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Direitos Humanos

Exposição fotográfica celebra Dia da Mulher Negra em São Paulo

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O município de São Paulo organizou um calendário de ações em comemoração ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado neste domingo (25). Segundo a prefeitura, as ações são para promover uma reflexão sobre o tema, ao mesmo tempo em que celebra as conquistas e a importância da mulher negra.

Neste domingo (25), às 17h, acontece a cerimônia virtual de entrega da edição 2021 do Prêmio Luiza Mahin, que será concedido a sete mulheres que se destacaram por suas atuações em favor da valorização da população negra e da luta antidiscriminatória.

Lançada em celebração ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a premiação é um iniciativo da Coordenação de Promoção da Igualdade Racial, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), e as homenageadas são selecionadas por meio de indicações realizadas por entidades ligadas ao movimento social negro e de mulheres.

“Por meio do Prêmio Luiza Mahin buscamos tanto celebrar o histórico de lutas e conquistas das mulheres negras, como mostrar o caminho que está sendo trilhado por mulheres negras da atualidade, que carregam em suas ações e envolvimento com os movimentos sociais traços de uma luta que começou com suas antepassadas”, disse a secretária municipal de direitos Humanos e Cidadania, Claudia Carletto,

A premiação marca o início de uma programação de lives com o recorte de raça e gênero, que a cada dia da semana de 26 a 30 de julho aborda um diferente eixo temático de políticas públicas, sendo eles: educação, na segunda-feira (26); saúde, na terça-feira (27); trabalho, na quarta-feira (28); cultura, na quinta-feira (29) e empreendedorismo, na sexta-feira (30). Todas as lives começam às 19h30, nos canais de YouTube e Facebook da SMDHC.

Exposição fotográfica

As festividades já começaram na sexta-feira (23), com o lançamento no formato virtual da exposição fotográfica Mulheres Negras, Conquistas e Perspectivas, que pode ser vista na Linha da Cultura do Metrô. A exibição traz imagens de 17 mulheres que se dedicaram a mudar o cenário de discriminação e lutaram por mais representatividade da mulher negra na sociedade e no mercado de trabalho, ajudando inclusive a formular políticas públicas por meio do Fórum Municipal de Mulheres Negras e outras organizações.

“Essa é uma data importantíssima para reforçar em nossa cidade o legado que as mulheres negras deixaram, história de luta contra a violência e pela emancipação da população negra enquanto cidadãos de direitos, uma luta que deve ser abraçada por todos nós”, afirma a secretária executiva adjunta de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Elisa Lucas Rodrigues.

No Brasil, o dia 25 é também Dia de Tereza de Benguela, que liderou um quilombo e resistiu às investidas do Estado e da elite escravocrata durante duas décadas no século XVIII.

A exposição marca o lançamento da campanha Diga não ao Racismo, Diga não ao Sexismo!, realizada pelas concessionárias Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), ViaQuatro, ViaMobilidade, CPTM e EMTU, em parceria com a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos (STM) e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), por meio da sua Coordenação de Promoção da Igualdade Racial.

Campanha

Quem passa pelas estações Largo Treze (Linha 5-lilás) e São Paulo-Morumbi (Linha 4-amarela) de metrô pode ver a instalação de um painel com imagens de Tereza de Benguela e das mulheres negras retratadas na exposição Mulheres Negras, Conquistas e Perspectivas.

A instalação faz um convite às passageiras e aos passageiros para registrarem sua imagem ao lado de Tereza de Benguela e destas outras mulheres que seguem seu exemplo na atualidade, e compartilhar com a mensagem Diga não ao Racismo, Diga não ao Sexismo!. O painel conta com um QR Code, que permite que as fotos sejam enviadas para a exposição virtual na Linha da Cultura do Metrô.

Já nas estações Luz (Linha 2-azul e 3-vermelha) e Adolfo Pinheiro (Linha 5-lilás) de metrô, as escadarias serão adesivadas com estampas da campanha contra o racismo e o sexismo, fazendo um novo convite a passageiras e passageiros a usarem o cenário para tirar fotos e divulgar esta importante mensagem. Por fim, será estendida nas estações Sé (Linha 3-vermelha), Paulista (Linha 4-amarela) e AACD-Servidor (Linha 5-lilás) uma bandeira com a imagem de Tereza de Benguela.

