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Política Nacional

Funcionários da Vale negam que soubessem de risco em Brumadinho

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Dois funcionários da empresa Vale S.A. negaram nesta terça-feira (14) que soubessem da possibilidade de rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. Marilene Christina Araújo e Silmar Magalhães Silva foram convocados a depor na comissão parlamentar de inquérito instalada no Senado para apurar as causas do desastre, que matou 229 pessoas e deixou outras 48 desaparecidas no dia 25 de janeiro.

No início da reunião, o relator da CPI de Brumadinho, senador Carlos Viana (PSD-MG), leu trecho de um e-mail enviado por Marilene Araújo para um grupo de diretores da Vale em outubro de 2018. Na ocasião, ela era gerente de Gestão de Estruturas Geotécnicas da companhia. Na mensagem eletrônica, Marilene Araújo faz referência a um painel de especialistas internacionais reunidos em Belo Horizonte (MG) para discutir a segurança dos equipamentos da empresa. De acordo com o e-mail, a barragem de Brumadinho “requer mais investigação e monitoramento de campo para identificar e projetar medidas complementares mais eficientes, a fim de reduzir o risco atual”.

Para o relator da CPI, “está muito claro de que havia um senso claro de conhecimento do risco”. Mas Marilene Araújo nega. Ela afirma que, apesar de ter comunicado as conclusões do painel às instâncias operacionais da Vale, os especialistas fizeram apenas recomendações “generalistas” fundamentadas em “análises hipotéticas” e não apontaram “nenhum risco iminente”.

— Encaminhei para os responsáveis pelas estruturas, que deveriam implementar as ações propostas pelo painel. Só quem cuida da estrutura pode decidir sobre a estabilidade, a condição e a segurança de uma barragem. Todos os resultados consolidados foram apresentados em vários fóruns de tomada de decisão e foram distribuídos sistematicamente para as áreas operacionais “donas” das estruturas. Não recebi nenhuma resposta de nenhum dos diretores — afirmou.

Marilene Araújo disse ainda que desempenhava uma “função administrativa” na Vale e não tinha como função suspender a operação da barragem de Brumadinho. Segundo ela, essa atribuição era de três responsáveis técnicos do equipamento: os funcionários Cristina Malheiros, Lúcio Mendanha e Rodrigo Melo. A gestora, no entanto, preferiu não culpa-los pelo desastre.

— Existe um processo de investigação. Somente esse processo vai poder apontar as causas e as responsabilidades associadas. O que posso afirmar é que a gestão de segurança de uma estrutura e a tomada de decisão são responsabilidade exclusiva da geotecnia operacional. É por isso que essas equipes estão na área no dia a dia — afirmou.

Responsabilidade

Os senadores ouviram ainda o depoimento de Silmar Magalhães Silva, ex-diretor de operações do Corredor Sudeste da Vale. Ele foi um dos funcionários da companhia que recebeu o e-mail de Marilene Araújo com a conclusão dos especialistas internacionais sobre a situação da barragem de Brumadinho. Para o funcionário, “o painel destacou que a barragem tinha fator de segurança adequado”. Ele também se recusou a apontar responsáveis pelo desastre.

— A investigação do acidente está em curso. Eu seria leviano de apontar responsáveis enquanto não houver as causas do acidente — disse.

O senador Carlos Viana criticou a postura dos funcionários após o alerta dos especialistas.

— Tudo isso ficou sendo divulgado de um para o outro, e ninguém tomou providência nenhuma? Como é que pode um negócio desses? Que empresa é essa? Todos vocês são muito graduados, todos vocês tiveram a informação. Todos. Mas ninguém tomou providencias para salvar aquelas 300 vidas? O que faltou? Quem não tomou as providências para que aquelas pessoas fossem evacuadas? De quem é a responsabilidade? — indagou Carlos Viana.

Silmar Silva e Marilene Araújo informaram durante a reunião que têm os advogados pagos pela Vale. Embora afastados do serviço desde fevereiro, os funcionários continuam recebendo salários da empresa. Para a presidente da CPI de Brumadinho, senadora Rose de Freitas (Pode-ES), “há uma estratégia montada” pela mineradora.

— Todos são inocentes. Atribuem responsabilidades aos outros. Ninguém assume nada. Ninguém leu nada. Ninguém viu nada. Ninguém sabe de nada. Todos são inocentes — ironizou.

Para o senador Jorge Kajuru (PSB-GO), o discurso dos convocados deixa a impressão de que “a Vale é uma santa”.

— A gente tem o papel de perguntar, de questionar. Mesmo a gente vendo aqui um treinamento quase que alemão. Antes de cada um chegar aqui, parece que ficou doze horas ali ouvindo alguém o doutrinando: “Responda assim, responda assim, responda assim, porque eu pago o seu salário, porque eu pago o seu advogado, porque eu sou a Vale, eu compro fulano, eu compro beltrano”. Essa é a verdade, lamentavelmente — afirmou.

