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Incerteza sobre futuro em meio a pandemia afeta categorias de base

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Após defender a equipe sub-20 do Esporte Clube São Bernardo, da Série A3 (terceira divisão) paulista, por duas temporadas, chegando até a ser relacionado no profissional, o atacante Robson Lima acertou, em março, para integrar o time júnior do Botafogo. Ter alcançado um clube grande e estar na idade limite (20 anos) das categorias de base prometiam um 2020 desafiador e decisivo. Contudo, a pandemia do novo coronavírus (covid-19) não estava nos planos.

Treinos presenciais interrompidos e torneios suspensos por tempo indeterminado, ao contrário do vínculo com o clube carioca, que vai até dezembro. “Fiquei duas semanas treinando, aí teve o primeiro jogo do Carioca [sub-20]. Depois ocorreu a pandemia e tudo foi cancelado”, afirma o atacante à Agência Brasil.

Como Robson, jovens em categorias de base de clubes do Brasil afora vivem a expectativa pelo retorno de treinos e jogos, o que significa ter outra vez a oportunidade de provarem que merecem ser aproveitados no time profissional e ter os vínculos renovados. A prioridade das federações e agremiações, no momento, é viabilizar a volta de equipes profissionais masculinas às atividades, ainda que de forma gradual, e, posteriormente, às competições.

Um impacto imediato da paralisação, em alguns clubes, foi o corte em vencimentos de atletas profissionais, incluindo os que estão na base. “Pode ser feita, como autorizado pela Medida Provisória 936, a redução de salário e jornada de trabalho, de forma proporcional, ou a suspensão do contrato de trabalho, mas sempre com a concordância do jogador mediante acordo, individual ou coletivo. Vemos que alguns times adotaram a redução de forma unilateral e isso é passível de questionamento futuro”, alerta à Agência Brasil o advogado Rafael Cobra, especialista em Direito Desportivo.

Cobra também destaca o caso de jogadores cujo contrato é de formação, que pode ser assinado dos 14 aos 20 anos e não gera vínculo empregatício. Segundo o advogado, um atleta nesta situação pode ser dispensado sem ônus ao clube, o que, para ele, coloca o jovem em posição delicada em meio às reestruturações causadas pela pandemia: “Se o time quiser rescindir o contrato de formação, ele não tem que pagar absolutamente nada ao atleta. Basta uma decisão unilateral do clube decidindo a dispensa, seja por motivo técnico ou outra razão, o que poderia incluir a ausência de competição”.

Sem previsão

No Rio de Janeiro, o Estadual sub-20 foi suspenso após a primeira rodada, em 14 de março, ainda sem previsão de reinício. À Agência Brasil, a assessoria de imprensa da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro informou que “vai avaliando o cenário para, quando for possível, com responsabilidade e cuidado médico, organizar os campeonatos”.

carioca sub-20 carioca sub-20

Campeonato carioca sub-20 está parado desde março – Mailson Santana/Fluminense FC/Direitos Reservados

Cenário não muito diferente de estados nos quais a temporada da base sequer começou. No Rio Grande do Sul, a última manifestação da Federação Gaúcha de Futebol foi em maio, em matéria no site da entidade indicando que o sub-20 poderia ocorrer a partir de setembro, com treinos liberados em agosto, seguindo protocolos sanitários. Em São Paulo, a Federação Paulista (FPF) respondeu à Agência Brasil, por e-mail, que o retorno da base é discutido em “constantes encontros virtuais” e que as decisões “são tomadas em conjunto com os clubes, em acordo com as autoridades públicas de saúde”.

Já a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que organiza os campeonatos nacionais, as Supercopas e as Copas do Brasil sub-17 e sub-20, além da Copa do Nordeste sub-20, afirma, em e-mail enviado à Agência Brasil, que nenhum torneio de base está cancelado e que o calendário “será retomado tão logo a situação permitir”. “Além disso, a entidade mantém reuniões constantes com a Comissão Nacional de Clubes. para ouvir demandas deste período de pandemia e debater soluções”, completa a nota.

Enquanto isso, Robson mantém o sonho vivo. Em Osasco, cidade na grande São Paulo onde está com o pai, é monitorado à distância pelo Botafogo. Faz exercícios passados pela comissão técnica e é acompanhado por uma equipe multidisciplinar do Alvinegro, que ainda não tem previsão para retorno da base às atividades presenciais. O clube, segundo a assessoria de imprensa, “está com as atenções voltadas apenas para saúde de todos: funcionários, atletas e familiares”.

“Estou feliz, motivado por vestir a camisa do Botafogo, time de tradição e história. Tento deixar a cabeça tranquila e manter o foco, com esperança de que os campeonatos possam voltar. Tenho treinado todo dia na quarentena, para ter um excelente desempenho e receber uma oportunidade no profissional”, projeta Robson.

Novo limite?

De forma geral, as competições nacionais são disputadas nos níveis sub-15, sub-17 e sub-20. Diante do atual cenário, o treinador da equipe sub-20 do Internacional, Fábio Matias, sugeriu uma mudança no limite de idade das categorias de base. Em entrevista ao jornal Zero Hora, ele aconselhou, ao menos para os seis primeiros meses de 2021, as divisões em sub-16, sub-18 e sub-21.

