisse o sentimento de parceria e amizade, a gente não tinha mais o sentimento de namorados”.

A solução encontrada foi terminar o relacionamento. Foi uma decisão que ela e o ex-namorado tomaram em consenso. Ou seja, o descontentamento com a relação e esse sentimento de não reconhecer o cônjuge em outras situações sociais era mútuo.

Relacionamento pandêmico

As psicólogas Lucy Carvalhar e Gabriela Luxo apontam algo que diversos estudos científicos já comprovaram: o período pandêmico, principalmente em seus piores picos, mudou a maneira como os seres humanos se relacionam – seja com o outro, seja consigo mesmo.

Esse impacto atingiu tanto casais que já estavam juntos antes da pandemia (seja causando estreitamento desse laço ou pelo término dele), mas também teve uma forte ação nas pessoas solteiras. Nesse último caso, as pessoas foram se adaptando para conhecer alguém no ambiente virtual.

Luxo aponta que iniciar um relacionamento pela internet sem a possibilidade de se ver pessoalmente torna as relações mais distantes, além de produzir comportamentos mais elaborados por trás das câmeras. “Na realidade, nós temos um outro tempo de resposta, porque não há tempo para parar, pensar e elaborar como há na internet”, diz a psicóloga.

Carvalhar complementa que há muitas idealizações nas relações online, o que faz com que o par crie expectativas que podem não ser correspondidas no dia a dia. “Muitas vezes o outro é feito de acordo com fantasias que a pessoa tem e que deixam de ser vistas no mundo virtual. Os relacionamentos pela internet podem impactar a convivência presencial visto que as pessoas saem do contexto ideal e se deparam com um mundo real no qual as máscaras sociais, os personagens utilizados à distância deixam de existir e a verdadeira identidade vem à tona”, reflete.

“As emoções ficaram intermediadas pelo online. Então, acabamos nos expressando por meio de textos ou chamadas de vídeo. Mas o comportamento ali não é necessariamente o mesmo quando o contato é na vida presencial. Esse choque traz um impacto em como essa relação vai se desenvolver”, complementa Luxo.

Subindo os degraus de dois em dois

Carvalhar afirma que muitos casais decidiram morar juntos para driblar a solidão ou pela ansiedade de querer ver o outro — além dos casos em que isso aconteceu devido a uma necessidade, como na situação vivida por Miranda. A psicóloga explica que essa atitude, de fato, pode impactar a relação a longo prazo, já que essas pessoas pularam algumas etapas.

“Todo relacionamento exige um período de adaptação, e o namoro é para isso. É o momento em que o casal se conhece e matura a relação a fim de constatar se querem construir uma vida juntos. Quando se decide morar junto de forma repentina, essa fase é interrompida e a adaptação pode ser difícil, visto que, logo de início, os personagens sociais utilizados deixam de existir e ambos têm que conviver com todas as nuances, semelhanças e diferenças que se apresentam diariamente”, expõe a especialista.

A conquista, a saudade, a paixão, a vontade de se ver e a construção gradual de uma intimidade são alguns pilares que Luxo aponta como importantes e característicos do início de um relacionamento. “É importante curtir primeiro e conhecer bem essa pessoa, ver se os sentimentos estão alinhados. Morar junto exige habilidades muito mais difíceis devido aos probleminhas do dia a dia. Sem uma primeira relação consolidada, tudo vai se fragilizando”, aponta.

Com o retorno da vida social, as pessoas voltaram a olhar para si mesmas e perceber a própria individualidade. Com isso, Carvalhar explica que as máscaras sociais acabam voltando. Nesses casos, essa é a etapa em que a idealização dá lugar à realidade.

“A relação simbiótica, o espelho da paixão e a fusão do meu eu com o eu do próximo, deram espaço à convivência social, relação familiar e atividades sociais que fazem parte da vida das pessoas. O que na pandemia era negado, ignorado, passou a ser visto impactando assim as relações”, complementa.

Luxo afirma que descobrir traços de personalidade diferentes do idealizado pode acontecer também em relações que começaram da maneira “tradicional”. “Às vezes, as pessoas vão percebendo que tem algumas coisas que não eram bem aquilo que pareciam e aí chama aqui de traços da personalidade que são diferentes”, diz. No entanto, a proximidade intensa com uma pessoa que se conhece pouco pode fazer com que a maneira de processar esses sentimentos mude, dando lugar a uma insegurança e, consequentemente, ao desgaste.

A psicóloga, no entanto, afirma que é preciso ter cautela ao pensar nesses sentimentos. Afinal, muito da decepção pode fazer parte da projeção depositada no outro. “Não dá para esperar que o outro seja exatamente como a gente quer, assim como a gente não pode ser tudo o que o outro quer. Não adianta eu esperar de uma pessoa aquilo que não é real e que ela não pode me dar”.

Só o término salva?