Projeções artísticas

Outra iniciativa que celebra tanto o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha como o Dia de Tereza de Benguela é a projeção artística Mulheres Negras: Vozes e Caminhos Insurgentes, realizada pelo HUB Coletivo Coletores em parceria com a SMC e a SMDHC. O projeto apresenta uma ação de arte urbana com vídeo projeção mapeada, homenageando o legado de mulheres negras que inspiraram insurgências culturais a partir da educação, da ciência, da luta por direitos humanos, liberdade e justiça, criando pontes entre comunidades negras, culturas e saberes.

A ação acontece entre os dias 25 e 26 de julho, das 19h às 22h, no CEU Inácio Monteiro e no Largo da Memória, e homenageia mulheres como Carolina Maria de Jesus, Madrinha Eunice, Lélia Gonzales, Luiza Mahin, Marielle Franco, Theodosina Ribeiro e a própria Tereza de Benguela. O projeto acontece em diálogo com a artista Lya Nazura, que pretende apresentar uma leitura visual afrofuturista das imagens de Antonieta de Barros, Enedina Marques e Maria Beatriz Nacimento, criadas especialmente para a ação.

Também neste domingo, os mil relógios digitais instalados por todas as regiões da cidade de São Paulo, além de mostrarem a hora, temperatura e qualidade do ar, estarão celebrando e exibindo para toda a população que a data marca o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia de Tereza de Benguela.

As personagens

Luiza Mahin, escrava africana provavelmente originária da Costa de Mina, teria conseguido comprar sua liberdade e organizado diversos levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do Século XIX.

De seu tabuleiro de quitutes, ela teria enviado mensagens por meio de meninos que pretensamente compravam comida, mas teriam distribuído orientações para levantes históricos como a Revolta dos Malês (1835) e a Sabinada (1837-1838).

Perseguida, foi para o Rio de Janeiro, onde teria sido presa e deportada para Angola. Em outra versão, escaparia para o Maranhão, estado em que lhe é atribuída participação no desenvolvimento no tambor da crioula, uma dança típica de origem africana. Sua história foi contada por Luiz Gama em carta com detalhes biográficos dirigida ao escritor e jornalista carioca Lúcio de Mendonça.

Tereza de Benguela viveu no Século XVIII no Vale do Guaporé, Mato Grosso, e foi líder do Quilombo de Quariterê, que na época abrigava mais de 100 pessoas, entre os quais 73 negros e 30 indígenas. O quilombo resistiu da década 1730 ao final do século. Sua característica foi a governança por um sistema similar ao parlamentarismo.

Edição: Denise Griesinger

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Direitos Humanos

CCBB Rio comemora o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

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Neste domingo (19), às 14h, o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB Rio) comemora o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A atividade integra o projeto Patrimônio e Memória do Programa CCBB Educativo Arte & Educação.

A coordenadora Pedagógica Nacional do CCBB, Valquíria Prates, disse à Agência Brasil que desde que o programa foi criado, há três anos, os educadores se dedicam a pensar, ao longo de todo o ano, a acessibilidade e a inclusão em todas as atividades.

“Mesmo quando não é uma data comemorativa ou uma programação especial, a gente sempre tem o cuidado de imaginar e estratificar a inclusão em todas as nossas visitas, sejam presenciais ou online durante a pandemia”.

Valquíria informou que muitas visitas foram feitas em Língua Brasileira de Sinais (Libras) a distância, “como sempre a gente teve, ao vivo”, além de visitas para cegos e participação de pessoas com deficiência intelectual.

Para os educadores do CCBB, a coordenadora pedagógica afirmou ser muito importante praticar, experimentar e pesquisar a inclusão e a acessibilidade da pessoa com deficiência de maneira mais ampla nas atividades realizadas.

União

Para Valquíria Prates, o dia 19 é uma oportunidade de o CCBB Rio se juntar a todas as lutas das pessoas com deficiência que estão acontecendo.

