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Política Nacional

Entenda as disputas de poder dentro do PSL e o fogo cruzado de Bolsonaro

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IstoÉ

A disputa entre Jair Bolsonaro e o presidente do PSL , o deputado Luciano Bivar (PE), se agravou nos últimos dias e aumentou a guerra intestina dentro da legenda. Os últimos lances dão o tamanho da dramaticidade e expõem a barafunda em que se transformaram as relações políticas do presidente com os aliados. No lance mais recente, Bivar destituiu os filhos de Bolsonaro, Flávio e Eduardo , do comando do partido no Rio e em São Paulo.

Antes disso, os apoiadores do presidente tentaram sem sucesso afastar o líder do partido na Câmara, o Delegado Waldir (GO), substituindo-o por Eduardo Bolsonaro . O episódio chamuscou o presidente. Ele havia declarado que não interferia nos assuntos internos do partido, mas foi exposto pelos próprios parlamentares, que  divulgaram o áudio de uma conversa em que ele tentava angariar apoio para o filho — ele pede apoio à lista para remoção de Waldir. Confrontado com a gravação, mostrou indignação. “Eu falei com meus parlamentares. Me gravaram? Deram uma de jornalista? Eu converso com deputados, eu não trato publicamente deste assunto”, disse na quinta-feira 17.

Alinhado com Bivar, Waldir partiu para o contra-ataque . “Eu implodo o presidente. Acabou o cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo”, disse em reunião com outros deputados do PSL. Ele vinha retaliando deputados da ala dissidente,  retirando-os de posições na liderança do partido e de comissões parlamentares. O vexame do presidente chancela as declarações públicas do deputado, de que Bolsonaro estaria ligando para deputados para destituí-lo do cargo.

“O presidente está ligando para cada parlamentar e cobrando o voto no filho dele”, disse. Ao apoiar a manutenção de Waldir, Joice Hasselmann (SP), também entrou na mira de Bolsonaro,  que a substituiu por Eduardo Gomes (MDB-GO). “Eu ganho uma carta de alforria. Graças a Deus”, afirmou a deputada. Já é possível vislumbrar o que vem pela frente. Para se ter uma ideia do tamanho do estrago, Joice era considerada personagem fundamental na articulação política do governo na visão do presidente da Casa, Rodrigo Maia.

Batalha de listas

Joice Hasselmann arrow-options
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados – 19.6.19

Substituída na liderança do governo, Joice Hasselmann falou em “carta de alforria”

A batalha nos corredores da Câmara provocou uma guerra de listas de apoiadores na Câmara para que a presidência da Casa oficializasse a mudança. Os bolsonaristas entregaram uma lista com 27 assinaturas para remover o Delegado Waldir . Em seguida, uma contra-lista com 31 parlamentares foi apresentada para mantê-lo. Ocorre que a soma supera a bancada do PSL , que tem 53 deputados. As versões desencontradas provocaram uma confusão no protocolo da Câmara. A Secretaria-Geral fez a conferência das assinaturas e invalidou os dois documentos, mantendo Waldir na liderança.

A solução buscada pela ala bolsonarista era provisória. Eduardo Bolsonaro disse que pretendia ficar apenas até o final ano na liderança do PSL. Ele ainda mantém o discurso de que pretende ser indicado embaixador em Washington, apesar de declarar que este é um objetivo secundário. “O meu compromisso aqui é ficar até dezembro, oportunidade em que teremos eleições para o ano que vem. Muitos deputados foram retirados de comissão, ocorreu uma retaliação e pareceu que se estava fazendo política com o fígado”, afirmou.

O racha no PSL veio a público com outro vazamento. Um apoiador expôs um vídeo em que Bolsonaro o estimula a esquecer o partido porque seu presidente, Luciano Bivar , estaria “queimado pra caramba”. O político ficou ainda mais irritado depois da operação da Polícia Federal que vasculhou seus endereços em busca de sua ligação com o escândalo das candidaturas de laranjas do PSL.

O conflito tem como pano de fundo o controle sobre a milionária verba do Fundo Eleitoral para as disputas municipais de 2020. Bolsonaro foi o fiador do sucesso eleitoral do PSL, que deixou de ser um partido nanico para transformar-se na segunda maior bancada na Câmara. Com o controle da legenda ameaçado, o presidente tenta encontrar uma solução jurídica para mudar-se para outro partido com os correligionários — e a verba eleitoral.

Leia também: Antes “irmãos”, Eduardo Bolsonaro e Joice trocam farpas nas redes sociais

Os parlamentares fiéis que fizerem essa transição correm o risco de perder o mandato. Não há solução à vista, e a situação fica cada vez mais delicada para o presidente. Bivar ganhou as últimas batalhas da disputa com Bolsonaro , que se desgasta cada vez — publicamente e entre o grupo que o ajudou a chegar à Presidência.

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Política Nacional

Eduardo Bolsonaro compartilha fake news ironizando festa com tiros em favela

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Reprodução

Eduardo Bolsonaro compartilhou fake news com vídeo de festa com tiros em favela dizendo ser na pandemia, mas vídeo é antigo

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), terceiro filho do presidente Jair Bolsonaro, publicou vídeo em seu Twitter ironizando uma aglomeração em festa com sons de tiros em comunidade do Rio de Janeiro, dizendo se tratar de um evento durante a pandemia, mas o vídeo, na verdade, já havia sido publicado por outro perfil na mesma rede social em janeiro, antes da chegada oficial do novo coronavírus (Sars-Cov-2) ao Brasil, ou seja, o vídeo não foi gravado durante o período de isolamento social no País, como Eduardo indica.

