Conteúdo/ODOC - Em cerimônia realizada nesta sexta-feira (4) no Parque Nacional do Xingu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou ao cacique Raoni Metuktire a Ordem Nacional do Mérito com a Grã-Cruz, a mais alta condecoração concedida pelo Estado brasileiro.
O ato simbólico ocorreu durante visita oficial à região e foi marcado por um discurso emocionado, no qual Lula classificou o líder indígena como a maior representação viva da humanidade.
“Já estive com chefes de Estado, reis, imperadores e presidentes das maiores potências do planeta. Mas nenhum deles tem o peso simbólico e a importância que Raoni representa para a Terra”, afirmou o presidente, em meio a lideranças indígenas e representantes do governo federal.
Reconhecido por sua atuação histórica em defesa da Amazônia e dos direitos dos povos originários, Raoni tornou-se um ícone global da causa ambiental. Desde os anos 1980, ele percorre o mundo alertando sobre a destruição das florestas e o avanço de políticas que ameaçam os territórios indígenas.
Entre os presentes no evento, estava o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), que representou Mato Grosso na cerimônia. O governador Mauro Mendes (União Brasil) não compareceu — segundo a assessoria, ele não foi convidado e viajou para São Paulo. Durante sua fala, Raoni criticou a recente derrubada do veto presidencial ao projeto do Marco Temporal, tema no qual Fávaro votou a favor da proposta, gerando desconforto entre os indígenas.
Raoni tem se posicionado firmemente contra iniciativas que, segundo ele, fragilizam a proteção das terras indígenas e incentivam ações predatórias, como o desmatamento ilegal e grandes empreendimentos de infraestrutura. Entre os projetos criticados pelo cacique está a construção da Ferrogrão, ferrovia planejada para ligar o norte de Mato Grosso ao Pará, que atravessa áreas sensíveis da Amazônia.
O gesto do governo federal ocorre em meio a um cenário de maior protagonismo indígena na administração pública. O Ministério dos Povos Indígenas é hoje comandado por Sonia Guajajara, a primeira indígena a chefiar uma pasta ministerial no país, e a presidência da Funai está sob a liderança de Joenia Wapichana.