MARCELO PORTOCARRERO

Entre o VLT, o BRT e a paciência do cuiabano

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Entre o VLT, o BRT e a paciência do cuiabano

Após anos de institucionalização da corrupção, chegamos a um ponto em que o suborno, parece, passou a ser um elemento considerado aceitável nas preliminares dos processos de contratação de obras e serviços públicos.

Nestes, os desvios éticos e morais são fruto da paulatina introdução da chamada “Lei de Gerson”, em que a resposta à pergunta “o que é que eu ganho com isso?” passou a ser parte integrante de negociatas de contratação, emendas parlamentares e até mesmo nos julgamentos sobre o uso do erário.

Aqui, em nossa calorosa capital, há um exemplo claro disso. Basta olhar com atenção, ou seja, ler o que está descrito abaixo, de preferência com os mesmos olhos que leram o que está acima, para presumir que isso tenha ocorrido com os contratos das obras e serviços voltados à realização da última Copa do Mundo no Brasil.

Deparamo-nos, então, com o VLT, que virou BRT e que ainda poderá ser modificado, dependendo das articulações sobre o que transitará pela impoluta, reforçada e resistente pista de concreto especial, em implantação na quase totalidade de seu sistema troncal, exceto …é, tem um “exceto”, num trecho que não será pavimentado dessa forma.

Para mim e, creio, para os futuros usuários do sistema e cuiabanos em geral, seja qual for o modal adotado, o trecho central da cidade — a Avenida Coronel Duarte, nossa Prainha —, comenta-se, não receberá o pavimento em concreto de alta durabilidade destinado ao transito das composições (uso aqui o termo genérico, “composição”, porque até agora não se sabe exatamente qual será o tipo de veículo de transporte). Pois é, dizem que o pavimento a ser utilizado é uma questão de ajuste de orçamento ou, quem sabe, de cara de pau.

Teria sido desconsiderado que o canalizado Córrego da Prainha passa exatamente por baixo desse bendito trecho e que, por isso mesmo, precisaria de um projeto específico, de difícil execução e, consequentemente, demorado para ser implantado? Teria sido isso ou é a pressa em entregar uma obra, mesmo que inadequadamente concluída, em um ano de eleições?.

Quem não se lembra da mesma pressa em entregar a urbanização da margem cuiabana do rio que empresta seu nome à cidade, a Avenida Beira Rio?. É, essa mesma: aquela que está desmoronando, que tem boa parte interditada devido ao risco de queda a qualquer momento, fruto da má execução e da falta de manutenção preventiva; que, desde a inauguração, tem o piso trincado, soltando e caindo.

Quem terá sido o “apressadinho” que fez aquela porcaria? Um problemão que, desde então, passou por duas administrações municipais, entrou na terceira e chegou a 2026 sem solução.

Vamos deixar acontecer o mesmo com o BRT, ou no que quer que vire essa obra de mobilidade urbana inacabada? Ela é a maior dívida pública do governo do Estado de Mato Grosso para com sua Capital, e já dura mais de 15 anos.

Haja paciência!.

Marcelo Augusto Portocarrero é engenheiro civil