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Educação

Enem oferece recursos de acessibilidade

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Apoio para pernas e pé, auxílio para leitura, sala de fácil acesso, mesa para cadeira de rodas, prova superampliada, prova em Língua brasileira de sinais (Libras), prova em braile e uso do nome social. Esses são alguns dos recursos oferecidos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para que o exame seja mais acessível e inclusivo. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Enem impresso oferece atualmente 16 recursos de acessibilidade e, o Enem digital, seis. 

Os recursos são voltados para atender estudantes com baixa visão, cegueira, déficit de atenção, deficiência física, deficiência intelectual, deficiência auditiva, discalculia, dislexia, surdez, surdocegueira, transtorno do espectro autista e visão monocular. Podem também solicitar atendimento especializado as candidatas gestantes e lactantes e os participantes idosos. Alguns desses participantes podem inclusive contar com correção especial da redação, que levará em consideração as singularidades do candidato.

É preciso estar atento aos prazos previstos no edital do Enem para fazer as solicitações e fornecer os documentos necessários. Nesta edição, o Inep não divulgou quantos foram os estudantes que solicitaram atendimentos especializados ou o uso do nome social. Ao todo, 3,1 milhões de candidatos se inscreveram para as provas que começaram a ser aplicadas no último dia 21 e seguem neste domingo (28). 

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Agenda_Enem_2021_segundo_dia – Arte/Agência Brasil

Alice Marina Mendes, 21 anos, está entre os inscritos para fazer as provas em Libras. Este foi o primeiro Enem dela. “Achei muito bom, quando eu leio em português às vezes não consigo entender, pois português é muito profundo, principalmente texto longo. Então, explicar em Libras é mais claro”, diz. 

Como outros estudantes surdos, Alice tem Libras como primeira língua. “A maioria dos surdos não entende português, por isso é necessário colocar a prova em Libras, que é a língua deles e a minha. Ouvintes têm a língua deles, que é o português. A nossa é Libras”, explica. A vídeoprova em Libras é uma demanda antiga. Ela passou a ser aplicada em 2017. A partir de 2018, as provas já aplicadas passaram a ser disponibilizadas no portal do Inep para, assim, os participantes poderem estudar as questões e conferir os gabaritos, como ocorre com a aplicação regular.  

Com o exame mais inclusivo, surge também a demanda por preparos específicos voltados para cada tipo de necessidade especial. Foi a falta de materiais de estudos voltados para estudantes surdos que fez com que Bruna Wendhausem Enne fundasse o Sinaliza Enem, curso online de preparo para o Enem em Libras. 

“A prova em Libras é muito importante para os surdos. Além da língua, a prova adaptada tem algumas questões, por exemplo, que têm a ver com música, com microfone, alto falante, coisa que esses estudantes não têm acesso no cotidiano deles. Ela não é só traduzida, é pensada para os surdos”, diz. 

Bruna explica que, assim como o português, Libras tem regionalismos. O cursinho preocupa-se, então, em mostrar para os alunos os diferentes sinais usados nas diversas partes do Brasil para que eles possam estar preparados no dia do exame.

O cursinho, que foi criado em 2020, ajudou no preparo de três candidatos aprovados no ensino superior com o último Enem. Para Bruna, a inclusão desses estudantes trará também transformações para as universidades. “A gente percebe o primeiro surdo que entra, a universidade está completamente desesperada, chega a ligar para ele para confirmar a matrícula. Depois, isso muda. Quando outros entram, já tem um grupo para recebê-los”. 

Tempo adicional 

Ottis Dominique Medeiros Vör Tonons é autista e tem transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Esta é a segunda vez que faz o Enem. Ele tem direito a recursos como tempo adicional de prova, auxílio para leitura e auxílio para transcrição. Em 2018, fez essas solicitações. “A pessoa leu a prova toda para mim – tem a opção de ler só quando precisar ou ler tudo. Fiquei em uma sala separada, eu poderia andar pela sala também. Uma pessoa lê e outra transcreve”, conta. 

Este ano, Tonons acabou perdendo o prazo de solicitação dos recursos e acabou fazendo a prova regular. “A prova em si foi muito ruim, principalmente por ter algumas questões que têm como opção ironia e eu não saber onde ela está, sabe? Essas pegadinhas, ironias, me atrapalham. Tinha apenas 17 pessoas na sala comigo. O ventilador fazia um som horrível”, diz. 

São mudanças que fariam toda a diferença e que permitiriam que ele demonstrasse de fato os conhecimentos que tem. “Eu chutei 15 questões que tinham o enunciado muito grande e foquei nas questões pequenas, me forçando a ler, pensar e responder em um minuto as outras 30. No cartão resposta, literalmente ficou faltando marcar a questão 90. Ficou bagunçado pra mim este ano”. 

Melhorias

Apesar dos avanços na acessibilidade, ainda há o que pode ser melhorado no Enem. No caso dos participantes surdos, uma das melhorias citadas por Bruna é que as plataformas de inscrição no Enem e nos programas que utilizam as notas da prova, como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ainda não disponibilizam versão em Libras. “Eles ainda têm dificuldade com isso”, alerta.

Outro recurso disponibilizado pelo Enem é o uso do nome social. O tratamento pelo nome social é destinado ao participante que se identifica e quer ser reconhecido socialmente em consonância com sua identidade de gênero, como os participantes transexuais, travestis ou transgêneros. 

Tonons está também entre esses candidatos. “Para mim, [o nome social] é importante não só pelo conforto de se sentir certo em um lugar, mas também a segurança que isso dá na hora da prova. Pode parecer que é besteira, porque só é chamado o nome uma vez [durante a aplicação do Enem], mas não é. Para quem não tem o documento retificado, isso pode causar desconforto, a sensação de “lembrar quem era antes” ou até de perder um tempo durante a prova, lembrando da situação incômoda de ouvir um nome que de fato não é seu e ter de atender por ele”, diz. 

Tonons conta que, em 2018, não conseguiu usar o nome social na prova. Segundo ele, o pedido poderia ser mais simples. O participante deveria poder solicitar como quer ser chamado e a conferência se daria pelo CPF, nome da mãe, sobrenome. De acordo com o edital do Enem, atualmente, é preciso enviar uma foto recente nítida, além de documento de identificação oficial com foto, válido. 

Enem 2021

O Enem começou a ser aplicado no último dia 21 e segue neste domingo (28), quando os estudantes farão as provas de matemática e de ciência da natureza. 

O Enem seleciona estudantes para vagas do ensino superior públicas, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para bolsas em instituições privadas, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), e serve de parâmetro para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Os resultados também podem ser usados para ingressar em instituições de ensino portuguesas que têm convênio com o Inep.

Questões do Enem

Para testar os conhecimentos, os estudantes podem acessar gratuitamente o Questões Enem, banco que reúne todas as questões do Enem de 2009 a 2020. No sistema da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), é possível escolher quais áreas do conhecimento se quer estudar. Confira aqui mais detalhes da cobertura da EBC do Enem 2021. 

Acompanhe a cobertura da Agência Brasil sobre o Enem 2021:

Enem 2021

Edição: Graça Adjuto

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Educação

Resultado preliminar do Enare está disponível para consulta

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Os inscritos no Exame Nacional de Residência (Enare) já podem consultar o resultado preliminar da prova, divulgado nessa segunda-feira (10) pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Para isso, o candidato precisa acessar o site do Enare.

As provas foram aplicadas em 12 de dezembro do ano passado. Mais de 42 mil inscritos se candidataram a 3,2 mil vagas de residências das áreas médicas, multi e uniprofissional, em 81 instituições distribuídas em todo o país.

De acordo com a Ebserh, empresa vinculada ao Ministério da Educação, a divulgação do resultado final está prevista para o dia 24 de janeiro e o início do período de matrícula, em 1º de fevereiro.

Seleção

O Enare foi criado em 2020 com o objetivo de otimizar a forma de selecionar os residentes, oferecendo benefícios para as instituições e para os próprios candidatos. As universidades federais participantes podem ter menos vagas ociosas, eliminam os custos e a carga burocrática da realização dos exames individuais e ampliam a qualificação da seleção.

Para os candidatos, o exame unificado apresenta vantagens como custo menor, data única para a realização das provas, aplicação em todas as capitais e mais 23 cidades e possibilidade de escolha do local de atuação.

Segundo a Ebserh, o sistema de classificação é muito parecido com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)/Sistema de Seleção Unificada (Sisu), em que o candidato sai com a nota alcançada na especialidade escolhida após as provas e a utiliza para indicar onde pretende atuar.

O sistema fica aberto, por tempo determinado, para que cada candidato registre o local de sua preferência.

As melhores notas se sobrepõem às menores, determinando, ao fechar, quem ocupará as vagas. Em seguida, ele é aberto novamente para preencher as vagas ociosas e para a formação de cadastro reserva, reduzindo a possibilidade de deixar vagas ociosas.