“A gente entende que essas lutas são todas nossas. Como trabalhamos com arte, educação e mediação, entendemos que nosso papel, como mediadores, é investir nessa cultura de acessibilidade, de inclusão, para que as pessoas com deficiência tenham o direito garantido de poder participar de qualquer ação que tiver interesse e desejo de estar junto.”

O Programa CCBB Educativo reunirá, às 14h de domingo, pessoas para conversas públicas no CCBB Rio e também nos CCBBs de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, com o objetivo de ampliar o conhecimento dos participantes e envolver todos em um processo de mapeamento dos diferentes aspectos que caracterizam a luta dos brasileiros com ou sem deficiência. Valquíria Prates destacou que todos os assuntos e causas são tratados como um patrimônio cultural.

“Todas as datas comemorativas são dentro desse escopo de trabalho em conjunto que a gente entende como patrimônio cultural do Brasil. O dia dedicado às pessoas com deficiência é um desses dias.”

A capacidade é para 12 pessoas, mediante agendamento prévio através da plataforma Eventim. Será emitido apenas um ingresso por CPF e o representante poderá estar acompanhado por mais uma pessoa de sua família, com o mesmo tíquete. A classificação é livre e recomendada para pessoas acima de 10 anos de idade. O evento é gratuito.

Obras CCBB Educativo Rio Obras CCBB Educativo Rio

CCBB Educativo oferece visitas presenciais e mediadas em libras das mostras que estão em no Rio – Divulgação/ CCBB Educativo do Rio

Cartazes

A ideia da atividade é que os participantes possam conversar sobre as dimensões em que essas lutas ocorrem, quais são os direitos garantidos pela lei que ainda precisam de uma luta cultural no dia a dia para serem efetivados. Ao final do encontro, os participantes vão criar cartazes sobre esses direitos que ainda necessitam de muita luta nos tempos atuais.

A confecção de cartazes é muito incentivada pela coordenadora Pedagógica Nacional do CCBB, porque significa trabalhar a palavra e a imagem. “O cartaz enfatiza o que é a essência de uma reivindicação, de uma ideia; é feito para ser visto de longe, para atuar por contaminação, no bom sentido da palavra. Quando a gente faz um cartaz, a gente quer que a ideia se espalhe mais rápido.”

Nos outros CCBBs também serão feitos cartazes alusivos ao Dia de Luta da Pessoa com Deficiência, mas com materiais diferentes, informou Valquíria. “As equipes são multidisciplinares e em cada equipe tem uma pesquisa em andamento.”

Exposições

Desde o dia 1º de setembro, em atenção ao Decreto nº 49.335, o acesso ao CCBB só é permitido ao público que apresentar a comprovação de vacinação contra a covid-19.

O CCBB Educativo do Rio oferece visitas mediadas presenciais e mediadas em Libras para a nova exposição Brasilidade Pós Modernismo – Arte Contemporânea Brasileira pós Semana de 1922” e para a mostra Nise da Silveira – a Revolução pelo Afeto, além das visitas patrimoniais (prédio e exposições permanentes).

A mostra Brasilidade Pós Modernismo celebra o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 por meio de diversos trabalhos, reunindo 51 artistas de diferentes gerações, procedências geográficas e etnias. Entre os artistas brasileiros de vanguarda estão os paraibanos Marlene Almeida e José Rufino. A mostra tem curadoria de Tereza de Arruda e pode ser visitada até 22 de novembro.

Valquíria Prates disse que, no caso da exposição Nise da Silveira – A Revolução pelo Afeto, cujo tema condutor este mês é Qual o limite entre normalidade e loucura?, as obras expostas de clientes do Museu do Inconsciente, ao lado de obras de artistas plásticos, ajudam a entender melhor como a psiquiatra Nise da Silveira olhava a diversidade e como lidamos com pessoas que se relacionam com o mundo de forma diferente da nossa.

