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Horóscopo do dia: previsões para 02 de junho de 2022

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O horóscopo do dia apresenta a previsão para o seu signo e ascendente
Marcelo Dalla

O horóscopo do dia apresenta a previsão para o seu signo e ascendente

ÁRIES 

Conte com mais dinamismo, curiosidade e vontade de mudar. A Lua nova segue agora no acolhedor Câncer, enquanto o Sol segue em Gêmeos. A vontade é de buscar novos assuntos, trocar impressões sobre a vida, atualizar notícias, expressar ideias e sentimentos. Mas ainda é preciso cuidado com confusões e erros de julgamento. Mercúrio retrógrado desafia Saturno, cuidado com erros. Quanto mais pesquisa, melhor. Procure abrir seu coração: vale ouvir mais, pensar diferente, buscar novos pontos de vista. 

TOURO 

É tempo de investir numa postura mais profissional e, ao mesmo tempo acolhedora. Sol em Gêmeos, Lua em Câncer: afetividade, carinho e cuidado ganham em destaque. Continue também a estipular novas metas e intenções. Mal-entendidos, falhas e atrasos podem ocorrer com Mercúrio retrógrado. Cultivar a autoestima é importante para não se deixar levar por críticas ou maledicências. Qualquer desavença pode ser superada com boas doses de atenção, carinho e um bom diálogo de coração aberto. 

GÊMEOS 

A vontade é de falar, mas doses de ponderação ao emitir opiniões são muito bem-vindas. O Sol segue em seu signo, mas Mercúrio segue retrógrado. Vale cultivar profissionalismo, demonstrar suas capacidades… mas sem acumular compromissos ou atirar para todo lado. No momento, foco e atenção se tornam ainda mais importantes. Não espere muito dos outros, prefira cultivar autonomia. Desacelere para conectar-se com a intuição e a sensibilidade. Aproveite para buscar inspiração nas artes

CÂNCER 

O dia pode ser movimentado e dinâmico, mas evite acumular tarefas. Pelo contrário, é importante cuidar da saúde, promover tranquilidade e harmonia. A Lua segue em seu signo, você fica mais emotivo e inspirado. Procure cultivar o equilíbrio interior e encontrar respostas para antigas questões. Velhos modelos já não servem mais, o céu o convida a mudar. Continue a questionar-se para perceber o que deve ser abandonado, deixado para trás. Lua e Urano se alinham, favorecendo atividades inovadoras.

LEÃO

É importante agora manter-se disposto ao diálogo, interagir com abertura. Com o Sol em Gêmeos, cultive sua flexibilidade e capacidade de adaptação, esteja aberto para novos pontos de vista. A Lua segue em Câncer para inspirar a capacidade de acolher, nutrir e dar proteção. A palavra pode ficar mais sensível e inspirada. As relações mais íntimas e as demonstrações de carinho ganham destaque. Aproveite para dar atenção à quem ama, cuidar de assuntos relativos ao lar à família. Vale fazer algo inovador também!

VIRGEM 

O Sol segue em Gêmeos: leveza, espontaneidade, flexibilidade e sociabilidade ganham destaque, você pode interagir com o mundo. Enquanto isso, a Lua segue em Câncer: junte na receita pitadas de sensibilidade, inspiração, compaixão, sentimentos e pensamentos positivos. Assim cria uma aura de proteção ao seu redor. Cresce a vontade de fugir da rotina, pois a Lua se combina com Urano. Aproveite para fazer algo diferente, isso pode renovar as energias e proporcionar inspiração.

LIBRA 

Bom período para dedicar-se aos assuntos pessoais. Com Vênus em Touro, aproveite para investir no conforto e em sua autoestima. Fique atento para perceber se há controle manipulações e possessividade em seus relacionamentos. Com consciência, você pode transformar sentimentos. Lembre-se que nada vale mais do que sua saúde e seu equilíbrio. Invista também no aconchego e no clima acolhedor de sua casa. Com a Lua em Câncer, tem um bom período também para ficar próximo de pessoas queridas. 

