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Ela largou a CLT e ajuda empreendedoras a se destacarem na internet

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A jornalista Rayanne Albuquerque conta que trabalhar exclusivamente com mulheres se tornou um propósito; conheça a história e o trabalho da estrategista digital
Acervo pessoal

A jornalista Rayanne Albuquerque conta que trabalhar exclusivamente com mulheres se tornou um propósito; conheça a história e o trabalho da estrategista digital

No início do ano, a jornalista Rayanne Albuquerque, 26, decidiu que queria migrar de carreira. Para isso, fez uma escolha que pode ser considerada ousada: há três meses, ela decidiu largar o emprego CLT em uma redação para se jogar de cabeça na carreira de estrategista digital. Agora, ela ajuda mulheres a consolidarem os próprios negócios no mundo das redes sociais, ensinando planejamento e estratégia digital com acolhimento e acessibilidade.

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Com sete anos de experiência no mercado de comunicação, Rayanne conciliava desde 2018 a rotina de social media com a de repórter para conseguir uma renda extra. Até que, há seis meses, ela notou que a renda do segundo emprego extrapolou muito a do primeiro. “Foi quando eu percebi que, na verdade, essa poderia ser a minha primeira profissão”, diz.

Rayanne explica que fazer jornalismo foi uma das melhores decisões da vida dela. Além do ofício conseguir abranger diversas áreas de atuação e oferecer a possibilidade de conhecer histórias, a formação tem um significado a mais: ela foi a primeira pessoa de sua família a ingressar na universidade.

Foi o jornalismo que conseguiu fazer Rayanne alçar voos altos, como se mudar para São Paulo (a especialista é natural de Recife) e ter uma formação também no exterior – a jornalista é bacharel e mestre pela Universidade Federal de Pernambuco, mas estudou por um ano na Universidade de Coimbra, em Portugal, durante a graduação.

Por mais que adore a profissão, uma grande parte do desejo da migração de carreira foi impulsionado pelos percalços que acompanham a rotina jornalística. Ela afirma que tinha pouco tempo para pensar no próprio bem-estar devido ao ritmo de trabalho exaustivo, algo que acabou a adoecendo.

“Além da jornada de segunda a sexta, tinham os plantões de fim de semana e feriado. Me vi em uma situação em que não tive nem férias, nem uma semana de folga, de 2014 até 2020. Eu não odiava fazer o que eu fazia, mas não aguentava mais a forma como fazia”, relata.

Por mais que gostasse e acreditasse na profissão que escolheu, Rayanne se viu em meio a um dia a dia desgastante em que não conseguia ter momentos de lazer ou mesmo telefonar para a família no fim do dia. No fim de 2020, ela foi diagnosticada com  síndrome de burnout que desencadeou nela diversas crises de ansiedade e esgotamento excessivo.

Apesar de ter recebido muito apoio de colegas de profissão, familiares e amigos, ela percebeu que tinha mais vida para viver fora da redação. Optou por ouvir os sinais de desgaste físico e emocional para mudar de rumo. “Foi uma decisão muito baseada na minha saúde mental”, lembra.

A estrategista reforça que a migração de carreira não é um processo simples. Muito pelo contrário. Ela vê que fatores sociais, como desigualdade social e crise econômica, podem dificultar essa jornada para muitas pessoas que precisam se manter em trabalhos em que não estão felizes para conseguir pagar as contas. Ela lembra que muitos familiares se preocuparam com Rayanne quando ela própria decidiu deixar o trabalho consolidado para se dedicar a outra carreira.

“Claro que não é fácil largar uma CLT em uma economia tão vulnerável, em que as previsões do país não são boas. Ao mesmo tempo, falando da minha experiência, tive outros ganhos com essa jornada, como não ter pavor dos domingos, que eram dias em que eu tinha crises de choro. Antes eu sentia que sobrevivia. Por mais que tenham dias difíceis, hoje eu consigo dormir mais tranquila e acordar em uma segunda-feira sem pensar que o mundo está acabando”.

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Estratégia digital

Com um feed caprichoso e dicas poderosas para quem quer criar conteúdo nas redes sociais, Rayanne deixou de usar o Instagram apenas como perfil pessoal, fazendo dele a sua marca. Vídeos ensinando a compor uma iluminação de fundo, carrosséis que esmiúçam os bastidores da profissão e as tendências no digital ou mesmo dicas de fontes para usar em infoprodutos estão entre os conhecimentos que ela compartilha todos os dias.

