conecte-se conosco


Opinião

FLAVIANO TAQUES – Um marco histórico para a OAB

Publicado

As eleições deste ano para todas as 27 seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, inclusive em Mato Grosso, devem se tornar um marco na advocacia do país. Pela primeira vez, desde que a instituição foi criada, trará na estrutura de suas chapas que concorrem à presidência, a garantia de representação elevada de mulheres e negros (pretos e pardos).

Esta mudança acompanha uma luta histórica, além de refletir o atual cenário da OAB no Brasil. Atualmente, a entidade tem mais de 1,2 milhão de advogados inscritos e, de acordo com dados divulgados em abril deste ano pelo Conselho Federal, o número de advogadas é de 610.369 e de advogados 610.207.

Este cenário macro já é uma realidade em seccionais, como, por exemplo, Mato Grosso, onde temos mais mulheres inscritas. O mesmo acontece na Bahia, Espírito Santo, Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo.

Porém, mesmo diante deste crescimento contínuo da representação feminina na OAB, a instituição não tem uma advogada presidente das seccionais em nenhum dos 26 estados ou Distrito Federal. Algo mais relevante ainda é que, ao analisar a história de 90 anos da entidade, só tivemos dez mulheres eleitas presidentes de seccionais em todo país.

A mesma desigualdade é observada ao analisar o número de presidentes pretos ou pardos ao longo da história da Ordem dos Advogados do Brasil.

Porém, com a nova a Resolução 05/2020, que altera o Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, agora as chapas eleitorais devem ter 50% de candidaturas de cada gênero obrigatoriamente, tanto para titulares como para suplentes, além de conter, no mínimo, 30% de representantes pretos e pardos. Importante ressaltar que estas mudanças já são aplicadas nas eleições deste ano.

A regra que estabelece as cotas raciais para pretos e pardos, também se estende ao Conselho Federal, e abrange a composição das chapas nas eleições das seccionais, subseções e Caixas de Assistência.

Muito nos orgulha o fato de que em Mato Grosso, as subsecções que hoje estão com eleições em pleno vigor, em muitas delas, a exemplo de Sinop, Cáceres, Lucas do Rio Verde e Agua Boa, temos mulheres encabeçando as disputas de maneira extremamente competitivas, além da seccional com o avanço da campanha da advogada Gisela Cardoso. Este é um movimento que temos visto em todo país.

Essa é uma vitória que deve ser comemorada por todos e não somente pelas partes beneficiadas com este reparo histórico. A advocacia brasileira demonstra, na prática, a aplicação da justiça entre seus maiores defensores.

Todavia, independentemente do resultado da próxima eleição das seccionais em todo país, com certeza já será um grande marco para a história da advocacia. Somando todos os postos, a chapa de seccional em cada Estado apresenta mais de 100 nomes e que, pela primeira vez, deverá obrigatoriamente ser respeitados parâmetros que promovam a equiparação de gênero e raça.

Esperamos realmente que estas mudanças não atinjam apenas os cargos de comissões ou diretoria, mas que tenhamos o orgulho em ver, já em 2022, um maior número de mulheres, pretos e pardos nos cargos de presidente de seccionais e subseções, além de conselheiros e presidentes da Caixa dos Advogados.

Flaviano Taques é advogado e administrador judicial em Mato Grosso

 

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Opinião

MARIA RIBEIRO – Será que sou dependente das telas?

Publicado

A vida moderna nos trouxe novos desafios. E a tecnologia nos trouxe como resultado de seus avanços uma triste realidade. Estamos produzindo cidadãos com dependência em tecnologia, e principalmente uma geração de dependentes de telas.

A digitalização que caracteriza a sociedade atual está afetando o estilo de vida adotado pelas novas gerações. Do nascimento à morte somos inundados por uma infinidade de dispositivos eletrônicos que não estão sendo tratados como ferramentas, e sim como comandantes de nossas decisões.

Se pensarmos do ponto de vista clínico, a Dependência Tecnológica é quando o indivíduo não consegue controlar o próprio uso das telas, ocasionando sofrimento e prejuízo significativo em diversas áreas da vida.

Mas não é o que todos nós estamos fazendo? Hoje os smartphones, PC, tables, e TVs passaram de suas funções iniciais de comunicação para um mix de ferramentas que estão saqueando mais a atenção do que servindo para melhorar nossas rotinas.

Diante desse cenário, como saber se sou dependente de telas? De cara, é bom lembrar que a dependência em tecnologia é uma patologia, e somente um médico e/ou psicólogo pode diagnosticar.

Mas, com tantos dispositivos à nossa volta, podemos identificar algumas coisas. Como quando seu companheiro não dorme, não come ou deixa de tomar banho porque suas atenções são para a Internet, ou perde o controle da vida porque fica horas em jogos online.

Quando seu filho fica ansioso ou irritado porque o uso da Internet é restringido. E aumenta quando os esforços repetidos por ter uma vida fora do digital são malsucedidos.

E quantas vezes tem colegas de trabalho com medo de ficar fora do mundo tecnológico, e há uma preocupação excessiva se tem sinal, se o 5g funciona, ou se o e-mail já chegou?

Quando nossos avós acham que andam passando mais tempo online do que deveriam. Sim, são as pessoas com mais de 70 anos alguns dos maiores campões em e-sports do mundo.

Em momentos que alguns de nós mente sobre a quantidade de horas conectados e tem necessidade de aumentar o tempo de uso para sentir a mesma satisfação que antes, mas esconde, porque não quer ser taxado de “viciado em tecnologia”.

Quando crianças com amigos virtuais são levados a redes sociais inúteis para fugir de relações empobrecidas, conflitos familiares e isolamento social.

A total falta de interesse de alguns amigos por uma vida real, com emoções que podemos sentir, não somente almejar.

Com líderes com faces distorcidas por tratamentos estéticos, e selfies infinitas em busca de aceitação na rede social para um marketing de propósito, sem mesmo ter um.

E fenômenos da tecnologia, criando metaverso (é a terminologia utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais) para gerações, mas colocando seus próprios filhos em escolas com zero acesso à tecnologia, porque sabe dos malefícios das telas.

As pessoas estão perdendo o controle de suas rotinas e usando o tempo de tela para fugir dos problemas. Sim, estamos todos nós dependente de telas, e nossas relações sociais, afeto e opiniões estão em risco.

Ok! E o que fazemos com tremenda informação?

A primeira delas é colocar regra na vida. A máxima de ter hora para acordar, comer, dormir é a premissa de uma vida com menos telas e mais decisões.

Ah sim, já vou avisando: isso dá trabalho, porque ser melhor, vai exigir que você seja exemplo para os seus filhos, que líderes sejam motivadores de suas equipes, e que famílias comecem a exercitar a melhor ferramenta de comunicação de todos os tempos: a conversa cara a cara. Vamos praticar?.

Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e netnografia. Belicosa.com.br

 

Continue lendo

Opinião

ALFREDO DA MOTA MENEZES – Na eleição do ano que vem

Publicado

O barulho eleitoral de 2022 ainda não chegou forte à rua. Mas nas conversas paralelas, aquelas entre amigos e grupos, a coisa anda quente.

A presença de Sergio Moro no cenário é uma das que tem mais comentários. Ninguém duvida que ele seja candidato à presidência e não ao Senado. Já aparece em pesquisa à frente de outros na chamada terceira via, passando inclusive Ciro Gomes.

De quem ele mais tiraria votos, de Lula ou Bolsonaro? É comum ouvir que ele entra mais na seara de Bolsonaro. Moro busca aproximação com o PIB nacional e os militares.

Até que ponto isso pode influenciar ou não na ida do Bolsonaro para o segundo turno também entra nas diferentes avaliações. É aceito que Moro, ou os da terceira via, não tem ainda condições de impedir a ida do presidente para o segundo turno.

Tem opinião de todos os tamanhos sobre Bolsonaro. Que ganha a eleição presidencial e até que ele poderia abandonar a candidatura lá na frente. Os que defendem esse ponto de vista arguem que, se o Bolsonaro chegar ali por junho do ano que vem, sem crescer nas pesquisas, podendo ser derrotado pelo Lula, ele abandonaria a disputa. Difícil ocorrer, mas é um dos argumentos do momento.

Alguns acham que o Lula não será candidato ou que deve aparecer algo na Justiça que impediria sua candidatura.

A maioria das opiniões vai em direção oposta, acredita que ele é candidato mesmo e que herdaria, num segundo turno, a maior parte dos votos dos candidatos da terceira via. Outros torcem para que o seu vice seja mesmo Geraldo Alkmin.

Que isso daria força à candidatura em São Paulo, lugar que Bolsonaro não tem sido muito popular.

Outra conversa é sobre os votos do Nordeste para presidente. Hoje ali o Lula tem boa votação, mostram as pesquisas. Mas com o Auxilio Brasil de 400 reais, muito maior do que se pagava no Bolsa Família, isso poderia alterar o jogo e Bolsonaro encostar no Lula no Nordeste? Grande incógnita para o ano que vem.

Daria tempo, em menos de um ano desse novo auxilio, para mudar o quadro eleitoral no Nordeste? Não esquecer que Lula é nordestino.

A terceira via nessa próxima eleição teria mais votos do que em eleições passadas? A tradição brasileira é a polarização entre duas candidaturas. A do ano que vem não foge à regra, Lula e Bolsonaro serão os nomes dessa vez. Na ultima eleição, com exceção da votação em Marina Silva, outros como Geraldo Alkmin e Henrique Meireles, nomes fortes no canário nacional, tiveram votações raquíticas? Agora seria diferente? Que patamar poderia chegar Moro?

Simone Tebet teria a preferência do voto feminino? Ciro melhora sua votação dessa vez? Como ficaria João Dória com seu PSDB no caminho do racha? Essa terceira via chegaria aos 30% dos votos na eleição 2022? Fato que nunca ocorreu antes.

Pode-se ficar aqui fazendo incontáveis especulações sobre o cenário eleitoral. Aliás, é a melhor parte da conversa sobre política.

Alfredo da Mota Menezes é analista político.

 

Continue lendo

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana