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Economia

Guedes contraria Bolsonaro e diz que moeda comum com Argentina é “especulação”

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Bolsonaro e Macri
Marcos Corrêa/PR

Segundo fontes, conversas para criar moeda comum entre países começaram há dois meses


O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a ideia de criar uma moeda comum entre Brasil e Argentina , como dito pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (6) é apenas uma “especulação”. 

De acordo com Guedes, a criação dessa moeda comum , já chamada de  “peso real”,  é um plano, por enquanto, para longo prazo. “É algo que poderia acontecer em um prazo de 20 anos”, afirmou o ministro.

Assim como ele, no fim da noite desta quinta-feira (6), o Banco Central (BC) brasileiro divulgou uma nota explicando também que as conversas entre os dois países são incipientes. Segundo fontes, o comunicado foi redigido às pressas, para evitar reações precipitadas após as declarações de Bolsonaro .

“O Banco Central do Brasil não tem projetos ou estudos em andamento para uma união monetária com a Argentina . Há tão somente, como é natural na relação entre parceiros, diálogos sobre estabilidade macroeconômica, bem como debates acerca de redução de riscos e vulnerabilidades e fortalecimento institucional”, diz a nota. 

Conversas

A ideia vem sendo discutida pelos governos do Brasil e da Argentina há pelo menos dois meses e tem gerado forte entusiasmo na Casa Rosada em momentos difíceis para o presidente Mauricio Macri , em campanha para tentar sua reeleição.

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Uma das primeiras conversas entre interlocutores de Brasil e Argentina no assunto teria ocorrido nos Estados Unidos, durante uma reunião no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo fontes, a primeira reação de ministros do gabinete de Macri foi de certo ceticismo mas, com o passar do tempo e o agravamento da crise econômica argentina, a Casa Rosada ficou interessada na ideia que partiu do Brasil.

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O governo argentino, disseram outras fontes locais, vê a criação de uma moeda comum como uma ferramenta que poderia dar estabilidade financeira ao país e até mesmo ajudar Macri a melhorar sua imagem e suas chances de conquistar um segundo mandato.

Guedes é cauteloso sobre o assunto e diz apenas que a ideia foi bem recebida pelos empresários argentinos. De acordo com ele, porém, para o Brasil ainda é cedo para falar em prazos e existem outras prioridades, entre elas e com destaque a aprovação da reforma da Previdência.

Moedas comum pode ser benéfica para Argentina

O ministro brasileiro fala sobre a redução do número de moedas fortes no mundo há mais de duas décadas. Guedes sempre defendeu essa tese e hoje considera que uma moeda comum na região seria um projeto interessante à longo prazo.

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Na avaliação do governo brasileiro, se a Argentina conseguir equilibrar suas contas internas e Macri for reeleito, haveria um cenário propício para pensar seriamente nessa opção da moeda comum. E nesse cenário, o Brasil de Bolsonaro, disseram as mesmas fontes, se vê como uma espécie de Alemanha do Mercosul. “O interesse dos argentinos aumentou muito, mas é preciso ir com calma”, disse uma fonte brasileira.

Há pouco mais de um mês, o ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, fez uma visita relâmpago ao Rio para conversar com Guedes. O dólar tinha disparado novamente na Argentina e, na época, o ministro brasileiro expressou seu respaldo e confiança na gestão do governo argentino.

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O verdadeiro motivo da viagem de Dujovne, confirmaram fontes, foi conversar com Guedes sobre a ideia dessa moeda comum e levar um recado contundente do presidente argentino: a Casa Rosada tem interesse e gostaria de avançar nesse sentido ainda durante a campanha, até mesmo para dar um sinal de confiança aos investidores.

Fonte: IG Economia
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Economia

Brasil depende de medidas internas para driblar desaceleração global

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A desaceleração da economia global em 2019 e em 2020 imporá desafios a todos os países. O Brasil, no entanto, pode minimizar os efeitos da retração se prosseguir com medidas internas. Segundo economistas, o país precisa executar ações que vão da continuidade das reformas estruturais a medidas de estímulo da demanda, para que a recuperação econômica não seja afetada.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu, de 3,2% para 3%, a previsão de crescimento da economia mundial em 2019. O fundo também revisou para baixo a estimativa de 2020: de 3,5% para 3,4%. Desde 2017, quando a economia global cresceu 3,8%, o mundo vem passando por uma desaceleração.