A ideia vai além de fazer o próprio feed de vitrine, mas de laboratório para provar que tudo o que ela aprendeu ao longo da carreira (e que pode ensinar em suas consultorias) de fato funciona. Ao trabalhar com contas que vão de perfis de políticos a escritórios de arquitetura e marcas luxuosas de lingerie, ela percebeu erros frequentemente cometidos por marcas que acabam atrapalhando o crescimento dos negócios.

“O que eu via era que as pessoas pegavam uma foto, colocavam uma legenda e só. Mas só isso não é o suficiente. O que as pessoas querem saber é como o que elas estão vendo podem transformar o que vivem, como aquela pessoa ou produto pode agregar para elas. É preciso que exista uma humanização da marca para gerar conexão fora da tela. Foi ali que percebi que tinha uma oportunidade”, conta Rayanne.

O principal serviço oferecido por Rayanne é uma consultoria em que ensina mulheres a colocarem em prática estratégias para aumentar o alcance de postagens nas redes – e, consequentemente, aumentar o funil de vendas. Análises de mercado, diagnóstico de perfil e auxílio para criar um planejamento de postagens são apenas algumas das várias funções que compõem o trabalho.

“Inicialmente faço um diagnóstico de tudo o que pode melhorar – por isso falo que é como uma consulta. É um trabalho de mão dupla: a cliente precisa executar tudo o que a gente planejou, se não não funciona”, explica Rayanne. O acompanhamento é por reuniões ou via WhatsApp (nesse último caso, o contato é diário). A ideia é fazer com que as empreendedoras consigam gerar engajamento, mas também autoridade e conexão no ramo de atuação.

No Instagram, ela também transmite os conhecimentos para que outras mulheres na comunicação possam trabalhar como estrategistas digitais e captar os próprios clientes. “Esse é um trabalho que não é ensinado por ninguém. Aprendemos a fazer arte e legenda, mas esquecem que tudo tem que ser mais sustentável do que somente um conteúdo para Instagram. Então, tento dar esse suporte”, conta.

Síndrome da impostora

A estrategista diz que sente realização ao ver que cada vez mais mulheres se engajam com o conteúdo que ela produz. Com fala tranquila e postura confiante, Rayanne frequentemente aparece nos stories para conversar, e até a mínima informação é preenchida com belas fotos e fontes organizadas. A ideia dela é mostrar que não existem soluções mágicas, mas explicar com clareza como estratégia, consistência e planejamento são os pilares para se destacar no digital.

Apesar de feliz, ela diz que não fica surpresa com os resultados que têm alcançado e com a expansão do próprio perfil: “Eu sabia que o crescimento seria inevitável a partir do momento que eu começasse a utilizar tudo que sei comigo mesma. Sempre deu certo com as marcas e com outras empresas”, avalia.

Só que chegar a essa postura não foi nada fácil, principalmente devido ao medo da exposição. Antes de se dedicar totalmente ao planejamento digital, a jornalista não gostava de expor a vida pessoal. Era low profile. “Preferia ficar nos bastidores porque sempre trabalhei muito bem assim. Ser a protagonista não era para mim, fui formada para ouvir histórias e saber contá-las”, diz. Essa preocupação a fez adiar algumas vezes a migração de carreira.

No entanto, ela percebe que esse medo tem uma raiz ainda mais profunda. Rayanne vê que o machismo estrutural educa mulheres a não exporem seus conhecimentos e, como consequência, a não receberem méritos por suas conquistas ou feitos.

“Evitava falar que estudei em Coimbra, por exemplo, porque achava que seria muito arrogante ao abordar a minha formação no exterior; quando isso é apenas a realidade. Faz parte da minha história, mas achava que soaria mal. Sempre caía na bolha da síndrome da impostora ”, relata.

O ponto de virada para saber lidar com isso veio quando, na terapia, Rayanne foi questionada se sentiria a mesma pressão para determinadas situações caso fosse um homem; uma pergunta que sempre ecoa na cabeça dela.

“Quando a impostora vem falar comigo eu me questiono se eu me retiraria de certas situações ou deixaria de contar fatos sobre a minha vida se fosse um homem. Cheguei a conclusão de que 90% das vezes a resposta é não”, pensa. “Pelo meu gênero, não me sinto autorizada a ser quem eu sou e falar sobre isso. Mas se eu fosse um cara eu não duvidaria disso. Eles têm mais coragem e são mais estimulados a falar sobre si mesmos”.

“Por conta do gênero, a gente acaba sentindo que não está autorizada a falar sobre o que a gente faz. Até hoje, quando posto algo sobre a minha vida, me pergunto: ‘Será que isso é necessário? Será que exagerei?’. Comecei a perder o medo quando percebi que, na verdade, é uma insegurança socialmente imposta a nós. Mas, na vida real, nem sempre é fácil”, reforça Rayanne.

