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Opinião

GILBERTO FIGUEIREDO – Coronavírus: um contexto que exige responsabilidade e empatia

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Nos últimos dias, o mundo foi bombardeado com notícias tristes sobre o novo Coronavírus: vídeos assustadores, imagens impactantes e sensação de pânico até mesmo para quem não está no epicentro da epidemia. Contudo, diante de tantas informações (críveis ou não), proponho um exercício simples e valioso: o da empatia.

Você já esteve em uma cidade onde as pessoas têm medo de sair nas ruas? Já chegou em um supermercado e não encontrou sequer os itens básicos para a sua sobrevivência? Esteve isolado, obrigatoriamente, de toda e qualquer pessoa por mais de um mês? Você já participou da construção de um hospital edificado em menos de 10 dias?

Eu imagino que a resposta seja não para boa parte dessas perguntas, se não para todas. Embora eu entenda que a minha realidade é muito distante daquela vivida hoje pelo povo chinês, também consigo compreender que esse não é um momento fácil para um dos principais países do continente asiático; é uma situação de emergência e dor.

Não é difícil chegar à conclusão de que muitos seres humanos sofrem com os efeitos devastadores da epidemia na China. Por essa e outras razões, creio que a empatia seja a única saída para situações que exponham um indivíduo ou uma população à vulnerabilidade, neste caso, manifestada como uma enfermidade.

Me refiro aqui à solidariedade que se coloca no lugar do outro e trabalha em favor do espírito coletivo, da consciência de humanidade. Não devemos nos esquecer que, além de demonstrar uma atuação extraordinária no bloqueio das fronteiras da província de Hubei – que, diga-se de passagem, monitora aproximadamente 40 milhões de pessoas –, o povo e o governo chinês depositam credibilidade em nosso país.

Basta dizer que a China é, há mais de uma década, a maior parceira comercial do Brasil e a grande importadora de soja, um dos principais produtos do agronegócio brasileiro. Não se trata apenas do investimento, mas da relação de confiabilidade entre duas nações. É justamente por isso que o Brasil faz a sua parte, estende as mãos aos brasileiros que estavam no epicentro da doença e mantém a diplomacia que o atual contexto exige.

Devo reconhecer que o Estado Brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, também se mostra efetivo ao organizar um fluxo de assistência à população. Neste momento, propenso aos alardes irresponsáveis e inverídicos, é imprescindível frisar que os casos suspeitos ou confirmados devem ser atestados, primeiramente, pelos órgãos oficiais; bem como as etapas ligadas à suspeita de Coronavírus e às orientações voltadas para a população.

Em meio a um cenário delicado, sejamos o indivíduo que checa a fonte das informações, que prioriza a higienização das mãos e o bloqueio físico de tosses e espirros; que também não diminui ou retalha uma nação que precisa da nossa empatia. Sejamos o cidadão que limpa o próprio terreno, que não deixa de lado a imunização pessoal e que tem consciência da responsabilidade que exerce na sociedade – afinal, a proliferação do novo vírus não anula doenças como a dengue, a influenza e o sarampo, que efetivamente se propagam em território nacional.

*Gilberto Figueiredo é o atual secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso

 

 

 

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Opinião

DIRCEU CARDOSO – Assalto a banco, prisão perpétua e pena de morte

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O país volta a ser sacudido pelos ataques de grupos armados a agências bancárias, transportadoras de valores, carros fortes e outros lugares onde são armazenadas elevadas somas em dinheiro. Só nesse começo de semana verificaram-se duas verdadeiras operações de guerra em Criciúma (SC) e Cametá (PA). Um grupo de homens chega dirigindo veículos potentes – a maioria roubados – toma de assalto a cidade, obstrui a saída de viaturas e forças policiais, faz reféns e rouba tudo aquilo que consegue do cofre de bancos e instituições congêneres. A coisa é tão organizada que os salteadores chegam a usar uniformes camuflados e outros adereços que, numa situação normal, seriam inservíveis, pois chamam a atenção.

Durante os últimos anos vimos cenas cinematográficas como o assalto ao Banco Central, em Fortaleza (CE), onde a quadrilha cavou túneis para chegar à caixa forte. O mesmo sistema de túneis foi descoberto junto a sedes de transportadoras de valores em vários pontos do país. Ultimamente o que mais tem ocorrido é a tomada de assalto das próprias agências bancárias que, via-de-regra, são explodidas com dinamites e outros artefatos. Isso já aconteceu em cidades importantes de São Paulo, Rio e outros Estados e ultimamente vêm se estendendo a cidades menores, onde as forças de segurança são menos numerosas. Já houve casos de cidades onde a inteligência policial descobriu a iminência do assalto e reforçou a segurança, obrigando os bandidos a desistir. Também tem ocorrido a prisão de grande número de integrantes dessas quadrilhas, o que deve tê-las levado a migrar para outras regiões.

