conecte-se conosco


Política Nacional

‘Entre Bolsonaro e Lula, prefiro Bolsonaro’, diz Vargas Llosa

Publicado

source
Nobel de Literatura, o peruano Mario Vargas Llosa
Flickr/Fundación Caja Mediterráneo – 28.10.2011

Nobel de Literatura, o peruano Mario Vargas Llosa

Único escritor de língua espanhola ainda vivo a vencer o Nobel de Literatura, o peruano Mario Vargas Llosa afirmou nesta quarta-feira que seria preferível a reeleição do presidente da República Jair Bolsonaro a uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras deste ano.

Vargas Llosa, que vive há décadas em Madri, viajou a Montevidéu para participar de uma conferência do think thank uruguaio de orientação liberal Centro de Estudos para o Desenvolvimento (CED). Durante o evento, o escritor de Conversas no Catedral afirmou que Bolsonaro não é um liberal e criticou o negacionismo do presidente brasileiro em relação à pandemia e às vacinas, mas disse preferir sua reeleição a um retorno de Lula. 

“O caso de Bolsonaro é muito difícil. As palhaçadas de Bolsonaro são muito difíceis de admitir para um liberal. Agora, entre Bolsonaro e Lula, eu prefiro Bolsonaro de imediato. Mesmo com as palhaçadas, Bolsonaro não é Lula”, disse o escritor, de 86 anos.

O peruano criticou o que chamou de “apaixonamento por Lula, sobretudo na Europa”. “Há uma admiração por Lula na Europa, porque supostamente ele inventou 2 milhões de empregos. Onde estão esses 2 milhões de trabalhos? Gostaria de saber”, questionou. Lula costuma afirmar que os governos do Partido dos Trabalhadores geraram 20 milhões de empregos, não 2 milhões.

Sem citar diretamente o nome de Sergio Moro, Vargas Lllosa elogiou o ex-juiz e lamentou que ele não seja mais pré-candidato à Presidência.

“Lula esteve preso e não fomos nós que o condenamos, foram os juízes brasileiros que o condenaram por ser ladrão. Se equivocaram os juízes? Eu conheci o juiz que o mandou à prisão (Moro) e me parece um homem de uma integridade absoluta, um homem absolutamente guiado por princípios de moralidade, decência e respeito às leis. Ele renunciou a sua candidatura à presidência, é um juiz que se atreveu a enviar Lula à cadeia. Agora parece que Lula poderia ganhar as eleições no Brasil”, afirmou à plateia do evento.

Apesar de preferir Bolsonaro a Lula, o escritou fez uma série de críticas ao governo do presidente.

“Minha impressão de Bolsonaro não é favorável, vi palhaçadas demais no governo, sobretudo a de ser contra a vacina quando a  imensa maioria dos brasileiros queria a vacina. Um presidente não pode infringir uma posição popular tão majoritária como foi esse caso. Não nos equivoquemos, Bolsonaro não é um liberal, não representa essa tendência positiva”, ressaltou.

Para Vargas Lllosa, Bolsonaro “não é um candidato que desperte nossos entusiasmos, muito pelo contrário”. Ele classifica como “erro muito grave” a condução do governo na pandemia. “Mas dá a impressão de que o Brasil neste último governo se livrou do fenômeno que abraça nosso continente, que é o da profunda corrupção”, disse.

O escritor disse não saber afirmar se o país progrediu no governo Bolsonaro, mas elogiou a postura privatista do Ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Na prática, o importante é avançar e não retroceder. Com Bolsonaro o Brasil avançou? Não sei, tenho muitas dúvidas a esse respeito. Quando vi o Bolsonaro ser contra a vacina, (pensei que era) clarissimamente um disparate, um absurdo. Enfrentar a vacinação como foi feito por Bolsonaro é uma completa irresponsabilidade. Agora, Bolsonaro deixou nas mãos de um ministro da economia magnífico uma possibilidade de privatização de um setor público gigantesco que tem o Brasil, e isso foi positivo, sem dúvida”, disse.

Apesar de ter sido simpatizante do comunismo no início de sua vida intelectual, Vargas Llosa se converteu ao liberalismo entre o fim dos anos 1970 e início dos 1980.