*Com informações da Ebserh

Edição: Kelly Oliveira

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Educação

Inca integra projeto para estimular igualdade de gênero nas ciências

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O Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, foi selecionado para integrar um grupo internacional cujo objetivo é estimular a igualdade de gênero nas instituições de ciência, tecnologia, ensino superior e pesquisa. Em parceria com as universidades de São Paulo (USP) e de Birmingham, na Inglaterra, o Inca vai desenvolver, ao longo deste ano, políticas e práticas para aumentar a atuação das mulheres nesses espaços.

A iniciativa Mulheres na Ciência foi fundada pelo British Council, que desenvolveu o projeto Promovendo e Fortalecendo a Igualdade de Gênero no Ensino Superior: uma perspectiva Reino Unido-Brasil. Do total de 15 trabalhos qualificados para o edital do British Council, seis foram escolhidos para receber o financiamento da organização Mulheres na Ciência: Chamada de Parcerias pela Igualdade de Gênero do Reino Unido-Brasil. Um deles foi o das pesquisadoras do Inca Mariana Boroni, Mariana Emerenciano e Patricia Possik.

Mariana Boroni disse hoje (11) à Agência Brasil que há cerca de um ano as pesquisadoras começaram a conversar sobre como poderiam mudar a realidade da desigualdade de gênero e de outras minorias no instituto. “E a gente viu a oportunidade de participar desse processo seletivo onde são escolhidas instituições brasileiras, em parceria com instituições inglesas, financiado pelo British Council, para desenvolver esse programa voltado para a equidade de gênero, no caso da mulher na ciência”.

Mapeamento

Mariana Boroni disse que a ideia é, primeiro, detectar quais seriam os principais problemas que elas conseguem enxergar no Inca e na USP. “A ideia é tentar mapear os principais problemas de desigualdade de gênero nessas instituições, aprender com instituições parceiras, como a Universidade de Birmingham, que já tem um programa montado para equidade de gênero, e ver de que forma a gente pode aplicar essas ações no nosso instituto, para ter um ambiente mais igualitário, mais equitativo, onde a participação das mulheres seja maior, mais relevante, mais reconhecida”.

Em fevereiro próximo, será realizado o primeiro seminário, envolvendo as três instituições. Depois, haverá uma visita técnica dos pesquisadores brasileiros à Inglaterra, para receber treinamento, entender as políticas e ações que estão sendo feitas naquele país para, em um segundo momento, tentar aplicá-las no Brasil. Uma terceira etapa será uma visita técnica dos pesquisadores de Birmingham ao Brasil, para a continuidade do debate sobre o tema. Serão feitas palestras de conscientização, mapeamento dos problemas, visando o estabelecimento de ações que possam mitigar essa situação nas instituições.

Mariana Boroni disse que além de a presença das mulheres nas ciências exatas ainda ser reduzida, nas ciências biológicas nenhuma mulher ocupa um cargo de decisão, onde são formuladas as políticas. “Outro problema é que as mulheres são cobradas com uma carga de produtividade semelhante à dos homens, só que elas têm atividades domésticas para as quais os homens não contribuem. Existe muita desigualdade para a forma como as mulheres são cobradas nos cargos que elas ocupam. Isso não é percebido pela comunidade científica”.

A pesquisadora disse que os salários nas ciências são semelhantes, embora a mulher não ocupe cargos políticos ou de alta hierarquia, que detêm os mais altos salários. “Isso influencia bastante”. 

Os resultados do programa deverão ser apresentados no final de 2022, após reunião de avaliação, prevista para outubro.

Rede

A rede conjunta Mulheres na Ciência, proposta pelos pesquisadores, profissionais e estudantes envolvidos no trabalho, vai proporcionar encontros para discussão do tema. Serão criados também novos recursos digitais e materiais de treinamento personalizados para ajudar no desenvolvimento profissional contínuo. 

Durante a execução do programa, outro objetivo é compartilhar as descobertas com comunidades científicas e de relações internacionais, por meio de conferências, publicações conjuntas e mídias sociais.

“É muito importante termos o reconhecimento da relevância e qualidade dos nossos projetos e equipes. Esse tipo de apoio é fundamental para implementarmos ações que diminuam a desigualdade de gênero na área acadêmica e científica em nosso país”, ressaltou o coordenador de pesquisa do Inca, Luiz Felipe Ribeiro Pinto.

A reitoria de Projetos Estratégicos da Universidade de Birmingham quer disseminar a ação pelo Brasil. O propósito é que o Inca, a USP e a Universidade de Birmingham trabalhem com mais parceiros em todo o Brasil, visando expandir o projeto para pesquisas e colaborações mais amplas sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS/ONU), em relação à igualdade de gênero. 

Edição: Fernando Fraga

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