Para o Brasil, o FMI ajustou a previsão de crescimento econômico em 2019 de 0,8% para 0,9%. No início do ano, a estimativa estava em 2,5%. Para 2020, o cenário para a economia brasileira deve ser melhor, mas o organismo internacional reduziu a projeção de crescimento de 2,4% para 2%.

Reformas

Professor do Ibmec e economista da Órama Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, Alexandre Espírito Santo diz que o Brasil pode sair relativamente ileso da desaceleração global se prosseguir com a agenda de reformas após a aprovação da reforma da Previdência.

“O próprio FMI destacou, no relatório, que somente a reforma da Previdência não basta para garantir a sustentabilidade da economia do país. O país precisa prosseguir com as reformas tributária e administrativa para reduzir os gastos públicos e modernizar o Estado.”, diz Alexandre.

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Segundo o economista da Órama, dois fatores externos darão vantagem ao Brasil no próximo ano. O primeiro são os juros baixos em todo o planeta, o que deve continuar a atrair parte do capital financeiro para o país, mesmo com a taxa Selic – juros básicos da economia – no menor nível da história. O segundo é a instabilidade em países emergentes, como Argentina, o México e a Turquia, que, na avaliação dele, atravessam situações mais complicadas que o Brasil.

“O Brasil continua atraente para investimentos internacionais, seja no mercado financeiro, seja nos investimentos diretos [de empresas], mesmo com um cenário externo mais difícil em 2020. Mas tudo depende de o país fazer o dever de casa e seguir com as reformas internas”, destaca.

Demanda

Professor da Universidade Federal Fluminense e especialista em economia internacional, André Nassif diz que o Brasil precisa tomar medidas internas. Ele, no entanto, diverge do diagnóstico do FMI de que apenas as reformas bastam para impedir o desaquecimento da economia brasileira no próximo ano.

“O governo precisa ir além das reformas e encontrar algum mecanismo na política fiscal que permita a retomada dos investimentos públicos, que geram emprego em um primeiro momento, e da demanda agregada”, diz Nassif. Segundo ele, uma das opções poderia ser a retirada dos investimentos públicos do teto federal de gastos, mas ele acha que o governo deveria estudar alternativas.

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“As medidas tomadas até agora, como os saques do FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço] e a redução de juros pela Caixa Econômica, têm fôlego pequeno para reativar a economia. São necessárias ações mais profundas para estimular a demanda”, aconselha.

Estados Unidos

O relatório do FMI ainda não contemplou os impactos de uma eventual recessão dos Estados Unidos na economia mundial. Diversos indicadores têm mostrado a desaceleração da maior economia do planeta nos últimos meses, em meio ao agravamento das tensões comerciais com a China. Para Nassif, essa será a principal preocupação externa no próximo ano. “A política de confrontação do Trump pode jogar os Estados Unidos na recessão. Aí será complicado para todos os países.

Alexandre Espírito Santo, da Órama, diz não enxergar os riscos imediatos de uma recessão norte-americana. “Nossos relatórios mostram a economia dos Estados Unidos rodando num ritmo mais lento, mas não a ponto de entrar em recessão, como na crise de 2008 e 2009. A desaceleração global apontada pelo FMI deve-se muito mais à estagnação de várias economias europeias e do Japão, além da desaceleração da China”, comenta.

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC Economia
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Economia

CNI: tributação sobre renda das empresas é uma das mais altas do mundo

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A tributação sobre a renda das empresas brasileiras é uma das mais elevadas do mundo, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a entidade, a alíquota nominal sobre as empresas que recolhem pelo regime de lucro real (regra geral para a apuração de tributos, determinada pelo lucro contábil acrescido de ajustes) é de 34%. Esse é o pior índice em um ranking com 18 países que competem diretamente com o Brasil no mercado internacional, segundo análise a partir da base de dados Tax Rates Online da KPMG, elaborada pela confederação.

