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Eletrobras oferta ações a R$ 44 e governo prevê arrecadar R$ 35,2 bi

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Governo deverá arrecadar R$ 35,2 bilhões com privatização da Eletrobras
Felipe Moreno

Governo deverá arrecadar R$ 35,2 bilhões com privatização da Eletrobras

A Eletrobras publicou nesta sexta-feira (27) aviso da oferta pública de ações, que viabilizará a privatização da companhia. Conforme documento protocolado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi considerado o preço da ação de R$ 44, cotação do fechamento da véspera. Com isso, a operação pode movimentar até R$ 35,291 bilhões, incluindo um lote suplementar.

No prospecto da operação divulgado hoje, a empresa alerta os investidores para os riscos da operação, entre eles as “obrigações financeiras de Furnas e da companhia”. Uma dessas obrigações diz respeito ao aporte bilionário que a subsidiária da Eletrobras deve fazer na Santo Antônio Energia, que opera a hidrelétrica de mesmo nome.

A Eletrobras já tem investidores privados, mas seu controle está nas mãos da União. O que a empresa vai fazer com a oferta oficializada hoje é emitir uma nova leva de ações, para atrair novos investidores.

O governo federal não vai acompanhar a compra desses papéis e, assim, será diluído. A expectativa é que, após a operação, o Estado fique com uma fatia de 45% do capital votante, perdendo assim o controle. Hoje, o governo federal detém cerca de 72% das ações com direito a voto.

A chamada oferta primária envolverá 627.675.340 ações. Haverá ainda oferta secundária de 69,8 milhões de ações, o que resultaria numa movimentação de R$ 30,688 bilhões, considerando a demanda por todos esses papéis. Esse número poderá ser acrescido de um lote suplementar de até 15% do total das ações, o que elevaria o negócio para R$ 35,291 bilhões.

Até ontem, havia demanda de investidores por ao menos R$ 13 bilhões, segundo a Bloomberg. Mas, segundo gestores que vêm sendo contatados pelos bancos que coordenam a operação, já haveria demanda por todos os papéis.

O início do período de reserva será de 3 a 7 de junho. No dia 8 de junho, será contabilizado o total de pedidos de reserva com o uso do FGTS. No dia 9, será fixado o preço da ação com base na demanda. As ações devem ser negociadas no dia 13 de junho na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

Ações sobem no exterior e têm volatilidade no Brasil

A oferta está sendo coordenada por BTG, Bank of America, Goldman Sachs, Itaú BBA, Citigroup, Credit SUISSE, JP e Safra.

Após o lançamento oficial da oferta, os papéis ordinários (ELET3, com direito a voto) da Eletrobras subiam 0,30%, negociados a R$ 44,12 e os preferenciais (ELET6, sem direito a voto) cediam 0,05%, cotados a R$ 42,50.

As ADRs, recibos de ações, negociadas no exterior subiam 1,93%, cotadas a US$ 8,98. O valor das ADRs na oferta da Eletrobras foi definido em US$ 9,23 por papel.

Eletrobras republica balanço e inclui ‘risco Furnas’

Na manhã desta sexta-feira, a Eletrobras republicou o seu balanço relativo ao primeiro trimestre para incluir, no parecer do auditor independente, um parágrafo que enfatiza as incertezas decorrentes da decisão de Furnas.

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No fim de semana, Furnas publicou edital de convocação para assembleia geral de debenturistas para o próximo dia 30 de maio, com o objetivo de obter aval para fazer o aporte na Santo Antônio Energia. Isso significa que a empresa vai ampliar a participação na usina, localizada no Rio Madeira, em Rondônia, podendo assumir seu controle.

A convocação vem na sequência à aprovação pelos acionistas da Madeira Energia (Mesa), controladora da Santo Antônio Energia, que cuida da operação da usina, no último dia 29 de abril.

Por unanimidade, os sócios da Mesa — Furnas, Caixa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Cemig — aprovaram um aumento de capital de até R$ 1,58 bilhão para quitar o pagamento de uma decisão arbitral desfavorável à Santo Antônio Energia.

No prospeto da oferta, a Eletrobras diz que a previsão é que Furnas passa a deter até 72,36% do capital votante e total da Madeira Energia.

