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Economia

Ex-presidente da Eletrobras diz que mercado está de olho na estatal

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Wilson Ferreira Junior
Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Wilson Ferreira Junior

CEO da Vibra (ex-BR Distribuidora), Wilson Ferreira Júnior vê com otimismo a economia brasileira este ano, apesar da inflação e das turbulências eleitorais, e diz que o país tem grande potencial em energia renovável. Nessa área, a Vibra firmou parcerias em várias frentes, do biodiesel à recarga de carros elétricos. A empresa aumentou sua fatia na distribuição de diesel, e o executivo alerta que a volatilidade dos preços mantém o risco de desabastecimento. Para ele, amenizar a alta dos combustíveis passa pelo ICMS, como defende o presidente da Câmara, Artur Lira (PP-AL).

Ex-presidente da Eletrobras, que comandou entre julho de 2016 e março de 2021, Ferreira Jr. é um entusiasta da privatização, que obteve sinal verde do TCU na semana passada. Avalia que a capitalização vai atrair investidores, mesmo no cenário global adverso de um ano com eleições no Brasil.

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Este ano tem havido uma retomada do consumo com a reabertura da economia. Qual é sua previsão para o mercado de combustíveis?

A economia só foi impactada no primeiro mês (do ano, por causa da variante Ômicron do coronavírus). Em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, (o consumo de combustíveis) chegou a cair 7,4%. Em fevereiro e março, houve crescimento entre 2,5% e 4,5%. As pessoas estão se movendo de novo. Tudo isso só confirma o que você já está vendo: vários bancos soltando notas e previsões com crescimento do PIB. Todos eles estão ajustando para cima. O próprio momento do Brasil e o das commodities (em alta no mercado internacional). O setor comercial e de serviços está retomando forte agora. Nossa expectativa é que o crescimento do Brasil deve ser maior que aquele clima pessimista que se colocava no final do ano.

O mercado de combustíveis está bem apertado em termos de oferta e demanda, houve até relato de desabastecimento pontual quando os preços subiram com força no exterior sem que o mercado interno acompanhasse de imediato. Com o crescimento retomando e a volatilidade na cotação do petróleo, este risco pode voltar?

No conjunto dos combustíveis, não. A guerra tem afetado muito mais o diesel. No Brasil, há várias termelétricas biocombustíveis. Muitas foram despachadas (acionadas por causa da crise hídrica) no ano passado. Não tinha o gás natural, mas despachava com o diesel. Então, diesel é importante para a geração de energia elétrica e pode ser uma alternativa ao gás natural. Quando você olha a questão da guerra, e os impactos das sanções, o diesel está mais disputado no mundo.

Não gosto de ser o portador da notícia do desabastecimento, mas quero que vocês entendam porque tem risco. O preço do petróleo saiu de US$ 80 no final de novembro e chegou a US$ 130 (o barril). Está volátil e rodando em torno de US$ 100 a US$ 110. É um crescimento de 30%. A gente importa cerca de 12 navios por mês. A disputa no mundo todo está maior e há um ajuste de preços. Tinha um número maior de ofertantes e agora há um menor. Mas nós não deixamos de importar nada. Temos capacidade financeira. Uma operação que custava US$ 1 bilhão, agora custa US$ 1,3 bilhão.

O importador independente ou pequeno não tem essa mesma capacidade. Isso é que impõe o risco de desabastecimento porque temos menos agentes econômicos. Nossa preferência é o contrato com a Petrobras. Vamos importar o que a gente não conseguir comprar da Petrobras porque ela, inclusive hoje, tem preços mais baratos que o mercado internacional. Agora, isso abre espaço também para grandes importadores como nós. E isso é bom para companhia. Então não vejo no curto prazo problema de desabastecimento maior que não seja por esses efeitos que às vezes são muito mais localizados. 

Quais investimentos a Vibra tem feito em logística para atender essa maior demanda?

Nos últimos três anos, investimos R$ 1 bilhão, o que aumenta nossa capacidade logística de tancagem e centros de operação. A distribuidora é que torna possível a disponibilidade de combustível em 40 mil esquinas. Para chegar, passamos por 95 bases de operação. Somos o único distribuidor presente em todos os estados. É preciso se preparar para o crescimento da entrada de combustível pela importação, pois não há plano de expansão de refinaria da Petrobras.

A indefinição na venda das refinarias da Petrobras afeta os investimentos da Vibra?

Não. Olhamos o plano que ela divulga, pois é a principal produtora e refinadora, com os investimentos que ela prevê fazer. Com isso, define-se se vai comprar mais dela, com base em contrato, ou de fora. 

A alta dos combustíveis não pode frear a demanda? O cenário é de mais altas? Não tenho bola de cristal. Ninguém consegue saber, pois estamos num ambiente de guerra. Mas existe também o impacto para a pessoa física, muito ligado ao fato de que fizemos uma escolha lá atrás de tributar e taxar o que chamamos de “utilidades” (serviços de utilidade pública, como energia e combustíveis). O (presidente da Câmara) Artur Lira disse que vai ter um debate semana que vem porque entende que há uma essencialidade nestes produtos e que eles deveriam ter uma taxação menor. (O deputado quer levar a votação projeto que limita o ICMS de energia e combustíveis.)

Dois terços das arrecadações estaduais estão ligados à tributação de energia elétrica, combustível, telecomunicações e saneamento. As taxações são altas, de 40% a 50%. E o problema é a forma como taxa. Em saneamento e telecomunicação, você só tem um aumento por ano e também pela inflação.

Então a fazenda (estadual) consegue planejar o valor que ela tem. No caso do combustível, está aumentando o preço quase que duplamente, pois metade é o produto propriamente dito, e a outra é imposto. Se aumentar a primeira metade, aumenta a segunda.

E as fazendas estaduais passaram a receber 50% a mais do mesmo consumidor. Praticamente turbina o aumento. Isso é o problema, e poderia ser atenuado. Porque não tem um valor fixo (uma alíquota em reais, e não em percentual)? A lei aprovada no Congresso (em março) diz exatamente isso.

Governadores colocaram preço mais alto na largada, e o governo foi ao STF (no dia 13). O único jeito de você ter um comportamento que não seja tão brutal é fazer uma alíquota fixa e em valor razoável. Lira está dizendo que vai limitar em 17%. Hoje, 42% do valor da gasolina são imposto, dos quais 32% são ICMS. Fica difícil pensar numa forma de mitigar o aumento sem algum tipo de estratégia com relação ao imposto. Claramente houve excesso de arrecadação, e está concentrado no combustível. 

O governo tem estudado outras maneiras de deter a alta do combustível, inclusive cogita mudar as regras de preços na Petrobras. Faz sentido?

Você sabe que o trigo aumentou também, né? O pãozinho deve estar bem mais caro. A gente vive num mundo que se globalizou e está interconectado, e algumas matérias-primas de fato viraram commodities, são precificadas internacionalmente. A Petrobras é uma é empresa de capital aberto, listada (em Bolsa) no Brasil e no exterior. É um mercado internacional, e o preço é justo para adequar oferta e demanda global. Em 2016, a Petrobras tinha aumento a cada três dias. Nos últimos dois aumentos, um deles foi de 86 dias e o outro, de 56.

A Petrobras está olhando com seriedade para essa questão da precificação. O problema de ter comprador de commodities no mundo é que tem uma conjuntura que às vezes não é a melhor. Tem que corrigir os efeitos colaterais disso. E, no caso, a tributação é um deles. Acho que o Congresso endereçou corretamente. 

Quais os planos da Vibra para combustíveis sustentáveis?

A Idade da Pedra não acabou por falta de pedra, e a era do petróleo não vai acabar por falta de petróleo. O Brasil, diferentemente do mundo, tem desafios diferentes e menores, pois tem uma matriz elétrica muito mais renovável. O Brasil tem 84,8% da sua matriz elétrica renovável, e o mundo tem 23%. Quando você olha a matriz energética (que inclui outros formas de energia além da eletricidade, como combustíveis para transporte), 48,5% são renováveis. E no mundo é 13,8%. O mundo vai ter que reduzir as emissões. E aí que está a estratégia da Vibra.

