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Há dois ou três ministros do STF na corrente suja, diz senadora “Moro de saias”

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IstoÉ

Selma Arruda Moro de Saias
Marcos Oliveira/Agência Senado

Selma Arruda, ex-juíza eleita senadora pelo PSL, deixou o partido e filiou-se ao Podemos.

Ela é conhecida no Mato Grosso como “Moro de Saias”. A senadora Selma Arruda (Podemos-MT) já foi juíza federal no seu estado por 22 anos e, assim como o ministro da Justiça, Sergio Moro, se aposentou em 2018 para entrar para a política, depois de ter decretado a prisão de gente importante, como o ex-governador Silval Barbosa (MDB) e secretários de estado.

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Na carona de Bolsonaro, e com o discurso de combate à corrupção, ela se elegeu senadora e não tem vergonha de assumir que defende projetos do presidente, como o que permite as pessoas se armarem. “Eu tenho uma arma e nunca matei ninguém”, diz. Mas abomina as teses de extrema-direita ostentadas por Bolsonaro: “É de uma burrice sem fim”, afirma, referindo-se ao que considera discriminação dos homossexuais.

Embora ainda declare apoio ao governo, Selma deixou o PSL depois brigar com o filho do presidente, o senador Flávio, que lhe falou palavrões ao telefone. A senadora luta para que a Lava Jato não morra: “A operação está a um pé do abismo”, sobretudo se o STF decidir pela suspeição de Moro nos processos de Lula, avalia Selma. A magistrada não tem mesmo papas na língua.

O PSL, partido que a senhora acabou de deixar, vive uma crise sem precedentes. O que há por trás da guerra interna?

O partido não foi construído de maneira organizada. Há dirigentes partidários que não querem sair porque não desejam perder o fundo partidário, há outros mais colados ao presidente Bolsonaro que o acompanham independente da sigla, e há os que pertencem realmente ao PSL, sob a batuta do deputado Luciano Bivar, mas está em minoria. Isso não vai se sustentar como está. Depois da briga atual, esse quadro vai mudar e um desses três grupos vai acabar prevalecendo sobre os outros.

Mais do que por discussões ideológicas, a desavença entre Bolsonaro e Bivar é pelo controle do dinheiro para campanhas eleitorais?

Exatamente. O partido ficou poderoso por conta do dinheiro auferido com a eleição e agora as pessoas que querem deixar a sigla pensam duas vezes: sair de um partido rico e ir para onde? E o dinheiro para as eleições do ano que vem? O que eu tenho visto por aí é que nenhum desses grupos está preocupado com o futuro, com os interesses partidários. Todos só pensam no dinheiro que ele gera.

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Os preparativos para a campanha da reeleição em 2022 estão pesando?

Pelo que tenho visto, ele se desentendeu com o Bivar por causa disso. Não tenho acompanhado de perto dessa briga. Afinal, acabo de deixar o PSL para ingressar no Podemos.

A senhora deixou o PSL depois de ríspida discussão com o senador Flávio, filho do presidente, que lhe telefonou à noite, falando palavrões. Ele foi grosseiro?

Eu gostaria de esquecer aquele episódio. Ele me ligou por volta das 22h, muito alterado, aos berros, dizendo aqueles palavrões que todos já sabem (“você quer me foder?”), apenas porque assinei a lista da CPI da Lava Toga. Eu falei: ‘fala mais baixo; você não está falando com tuas negas’. Ele foi deselegante. Não sou nada dele. Pedi para ele baixar o tom e ele não baixou. Então desliguei. Telefonei em seguida para a senadora Soraya (Thronicke, do PSL-MS), que também já havia ficado 40 minutos com ele ao telefone. Flávio também queria convencê-la a retirar a assinatura. O mesmo aconteceu com o senador Major Olímpio, que também recebeu uma ligação dele. Só que o Major Olímpio respondeu à altura, diferente de mim.

Deixou o PSL só por isso?

O PSL ficou de mãos atadas para defender o combate à corrupção exatamente por essa postura do Flávio. Ele só quer livrar a pele dele lá no Rio. E isso foi me incomodando.

A senhora saiu também em meio à confusão em torno dos laranjais de Pernambuco e de Minas Gerais. Afinal, por que o ministro do Turismo não é demitido?