O imbróglio pode gerar a ” violação de contratos financeiros de Furnas, o que pode desencadear obrigações significativas para a Companhia, comprometendo os negócios da Companhia, sua condição financeira e resultado de suas operações”, diz o documento.

Uso do FGTS na operação

No prospecto, a Eletrobras informou ainda que 10% da quantidade total de ações serão destinadas a empregados e aposentados.

Disse também que será garantida a alocação mínima de ações a cada pessoa física (o chamado investidor de varejo) de, ao menor, R$ 5 mil. A empresa lembra que esse valor poderá ser aumentado até R$ 50 mil, a depender do volume de pedidos.

Com a operação, o BNDESPar – braço de participações do BNDES – pode arrecadar pouco mais de R$ 3 bilhões com a venda de suas ações.

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Com privatização e utilização do FGTS, ações da Eletrobrás sobem 6%

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Ações da Eletrobrás movimentaram a maior quantia de dinheiro, desde a capitalização da Petrobrás, em 2012
Ivonete Dainese

Ações da Eletrobrás movimentaram a maior quantia de dinheiro, desde a capitalização da Petrobrás, em 2012

Apenas 15 dias após a privatização, as ações da Eletrobras (ELET3), dispararam quase 6%. A empresa, que maior companhia de energia elétrica da América Latina.

Com geração de caixa de R$ 33,7 bilhões, os preços das ações retomaram em R$ 42, fechando a R$ 44,38, no mesmo dia. Isso é uma alta de 5,67%. Na Bolsa brasileira, a operação é a principal desde a capitalização da Petrobras , em 2012, que movimentou R$ 100 bilhões.

Quando comparado com o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) , o ganho que a Eletrobrás proporcionou no período de duas semanas já supera a rentabilidade anual de 3%. Entretanto, é claro que a rentabilidade das ações também podem resultar em perdas, ou desvalorização.

A busca pelo uso do Fundo para comprar os papéis da companhia contou com a adesão de 350 mil trabalhadores. Com a alta procura, o teto definido para o uso dos recursos, de R$ 6 bilhões, foi superado em 50%, o que fez com que apenas 66,8% do valor indicado para a aplicação fosse efetivamente direcionado para a compra das ações.

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Andrade recusou entrevista para falar sobre preços da Petrobras

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Andrade recusou entrevista para falar sobre preços da Petrobras
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Andrade recusou entrevista para falar sobre preços da Petrobras

Em meio aos rumores da mudança de política de preços da Petrobras por parte do governo, o Comitê de Pessoas (Cope) da estatal tentou agendar com  Caio Paes de Andrade, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para a presidência da empresa, uma entrevista formal. O objetivo era que ele prestasse informações sobre notícias constantes na mídia em torno da “política de preços dos combustíveis” e possíveis “mudanças na governança da Petrobras”. Porém, ele optou por não comparecer.

Paes de Andrade teve o nome aprovado nesta sexta-feira pelo Comitê de Eligibilidade (Celeg), ligado ao Comitê de Pessoas, que analisa os nomes indicados para o Conselho de Administração da empresa e para a diretoria. Está marcada para segunda uma reunião do colegiado para apreciar seu nome. Apenas com o aval do Conselho ele pode assumir o comando da Petrobras.

A ata do Cope/Celeg, publicada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), neste sábado, revelou ainda que a área de Conformidade da Petrobras solicitou esclarecimentos adicionais ao indicado em três ocasiões, entre os dias 8 e 15 de junho. A área de RH da Petrobras também fez uma solicitação adicional. A Petrobras recebeu a documentação referente à indicação de Caio Mário Paes de Andrade no dia 31 de maio.

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No documento, o Cope informou que ele decidiu responder por escrito algumas “dúvidas”. Primeiro, Andrade, ao ser questionado se tinha alguma orientação da parte do acionista controlador para alterar a política de preços da Petrobras , disse:

“Não tenho qualquer orientação específica ou geral do acionista controlador ou qualquer outro acionista no sentido de alteração da política de preços praticados pela companhia”.

Em seguida, o Cope perguntou a Andrade se ele gostaria de enviar alguma mensagem que avalie ser relevante para a formação dos conselheiros e acionistas da Petrobras em vista do processo eleitoral no Conselho e na Assembleia Geral. Sua resposta foi breve: “Não tenho mensagem a enviar nesse momento.”