Até 2028, 30% dos combustíveis serão renováveis (projeção do governo federal). A frota brasileira tem 45 milhões de veículos, sendo quase 80% flex. O etanol tem espaço para crescer na matriz. Por isso, a Vibra fez uma joint-venture com a Copersucar para criar uma plataforma para o crescimento desse volume de etanol, que a gente sabe que vai acontecer. Vai sair de 24% da matriz atual para cerca de 30% a 35% em 2030. No setor rodoviário, há o biometano. Fizemos uma associação com a ZEG Biogás. O etanol brasileiro é produzido a partir da cana-de-açúcar e tem um resíduo chamado vinhaça, que não tem destinação clara. A partir dessa vinhaça, a ideia é produzir biometano. Há potencial enorme.

Nosso plano é chegar a 3,5 milhões de metros cúbicos por dia de biometano nos próximos cinco anos. Tem ainda o diesel verde, feito a partir da palma. Somos sócios da BBF (Brazil BioFuels) e o único comprador da fábrica que estão fazendo na Amazônia, plantando palmas em áreas degradadas. É uma biorrefinaria que vai produzir biodiesel e não vai precisar mudar o motor (dos veículos). No caso do biometano, vai precisar. Nossa estratégia é ter uma plataforma de multienergia, disponibilizando etanol, biometano, diesel verde e combustível sustentável de aviação. 

Esses projetos começam a produzir quando?

O biometano começa a produzir agora. O projeto do biodiesel fica pronto em 2025. E vai fazer ainda o BioQav (para aviação). Temos 30 milhões de hectares de áreas degradadas na Amazônia. A fazenda que vai ser utilizada para essa primeira fábrica de palma tem 120 mil hectares. Tem espaço para crescer.

Temos também um investimento na EzVolt (start-up que tem uma das maiores redes de recarga elétrica de veículos do país) e tem mais de 300 carregadoras em nove estados. E vamos ampliar as recargas nos postos rodoviários. Essa start-up fez uma tecnologia pela qual o sistema de navegação do carro avisa onde está a próxima estação, quanto você tem de carregar até a próxima viagem. Tem um conjunto de facilidades, como localização e reservar a recarga na estação.

A privatização da Eletrobras, que recebeu aval do TCU na última semana, pode facilitar os investimentos e planejamento no setor elétrico?

Se você olhar o planejamento energético brasileiro, vai ver necessidade de crescimento. A Eletrobras tem capacidade de investimento, segundo o balanço dela, da ordem de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões por ano. Para que ela possa investir mais que isso, precisava desse processo de capitalização (oferta de ações ao mercado que, na prática, levará à privatização da empresa) que está tendo agora. Na avaliação que eu tive lá de trás (quando era presidente da estatal), era uma companhia que poderia, com o fruto da capitalização, passar a investir cerca de R$ 15 bilhões por ano. Há outra comparação para se entender o potencial desse processo.

A privatização que fez a Vibra (na época BR Distribuidora, que então era uma subsidiária da Petrobras) via mercado de capitais, que é muito semelhante à da Eletrobras, começa com um IPO (lançamento de ações em Bolsa). As ações na época foram vendidas a R$ 11 mais ou menos. No follow on (lançamento de novos papéis) que fizemos recentemente, vendemos as ações a R$ 26. Mais que o dobro. Nessa operação de aumento de capital, o governo não acompanha e não vende uma ação. Mas ele tem uma perspectiva de valorização dessa ação. A estatal é vista pelo mercado como uma companhia que tem travas e que não pode querer adequadamente ver seus custos, mexer nos seus contratos e no seu quadro de pessoal. Essas coisas todas geram desconto em relação ao valor de uma companhia. É um capital novo que entra na empresa. E a empresa vai se valorizar tal qual a BR, mais que o dobro. E aí o governo vende suas ações pelo dobro do valor. Essa é a lógica. 