Acredito que o presidente está aguardando uma definição da Justiça. Deve estar satisfeito com o trabalho dele e não vai tomar uma medida drástica antes que a própria Justiça se posicione.

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A senhora também não o demitiria então?

Eu sou outra pessoa. Sempre tive um trato muito sério com as pessoas que trabalham comigo, no sentido da transparência e do não envolvimento com corrupção. A gente sabe que pode haver injustiças, mas eu não sou se ficar passando a mão na cabeça de ninguém.

Mas o MPF até já o denunciou à Justiça…

Eu também fui denunciada por caixa dois da campanha do ano passado, não é? No meu caso, tudo de forma improcedente. Eu não fiz caixa dois. Os gastos questionados foram feitos em março e abril e nem havia campanha ainda. Não pode haver caixa dois em período da pré-campanha. Mas aqui no Mato Grosso há uma “lei” dizendo que isso é caixa dois.

A senhora se sente injustiçada pelo processo que chegou a pedir a cassação do seu mandato pelo TRE do MT?

Com certeza (ela vai recorrer ao TSE). Quando a gente sabe que alguém se meteu em encrenca, eu digo: tchau. Mas, no meu caso, houve armação da política local. Eu fui juíza por 22 anos aqui no Mato Grosso combatendo corrupção. As pessoas de uma das organizações criminosas que eu prendi foram responsáveis por essa armação. O juiz que me julgou é intimamente ligado ao ex-governador que eu prendi e o juiz que julgou as minhas contas era advogado do ex-governador.

Quem são eles?

O ex-governador é o Silval Barbosa e o juiz é Ulisses Rabaneda, da Justiça Eleitoral aqui do Mato Grosso.

Falando em corrupção no Judiciário, por que a CPI da Lava Toga não é aprovada?

Há uma força contrária muito grande. Tem uma resistência forte, com cartas pesadíssimas jogadas na mesa. A gente sabe que isso não é brincadeira e se não houver um empenho significativo da nossa parte, não conseguiremos apurar nada nos próximos quatro anos.

Mas de onde partem as pressões? De senadores poderosos, de ministros do STF, do presidente Bolsonaro?

Vem de todos os lugares. A gente tem várias pessoas, com interesses diferentes, que se uniram para se proteger. Um determinado político se protege com a ajuda de determinado ministro do STF. Faz parte de uma corrente suja.

Essa corrente suja está no STF também?

Há pelo menos dois ou três ministros do STF que eu diria ser muito provável que estejam envolvidos nessa corrente suja, mas eu sempre gosto de preservar as instituições, porque eu também já fui juíza e sei que a gente não pode jogar todo mundo na vala comum. Reconheço também que lá tem muita gente honesta, trabalhadora e que está passando vergonha alheia e não aguenta mais. A gente precisa vencer esse obstáculo de precisar de uma assinatura a mais. A gente instaura a CPI e depois vem o presidente do Senado e resolve colocar algum componente na comissão que vai abafar tudo.

Acha que Bolsonaro quer abafar a CPI para proteger o filho e senador Flávio por causa dos malfeitos no Rio?

Isso é o que tem sido denunciado por colegas e eu lamentaria se fosse verdade. Eu acredito no Bolsonaro, continuo querendo muito que ele dê certo. Para mim, é doloroso pensar que isso seja verdade. Tínhamos esperança em dias melhores até meses atrás.

Como a senhora está vendo o futuro da Lava Jato?

Vou trabalhar para que a operação não acabe, mas estamos a um pé do abismo. Se o STF disser que o ministro Sergio Moro é suspeito para julgar a lava Jato e quiser anular todos os processos, nós vamos passar uma vergonha internacional, que nunca mais nos recuperaremos. A Lava Jato está sob fogo cerrado. Essa não será a última investida que farão. Ainda haverá outras coisas, mas estamos muito atentos ao que está acontecendo, inclusive junto ao novo Procurador-Geral da República, Augusto Aras, que foi eleito com nosso voto, para fortalecer a Lava Jato e não deixá-la ruir.

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Se o STF decidir pelo fim da prisão em segunda instância será um golpe mortal na Lava Jato?

Será um grande abalo, quase uma pá de cal. Mas pá de cal mesmo será julgar o ex-juiz Sergio Moro como suspeito.

E essa questão do delator falar primeiro do que o delatado, o que muda para a Lava Jato?