Mais recentemente, o escritor, que historicamente se manifestou contra regimes autoritários, tem apoiado candidatos de extrema direira. Em sua guinada cada vez mais à direita, endossou no Chile a candidatura presidencial de José Antonio Kast, que defendia a ditadura de Alberto Pinochet. Em seu país, nas eleições do ano passado, apoiou no segundo turno Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori e sua histórica rival. Keiko foi derrotada por apertada margem de votos pelo professor de zona rural e esquerdista Pedro Castillo.

Na Argentina, em 2019, o escritor peruano apoiou o então presidente e candidato derrotado à reeleição Mauricio Macri contra Alberto Fernández.

Em 1990, quando já era um escritor internacionalmente consagrado, Vargas Llosa disputou as eleições presidenciais peruanas e chegou a passar para o segundo turno com uma plataforma liberal. Perdeu o pleito para Alberto Fujimori, que daria um golpe de estado em 1992. O escritor foi um importante nome da oposição ao fujimorismo nos anos 1990 e nas eleições de 2011 e 2016, quando Keiko também passou ao segundo turno e foi derrotada por Ollanta Humala, de esquerda, e Pedro Pablo Kuczynski, de centro-direita.

Ao falar sobre a guinada à esquerda e ao centro em eleições recentes nos países da América Latina, Vargas Llosa disse que a região “está elegendo as piores opções”.

“Neste momento em que os países podem eleger ser prósperos ou ficar para trás, a América Latina está escolhendo mal”, afirmou. Ele criticou os governos de México, Venezuela, Bolívia, Argentina, Nicarágua e Chile, mas elogiou o atual presidente do Uruguai, o liberal Luis Alberto Lacalle Pou.

Para Vargas Llosa “o socialismo fracassou no mundo inteiro”. “Onde há um socialismo que tenha trazido progresso, igualdade, que tenha feito avançar os países? Em nenhum lugar. (…) É um fracasso sistemático. O que triunfou foi a social-democracia, na Alemanha, por exemplo (…), mas a social-democracia não tem nada a ver com o socialismo. É uma forma absolutamente modélica do capitalismo que triunfa”, disse.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram  e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Política Nacional

Entenda as regras do debate da Band para governador de São Paulo

Publicado

Candidatos ao governo de SP participarão do debate na Band
Divulgação

Candidatos ao governo de SP participarão do debate na Band

Neste domingo (7), a Band realizará o primeiro debate eleitoral para governador de São Paulo, reunindo os candidatos Elvis Cezar (PDT), Fernando Haddad (PT), Rodrigo Garcia (PSDB), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Vinicius Poit (Novo). O encontro, que terá a mediação de Rodolfo Schneider, teve suas regras definidas no dia 21 de julho, quando as equipes de campanha se encontraram com a produção da emissora.

O debate terá três blocos, permitindo que os postulantes ao cargo discutam e apresentem propostas para que os eleitores do estado escolham aquela que se identificam mais para resolver os problemas do estado paulista. Será a primeira vez que os cinco primeiros colocados nas pesquisas de intenções de votos concorrerão ao Palácio dos Bandeirantes como cabeça de chapa.

Elvis, candidato apoiado por Ciro Gomes (PDT), comandou a cidade de Santana de Parnaíba de 2014 a 2020, enquanto Haddad, que é apadrinhado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi ministro da Educação de 2004 a 2012 e foi prefeito de São Paulo entre 2013 até 2016.

O carioca Tarcísio de Freitas  fez parte do governo Bolsonaro como ministro da Infraestrutura (2019 a 2022) e agora busca ser o governador do estado paulista. Rodrigo Garcia venceu a eleição de 2018 como vice de João Doria (PSDB) e virou chefe do executivo estadual em abril, após o empresário renunciar para se lançar pré-candidato à presidência e, consequentemente, a fastando-se da política tempos depois . Por fim, Poit se tornou deputado federal em 2019 e tentará surpreender na eleição deste ano.