Luxo afirma que o término deve ser pensado como a última opção. Isso porque ninguém é igual, e casais com pontos discordantes saudáveis conseguem manter o relacionamento tendo como base o diálogo. Encarar a realidade sem se deixar levar pelas idealizações também é fundamental no momento de crise.

“É importante que haja comunicação entre o casal a fim de identificar os pontos frágeis do relacionamento buscando formas de reconstruir a relação de modo confortável e considerável em um contexto adaptativo para que ambos possam ter congruência na relação de forma e sincera”, diz Carvalhar, que recomenda ainda a terapia em casal como forma de resolução de conflitos.

No entanto, Luxo reforça que é primordial que ambos estejam dispostos a ouvir e, se necessário, entender quais tipos de atitudes podem ser melhoradas. Para construir o diálogo, se assim desejarem, ela indica que o par deve ter paciência, honestidade e manter uma conversa aberta e transparente.

“As pessoas têm dificuldade de conversar, mas verbalizar os sentimentos pessoais traz os casais mais próximos por estarem pensando juntos. Isso é fundamental. Deixar a conversa para depois pode ser um buraco sem fim”, afirma a psicóloga.

Ela indica ainda que a maturidade para saber ouvir e entender o momento de falar e o de se retirar para manter a calma, pensar e depois retornar ao assunto.

“Um relacionamento é construído em cima de troca e da parceria, não só porque a pssoa é legal ou o sexo é bom. É preciso aprender a ceder, algo que um ou outro vai precisar fazer. É aí que as personalidades entram em jogo. Mas pode ser que a pessoa tenha percebido que, realmente, a outra não tem nada a ver com ela. Nesse caso, vale a pena buscar ajuda para entender o que pode estar acontecendo”, aponta Luxo.

Fonte: IG Mulher

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#EuTambémFaloDePolítica: mulheres na política contra o assédio sexual

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Movimento apoia campanha contra assédio na política
Reprodução

Movimento apoia campanha contra assédio na política

Neste ano de eleições o Me Too Brasil lança uma campanha contra o assédio sexual na política. A apresentação da hashtag #EuTambémFaloDePolítica acontecerá nesta quinta (11), às 19h, em evento híbrido com a participação de parlamentares e pré-candidatas. O evento será transmitido pelo Instagram do Me Too Brasil.

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A campanha busca combater a violência e o assédio sexual na política, tanto na frente das câmeras quanto nos bastidores, e acolher as vítimas para que se sintam preparadas para romper o silêncio e denunciar os abusadores. A organização entende que a política deve ser um espaço seguro para todos e todas.

“As marcas da violência sexual sofrida por parlamentares é apenas a ponta do iceberg. Existem muitas servidoras, assessoras, jornalistas terceirizadas envolvidas no espaço político que sofrem sem termos a dimensão ou a devida visibilidade”, explica Mariana Luz, psicóloga e diretora do Me Too Brasil.

Acompanhe também perfil geral do Portal iG no Telegram ! Confirmaram presença no evento as pré-candidatas a deputada federal por São Paulo, Cidinha Raiz (PSD), Erika Hilton (PSOL) e Mônica Rosenberg (Novo); e as pré-candidatas a deputada estadual do mesmo estado, Adriana Vasconcellos (MDB), Gabriela Sabino (PSB), Isabela Rahal (PSB), Marina Helou (Sustentabilidade) e Patrícia Bezerra (PSDB). O evento é uma parceria do Me Too Brasil com a organização não-governamental Vamos Juntas e conta com o patrocínio do Free Soul Food e Chef Jamal.

Fonte: IG Mulher

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“Vestido Nu” de R$ 3 mil se torna peça cobiçada na moda

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Vestido nu é do estilista Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier/Instagram

Vestido nu é do estilista Jean Paul Gaultier

O “naked dress” (vestido nu, em tradução literal), entrou para a lista dos produtos mais quentes no mundo da moda. A peça de R$ 3,2 mil ocupa a terceira posição no ranking criado pelo “The Lyst Index”, uma plataforma de pesquisa de mercado deste setor econômico.

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Criado pelo estilista Jean Paul Gaultier e pela artista Lotta Volkova, o vestido nu tem causado furor por onde consumidores do vestido passam. Um relato sobre a experiência de usar a peça viralizou após uma mulher fazer um relato ao jornal inglês The Times.

“Você me deu um susto”, disse uma pessoa que passou pela mulher na rua. “É bem assustador”, afirmou outro, enquanto olhava para a consumidora de cima até embaixo. Um terceiro classificou como “nojento”.

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O vestido tinha a cor da pele da mulher e retratava o corpo nu em três dimensões realistas, tanto na frente quanto nas costas. Todo o estoque esgotou logo após ser colocado à venda online quando foi lançado, em maio.

Apesar das controvérsias nas ruas, o vestido é sucesso na web. No ranking criado pelo “The Lyst Index”, a peça ficou atrás apenas de uma bolsa da Diesel e de um tênis da Adidas em parceria com a Gucci.

Fonte: IG Mulher

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