Foi um dos tiros que a operação levou nos últimos tempos. Ela foi bombardeada de todos os lados. Precisamos agora ficar mais atentos. O nosso grupo ‘Muda Senado’ está trabalhando muito, fazendo pautas positivas. O problema é que as duas últimas semanas foram mortas no Congresso: não se votou a Previdência, não se faz mais nada, e houve muito toma-lá-dá-cá.

Isso aconteceu em torno da divisão dos recursos bilionários da cessão onerosa do Pré-Sal?

Houve toma-lá-dá-cá principalmente com a votação da própria Reforma da Previdência. Para nós, não ofereceram nada, porque sabem que iríamos denunciar. Foram liberados valores monstruosos de emendas para quem votasse a favor. A gente não se envolveu nisso.

Ofereceram só emendas parlamentares ou dinheiro de caixa dois para campanhas?

Emendas, né! Você sabe como as emendas se transformam em caixa dois? O dinheiro vai para a empreiteira fazer obras e depois devolvem parte do dinheiro como caixa dois. A gente viu isso na Lava Jato.

Quando a senhora decidiu deixar o PSL, pesou o fato de o partido do presidente ter assumido bandeiras de um partido de extrema-direita?

Eu sou contra qualquer extremo. A extrema-direita é de uma burrice sem fim. A linha da minha campanha foi clara: não sou contra o casamento gay, não acho o homossexualismo seja uma doença, não tem que jogar esse povo na fogueira. Eu até levava umas chamadas do partido por isso. E eu não criticava os homossexuais, pronto e acabou. Então, acho que minha saída do PSL foi até benéfica.

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A senhora saiu do PSL, mas continua apoiando o presidente?

Sim, apoio as pautas que não sejam da extrema-direita. Mas com relação ao armamento eu apoio. Aqui no meu estado todo mundo tem arma. Eu tenho e nunca matei ninguém. Apoio também a escola sem partido: não dá para ver uma criancinha vestida de vermelho, em assentamentos da Incra, cantando “eu sou sem-terrinha”. Não tem que ter doutrinação das crianças nas escolas.

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Eduardo Bolsonaro compartilha fake news ironizando festa com tiros em favela

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Reprodução

Eduardo Bolsonaro compartilhou fake news com vídeo de festa com tiros em favela dizendo ser na pandemia, mas vídeo é antigo

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), terceiro filho do presidente Jair Bolsonaro, publicou vídeo em seu Twitter ironizando uma aglomeração em festa com sons de tiros em comunidade do Rio de Janeiro, dizendo se tratar de um evento durante a pandemia, mas o vídeo, na verdade, já havia sido publicado por outro perfil na mesma rede social em janeiro, antes da chegada oficial do novo coronavírus (Sars-Cov-2) ao Brasil, ou seja, o vídeo não foi gravado durante o período de isolamento social no País, como Eduardo indica.

“Ainda bem que não é no Leblon, né? Vai que o pessoal contrai COVID…”, escreveu Eduardo Bolsonaro na postagem com o vídeo da festa, minimizando ainda as  aglomerações vistas em regiões de bares e restaurantes no bairro nobre da capital fluminense após o início da reabertura.

O vídeo compartilhado pelo filho do presidente mostra uma festa na Mangueira, comunidade da zona norte do Rio, com traficantes dando tiros de fuzis para o alto e ocorreu, no máximo, em 18 de janeiro, quando o perfil “Informe_RJ” fez a publicação, quase dois meses antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar pandemia do novo coronavírus .

Após a publicação original do vídeo ter sido encontrada pelos usuários do Twitter, muitos reagiram à postagem de Eduardo Bolsonaro, cobrando que ele apagasse o tweet, que segue em seu perfil até a publicação desta reportagem.

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Política Nacional

Crimes ambientais já geraram três pedidos de impeachment de Bolsonaro

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Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro tem em Ricardo Salles um homem de confiança para a pasta do Meio Ambiente

Desde que assumiu a presidência da República, em 1° de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro (sem partido) adotou medidas contrárias às políticas ambientais que vigoraram no país.

Com isso, sobram críticas e polêmicas quanto à gestão governamental, no que diz respeito à preservação da Amazônia e da biodiversidade nacional.  Impeachments contra Bolsonaro, alegando crimes de responsabilidade socioambiental, crescem cada vez mais e inflam estes números de pedidos de afastamento do presidente.