Saiba como serão as regras de cada bloco:

Primeiro bloco

Perguntas programáticas escolhidas pela produção da Band serão feitas para cada candidato. Eles terão um minuto para responder, seguindo essa ordem, conforme sorteio feito pelo canal: Rodrigo Garcia, Tarcísio de Freitas, Vinicius Poit, Elvis Cezar e Fernando Haddad.

Na sequência, cada candidato poderá fazer uma pergunta para um adversário da sua escolha. Dessa vez, a ordem será a seguinte: Fernando Haddad, Rodrigo Garcia, Tarcísio de Freitas, Vinicius Poit e Elvis Cezar.

O questionamento terá, no máximo, um minuto. Já quem for responder terá, no mínimo, um minuto e, no máximo, quatro minutos para se posicionar sobre o tema. A réplica será de um minuto e a tréplica será o tempo que o candidato deixar guardado da sua primeira resposta.

Segundo bloco

A Band convidou jornalistas para fazer perguntas aos candidatos. Cada profissional escolherá um nome para indagar e, na sequência, uma outra pessoa para comentar a resposta. No fim, todos precisam responder e comentar.

Cada pergunta terá um minuto, a resposta não poderá passar de dois minutos, o limite do comentário é de um minuto e a réplica também vai ter, no máximo, 60 segundos.

Terceiro bloco

A rodada voltará ao esquema em que um candidato pergunta ao outro. Haddad será o primeiro a perguntar, seguido por Rodrigo Garcia, Tarcísio de Freitas, Vinicius Poit e Elvis Cezar. Todos perguntam e todos respondem.

O candidato terá um minuto para perguntar, enquanto seu adversário terá um minuto, no mínimo, para responder e, no máximo, quatro. O tempo que sobrar, poderá ser usado na tréplica. A réplica será de um minuto.

No fim da rodada, os candidatos farão as considerações finais. O sorteio definiu a seguinte ordem: Fernando Haddad, Elvis Cezar, Vinícius Poit, Tarcísio de Freitas e Rodrigo Garcia.

Direito de resposta

O candidato que se sentir ofendido, seja moral ou pessoal, poderá solicitar ao mediador o direito de resposta. Um comitê formado por dois jornalistas e advogado fará a avaliação do pedido. Caso o direito de resposta seja autorizado, o candidato terá 45 segundos para se defender.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo. Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Política

Continue lendo

Política Nacional

Vice abandona chapa do PT no Ceará após sofrer ataques nas redes

Publicado

Renata Almeida não será mais vice de Elmano
Reprodução/Instagram

Renata Almeida não será mais vice de Elmano

Neste sábado (6), Renata Almeida (MDB) comunicou que estava desistindo de fazer parte da chapa do PT para o governo do Ceará como vice de Elmano Freitas (PT). Ela declarou que os motivos são os ataques que vem sofrendo nas redes sociais.

“Diante da série de ataques que tenho recebido nas redes sociais desde o momento em que meu nome foi anunciado como pré-candidata ao governo, com muitas fake news que atingem duramente minha honra e de minha família, resolvo renunciar à minha candidatura”, escreveu no Instagram.

Elmano Freitas (PT) se solidarizou com Renata e afirmou aos seus seguidores que sua equipe já discute um novo nome para ocupar o cargo de vice na chapa. “Solidariedade à Renata Almeida diante de ataques sofridos por ela e pela família nas redes sociais, e respeito à sua decisão pessoal de sair da disputa. A campanha discute novo nome para seguirmos firmes na luta por um Ceará cada vez mais forte”, postou.

Liderando com folga as pesquisas eleitorais para o Senado pelo Ceará, o ex-governador Camilo Santana (PT) também manifestou apoio a Almeida. “Respeitamos a decisão pessoal de Renata Almeida de sair da disputa na vice e prestamos solidariedade pelos ataques que sofreu junto com sua família nas redes sociais. O projeto segue firme. Nossa luta é por um Ceará cada vez mais justo e solidário, livre da intolerância e do ódio”.

Elmano lançou sua candidatura após o PT romper com o PDT no estado. O grupo pedetista que apoia Ciro Gomes resolveu ter como candidato Roberto Cláudio , rifando a governadora Izolda Cela, que tinha o apoio de Cid Gomes e Camilo Santana.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo. Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Política

Continue lendo

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana