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Opinião

GAUDÊNCIO TORQUATO – A conta não fecha

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Cerca de 25% dos eleitores não gostariam que Lula ou Bolsonaro fossem vitoriosos no pleito de 2 de outubro. Enquanto algumas pesquisas mostram essa posição, outras chegam a apontar rejeição de 43% para Lula e 59% para Bolsonaro. Esses dados, por si só, sinalizam a viabilidade de um nome da terceira via. Mas não é isso que se enxerga nos índices de Ciro Gomes (PDT-CE), entre 6% e 9%, o deputado André Janones (Avante-MG), a senadora Simone Tebet (MDB-MS), ambos entre 1% e 3%, e os restantes pré-candidatos.

A conta também não fecha na área do marketing político. Lula alfineta Bolsonaro, ao dizer que uma “canetada” basta para enquadrar a Petrobras e, consequentemente, ordenar a baixa nos preços dos combustíveis. Sugere que “falta coragem” ao presidente. Ora, significa que ambos se igualam na defesa intervencionista, o uso da caneta para definir a política de preço da estatal. Populismo.

E mais: os dois principais protagonistas falam coisas que só agradam a suas bases tradicionais. Bolsonaro entra na seara pessoal do petista, chamando-o de “nove dedos”, referência a perda de um dedo do ex-metalúrgico nos tempos em que trabalhava no chão de fábrica no ABC paulista.

Não satisfeito com o ataque pessoal ao adversário, atira nas urnas eletrônicas, sugerindo fraude nas eleições, e fustiga o STF, avisando que não cumprirá decisões da Corte, ao atacar a decisão sobre o marco temporal na demarcação de terras indígenas. “Uma nova interpretação querem dar a um artigo da Constituição. E quem quer dar? O ministro Fachin, marxista leninista. Advogado do MST. O que eu faço se aprovar? Entrego a chave para os ministros do Supremo ou digo: não vou cumprir”.

Lula faz defesa da regulamentação da mídia, entrando em outros terrenos temáticos que assustam parcelas da sociedade, como a revogação (isso mesmo, não apenas revisão) da reforma trabalhista e quebra do teto de gastos. Trata-se do renascimento de velhos programas da era lulista no centro do poder. Dinheiro para expandir o acesso das massas ao crédito e restabelecer as contribuições sindicais.

As falas de ambos tendem a segurar ou a baixar sua aprovação junto ao eleitorado, o que pressupõe que fazem ouvidos de macaquinho (não ouvem, não veem, não sentem) aos conselheiros de marketing. Ou será que estes não usam pesquisas qualitativas para orientar os seus candidatos? Ou temem receber respostas malcriadas dos interlocutores?

O fato é que os profissionais do marketing político não estão dando um recado eficaz nesses tempos de polarização acirrada e discursos virulentos. Dizem que estariam defasados ante a emergência de novos polos de difusão de ideias, como as redes sociais, onde o filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro mostra ser um expert.

Já os pesquisadores deveriam chegar a um bom termo sobre metodologias usadas, a par de uma boa explicação sobre o significado dos índices elevados de rejeição, que abrem grande interrogação na sociedade.

Sobre ataques pessoais, pinço o celebre caso de Aluízio Alves, no Rio Grande do Norte, que no início dos anos 60, fez uma das mais retumbantes campanhas de marketing político do país, sendo considerado um dos precursores da atividade.

Aluízio, candidato a governador, era acusado pelo adversário de correr o Estado dia e noite liderando multidões pelas estradas, montado num jumento, apropriando-se do termo “cigano” a ele atribuído. Lia as mãos das crianças, “profetizando” sobre seu futuro. Enfeitiçou as massas. Os comícios pegavam fogo. Dinarte Mariz, o governador, patrono da candidatura de Djalma Marinho, menosprezava: “Quem vai a esses comícios é uma gentinha.” Aluízio adotou o termo: “Minha querida gentinha.” Ganhou a eleição.