Para o consumidor, não tem mais o repasse do risco hidrológico. As usinas da Eletrobras representam 65% das bandeiras tarifárias (sobretaxa cobrada na conta de luz quando há menos geração hídrica). Após a privatização, a Eletrobras vai fazer um depósito mensal ao longo de 30 anos na chamada conta CDE (fundo setorial responsável por remunerar programas do governo e subsídios tarifários). Vai colocar R$ 1,2 bilhão por ano nessa conta. Vai criar três fundos para revitalizar o Rio São Francisco, além das bacias da Amazônia e do Sudeste Furnas.

Vai gerar mais qualidade da água e o nível de afluência desses rios vai ser maior que a de hoje. E a empresa como um todo passa a ter uma capacidade de investimento que praticamente triplica. Como os leilões de expansão do mercado brasileiro não tiveram a Eletrobras, pelo menos quando fui presidente, agora tendo um player com capacidade financeira, pode fazer com que os preços nos leilões novos caiam devido à maior competitividade.

Mas realizar a privatização em período eleitoral não é um fator de risco? Não acho. Essa é uma operação feita em Bolsa, atraindo investidores globais.

São investidores brasileiros de grande porte e estrangeiros que já estão lá na companhia e têm direito de preferência sobre essa emissão, não é só para desconhecidos. São R$ 25 bilhões. A BR fez no ano passado R$ 12 bilhões. O mercado olha o Brasil e olha essa empresa que é a maior da América Latina e uma das cinco maiores do mundo em energia renovável. Nesse ambiente de 2050 (ano no qual os países prometem cumprir suas metas climáticas), de net zero (emissão zero de carbono) e emergência climática, essa empresa tem cada vez mais valor. Ela já tem 96% da capacidade dela em energia renovável e limpa. E vai poder investir ainda mais no desenvolvimento de energia renovável, como solar, eólica e biomassa. Só vejo vantagens. 

O senhor citou a operação da BR, mas hoje o cenário global é bem diferente. O Fed (banco central dos EUA) vem subindo os juros, o que levou volatilidade às Bolsas mundiais. Isso não pode dificultar a capitalização da Eletrobras?

Fazer uma emissão em Bolsa é sempre desafiador. Mas o investimento numa empresa dessas, que é sempre de longo prazo, é feita por investidores como fundos de pensão e fundos de infraestrutura. São investidores de longo prazo.

É desafiador, mas é bastante possível. A Eletrobras é uma geradora e transmissora com contrato de concessão de 30 anos. Os investidores desse tipo de negócio ficam com o papel muito tempo pois estão atrás do resultado, que é menos volátil. E é de longo prazo. Na Vibra, a operação foi feita em um mês desde o anúncio. A Eletrobras é uma empresa listada no Brasil e no exterior.

Nos últimos anos, desde minha chegada lá, tem tido lucro. Tem uma perspetiva de melhorar os seus resultados a partir do ingresso de capital. Fazer um follow on primário na companhia e ela ainda crescer, que é o caso da Eletrobras, tem um valor ainda maior. Sim, o cenário não é mesmo, mas a atratividade da companhia continua sendo muito grande. Acredito fortemente que ela terá muito êxito nessa colocação.

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Economia

Postos anunciarão preço de combustível válido antes da redução do ICMS

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A partir desta quinta-feira (7), os postos de combustíveis de todo país estão obrigados a divulgar, de forma “correta, clara, precisa, ostensiva e legível”, os preços dos combustíveis que eram cobrados, em cada empresa, no dia 22 de junho de 2022, “de modo que os consumidores possam compará-los com os preços praticados no momento da compra”.

A determinação, com vigência até 31 de dezembro de 2022, consta do decreto nº 11.121, publicado no Diário Oficial da União de hoje.

Com a medida, o governo pretende possibilitar ao consumidor comparar o preço atual com o que era cobrado antes de vigorar a lei que não permite às unidades federativas cobrar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) com percentual acima da alíquota de 17% ou 18%, dependendo da localidade. A lei foi sancionada no dia 24 de junho.