Na visão do técnico gaúcho, atual campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior (mais tradicional campeonato de base do país) pelo Colorado, isso reduziria a perda de uma temporada quase inteira. O advogado Rafael Cobra concorda com Matias.

“Com exceção do sub-20, que abarca três anos, as demais categorias têm dois anos. É muito importante que o atleta vivencie o primeiro ano de categoria, mesmo sabendo das dificuldades de jogar. O processo de formação depende desse tipo de experiência, de se treinar com atletas velhos, mais maturados. No segundo ano e último ano de categoria, é importante o atleta ter mais responsabilidades e jogar com mais frequência”, declara.

supercopa do brasil sub-20 supercopa do brasil sub-20

CBF diz que competições nacionais de base não estão canceladas – Thais Magalhães/CBF/Direitos Reservados

“Se o atleta, que estava no primeiro ano de categoria [em 2019] e agora [2020] teria o segundo ano, não tiver a oportunidade de vivenciar essas responsabilidades [em 2020], e no ano que vem ele novamente vier a ser do primeiro ano, uma categoria acima, serão três anos de poucas condições de jogo e evolução. Certamente, isso prejudica o processo de formação”, conclui Cobra.

A CBF e a FPF (organizadora da Copa São Paulo, que é sub-20) foram questionadas pela Agência Brasil sobre uma eventual alteração na idade limite, mas não abordaram o assunto em suas respostas.

Edição: Fábio Lisboa

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Lançamento de disco: falta de competições preocupa Fernanda Borges

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A brasileira Fernanda Borges, líder do ranking nacional de lançamento de disco, vive um momento diferente em sua carreira, enquanto enfrenta limitações para manter a rotina de treinos no decorrer da pandemia do novo coronavírus (covid-19) ela acompanha a participação, no exterior, de algumas de suas adversárias na busca do índice para os Jogos de Tóquio.

Fernanda participou de sua última competição oficial em março, o Campeonato Paulista de Atletismo. Logo depois veio a pandemia do novo coronavírus, e desde então a atleta gaúcha se divide entre treinos de musculação na sua casa em São Paulo e a parte prática em São Bernardo do Campo, região metropolitana da capital paulista.

“Ela faz musculação em casa. Tem todos os aparelhos, usamos muito os pesos livres. E fazemos lançamentos no Riacho Grande em São Bernardo três vezes por semana. O campo é grande, tem 90 metros de comprimento. Mas é claro que não é a mesma coisa”, diz o técnico João Paulo da Cunha à Agência Brasil.

Enquanto a brasileira busca o melhor ritmo durante a pandemia, fora do Brasil a situação é diferente. No último sábado (1), a norte-americana Valerie Allman, de 25 anos, não só competiu como quebrou o recorde nacional dos Estados Unidos. Lançou o disco a 70,15 metros e tornou-se a primeira americana a superar a marca dos 70 metros (em toda a história da prova, apenas 25 atletas conseguiram superar os 70 metros).

“Vimos o lançamento da americana. Ela tinha 67 metros como melhor marca. Evoluiu bastante. Abrir a temporada com 70 metros é bem competitivo. Claro que essa falta de ritmo de competição da Fernanda, enquanto outras atletas bem fortes já estão em um nível alto, preocupa”, diz o técnico.

A janela para a classificação para os Jogos de Tóquio reabre em dezembro, mas a brasileira e a comissão técnica já planejam uma ida à Europa para acelerar a preparação. O índice olímpico é de 63,50 metros. “Mês que vem, ela vai entrar na Missão Europa do Comitê Olímpico do Brasil (COB), em Portugal. A ideia é que ela treine e participe de alguns eventos”, diz o técnico.

A atleta de 32 anos é a primeira colocada na temporada brasileira, com a marca de 62,37 metros. O recorde da lançadora é de 64,66 metros, alcançado em outubro de 2018, em Bragança Paulista. Em 2019, na quarta participação dela em um Mundial, a gaúcha de Santa Cruz do Sul finalizou em sexto lugar, com 62,44 metros. João Paulo Alves da Cunha, treinador-chefe da delegação em Doha (Catar), considera o resultado excelente. “Foi uma ótima participação. Primeiro ter ficado entre as 12, e depois, na final, conseguir o sexto lugar foi muito bom. Posição histórica”.

Edição: Fábio Lisboa

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Bolsa Atleta: divulgada lista de contemplados no programa

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O Diário Oficial da União, desta quarta-feira (5), publica portaria do Ministério da Cidadania, que contempla os atletas aprovados no âmbito do Programa Bolsa Atleta.

Ao todo são 109 atletas de modalidades que fazem parte dos programas Olímpico e Paralímpico, referente ao pleito 2019, divididos nas seguintes categorias:

Três habilitados pela categoria atleta olímpico e paralímpico; dezoito pela categoria atleta internacional; sessenta e oito pela categoria atleta nacional; quatorze pela categoria estudantil; e seis pela categoria atleta de base:

No anexo da portaria, a lista com os nomes dos atletas contemplados no programa.

 

Edição: Aécio Amado

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