ESCORPIÃO 

É importante cultivar flexibilidade e se adaptar às circunstâncias. A Lua nova segue em Câncer, as pessoas estão mais sensíveis e vulneráveis a qualquer ameaça de rivalidade. A Lua se combina com Urano favorecendo mais liberdade e independência. Com Mercúrio retrógrado, erros e falhas evidenciam o que deve ser aprimorado. Se o clima pesar, faça uma retirada estratégica para refletir melhor. Prefira harmonizar a casa ou o local de trabalho, eliminar a energia estagnada. Jogue fora o que não usa mais. 

SAGITÁRIO 

Esteja aberto para ouvir, a força vem dos outros. O relacionamento com quem está comprometido pode se renovar com diálogos esclarecedores. Tudo depende de sua disposição para ouvir, aprender e interagir. O Sol segue em Gêmeos e o convida a ampliar sua visão e sua consciência. Bom período para aprender ou ensinar. Júpiter em Áries o convida a investir em atividades físicas! Prefira também investir na estruturação de sua empresa ou projeto, no aprimoramento do seu trabalho ou produto.

CAPRICÓRNIO 

Cultive força de vontade para crescer profissionalmente, para rever pontos de vista caducos e abandonar estruturas rígidas que impedem sua evolução. Este é o recado de Mercúrio retrógrado. Além disso, Mercúrio desafia Saturno, que pede profissionalismo e responsabilidade na execução de suas tarefas. Procure também cuidar do corpo e de suas energias. Tem esquecido de cuidar de si? É preciso adaptar seus objetivos, pois aos poucos você modifica a forma de enxergar a vida. Invista no autoconhecimento.

AQUÁRIO 

Período dinâmico! Você está disposto a tomar iniciativas para conquistar seus objetivos nesta nova lunação. Com o Sol em Gêmeos, é tempo de novos cursos, estudos e aprendizados. Mas é preciso controlar a agitação mental. Procure relaxar com música tranquila, boas leituras e meditação. A Lua segue em Câncer: um convite para entrar em contato com o que é mais íntimo para você, fortalecer as ligações com as pessoas queridas. Aproveite para comunicar-se com cordialidade, expressar afeto e carinho.

PEIXES 

Período bom para dar atenção às questões domésticas, aos familiares e pessoas queridas. A Lua segue em Câncer, estimulando a sensibilidade. Além disso, Mercúrio se alinha com Netuno: é importante expressar-se com amor e compaixão. Atividades ligadas às artes e à estética continuam favorecidas, mas evite comprar por impulso. Prefira companhias, leituras, informações e ambientes positivos, que levantem seu astral. Você pode aproveitar para dar aquele toque especial à sua casa, para ela ficar mais aconchegante.

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Fonte: IG Mulher

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Tabata Amaral, Sâmia Bomfim e mais abordam mulheres na política em SP

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Tabata Amaral e Sâmia Bomfim são convidadas para falar sobre participação de mulheres na política em evento suprapartidário
Reprodução/montagem

Tabata Amaral e Sâmia Bomfim são convidadas para falar sobre participação de mulheres na política em evento suprapartidário

Lideranças de diversos partidos políticos se reúnem em São Paulo no próximo sábado (9) para abordar a participação de mulheres na política. Sâmia Bomfim, Tabata Amaral, Adriana Ventura e Marina Helou estão entre as participantes do evento Mulheres na Política.

Idealizado pela cientista política Juliana Fratini, o encontro conta com três mesas de debate e tem como intuito reunir mulheres de partidos políticos conservadores e progressistas. As falas terão moderação das jornalistas Barbara Gancia e Luciana Liviero.

A primeira mesa abordará Mulheres e Mandatos e terá participação de Adriana Ventura (Novo), Alda Marco Antonio (PSD), Beth Sahão (PT), Carol Aguiar (Vote Nelas), Cristina Massi (Pros), Mara Gabrilli (PSDB) e Tabata Amaral (PSB).

