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Direitos Humanos

Estudantes voluntários ajudarão no atendimento à mulher em São Paulo

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Até o fim deste mês, alunos de faculdades e universidades de São Paulo ajudarão a atender mulheres em áreas como saúde, direito, psicologia e assistência social. O atendimento será prestado gratuitamente em hospitais, delegacias de Defesa da Mulher e nos centros de Integração da Cidadania (CICs) A ação é da Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo.

“Faremos convênios com universidades e com outras organizações civis para trazer um trabalho para os CICs e melhorar a orientação jurídica, o atendimento psicológico, a assistência social, a qualificação profissional e proteção à saúde da mulher”, disse o secretário de Justiça e Cidadania, Paulo Dimas Mascaretti.

Segundo a coordenadora de Políticas para a Mulher, Albertina Duarte Takiuti, a ação terá início segunda-feira (11), no CIC de Taipas. Ela informou que as mulheres serão atendidas por alunos dos cursos de medicina, direito, psicologia, nutrição, educação física e serviço social, sob orientação de professores. “São estudantes do último ano. A coordenação será da faculdade”, disse Albertina à Agência Brasil. O trabalho é totalmente voluntário. “O investimento é o compromisso voluntário das pessoas”, afirmou.

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O protocolo de intenção, que ampliará o atendimento gratuito que já é prestado à mulher em diversos locais no estado, foi assinado hoje (8) à tarde, em São Paulo. A modelo Luiza Brunet, que foi vítima de violência doméstica, participou da cerimônia e será uma das divulgadoras da ação. Para ela, ações como essa são importantes para evitar a violência contra a mulher e orientá-la a denunciar agressões e abusos dos quais seja vítima. 

“Quando sofri a agressão, eu podia ter ficado quieta, mas decidi realmente colocar isso para fora, contar para todo mundo e fazer disso uma causa. Estou muito feliz com esse meu novo foco de trabalho”, disse a modelo. “É importante que as mulheres denunciem [a violência de que são vítimas], mas é importante também que elas entendam que o tempo da Justiça é o tempo da Justiça. Queremos que aconteça rápido [a punição], mas, às vezes, demora um pouquinho. Mas o crime será punido”, ressaltou. “Denunciar me fez muito bem. É um processo de cura interna mesmo. Você perde a vergonha e se torna referência. Não importa quem você seja. O fato de você denunciar, empodera outras mulheres a fazerem igual”, enfatizou.

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Também hoje, a Secretaria de Justiça e Cidadania lançou a campanha Mulher, Você Pode. Por meio de vídeos e cartazes, que serão divulgados nas redes sociais, a secretaria contará a história de várias mulheres.

“É uma campanha que visa à valorização da mulher e mostrar que ela merece uma situação de destaque e de respeito na sociedade pelo papel fundamental que desempenha. E também trazer a ideia de que a mulher, em situação de violência, seja ela qual for, deve romper o silêncio e levar ao conhecimento das autoridades a violência e a agressão que sofreu. E o Estado tem a obrigação de dar todo apoio a essas mulheres”, afirmou Paulo Dimas Mascaretti.

 

 

 

 

Edição: Nádia Franco

EBC
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Direitos Humanos

Violência atinge mais mulheres que trabalham fora, mostra estudo

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Trabalhar fora e ter independência financeira não é garantia de proteção às mulheres contra a violência doméstica. É o que aponta um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta segunda-feira (19). De acordo com os dados levantados, o índice de violência contra mulheres que integram a população economicamente ativa (52,2%) é praticamente o dobro do registrado pelas que não compõem o mercado de trabalho (24,9%).

“Uma possível explicação é que, pelo menos para um conjunto de casais, o aumento da participação feminina na renda familiar eleva o poder de barganha das mulheres, reduzindo a probabilidade de sofrerem violência conjugal. Em muitos casos, porém, a presença feminina no mercado de trabalho – por contrariar o papel devido à mesma dentro de valores patriarcais – faz aumentar as tensões entre o casal, o que resulta em casos de agressões e no fim da união”, destacou o Ipea.

“Uma das conclusões é que o empoderamento econômico da mulher, a partir do trabalho fora de casa e da diminuição das discrepâncias salariais, não se mostra suficiente para superar a desigualdade de gênero geradora de violência no Brasil”.