O decreto publicado hoje destaca,  ainda, que os donos dos postos deverão informar também, em separado, o valor aproximado relativo ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); o valor relativo à Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep); e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins; e, ainda, o valor relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (Cide-combustíveis).

Edição: Kleber Sampaio

Fonte: EBC Economia

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Economia

Uma em cada dez famílias viajou em 2021, diz IBGE

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Com menos renda, apenas uma em cada dez famílias viajou em 2021
Estoa Research

Com menos renda, apenas uma em cada dez famílias viajou em 2021

A crise econômica agravada pela pandemia de Covid-19 tem dificultado a recuperação da demanda doméstica pelas viagens e atividades turísticas . Uma em cada dez famílias brasileiras viajou em 2021 (12,7%), percentual menor que em 2020 (13,9%). E, quando viajaram,  99,3% realizaram viagens nacionais no ano passado e para curtas distâncias. Antes da pandemia, em 2019, ao menos duas em cada dez famílias realizaram viagens (21,8%).

As conclusões fazem parte da edição 2020-2021 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Turismo, do IBGE, que quantifica os fluxos de turistas nacionais entre as diferentes regiões do país e para o exterior desde 2019.

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O número de viagens caiu 41% entre 2019 e 2021. Foram realizadas 12,3 milhões de viagens em 2021, ante 20,9 milhões de viagens em 2019, antes da pandemia.

As famílias que realizaram alguma viagem no ano passado passaram a gastar menos. Segundo a pesquisa, os gastos realizados em decorrência das viagens turísticas caíram de R$ 11 bilhões em 2020 para R$ 9,8 bilhões em 2021, já descontada a inflação no período.

“Pode ter a ver [com a crise econômica]. Vimos que os domicílios tiveram queda de rendimento” avalia Flávia Vinhaes, analista do IBGE responsável pela pesquisa.

Contrariamente ao que ocorreu na pesquisa de 2019, a hospedagem na casa de amigos ou parentes foi a principal forma de alocação em 2020 e em 2021, representando 42,9% dentre as alternativas no ano passado. Em segundo lugar ficou a opção hotel, resort ou flat.

Falta de dinheiro impede viagens

O IBGE também perguntou aos entrevistados sobre o principal motivo pelo qual nenhum morador do domicílio havia viajado naquele ano. Em 2021, 30,5% alegaram ter sido por falta de dinheiro, 20,9% por outros motivos [como a crise sanitária], 20,8% por não ter havido necessidade e 8,3% por falta de tempo.

Segundo o IBGE, a categoria “outro” foi superdimensionada por causas relacionadas à crise sanitária, como a necessidade de afastamento social, impossibilidade de pegar voos ou infecção pelo coronavírus no período investigado.

Pelo recorte de renda, a pesquisa aponta ainda uma desigualdade entre as motivações de não viagem: a falta de dinheiro, descontada a categoria “outro”, foi o principal impedimento para realização de viagens entre os lares com rendimento abaixo de dois salários mínimos.

Falta de tempo também trava passeio

Já entre as famílias com rendimento de dois ou mais salários mínimos, a falta de tempo e de necessidade foi o que predominou.

As famílias com menor poder aquisitivo são as que mais sentem dificuldades para realizar viagens. Dos 61,1 milhões de domicílios onde não foram registradas viagens dos moradores em 2020, 84,2% tinham renda inferior a dois salários mínimos a valores de 2020.

Em 2021, esse percentual foi de 86,2%, considerando uma base de 62,4 milhões de domicílios onde não foram registradas viagens dos moradores nos três meses que antecederam a entrevista.

Mesmo as famílias de menor renda que realizaram viagens acabaram por fazê-las, em sua maioria, em função de uma razão bem distinta daquelas de maior poder aquisitivo.

Nos lares com renda per capita abaixo de meio salário mínimo, 35,1% das viagens pessoais em 2021 foram para tratamento de saúde e apenas 14,3% para lazer. Já nos domicílios com renda per capita de quatro ou mais salários mínimos, 57,5% das viagens foram para lazer e apenas 4,4% para tratamento de saúde.

Fonte: IG ECONOMIA

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