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A segunda mesa, chamada Rompendo Preconceitos Estruturais, reunirá Cidinha Raiz (PSD), Claudia Carletto (PSDB), Isa Penna (PCdoB), Madeleine Lascko (Jornalista), Marina Helou (Rede) e Silvia Cervellini (Delibera Brasil).

Por fim, a terceira mesa abordará mobilização feminina. Participam Carina Vitral (PCdoB), Duda Alcântara (PSB), Isabela Rahal (Vote Nelas), Larissa Alfino (Vamos Juntas), Ligia Pinto (O Grupo Mulheres do Brasil), Mari Tavalli (Solidariedade) e Sâmia Bomfim (Psol).

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O evento é gratuito e aberto ao público e será no Restaurante Harrys, no bairro da Consolação, na capital paulista. As mesas estão previstas para começar às 17h.

Fonte: IG Mulher

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Escravidão contemporânea e precarização não chocam o quanto deveriam

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Sucesso midiático e nas redes sociais,
Divulgação

Sucesso midiático e nas redes sociais, “A Mulher da Casa Abandonada” relembra caso de mulher que foi mantida há 20 anos em situação de escravidão contemporânea

Há pouco mais de um mês, é comum encontrar “A Mulher da Casa Abandonada” como um dos principais assuntos do momento nas redes sociais. O podcast da Folha de S.Paulo, com apuração e narração do jornalista Chico Felitti, se tornou um fenômeno midiático por esmiuçar a história de uma mulher, foragida do FBI por manter uma empregada doméstica em situação de trabalho escravo contemporânea nos Estados Unidos, que se esconde em uma mansão decadente em Higienópolis, bairro nobre da cidade de São Paulo.

O trabalho investigativo de Felitti o levou ao caso que envolve Margarida Bonetti e o marido, Renê Bonetti, que explodiu nos noticiários no início dos anos 2000. A vítima, uma empregada doméstica brasileira “dada de presente” pela família, é analfabeta e passou 20 anos em situação de trabalho forçado. A mulher era mantida em condições insalubres no porão da mansão do casal em Washington, teve atendimento médico negado para tratar de um tumor e sofreu uma série de maus tratos por parte, principalmente, de Margarida.

O intuito de “A Mulher da Casa Abandonada” é abordar a realidade nada distante da situação de escravidão à qual muitas empregadas domésticas são silenciosamente submetidas, mas também de trazer à tona o caso e a história por trás de quem vive na sinistra mansão em Higienópolis. Ou melhor, vivia, já que  a procurada fugiu da residência no último fim de semana – período em que a casa abandonada pareceu alçar de vez o status de “ponto turístico”.

Agora, a fachada da mansão dos Bonetti está sempre ocupada por ouvintes e curiosos ávidos para conhecer o local. Pessoas subiram no muro, picharam o nome da vítima (mantido em sigilo no podcast) e gravaram dancinhas de TikTok em frente à casa, ostentando a presença naquele lugar.

Para Nathalie Rosário, advogada do Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos da Grande São Paulo (Sindoméstica), a repercussão de “A Mulher da Casa Abandonada” causa tristeza. Para ela, a atenção do público parece ter ficado muito mais voltada para a infratora e pela “aura misteriosa” da mansão. “Fora do podcast, pouco se falou sobre como essa empregada está, se está segura, se foi acolhida e se teve acesso aos direitos dela”, afirma ao iG Delas.

“A sociedade não tem esse olhar atento para a vítima de racismo e escravidão. Mas teve com a infratora. A supremacia branca continua prevalecendo nesse sentido de enxergar aquilo que ela fez como algo a se fazer meme, como algo a ser levado na brincadeira. Se foge do ponto principal, que é a questão racial e que ainda existe esse tipo de situação”, complementa a advogada.