O documento revela também que quando o total de impostos e contribuições recolhidos pelas empresas é medido como percentual do lucro, o Brasil está entre os últimos colocados. Essa proporção é de 65,1% no Brasil, à frente da Colômbia (71,9%) e da Argentina (106%), no comparativo internacional. Sob outra ótica, o valor registrado no Brasil chega a ser três vezes maior que o verificado para o Canadá (20,5%), o melhor colocado no ranking. Os números são do relatório Doing Business 2019, do Banco Mundial. Segundo o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, esse dado indica que cerca de dois terços dos resultados das empresas brasileiras são transferidos para o erário.

Castelo Branco argumenta que a tributação elevada reduz a capacidade de investimento das empresas. “Isso é ruim porque grande parte dos investimentos é realizado a partir do lucro que as empresas conseguem separar para aumentar a sua capacidade produtiva”, disse.

O gerente da CNI acrescentou que como a tributação sobre a renda das empresas é mais alta do que em outros países, também fica reduzida a capacidade de atrair investimentos externos para o Brasil. “Na última década, vem sendo obervada uma tendência de redução da tributação sobre o lucro das empresas. Mais recentemente, os Estados Unidos e a Argentina reduziram, e a Europa já vem nesse movimento há muito tempo. Isso faz com que nós fiquemos atrasados nesse processo e com isso perdemos a nossa capacidade de atrair empresas estrangeiras para cá. Ou, no caso das empresas que já operam aqui, ficam sem capacidade de realizar novos investimentos porque suas matrizes preferem operar a partir de países que têm condições melhores de tributação”, afirmou, ao defender a redução no Brasil do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.

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Reformas

Para a CNI, os dados reforçam a necessidade de reforma do sistema tributário brasileiro. A entidade defende prioridade para a reforma tributária, logo após a aprovação das alterações nas regras da Previdência. Na avaliação da CNI, além da redução da carga tributária, o sistema tributário deve perseguir a simplicidade, neutralidade, transparência e isonomia. Nesse primeiro momento, diz a CNI, o foco da reforma tributária deve ser a adoção de um Imposto sobre o Valor Adicionado (IVA) que permita a remoção da cumulatividade e simplifique o sistema.

De acordo com a confederação, em função da cumulatividade, empresas não conseguem compensar parte de tributos – ou a totalidade deles – paga em etapas anteriores do processo produtivo. Essa dinâmica torna os produtos fabricados no Brasil mais caros. Na maioria dos países, diz a CNI, os seis tributos que, no Brasil, incidem sobre a circulação de bens e serviços – PIS/Pasep, Cofins, IPI, ICMS, Combustíveis e ISS – são substituídos por apenas um, o IVA. O último grande país que ainda tinha um IVA fora do padrão global era a Índia, que já promoveu uma reforma.

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Atualmente há duas proposta de emenda à Constituição em tramitação no Congresso – a PEC Nº 45 na Câmara dos Deputados e a PEC Nº 110 no Senado. O governo também pretende enviar ao Congresso uma proposta de reforma tributária, que ainda não foi detalhada.

“A expectativa é que a reforma não vai alterar a carga tributária global da economia, mas deve buscar promover um sistema mais eficiente. Hoje temos um sistema muito desigual, alguns segmentos têm uma tributação mais elevada que outros. No caso da indústria, é um dos segmentos mais tributados da economia. Em outros países, às vezes tem disparidade, mas poucos têm uma desigualdade tão grande.”, disse Castelo Branco.

O peso dos tributos no Brasil e em países selecionados

 

Alíquota nominal sobre a renda das empresas (2018)

Tributos como proporção do lucro das empresas
(%, exceto impostos sobre valor adicionado e receita de vendas)

País

(%)

País

(%)

Polônia

19,0

Canadá

20,5

Tailândia

20,0

África do Sul

29,1

Rússia

20,0

Tailândia

29,5

Turquia

22,0

Indonésia

30,1

China

25,0

Coreia do Sul

33,1

Indonésia

25,0

Chile

34,0

Coreia do Sul

25,0

Peru

36,8

Espanha

25,0

Polônia

40,7

Canadá

26,5

Turquia

40,9

Chile

27,0

Rússia

46,3

África do Sul

28,0

Espanha

47,0

Peru

29,5

Austrália

47,4

Argentina

30,0

Índia

52,1

Austrália

30,0

México

53,0

Índia

30,0

China

64,9

México

30,0

Brasil

65,1

Colômbia

33,0

Colômbia

71,9

Brasil

34,0

Argentina

106,0

 

 

 

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC Economia
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