Sobre populismo, lembro Maquiavel, que relata a história de um rico romano que deu comida aos pobres durante uma epidemia de fome. Por esse ato, foi executado pelos concidadãos, sob o argumento que pretendia fazer seguidores para se tornar um tirano.

Quanto ao discurso, se o candidato não apresentar bom ideário, será mais eficaz usar a técnica do gaguinho. Conto a história: certa vez, o governador de Pernambuco, Moura Cavalcanti, teve de escolher com urgência um nome para substituir seu candidato a prefeito, que falecera. Correu para a cidade e passou a perguntar: “Quem é mais popular na cidade?” Respondiam: “O gaguinho”. Escolheu o sujeito. No palanque, gritou: “Prefeito não precisa falar. Precisa agir.”

A multidão, comovida, aplaudia o gaguinho, que apenas gesticulava com o V da vitória. Sem dizer um A, ganhou. É o preço de uma democracia improvisada.

Gaudêncio Torquato é jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor político [email protected]

 

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Opinião

DIRCEU CARDOSO – Diminuem os homicídios, mas ainda há muito a se fazer

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O número de homicídios é o menor em dez anos. A revelação é do Fórum Brasileiro de Segurança, que diz terem ocorrido 47.503 mortes violentas em 2021, número que representa  queda de 5,8% em relação às ocorrências de 2020, e constitui o menor desde 2011. Mesmo assim, adverte a ONG, o Brasil ainda é líder na quantidade de assassinatos, estando entre os dez países mais violentos do planeta. A queda é atribuída à diminuição do confronto entre facções criminosas e medidas antiviolência adotadas pelos governos federal e estaduais. A Amazônia e o Nordeste continuam com elevados níveis e constituem preocupação.
Mesmo com as ressalvas e a constatação da existência de regiões onde o quadro é diferente do geral, é positiva a notícia de que diminuíram os assassinatos. Mas os especialistas e principalmente as autoridades governamentais, da Justiça e da Segurança Pública precisam trabalhar para identificar quais as medidas que mais contribuíram para a redução das mortes e, na outra ponta, o que tem potencializado o aumento do crime nas regiões problemáticas. Só com esse conhecimento é que se poderá desenvolver políticas capazes de continuar fazendo o quadro crítico arrefecer..
Não se pode ignorar que a violência – e no seu bojo os assassinatos – é resultante de um quadro sócio-econômico problemático. O indivíduo, especialmente o jovem, sem acesso às necessidades básicas, para obtê-las, pratica furtos, trafica drogas e comete diferentes ilícitos até ser  cooptado pelo crime organizado. A principal arma antiviolência, que todos os governos – federal, estadual e municipal – precisam empregar é oportunizar o desenvolvimento das pessoas através de educação, saúde, moradia, emprego e outros insumos básicos à vida e convivência social, para que não tenham de buscar esses itens na pauta do crime.
Os governantes, os legisladores e os julgadores precisam lembrar-se que eles são o Estado e, como tal, têm obrigações para com a população. São os responsáveis pela segurança tanto dos cidadãos de bem quanto dos que delinquiram. Aos delinquentes têm de ser aplicadas as medidas sobejamente conhecidas e constantes dos códigos judiciais para buscar a sua ressocialização. Não deveriam abrir mão de ministrar cursos profissionalizantes ao encarcerado, para que possa trabalhar até como autônomo depois de obtida a liberdade. Seria, também, interessante, a criação de uma ajuda por dois anos – que poderia chamar-se “bolsa presidiário” ou “bolsa liberdade”, um apoio para que se firme profissionalmente e ganhe autonomia, sem a necessidade de voltar ao crime. É interessante lembrar que no decorrer da pena, o Estado mantém o condenado no presídio e sua família recebe auxílios. O estabelecimento da bolsa pos-pena não implicaria em custos muito além dos que já existem.
A irresponsavel política de desestabilizar a instituição policial e lançar o povo contra seus agentes  é um potencializador da violência e tem de ser rechaçada com todo vigor. A punição de possíveis excessos cometidos por agentes da lei tem de ser apurada pela própria instituição – que possui mecanismo para tanto – jamais pelas próprias mãos do povo ou (pior) dos criminosos incomodados. O policial não pode ser punido porque deu um tiro e eventualmente matou um confrontante, mas só se ficar comprovado que agiu em desacordo com os regulamentos, que são rígidos. Erram aqueles que fazem campanha para aumentar o castigo a quem já é punido pela própria instituição. Deliram os que defendem a polícia desarmada.
As câmeras corporais que policiais de diversos Estados já utilizam acopladas ao seu uniforme certamente fazem parte do quadro redutor das mortes. Isso porque levam aos órgãos de apuração o que realmente aconteceu nas ocorrências e não versões que normalmente são tendenciosas. O quadro será melhor no dia em que todo o país tiver adotado o equipamento para suas polícias.
Finalmente, uma importante observação. A presença de mais armas nas mãos da população – não é o potencializador das mortes, que diminuíram no período em que o número de portadores (registrados como caçadores, atiradores esportivos e colecionadores) subiu de 63 mil em 2017 para 673 mil atualmente. As políticas de desarmamento dos vários governos das últimas décadas recolheram as armas do cidadão de bem, mas não tiveram competência para fazê-lo em relação aos criminosos, que restaram beneficiados pela certeza de que suas vítimas não têm com que se defender…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
[email protected]                                                                                                     