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Escravidão contemporânea

O ano de 2021 foi um dos que apresentaram o maior índice de pessoas encontradas em situação de escravidão contemporânea. De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, foram quase 2 mil pessoas amparadas nessas condições. A Organização Nacional do Trabalho aponta que foram 60 mil pessoas libertadas nos últimos 15 anos.

Melina Girardi Fachin, advogada, pesquisadora e co-autora do livro “Constituição e Direitos Humanos” (disponível pela editora Almedina Brasil), lembra ainda que, nos últimos dez anos, o Brasil recebeu duas condenações da Corte Interamericana de Direitos Humanos por escravidão contemporânea.

No âmbito do trabalho doméstico, as mulheres, por si só, representam 92% das trabalhadoras dessa categoria; destas, 65% são negras, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese). “Além de negras, essas mulheres, em sua maioria, têm baixa escolaridade e são de baixa renda”, aponta Fachin.

Melina explica que a a forte desigualdade social e o racismo estrutural brasileiro são os dois principais fatores na conjuntura brasileira que propiciam a continuidade da escravidão contemporânea no país. “É o que mantém esse sistema perverso que continua escravizando e instrumentalizando pessoas. O perfil das vítimas já nos mostra a realidade discriminatória que, ao mesmo tempo, alimenta esse sistema e é fruto dele”.

“As empregadas se submetem a essas condições por uma questão de racismo estrutural”, afirma Rosário. “É um ciclo vicioso que atinge mais as mulheres negras e é passado de avó para mãe, de mãe para filha. Por vezes, alguém precisa romper esse ciclo para que exista uma ascensão profissional. Não é que a categoria não seja importante, porque é. Mas é necessário que exista um trampolim para que trabalhadoras tenham acesso aos estudos e possibilidades de crescer prifissionalmente”.

Por mais que o regime escravocrata pareça ser uma página virada no contexto atual do Brasil, Rosário aponta que a raiz da categoria segue os moldes dele, já que elas surgiram no período colonial. “Vivemos uma falsa abolição em relação ao emprego doméstico. Com todo avanço legislativo, ainda existem empregadas sendo silenciadas, sem o mínimo de direitos. Esses casos existem e não são pontuais”, afirma a advogada do sindicato.

Rosário e Fachin apontam que são características do trabalho escravo contemporâneo o trabalho forçado, jornadas exaustivas, situações de servidão por dívidas (como trabalhar em troca de moradia, por exemplo), condições degradantes, falta de higiene, alimentação e assistência médica, cerceamento dos direitos de ir e vir e falta de remuneração.

Rosário aponta que existe um padrão que atrai as vítimas para essa situação de trabalho, caracterizado por uma situação de hipervulnerabilidade. Em casos que acabam em situação de escravidão contemporânea, o perfil das vítimas é de mulheres que foram despejadas ou não tinham um lar.

“O empregador se aproveita dessa situação vulnerável para oferecer um ambiente. Só que essa mulher trabalha e recebe em retorno tão somente o lar, o famoso quartinho da empregada, onde ficam isoladas em condições precárias. Elas perdem acesso social a suas famílias, então não há acesso ao que está acontecendo”, indica.

Tasha Jolley/Unsplash

“sociedade não tem esse olhar atento para a vítima de racismo e escravidão”, diz advogada do Sindoméstica

Fachin aponta que as vítimas ficam tão imersas nesses ambientes e são tão afastadas do convívio social que não conseguem pedir ajuda ou buscar proteção. “Devido à própria condição de dominação em que essas pessoas se encontram e pela ausência de consciência e compreensão dos próprios direitos, justamente por serem pessoas de baixíssima escolaridade e que vieram de um cenário de hipervulnerabilidade, há poucas chances de que essa pessoa faça a denúncia”. O medo também é um fator predominante para impedir que a vítima denuncie.

“Então, é muito complicada a forma como, hoje, a internet repercute esses casos de uma forma engraçada. É um crime hediondo. Tem uma família que sofreu e uma pessoa que perdeu a vida toda. É importante refletir sobre qual mensagem precisamos aprender por trás disso para evoluir como sociedade”.