“Ainda bem que não é no Leblon, né? Vai que o pessoal contrai COVID…”, escreveu Eduardo Bolsonaro na postagem com o vídeo da festa, minimizando ainda as  aglomerações vistas em regiões de bares e restaurantes no bairro nobre da capital fluminense após o início da reabertura.

O vídeo compartilhado pelo filho do presidente mostra uma festa na Mangueira, comunidade da zona norte do Rio, com traficantes dando tiros de fuzis para o alto e ocorreu, no máximo, em 18 de janeiro, quando o perfil “Informe_RJ” fez a publicação, quase dois meses antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar pandemia do novo coronavírus .

Após a publicação original do vídeo ter sido encontrada pelos usuários do Twitter, muitos reagiram à postagem de Eduardo Bolsonaro, cobrando que ele apagasse o tweet, que segue em seu perfil até a publicação desta reportagem.

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Política Nacional

Crimes ambientais já geraram três pedidos de impeachment de Bolsonaro

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Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro tem em Ricardo Salles um homem de confiança para a pasta do Meio Ambiente

Desde que assumiu a presidência da República, em 1° de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro (sem partido) adotou medidas contrárias às políticas ambientais que vigoraram no país.

Com isso, sobram críticas e polêmicas quanto à gestão governamental, no que diz respeito à preservação da Amazônia e da biodiversidade nacional.  Impeachments contra Bolsonaro, alegando crimes de responsabilidade socioambiental, crescem cada vez mais e inflam estes números de pedidos de afastamento do presidente.

Bolsonaro já acumula, no total, 34 pedidos de impeachment. Desse número, 3 pedidos foram protocolados, especificamente, com base em crimes ambientais. Seja por comentários feitos contra as políticas ambientais em vigor no país, ou pelos desmandos de seu ministro do Meio Ambiente,  Ricardo Salles .

O ministro Ricardo Salles

Ricardo Salles é ministro do Meio Ambiente desde a eleição de Bolsonaro. Já são, portanto, 19 meses de gestão à frente da pasta e muitas polêmicas acumuladas desde então.

A mais conhecida, talvez, seja a polêmica frase na reunião ministerial de 22 de abril, em que ele disse que a pandemia do novo coronavírus (Sarv-Cov-2) é uma oportunidade de mudar legislação ambiental sem chamar a atenção.

salles
Carolina Antunes/PR

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente desde a posse de Bolsonaro.

“Então para isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, disse o ministro.

Mas essa não foi a única:  Ricardo Salles está sendo acusado pelo Ministério Público Federal de ter interferido nas estruturas de fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Salles teria exonerado fiscais do órgão após reclamações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).  O MPF pediu, inclusive, o afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, da pasta.

Ricardo Salles já tentou anistiar infratores que invadiram áreas de proteção da Mata Atlântica e estabelceram propriedades.  A medida de Salles previa o reconhecimento de propriedades instaladas em áreas de preservação ambiental até julho de 2008. Com isso, as pessoas que desmataram esses lugares durante o período indicado ficam livres das punições que deveriam receber pelas infrações cometidas.

Mais polêmicas

A Amazônia registrou, em abril, o maior índice de desmatamento nos últimos dez anos, totalizando 529 km² de vegetação cortada. Os dados pertencem ao Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), ao Instituto do Homem e ao Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O desmatamento, visto nos números, é crescente e visível. No Pará, no dia 10 de agosto de 2019, agicultores da região se uniram para queimar as florestas da região, incentivados após a saída da Força Nacional de Segurança, que ajudava o Ibama a previnir as queimadas. A ordem para a retirada da Força Nacional foi do governo federal.  A data de 10 de agosto ficou conhecida como ‘dia do fogo’.

As queimadas recorde na Amazônia também são um ponto a ser considerado. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a Amazônia brasileira registrou, no último mês de junho, 2.248 focos de incêndio. Esse foi o maior número observado para o mês em 13 anos. Os números ainda apontam que as queimadas na região aumentaram 9,6% em comparação a junho de 2019, quando foram registrados 1.880 focos de incêndio.

Denúncias

Com todas as polêmicas em torno das políticas ambientais do governo federal, além dos desmandos da pasta do Meio Ambiente, os pedidos de impeachment com base nessas questões parecem ganhar força.

O advogado Caio Coêlho faz parte do movimento ‘Brasil pelo Impeachment’, que é um grupo da sociedade civil que se engaja para pedir o afastamento do presidente por conta dos crimes ambientais cometidos em sua gestão. Caio acredita que “a comunidade ambientalista não suportava mais os desmontes e transformou inquietude em ação”, ao apresentar o pedido de afastamento do presidente.

“Os crimes cometidos pelo presidente Bolsonaro são qualificados como crimes de responsabilidade socioambiental. Foram atos que violam os princípios jurídicos estabelecidos no Art. 225 da Constituição Federal, desrespeitando o direito fundamental ao meio ambiente equilibrado, o compromisso intergeracional em preservar o patrimônio ambiental brasileiro para a presente e as futuras gerações”, disse.

Caio ainda diz que Bolsonaro “não respeita e é conivente com o desmonte das políticas públicas no campo da proteção ambiental, no contínuo ataque a instituições como o IBAMA e o ICMBio”, afirma.

O advogado acredita que a peça possa ser, de fato, analisada pela Câmara, já que foi feito um amplo trabalho de pesquisa e fundamentação teórica. “A elaboração do pedido é fruto de uma ação cidadã entre os múltiplos sujeitos da comunidade ambientalista brasileira. A peça foi construída de forma colaborativa, de forma que interligasse os fatos, as evidências e a sua juridicidade”, diz Caio.

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