“É o direito à diversidade, o direito de ser diferente”, destacou. “Esse direito à diversidade vai aparecer dentro das exposições a partir de perguntas, que funcionam como ponto de partida das conversas que acontecem com os educadores”. Informações sobre horários e como se inscrever para a mostra Nise da Silveira podem ser obtidas no site do evento

Edição: Maria Claudia

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Direitos Humanos

Índice reúne dados sobre a inclusão de brasileiros com deficiência

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Passados 11 anos desde a realização do último censo nacional, o Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, uma associação sem fins econômicos, com sede em São Paulo, que trabalha pela inserção social de pessoas com deficiência intelectual ou em situação de vulnerabilidade, vai produzir instrumento para medir o quanto as cidades brasileiras são inclusivas e permitem que as pessoas com alguma deficiência desenvolvam suas aptidões e exerçam sua cidadania.

Segundo a coordenadora do Departamento de Pesquisa do instituto, Natália Mônaco, o chamado Índice Nacional de Inclusão Olga Kos da Pessoa com Deficiência (Iniok) será uma resposta à “grande lacuna” nacional, ou seja, “à falta de informações” abrangentes sobre o contexto das pessoas com deficiência no Brasil.

“O índice é uma junção de várias pesquisas já realizadas, como a Pesquisa Nacional de Saúde [realizada em 2019], dados do Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada], do IDH [Índice de Desenvolvimento Humano, criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Organização das Nações Unidas  [ONU] e outros. Com isso, teremos um indicador capaz de avaliar, de fato, a inclusão das pessoas com deficiência”, disse Natália à Agência Brasil.

Em fase de validação científica da metodologia desenvolvida ao longo de mais de um ano, com auxílio de especialistas, e cujo protótipo contou com a chancela da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), o índice reunirá informações dispersas, extraídas de várias pesquisas, estudos e levantamentos estatísticos sobre as condições em que vivem as pessoas com deficiência.

“Ele vai unificar dados sobre saúde, educação, reabilitação, renda familiar, benefícios assistenciais, trabalho, sustentabilidade e outros aspectos que os demais instrumentos avaliam de forma individualizada. Com isso, poderemos mensurar o grau de inclusão e criar políticas públicas”, acrescentou Natália.

Incertezas

As incertezas quanto ao tema afetam até mesmo as informações sobre quantos brasileiros convivem com alguma forma de deficiência física ou mental. Em 2010, o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que, na ocasião, havia, no país, cerca de 46 milhões de pessoas com alguma dificuldade para enxergar, ouvir, caminhar, subir degraus ou realizar atividades habituais.

Para especialistas, já na época este número estava subestimado, devido à complexidade de se identificar e quantificar a população com deficiência. Ainda assim, em 2018, o IBGE adotou um novo critério alinhado às práticas internacionais, revisou os dados do censo e reduziu de quase 46 milhões para 12,74 milhões o total de brasileiros com necessidades especiais.

Um número próximo às 17,3 milhões de pessoas identificadas pela Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em 2019, pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde.

Webinário

A necessidade de mais informações sobre a inclusão das pessoas com algum tipo de deficiência foi um dos aspectos destacados pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, durante a abertura do webinário (vídeoconferência) que o Instituto Olga Kos realizou nesta semana para apresentar a validação do índice e debater aspectos como o conceito de deficiência e os dados já disponíveis no país.

“Chega de fazermos políticas públicas sem dados, sem números, sem registros. Chega de fazermos políticas públicas usando apenas o achismo ou a vontade do gestor. Precisamos ter indicadores. E vamos entregar isto juntos”, afirmou Damares, em vídeo gravado para o evento.

Ainda durante o evento, que ocorreu entre segunda-feira (13) e quarta-feira (15), a secretária nacional de Assistência Social, do Ministério da Cidadania, Maria Yvelônia Barbosa, também ressaltou a importância do país dispor de mais informações. “Para nós, é importante superarmos este momento de fazer políticas públicas sem levar em conta indicadores. O indicador de inclusão é de suma importância para entendermos em que momento estamos, para onde vamos e como vamos percorrer este caminho.”

Além de apoio institucional do ministério, o Instituto Olga Kos vai contar com o suporte financeiro de patrocinadores e de emendas parlamentares. Durante o processo de validação do Índice Nacional de Inclusão, que deve durar cerca de 18 meses, equipes de entrevistadores aplicarão questionários e acompanharão o dia a dia de pessoas com deficiência em vários municípios brasileiros.

Edição: Maria Claudia

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