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Opinião

FRANCISCO DE SALES MANZI – Período de Incêndios

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Em 2016, o palestrante escolhido para o circuito Acrimat em Ação, evento itinerante que há dez anos percorre 12 mil quilômetros em todas as regiões do estado, foi o saudoso pesquisador da Embrapa Gado de Corte Armindo Neivo Kichel.

Durante a sua palestra no evento daquele ano, realizado no município de Barra do Bugres, discorreu sobre a nutrição dos animais através de uma pastagem de melhor qualidade, associada a suplementação no cocho com concentrados.

Logo que abriu para perguntas, um produtor fez a seguinte indagação: “o senhor é do Rio Grande do Sul, mora fora do nosso estado, talvez implementar o que está propondo aqui na nossa região não seja tão simples, porque nós temos um período de estiagem que em muitos anos chega a mais de 120 dias, sem nenhuma gota de chuva, e as pastagens ficam muito secas e perdem muito seu valor nutricional”.

Armindo respondeu com outra pergunta: “Há quantos anos ocorre esse período de estiagem aqui nessa região?”

“Todos os anos”, respondeu o produtor. “Acho que remonta há épocas”.

Armindo continuou: “E você não aprendeu ainda que tem que se preparar para esse período? ”.

Pois chegamos em 2021 depois te ter enfrentado, no ano anterior, a maior seca dos últimos 50 anos. Com um impacto devastador no meio ambiente e na economia, regiões como o Pantanal, maior planície alagada do mundo, bioma que tem na pecuária sua principal atividade econômica, sofreram perdas inestimáveis, inclusive humanos.

Pastos, florestas, residências, animais, tudo consumido pelo fogo. O desastre dos incêndios foi noticiado no mundo inteiro, e as imagens aterrorizantes do fogo chocou a população.

E de carona com a falta de chuvas vem os incêndios, mais uma vez, com agravante de que a seca começou antes do período previsto este ano. Estes incêndios ocorrem todos os anos em nosso estado, com menor ou maior intensidade, causando prejuízos a flora, fauna e ao patrimônio público e privado.

E para evitar isto, temos que seguir conselhos como o pesquisador, Armindo Kichel, sobre se preparar para estas mudanças sazonais.

Este conjunto de sinais nos mostra que devemos nos preparar para evitar esses danos. E neste sentido, vemos ações como a do governo do estado, que antecipou o período proibitivo das queimadas para o início deste mês e já investiu milhões em ações de combate aos incêndios. Devemos, como cidadãos empresas privadas e associações fazer a nossa parte.

Muitos incêndios se iniciam à beira das rodovias, cuja limpeza deve ser feita através do corte da vegetação da faixa de domínio, dentre outras ações mais simples porém efetivas, e que cabem ao cidadão, como evitar jogar bitucas de cigarro, latas de alumínio e outros nas estradas, materiais que servem de combustível para iniciar a tragédia, e aqui cito apenas algumas das causas incontroláveis com que lidamos neste período.

Temos ainda os incêndios criminosos causados pela ação do homem, além de acidentes, como um cabo de energia que se rompe e acaba por atingir a vegetação seca, o que ocorre, geralmente, por falta de manutenção adequada.

Prevenir os incêndios é dever de todos, e devemos nos atentar para isso agora, pois o período seco está apenas começando, porque como perguntaria o finado Dr. Armindo, “Você não aprendeu ainda que tem que se preparar para esse período?”

Francisco de Sales Manzi, médico veterinário e diretor técnico da Acrimat

 

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Opinião

LICIO MALHEIROS – Regularização fundiária

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O engendramento e alinhamento entre os poderes constituídos, quando ocorre de forma harmoniosa e dirigida com objetivo de atender os mais humildes os expropriados do capital, aí a coisa flui.

Para que isso ocorra, necessário se faz, a quebra de paradigmas, mais do que isso, a ruptura das barreiras, institucionais, partidárias e por aí vai.

Principalmente, pelo despojamento dos seus pares, em deixar de lado: vaidade pessoal, egocentrismo, soberba e por aí vai, principalmente, em se tratando do Poder Público.

Quando isso ocorre, a tendência, é que a coisa tenda a caminhar, em direção a um bem comum que é restritamente dirigido à justiça social e igualdade.

No mundo moderno vivemos hoje, injustas desigualdades sociais, fruto do pluralismo, do individualismo e da intolerância, fatores estes, que acabam refletindo diretamente nas condições de vida de muitos brasileiros, desta forma ampliando cada vez mais a pobreza urbana, algo a ser corrigido.

Quando nos deparamos com uma notícia alvissareira por parte do governo estadual, na pessoa do governador Mauro Mendes (DEM), sobre Regularização Fundiária.

Regularização esta, que se deu através da sinergia e parceria entre os poderes constituídos, o Executivo e o Legislativo; que não mediram esforços no sentido de disponibilizar recursos, para este tão sonhado feito, a titulação desses imóveis de forma definitiva.

Nessa parceria entre os poderes, a ALMT, retirou de seus cofres R$ 7,5 milhões para garantir que o programa fosse à frente. Parabéns, ao Governo do Estado e aos trabalhos dos 24 deputados estaduais, que unidos liberaram orçamento da Assembleia para somar com o dinheiro do Intermat e do MT Par, para a realização desse feito memorável; atingindo os moradores dos bairros CPA I, II e IV respectivamente.

Os títulos entregues são documentos de posse definitivos, registrados em cartório. A emissão da certidão cartorária é o que garante, de fato, a propriedade do imóvel aguardada há décadas pelas famílias. Com a posse legal, o morador não só viverá com mais segurança, como terá o direito a sucessão (de herança), de venda, e de utilizar o imóvel como garantia para empréstimos.

Vale lembrar, que os documentos serão entregues nas casas das pessoas para evitar aglomerações, e sem custo algum.

Como sou adepto ao uso das redes sociais, mais precisamente ao Facebook; deparei-me, com a postagem do deputado estadual Elizeu Nascimento (PSL), político municipalista, portanto, com uma trajetória política voltada a atender os bairros da capital, principalmente os periféricos.

Em sua fala, exalta a alegria e satisfação pelo feito memorável alcançado, e vai além ao diz “Como vice-presidente da Comissão de Agropecuária, Desenvolvimento Florestal e Agrário e Regularização Fundiária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT); hoje participei de um sonho que agora é realidade para os moradores dos bairros CPA I, II na entrega de títulos de regularização fundiária, que aconteceu na Escola Ana Maria do Couto no bairro CPA II e para os moradores do CPA IV 1 ETAPA na Escola Victorino Monteiro da Silva, esse feito é motivo de orgulho e satisfação por parte de alguém oriundo da periferia”, sábias palavras deputado.

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

 

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Opinião

EMANUEL FILARTIGA – Os Saberes da Floresta

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À mangueira do quintal de casa, que me segurou quando eu caí.

O Brasil perde 24 árvores por segundo. Parece não haver tempo para os órgãos de fiscalização ambiental chegarem a todos os alertas de desmatamento feitos pelos satélites que monitoram, pelas denúncias anônimas que chegam, pelas chamadas por telefone que tocam …

Não conheci meu avô, mas lembro da sua voz. Quando eu andava pelo quintal, curioso, ao puxar uma folha verde de uma planta, o som forte e rouco veio: “Não faça isso, menino!”

Meu irmão, sempre que o chão duro e as palavras de chumbo da vida nos apertam, convida-nos a ter com as árvores e a cachoeira. Quando sai de baixo da queda d’água ou do meio da mata, ele diz: “Alas, tava precisando”. Meu irmão sabe da ecologia de saberes de que nos fala Boaventura Sousa Santos.

Não nos esqueçamos que o Brasil é país que tem nome de árvore. Ela está no nosso DNA. Lembremos sempre, leitor amigo, em nosso sangue não há apenas plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas; há seiva, terra e vida.

E é com a dor de terra sem mata, com o grito da árvore quando tomba, com o vazio que enche olhos, que eu quero lembrar a você, a você com as motosserras físicas ou imaginárias: a floresta em pé tem mais valor que os troncos, galhos e folhas deitados.

Não me venha falar que isso é desenvolvimento, globalização ou necessária exploração de recursos naturais. Não é isso que vemos. Só vemos serra, fogo, ranger, quebra e vazio; acima de tudo vazio. Vejo o solo vazio, a gente vazia e a memória vazia.

Na Odisseia de Homero, Ulisses não pode, nem sequer por um segundo, “esquecer o retorno”, mesmo com todos os obstáculos, com todas as aventuras, ele não pode esquecer de onde veio. A viagem nunca é só de ida. O desejo de um futuro a ser conquistado é garantido pela memória de um passado.

Como disse Ítalo Calvino, “…a memória conta realmente – para os indivíduos, as coletividades, as civilizações – só se mantiver junto a marca do passado e o projeto do futuro, se permitir fazer sem esquecer aquilo que se pretendia fazer, tornar-se sem deixar de ser, ser sem deixar de tornar-se.”

Somos, no interior e no início e para sempre, povo da floresta.

*Emanuel Filartiga é Promotor de Justiça em Mato Grosso

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