A senadora Juíza Selma (PSL-MT) classifica a postura dos funcionários da Vale como falta de ética.

— É muito decepcionante ver como as pessoas perdem seu senso ético para defender uma empresa por dinheiro. Elas perdem o senso ético e até esquecem as vidas que se foram. Preferem seguir negando o que foi escrito e dito para adotar o mesmo discurso padrão, como se tivessem entrado em uma linha de produção para sair com o mesmo discurso — lamentou.

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Política Nacional

Doria chama Bolsonaro de genocida e provoca Lula para as eleições: “Se prepare”

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João Doria discursou após prévias do PSDB
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João Doria discursou após prévias do PSDB

Depois de  vencer as prévias do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e se tornar candidato à Presidência da República em 2022 neste sábado (27), João Doria discursou e atacou o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em sua fala, Doria comparou os dois políticos, chamando-os de “populistas extermistas de esquerda e de direita”, e prometeu fazer uma campanha para unir o Brasil.

“Trouxemos a vacina para os brasileiros, vacina negligenciada pelo governo federal, este governo genocida, que é responsável por uma parcela desses 613 mil brasileiros que perderam suas vidas”, disse Doria a respeito de Bolsonaro. Logo em seguida, disparou contra Lula.

“Os governos Lula e Dilma representaram a captura do estado no maior esquema de corrupção do qual se tem notícia no país. Eu não esqueço isso. Lula, se prepare nos debates porque eu vou cobrar isso de você e daqueles que, como você, roubaram dinheiro público no Brasil. Você não terá em mim alguém complacente nos debates, na discussão e na campanha. Os brasileiros não esquecem o que aconteceu no país durante o seu governo”, afirmou.

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Doria ainda disse que Bolsonaro “vendeu um sonho e entregou um pesadelo”, transformando o Brasil em “discórdia, desunião, conflito e briga entre familiares e amigos”. Em seguida, o tucano propôs a união de todos os partidos contra as candidaturas de Lula e de Bolsonaro.

“Ninguém faz nada sozinho. Nós precisamos da união de todos os partidos, de todos os líderes que possam construir nesse centro democrático, liberal e social uma força para afastar os riscos do Brasil voltar a ter governos populistas, que mentem para a população. Populistas extermistas de esquerda e de direita que se unem para coibir qualquer posição contrária”, declarou.

Para sua campanha, Doria disse que irá “levar emprego, renda e educação à população”, e que seu foco será “os milhões de brasileiros vivendo na miséria”. “É a eles que temos que priorizar o governo”, disse.

Aos candidatos nas prévias, Eduardo Leite e Arthur Virgílio, Doria afirmou que não há derrotados. “Nestas prévias, não há nenhum derrotado. Todos são vitoriosos. O PSDB sai fortalecido dessas prévias. Eduardo Leite e Arthur Virgílio são meus amigos. Sempre estivemos do mesmo lado: do lado do Brasil, do povo brasileiro e do PSDB. Estaremos unidos na construção do melhor projeto para o Brasil”, completou.

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“Precisamos romper qualquer laço do PSDB com o bolsonarismo”, diz Virgílio

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João Doria, Eduardo Leite e Arthur Virgílio
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João Doria, Eduardo Leite e Arthur Virgílio

Arthur Virgílio afirmou que o PSDB precisa se desvincular completamente do bolsonarismo. A afirmação foi feita durante discurso após sua derrota nas prévias do partido, que teve o governador de São Paulo João Doria como vencedor .

“Precisamos romper qualquer laço do PSDB com o Bolsonarismo. Não tem nada que valha a pena. Não tem circunstância nenhuma que valha a pena”, disse ele, em meio a aplausos.

Virgílio afirmou que “não tinha ilusão” de ganhar as prévias, mas que se sente um vencedor pelo debate causado durante o processo entre ele, João Doria e Eduardo Leite.

“O que eu entendia é que eu precisava conversar com essas pessoas porque os debates foram ótimos para marcarmos a nossa campanha. Fiquei feliz de ver a Amazônia ser mencionada pelo Doria e muitas vezes ser mencionada pelo Eduardo. Começou a compreensão de que uma vitória que eu tive foi nós termos dado um choque de democracia no país”, declarou.

Virgílio ainda discursou em tom de união, dizendo que irá apoiar Doria e que espera que Leite seja sucessor do candidato do PSDB à Presidência da República.

“A gente vai fazer uma campanha agora de lutar pela unidade, juntar os discursos. Ver o que se aproveita de cada discurso para dar ao João. Eu preguei o respeito à diversidade no campo sexual, o respeito aos negros. Não é possível um país se dizer democrático e não respeitar os negros. Não é possível um país com 53% de mulheres e as mulheres não terem pode político. Temos que entregar o poder político o mais rapidamente possível para as mulheres”, disse.

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