Rosário complementa que, por ser um trabalho realizado na casa de alguém, fazer o resgate é ainda mais complicado devido ao direito de inviolabilidade do lar, que impede o acesso à residência sem que exista uma denúncia oficial. “Falta uma fiscalização do poder para afastar essas trabalhadoras que estão sofrendo essas condições”.

Fachin explica que existem diversas divisões responsáveis pela fiscalização de trabalho e pelo mapeamento de pessoas nessa situação, sendo o Ministério Público do Trabalho o principal. No entanto, há poucos quadros com acesso aos casos que ocorrem em determinadas regiões brasileiras, principalmente o interior.

A advogada acrescenta que as estruturas judiciárias frequentemente desqualificam essas denúncias; da mesma forma que o crime de racismo é negligenciado. “Viemos em um país que não prestou contas do seu passado escravocrata. Isso acaba alimentando o mito da democracia racial que faz com que a sociedade, incluindo autoridades públicas, se autorize a dizer que não há racismo no Brasil ignorando os dados que mostram essa realidade”.

“É fundamental que esse tema seja colocado em pauta porque mexe na estrutura do nosso modo de ser sociedade. Temos leis. Temos condenações internacionais. É inconcebível que estejamos, em 2022, presenciando cenas que remontam a um passado oitocentista. Temos que não perder a capacidade de nos indignar com esse absurdo e cobrar dos cargos responsáveis e do poder público que esses órgãos sejam mais robustos e que exista a fiscalização da implementação da lei”, alerta Fachin.

Precarização do trabalho doméstico

Em 1988, a Constituição Federal garantiu a proteção de empregados de empresas comuns. Levou 17 anos para que existisse uma legislação que assegurasse o mesmo direito às empregadas domésticas. A Lei Complementar 150 regulamenta, sancionada em junho de 2015, entre outros direitos, o seguro-desemprego, fundo de garantia, aposentadoria, jornada de trabalho de 44 horas semanais.

“Infelizmente, a nossa constituição fazia essa discriminação, o que mostra como o direito, as normas e as leis também precisam se adatar e correr atrás para dar respostas mais robustas a essas pessoas”, diz Fachin. Rosário, no entanto, afirma que a lei, por si só, não atingiu o resultado esperado, já que a cada dez empregadas domésticas brasileiras, apenas três são registradas.

Sem o registro, é ainda mais difícil entrar com um processo para reaver todos os direitos que não foram assegurados, já que essas profissionais, geralmente, recebem o pagamento em mãos e não têm testemunhas. “Essas desvantagens favorecem o empregador doméstico”.

Outro motivo que propicia essa relação de trabalho é a falsa mistura entre relação profissional e pessoal. “O empregador afirma que a empregada é uma figura ‘parte da família’ e usa desse atributo para deixar de cumprir um direito dela. Existe essa máscara de que há uma benevolência do empregador ao contratar uma empregada doméstica”.

A precarização do trabalho doméstico é efeito direto da desvalorização dessa atividade e das profissionais. Tanto no caso de precarização como de escravidão, Rosário aponta que a reação da sociedade é, desde sempre, de olhar para o outro lado. Essa postura coloca as trabalhadoras como não dignas de direitos e amparo; além de estarem atreladas aos rótulos racistas e patriarcais que perpetuam o silenciamento e invisibilização da classe.

Marta*, 50, trabalha como empregada doméstica há 15 anos e lembra de ter vivido dias de aflição na primeira casa de família em que trabalhou. Ela ficou no cargo por dois anos e, ao longo do tempo, presenciou intrigas, recebeu acusações e foi vítima de abusos psicológicos causados pelo casal de empregadores.

Ela lembra que trabalhava com uma outra colega, que cuidava da cozinha da mansão, e que as duas só tinham autorização para fazer refeições numa mesa da área externa. A área, que tinha teto coberto, tinha laterais abertas. Elas tinham que ficar ali mesmo no frio.