Comitê lamenta recusa

O Cope/Celeg disse que “entendeu que uma entrevista com o indicado teria sido proveitosa e mais eficiente para a formação de convicção de seus membros, lamentando o declínio do convite”.

Nesta semana, em entrevista a uma rádio mineira, Bolsonaro disse que Paes de Andrade deve trocar a diretoria e avaliar se mudaria a política de paridade de preços internacionais (PPI), tão criticada pelo governo e que levou a Petrobras a fazer mais um reajuste nos combustíveis na semana passada.

O documento protocolado na CVM neste sábado revela ainda que foram feitas pela área de Governança e Conformidade da Petrobras “análises aprofundadas, com base na verificação de fontes públicas de informação, de todas as ‘mídias adversas’ relacionadas ao indicado. Como resultado, disse o documento, não foi identificado nenhum fato que pudesse ser considerado um impedimento ou vedação”.

O gerente executivo de Recursos Humanos Juliano Mesquita Loureiro tratou da formação acadêmica e considerações quanto à aderência da experiência profissional do indicado à área de atuação da Petrobras. Ele destacou que o Jurídico se manifestou no sentido de que não haver impedimento legal para que o indicado possa ocupar assento no Conselho de Administração ou na diretoria executiva da Petrobras”.

Experiência em liderança

Segundo a ata, sobre os documentos comprobatórios, em especial os diplomas apresentados, o Cope/Celeg indagou Loureiro se havia alguma dúvida sobre a veracidade e autenticidade destes, ao que o executivo respondeu que não. Em relação ao critério de ter dez anos de experiência em liderança, os membros do Cope/Celeg também fizeram uma consulta ao gerente de RH.

Ele esclareceu que “o vocábulo ‘preferencialmente’ não permite uma análise peremptória de que a experiência em liderança apresentada do indicado não seria suficiente para o atendimento desse requisito adicional; ao contrário, é flexível e permite a interpretação de que, embora seja desejável que a experiência seja no negócio ou em área correlata, não é mandatório, sendo o critério atendido com a comprovação dos dez anos de experiência em liderança”.

As respostas escritas de Andrade foram classificadas como “irrisórias e irrelevantes” pelo Celeg.

Andrade tem risco médio, diz área de conformidade

A ata da reunião do Cope/Celeg revelou que a área de conformidade da Petrobras atribuiu “risco médio” a Caio Paes de Andrade, de acordo com relato feito por Francisco Petros, presidente do Celeg e membro do Conselho de Administração da empresa.

Segundo ele, esse risco médio “é compatível com os achados reportados nos documentos disponibilizados” pela área de conformidade.

“Em relação à capacidade de gestão do candidato, com o devido respeito, não encontrei nos documentos disponibilizados o respaldo que me permita formar uma convicção favorável ao candidato. De fato, os considero inconclusivos e deixam aos órgãos de governança a decisão, sem uma opinião que balize tal processo decisório”, disse Petros em seu parecer.

Voto contra: ‘sem aptidões necessárias’

Por isso, o presidente do Celeg avaliou o nome de Andrade “sem as aptidões necessárias para o exercício do cargo em vista da interpretação das normas cabíveis. Vale dizer que esta avaliação pode até estar equivocada da minha parte, caso a gestão do candidato seja um grande sucesso”.

Foi o único voto contra. Os outros três integrantes votaram a favor de Andrade. O conselheiro externo do Celeg Tales Bertozzo Bronzato deu parecer positivo.

Disse que, embora não tenha experiência na área de petróleo, tem dez anos de experiência e quatro anos de liderança, é formado em comunicação social e possui curso de extensão na universidade de Duke e MBA em Harvard.

Ana Silvia Corso Matte, que também é membro externo do Celeg, também deu aval positivo, mas sugeriu que os órgãos competentes “avaliem essa lacuna no currículo de não possuir experiência de liderança pretérita em empresa de porte ou objeto social semelhante ao da Petrobras”.

O membro do Celeg, Luiz Henrique Caroli, que também é conselheiro, disse que não há vedação, já que, segundo ele, o gerente executivo de RH disse que “os requisitos são flexíveis”.

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