LUIZ CALDART

Exemplos permanecem, discursos são esquecidos

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Exemplos permanecem, discursos são esquecidos

No serviço público, muito do que se constrói não nasce de discursos, mas da forma como se age todos os dias. O exemplo está na maneira de conduzir uma reunião difícil, de tratar uma equipe sob pressão, de decidir quando o caminho mais fácil não é o mais correto.

Está na coerência entre o que se cobra e o que se entrega, entre o que se espera dos outros e o que se pratica pessoalmente.

Gestores que deixam marcas positivas não são aqueles que centralizam decisões ou acumulam protagonismo, mas os que criam padrões claros de comportamento, mostram pelo próprio agir como se decide, como se respeita o processo e como se protege a instituição. O exemplo organiza, orienta e permanece, mesmo quando o cargo muda de mãos.

No fim, é isso que sustenta uma gestão eficiente: não apenas o que foi feito, mas a forma como foi feito. Porque pessoas podem até esquecer discursos, mas dificilmente esquecem o exemplo que as orientou a fazer melhor.

A eficiência de uma gestão não se mede apenas pelas entregas realizadas durante o percurso, mas também pela forma como o caminho é deixado para quem dará sequência ao trabalho. Uma transição bem-feita é sinal de maturidade, responsabilidade e compromisso com a instituição.

Para ampliar essa reflexão sobre liderança, sucessão e responsabilidade além do cargo, vale assistir ao filme Invictus, sobre Nelson Mandela, que após o regime do apartheid, através do esporte o grande líder busca unificar a nação sul africana e retrata como a clareza de propósito, o respeito às instituições e a preocupação com o que vem depois pode transformar resultados individuais em conquistas coletivas duradouras.

Luiz Fernando Caldart é advogado e gestor público