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De acordo com o estudo, outras políticas públicas se fazem necessárias “como o investimento em produção e consolidação de bases de dados qualificados sobre a questão, o aperfeiçoamento da Lei Maria da Penha e intervenções no campo educacional para maior conscientização e respeito às diferenças de gênero”.

Conforme o estudo do Ipea, o índice de violência doméstica com vítimas femininas é três vezes maior que o registrado com homens. Os dados avaliados na pesquisa mostram também que, em 43,1% dos casos, a violência ocorre tipicamente na residência da mulher, e em 36,7% dos casos a agressão se dá em vias públicas.

“Na relação entre a vítima e o perpetrador, 32,2% dos atos são realizados por pessoas conhecidas, 29,1% por pessoa desconhecida e 25,9% pelo cônjuge ou ex-cônjuge. Com relação à procura pela polícia após a agressão, muitas mulheres não fazem a denúncia por medo de retaliação ou impunidade: 22,1% delas recorrem à polícia, enquanto 20,8% não registram queixa”, apontou o trabalho do Ipea.

O conteúdo completo da pesquisa, elaborada por Daniel Cerqueira, Rodrigo Moura e Wânia Pasinato, pode ser acessado na página do Ipea na internet.

Edição: Bruna Saniele

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Direitos Humanos

Organização indígena questiona laudo sobre morte de cacique no Pará

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A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade que defende direitos dos índios no país, questionou a conclusão de peritos da Polícia Técnica do Amapá (Politec-AP) de que foi afogamento a causa da morte do cacique Emyra Waiãpi, cujo corpo foi encontrado no dia 23 de julho, na Terra Indígena Waiãpi, no oeste do Amapá.

“É com completa indignação que recebemos a notícia do laudo sobre a morte do cacique Emyrá Wajãpi, no qual o órgão nega os indícios de assassinato e afirma que o exame sugere fortemente a ocorrência de afogamento”, manifestou a Apib, em nota divulgada neste final de semana. A entidade pede que “as investigações sejam realizadas de maneira séria e responsável para que uma guerra e mais derramamento de sangue seja evitado”.

No fim do mês passado, índios denunciaram às autoridades públicas que garimpeiros invadiram a terra indígena e que o cacique foi morto durante a invasão. Na ocasião, o Conselho das Aldeias Waiãpi-Apina, que é composto por lideranças de todas as aldeias da terra indígena, afirmou que Emyra Waiãpi foi morto de forma violenta. O conselho associou a morte à suposta invasão da reserva por não índios armados, mas revelou não haver testemunhas do suposto crime.

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Na última sexta-feira (16), a Polícia Federal (PF) divulgou nota informando que o resultado preliminar do exame necroscópico feito por peritos da Politec-AP não registrou nenhum ferimento que possa ter causado a morte do líder indígena. No laudo divulgado pelo órgão, o resultado preliminar sugere afogamento. “O laudo conclui que o conjunto de sinais apresentados no exame, corroborado pela ausência de outras lesões com potencial de causar a morte, sugere fortemente a ocorrência de afogamento como causa da morte de Emyra Waiãpi.”

A PF ainda aguarda o laudo complementar toxicológico, que deve ficar pronto em até 30 dias, para auxiliar na investigação.

Para a Apib, as informações veiculadas pela Polícia Federal contradizem o testemunho dos índios de que a região foi invadida por homens armados. O relato deles foi divulgado pela prefeita de Pedra Branca do Amapari, Beth Pelaes (PMDB), em vídeo divulgado nas redes sociais. A prefeita e o coordenador do município, Kurani Waiãpi, disseram que cerca de 50 garimpeiros fortemente armados estavam acampados próximo à aldeia Mariry, no interior da terra indígena, segundo relataram os indígenas.

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A Agência Brasil procurou ouvir os representantes do Conselho das Aldeias Waiãpi-Apina, mas, até a conclusão da reportagem, não recebeu respostas.

Anteriormente, a Fundação Nacional do Índio (Funai) já havia informado, por meio de sua assessoria, que continua acompanhando o trabalho de investigação da PF, órgão ao qual compete apurar os fatos narrados pelos índios, com o apoio dos servidores locais da fundação indigenista. As assessorias da PF e da Polícia Técnica afirmaram que a íntegra do laudo não será divulgada.

Edição: Maria Claudia

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