O casal era de difícil convivência. A mulher sentia ciúmes da relação das filhas do marido com as empregadas e as acusava de oferecer tratamento diferenciado para elas. Alguns dias dava “bom dia”; em outros, ignorava as funcionárias. “Ela era advogada, então sabia os limites. Era tudo muito sutil”, diz a empregada sobre os insultos e a pressão psicológica diária.

No caso do homem, o problema era a comida. Por mais que a alimentação esteja assegurada para as empregadas domésticas, Marta preferia almoçar em casa, que era próxima do local de trabalho, para almoçar com a filha. Só almoçou na mansão uma única vez, mas nunca mais o fez ao perceber que os patrões “fecharam a cara”. As únicas frutas que poderiam comer era banana, já que o casal não gostava.

Para evitar problemas, ela e a colega faziam vaquinhas para comprar leite, café, açúcar e pão para o café da tarde. Por vezes, o homem se sentava à mesa e comia os ingredientes comprados por ela. “Ele comia nosso pão e tomava do nosso café. Não tava nem aí”, diz.

Para alguns desses cafés, o patrão já levou ingredientes como geleias e requeijão como “cortesia” para as empregadas. Marta afirma que a data de validade de todos os produtos estava vencida há, pelo menos, seis meses.

Entre outras situações que passou, Marta relata que foi acusada de entupir o vaso sanitário de um dos lavabos da mansão em um fim de semana em que ela sequer esteve na casa. Era pedido que ela fizesse horas extras ou atividades que não constavam no seu escopo, como limpar a piscina ou organizar o jardim – eram as únicas ocasiões em que os padrões ficavam mais amigáveis.

Na residência seguinte em que trabalhou, era obrigada a cuidar dos animais domésticos dos empregadores quando eles viajavam, muitas vezes sem aviso prévio e, em todos os casos, sem receber nada a mais. “Principalmente no final do ano, jogam a responsabilidade em cima das empregadas. Eles pedem na primeira e na segunda vez. Da terceira em diante, você chega e já estão com as malas prontas. Tive que desmarcar vários compromissos para ir todo dia em casa, faça chuva ou faça sol, para cuidar dos animais”.

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Por mais que passasse por abusos e recebesse falas atravessadas, Marta aponta que sempre se impunha diante dos patrões. Delimitava o limite do horário, dizia quando discordava de algo e, quando acusada de algum ato que não cometeu, respondia a altura. “Eles falavam que eu era mesmo mais esperta, então eu tinha outro tratamento”.

A colega de trabalho de Marta no primeiro emprego era a que mais sofria represálias. Os patrões pediam para que ela cozinhasse um prato no almoço e, quando o levava pronto, pediam outro. Era comum que recebesse gritos, ofensas e trabalhasse chorando. Marta relata que essa mulher ficou por mais tempo trabalhando na mansão, e que chegou a passar tanto nervoso que, um dia, desmaiou de nervoso. “Eles viram e não ligaram. Não socorreram ela, não”, diz.

Como denunciar?

Tanto nos casos de precarização de trabalho como de situação de escravidão contemporânea, é possível fazer as denúncias anônimas pelo Disque Direitos Humanos, o Disque 100. O Sindoméstica recebe denúncias anônimas, junto ao Ministério Público do Trabalho, para fiscalização e acolhimento pelo telefone 0800 77 35 900.

Pela internet, é possível denunciar irregularidades trabalhistas pelos canais digitais de denúncia da Secretaria do Trabalho do Ministério da Economia, pelo link https://denuncia.sit.trabalho.gov.br/home . Nos casos de escravidão contemporânea, o canal de denúncia é o Sistema Ipê ( https://ipe.sit.trabalho.gov.br/#!/ ).

*O nome foi alterado para preservar a identidade da fonte.

Fonte: IG Mulher

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