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Opinião

LICIO MALHEIROS – Justíssima homenagem

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A implementação de políticas públicas passa necessariamente pela vontade de o poder público, em executar projetos que sejam exequíveis, e que venham de encontro aos anseios e necessidades, principalmente, dos mais humildes os expropriados do capital.

Na divisão dos Poderes estabelecida pela Constituição Brasileira cabe ao Poder Legislativo, entre tantas outras atribuições, a elaboração de leis e a fiscalização dos atos do Poder Executivo.

Isso, não significa dizer que o parlamentar não possa sair da sua zona de conforto; e vá atender às demandas e necessidades dos munícipes, através de ações altruístas e de cunho social.

A chamada em questão remete-nos, a um tema bastante difundido e discutido, a vontade de levar às populações periféricas, lazer e entretenimento.

O bairro Planalto, localizado na Região Leste tem 45 anos de existência, o mesmo, tem como fundador o ex-prefeito Rodrigues Palma, que decidiu comprar essa área, para acolher os moradores provenientes do bairro Canjica.

Na atualidade o bairro Planalto se desponta. No ponto final do mesmo, está localizado o Mine Estádio, de altíssimo nível, em seu anexo existia uma área, que servia de lixão, com animais mortos, sujeira e por aí vai.

Uma ação implementada pelo deputado estadual Elizeu Nascimento, vereador Cezinha Nascimento, José Roberto Stopa, o secretário Júnior Leite em consonância, com liderança do bairro Lucas Timtim, e demais moradores.

Estes, a duras penas iniciaram o processo de construção, do Complexo Esportivo Arena Planalto.

Do sonho à realidade, através de muito trabalho e dedicação de todos, inclusive de empresários da região que ajudaram na construção do mesmo, doando materiais de construção.

Na última segunda-feira (27), aconteceu a tão sonhada inauguração do Complexo Esportivo Arena Planalto, com três quadras de areia, com iluminação padrão.

Justissimamente, o mesmo levou o nome da mãe do deputado estadual Elizeu Nascimento a senhora Maria dos Anjos Nascimento (in memoriam), pessoa honrada, honesta, trabalhadora grande mãe e avó.

Realmente, o espaço físico dessa importantíssima obra, ganhou um toque especial, com o trabalho do grafiteiro Emerson Zonoizo. O mesmo, desenvolveu trabalho de pintura de altíssimo nível; retratando as belezas naturais do nosso Estado, parabéns Emerson.

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

 

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