Bolsonaro já acumula, no total, 34 pedidos de impeachment. Desse número, 3 pedidos foram protocolados, especificamente, com base em crimes ambientais. Seja por comentários feitos contra as políticas ambientais em vigor no país, ou pelos desmandos de seu ministro do Meio Ambiente,  Ricardo Salles .

O ministro Ricardo Salles

Ricardo Salles é ministro do Meio Ambiente desde a eleição de Bolsonaro. Já são, portanto, 19 meses de gestão à frente da pasta e muitas polêmicas acumuladas desde então.

A mais conhecida, talvez, seja a polêmica frase na reunião ministerial de 22 de abril, em que ele disse que a pandemia do novo coronavírus (Sarv-Cov-2) é uma oportunidade de mudar legislação ambiental sem chamar a atenção.

salles
Carolina Antunes/PR

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente desde a posse de Bolsonaro.

“Então para isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, disse o ministro.

Mas essa não foi a única:  Ricardo Salles está sendo acusado pelo Ministério Público Federal de ter interferido nas estruturas de fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Salles teria exonerado fiscais do órgão após reclamações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).  O MPF pediu, inclusive, o afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, da pasta.

Ricardo Salles já tentou anistiar infratores que invadiram áreas de proteção da Mata Atlântica e estabelceram propriedades.  A medida de Salles previa o reconhecimento de propriedades instaladas em áreas de preservação ambiental até julho de 2008. Com isso, as pessoas que desmataram esses lugares durante o período indicado ficam livres das punições que deveriam receber pelas infrações cometidas.

Mais polêmicas

A Amazônia registrou, em abril, o maior índice de desmatamento nos últimos dez anos, totalizando 529 km² de vegetação cortada. Os dados pertencem ao Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), ao Instituto do Homem e ao Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O desmatamento, visto nos números, é crescente e visível. No Pará, no dia 10 de agosto de 2019, agicultores da região se uniram para queimar as florestas da região, incentivados após a saída da Força Nacional de Segurança, que ajudava o Ibama a previnir as queimadas. A ordem para a retirada da Força Nacional foi do governo federal.  A data de 10 de agosto ficou conhecida como ‘dia do fogo’.

As queimadas recorde na Amazônia também são um ponto a ser considerado. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a Amazônia brasileira registrou, no último mês de junho, 2.248 focos de incêndio. Esse foi o maior número observado para o mês em 13 anos. Os números ainda apontam que as queimadas na região aumentaram 9,6% em comparação a junho de 2019, quando foram registrados 1.880 focos de incêndio.

Denúncias

Com todas as polêmicas em torno das políticas ambientais do governo federal, além dos desmandos da pasta do Meio Ambiente, os pedidos de impeachment com base nessas questões parecem ganhar força.

O advogado Caio Coêlho faz parte do movimento ‘Brasil pelo Impeachment’, que é um grupo da sociedade civil que se engaja para pedir o afastamento do presidente por conta dos crimes ambientais cometidos em sua gestão. Caio acredita que “a comunidade ambientalista não suportava mais os desmontes e transformou inquietude em ação”, ao apresentar o pedido de afastamento do presidente.

“Os crimes cometidos pelo presidente Bolsonaro são qualificados como crimes de responsabilidade socioambiental. Foram atos que violam os princípios jurídicos estabelecidos no Art. 225 da Constituição Federal, desrespeitando o direito fundamental ao meio ambiente equilibrado, o compromisso intergeracional em preservar o patrimônio ambiental brasileiro para a presente e as futuras gerações”, disse.

Caio ainda diz que Bolsonaro “não respeita e é conivente com o desmonte das políticas públicas no campo da proteção ambiental, no contínuo ataque a instituições como o IBAMA e o ICMBio”, afirma.

O advogado acredita que a peça possa ser, de fato, analisada pela Câmara, já que foi feito um amplo trabalho de pesquisa e fundamentação teórica. “A elaboração do pedido é fruto de uma ação cidadã entre os múltiplos sujeitos da comunidade ambientalista brasileira. A peça foi construída de forma colaborativa, de forma que interligasse os fatos, as evidências e a sua juridicidade”, diz Caio.

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