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“Henry precisou morrer para que as torturas fossem reveladas”, diz a mãe Monique

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Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, morto aos 4 anos
Tânia Rêgo/Agência Brasil

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, morto aos 4 anos

Dividindo uma cela de oito metros quadrados do Instituto Penal Ismael Silveiro, em Niterói, com uma mãe acusada de maus-tratos, Monique Medeiros da Costa e Silva conta que, em 85 dias, leu a Bíblia e outros 23 livros. Recebendo somente a visita dos advogados, ela também tem escrito cartas sobre sua estratégia de defesa e ainda mensagens ao pai, à mãe e ao irmão.

Em entrevista exclusiva ao Globo, na manhã desta segunda-feira (5), a professora narrou como estão sendo os dias no cárcere, atacou o ex-companheiro — o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho , a quem acusa pela morte do filho, Henry Borel de Almeida — e garantiu que vai provar sua inocência na Justiça. O casal é réu pelos crimes de tortura e homicídio triplamente qualificado contra o menino de 4 anos.

Como têm sido esses quase três meses privada de liberdade?

Muito difíceis. Na verdade, o que sinto é que minha vida foi completamente destruída — não só a liberdade, mas perdi também meu bem maior, o meu amor, o meu filho.

Você se arrepende de algo?

Sim, me arrependo muito principalmente de ter colocado alguém dentro da minha casa sem prever que ele poderia fazer algum tipo de mal. Moramos somente dois meses juntos, mas foi o tempo suficiente para ele ter acabado com o meu mundo.

Como era seu relacionamento com Jairinho?

Em julho, ele começou a me mandar mensagens pelo Instagram elogiando as minhas fotos. Eu vi que ele era uma pessoa respeitável, um vereador com vários mandatos e que as pessoas o consideravam bastante. Então começamos a conversar e, em 31 de agosto, marcamos um almoço. Ele se mostrou um homem gentil, educado, inteligente e isso encanta qualquer um. Dois dias depois do almoço, no nosso segundo encontro, Jairinho já me apresentava como namorada para políticos e desembargadores. Em outubro, o Henry o conheceu em um restaurante, lhe deu um abraço e não parou mais de falar seu nome. Assim que ele foi eleito, ele disse que queria alugar um apartamento. Então, em janeiro nos mudamos.

E como foi a adaptação do Henry à nova rotina?

Ele passava os finais de semana com o pai, metade da semana com os avós e a outra metade comigo e com o Jairinho. Não foi fácil, ele não conseguia dormir sozinho no quarto, e o Jairinho passou a reclamar disso, dizer que ele era mimado. Passamos a brigar por isso e também pelo ciúmes excessivos dele, que queria controlar minhas redes sociais e meu celular.

Você viu?

O que você tem a dizer sobre as acusações de torturas e da morte do seu filho?

Em momento algum eu tive conhecimento de que o Henry estava sendo agredido ou sofrendo algum tipo de tortura psicológico por parte dele. Eu, como professora e diretora de escola, já encaminhei diversas denúncias de maus-tratos ao Conselho Tutelar e, por isso, sabia que o primeiro passo era ter a violência atestada por um profissional médico. No dia seguinte ao Henry e a babá terem me ligado quando estava no salão, eu olevei ao hospital, mas nenhuma lesão foi identificada. Ele era muito branquinho, eu nunca vi nenhum hematoma, nenhum machucado.

Por que você corroborou o que Jairinho disse em depoimento?

Porque eu não sabia de nada. Eu realmente peguei meu filho nos braços, com os olhinhos abertos, achando que ele estava vivo e tinha sofrido um acidente doméstico. Eu não imaginava o que podia ter acontecido.


E quando você se deu conta?

Quando cheguei à cadeia .

Hoje, qual a sua visão sobre ele?

Depois de saber de tantas agressões, vejo que meu filho foi a primeira vítima fatal dele. Infelizmente, o Henry precisou morrer para que todas essas torturas fossem reveladas e que as mulheres tivessem coragem de denunciar. Agora, eu acredito que a Justiça vai ser feita e que eu vou conseguir provar a minha inocência. Mas sei também que viverei num luto eterno, porque mesmo que haja Justiça, meu filho não vai mais voltar.

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Quase 300 mil novos candidatos se inscreveram no Enem com gratuidade, diz Inep

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Prédio do Inep, órgão responsável pelo Enem
Reprodução/Inep

Prédio do Inep, órgão responsável pelo Enem




O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou ontem que 280.145 pessoas se inscreveram na nova chamada do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 aberta para quem teve isenção do pagamento em 2020, mas faltou nas provas e não justificou a ausência.

Número representa um aumento de 9% no total anterior de inscritos, que era de 3.109.762. O novo período de inscrições foi de 14 a 26 de setembro apenas para esses participantes da edição de 2020.

Quem se inscreveu nesse prazo vai realizar o exame em 9 e 16 de janeiro de 2022, mesmas datas em que a prova será aplicada para adultos privados de liberdade e jovens cumprindo medida socioeducativa que inclui privação de liberdade (Enem PPL).

Para os demais participantes do exame que já tiveram a inscrição confirmada, a realização das provas será mantida nos dias 21 e 28 de novembro de 2021.


Decisão judicial

A reabertura das inscrições foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após ação da Educafro, nove partidos e outras instituições da sociedade civil que questionou a falta de isenção para quem faltou a prova no ano passado.

O Enem teve, em 2020, cerca de 5 milhões de candidatos com isenção de taxa de inscrição. Agora, em 2021, este número desceu para quase 2 milhões. A taxa par a fazer a prova custa R$ 85.

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A reabertura das inscrições foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após ação da Educafro, nove partidos e outras instituições da sociedade civil que questionou a falta de isenção para quem faltou a prova no ano passado.

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