Os assaltantes estão cada dia mais ousados. Nas últimas ações, têm feito reféns com o objetivo de garantir a fuga e o sucesso da empreitada. Em Santa Catarina chegaram a ameaçar invadir a estação de rádio, obrigando-a a sair do ar para não continuar falando sobre o assalto em curso. É preciso encontrar meios de deter esses grupos, comparados aos salteadores de diligências que, quando criança e jovem, assistimos nos filmes de faroeste.

Considerando-se que se trata do crime organizado e planejado, e que não há a possibilidade econômica e nem material de aumentar o efetivo policial em todos os lugares a ponto de inibir essas ações, a única alternativa viável é radicalizar no apenamento. Seria do mais alto interesse nacional, o Governo editar Medida Provisória (com vigor imediato) para manter a flagrância da prisão dos participantes de assaltos dessa natureza, mesmo que venha a ocorrer dias, meses ou até anos após o evento. E estabelecer que fiquem recolhidos até o julgamento. Ainda mais: levando-se que a ação desses grupos é uma verdadeira guerra, estabelecer que os praticantes de assaltos sem vítimas pessoais possam ser condenados à prisão perpétua e a aqueles cuja ação redundar em morte ou tortura – a manutenção de reféns, por exemplo – sejam condenados à pena de morte.

Embora os institutos da prisão perpétua e da pena de morte não sejam hoje disponíveis na legislação nacional, nada obsta que o Governo e o Congresso Nacional – ambos responsáveis pela elaboração das leis – façam as devidas alterações para atender a essa urgente excepcionalidade. Isso existe nos países e democracias mais avançadas do mundo como uma necessidade, pois quando rompe os limites da racionalidade, o criminoso só pode ser contido através da iminência de privação definitiva da sua liberdade ou da abreviação da própria vida. Depois de tantos anos de permissividade e demagogia, o Estado Brasileiro necessita desse instrumento forte à sua disposição, embora todos desejemos nunca utilizá-los, desde que cessem os crimes que justificarem sua adoção…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]                                                                                              

 

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JOSÉ DE PAIVA NETTO – Aids – o vírus do preconceito agride mais que a doença

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O organismo humano é a mais extraordinária máquina do mundo. Mesmo assim, falha. Contudo, com Amor, até os remédios passam a ter melhor resultado. Por isso mesmo, a decisão da Assembleia Mundial de Saúde, com o apoio da ONU, de instituir, desde outubro de 1987, o primeiro de dezembro como o Dia Mundial da Luta contra a Aids, é de enorme importância. Tanto que, no ano seguinte, nosso país adotou a data por meio de uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde.

Nossos Irmãos que padecem com o vírus HIV e os que sofrem de outros males físicos, mentais ou espirituais precisam, em primeiro lugar, de Amor Fraterno, aliado ao socorro médico devido. Se a pessoa se sentir espiritual e humanamente amparada, criará uma espécie de resistência interior muito forte, que a auxiliará na recuperação ou na serenidade diante da dor. Costumo afirmar que o vírus do preconceito agride mais que a doença.

Aos que sofrem o abandono a que foram relegados por antigos correligionários, por amigos de discussão intelectual e até mesmo pelos seus entes mais queridos, o conforto destas palavras do saudoso dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, na sua tocante obra Da Esperança à Utopia — Testemunho de uma Vida“A graça de Deus não esquece ninguém nem se regula por crachás. Basta lembrar o segundo capítulo do livro Gênesis para sentir como o sopro de Deus infunde vida ao ser humano e lhe dá como companheira a Esperança por toda a vida. (…) Afinal, o mundo é de Deus, e Deus está presente no coração de cada pessoa, por menos que esta O sinta ou O exprima de viva voz. (…) A utopia é a união de todas as esperanças para a realização do sonho comum. Se realizarmos este sonho, teremos construído uma nova realidade”.

Longe do Amor Fraterno, ou Respeito, se assim quiserem apelidá-lo, o ser humano jamais saberá viver em Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, porque a sua existência ficará resumida a um terrível “cosmos”, o mesquinho universo do egoísmo. Por esse motivo, escreveu o pensador e sociólogo francês Augusto Comte (1798-1857): “Viver para os outros é não somente a lei do dever, mas também da felicidade”. Trata-se de uma lição que ninguém deve esquecer em circunstância alguma.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. [email protected] – www.boavontade.com 

 

 

 

 

 

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