A estrategista passou a perceber que esse é o mesmo medo que as mulheres que chegam até ela sentem. “Ouço muito assim: ‘Não queria falar sobre o que eu faço, acho que não tô pronta’. Essa insegurança vem de mulheres de quase todo Brasil, com anos de experiência, que trabalham há anos nos bastidores de outras marcas que são geralmente dirigidas por homens que protagonizam esse lugar”, analisa.

Essa insegurança generalizada, somada a estruturas sociais que dificultam a ascensão de diversas mulheres, foi o que a fez direcionar todos os cuidados para as mulheres – tanto que, ela analisa, essas profissionais estão se destacando no digital tardiamente porque não sabiam da possibilidade de alcançar esse espaço anteriormente.

Portanto, trabalhar exclusivamente com mulheres é o que mais faz sentido para a vida de Rayanne. Ao longo do processo, toda conquista é celebrada em união. “Estamos caminhando juntas nesse processo – um processo que engloba muitas questões, principalmente para mulheres negras que não são do eixo Sudeste do Brasil. Essas mulheres sofrem ainda mais”, afirma. “Quando trabalho com mulheres, vejo que faz mais sentido para minha vida. É uma questão de propósito”.

“É bom viver em rede com outras empreendedoras e amigas que estão nesse mesmo caminho. É um lembrete para saber que o processo não vai funcionar da noite para o dia, mas que tudo é possível dentro do nosso ritmo. Podemos ser donas das nossas narrativas”, acrescenta.

Migração de carreira

Ter uma rede de apoio, muito planejamento e organização são pilares que Rayanne considera importantes para quem quer migrar de carreira. No primeiro momento, o ideal pode ser desempenhar a nova função no tempo livre para não deixar o emprego de onde vem a renda do mês: “Vai ser sofrido no primeiro momento, mas só com a vivência dá para sentir firmeza no novo caminho”.

Ela aponta que, no menor sinal de desconforto e de desejo de mudança, é preciso dar ouvidos ao incômodo: “Às vezes, passamos muito tempo colocando isso debaixo do tapete, sendo que essa angústia pode nos levar para longe dessa situação. Essa ruptura machuca porque muda o processo financeiro e emocional, mas pode ser necessário um novo ciclo para que a gente consiga começar de novo”.

“Não existe fórmula mágica. O processo de troca de carreira é muito doloroso, mas se a pessoa sente que a vida como está não faz sentido, o melhor passo a se fazer é atravessar essa jornada. Vai ser difícil, mas no fim é muito gratificante. É preciso ter muita disciplina, dedicação e estrutura, manter a constância e a estratégia. O resto é só ir caminhando”, indica.

Fonte: IG Mulher

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Alta no engajamento na paternidade não anula incidência de pai ausente

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Homens precisam se sentir menos responsáveis em prover materialmente e mais implicados no cuidado direto, diz antropóloga
Tatiana Syrikova/Pexels

Homens precisam se sentir menos responsáveis em prover materialmente e mais implicados no cuidado direto, diz antropóloga

A discussão sobre paternidade ativa, por vezes chamada de “nova paternidade”, tem se tornado mais presente para homens que buscam se responsabilizar pelos cuidados com os filhos de forma equilibrada com suas parceiras. Da mesma forma, alguns pais também se mostram interessados em cumprir o papel de interromper o ciclo de comportamentos sociais prejudiciais por meio da educação.

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Ao mesmo tempo que a “nova tendência” de paternidade exercida, principalmente, pelas gerações mais recentes causa ânimo, há na contramão a manutenção do mesmo sistema que contribui para a sobrecarga de tarefas para as mulheres, da perpetuação da figura do pai ausente, da violência doméstica e do abandono paternal – cujo alto índice bateu recordes em 2022.

Só no primeiro semestre deste ano, mais de 86 mil bebês brasileiros foram registrados sem o nome do pai , o maior número desde 2018. No entanto, deve-se levar em consideração as famílias nucleares em que o pai existe, mas não contribui com os cuidados básicos da criança ou do lar. Essa contradição faz parte da dinâmica do machismo estrutural na sociedade.

Marcia Thereza Couto, antropóloga e professora do departamento de medicina preventiva da Universidade de São Paulo (USP), estuda masculinidades há 20 anos. Ela aponta que, de fato, os homens passaram a buscar se envolver mais nas tarefas familiares e domésticas para se mostrarem presentes na vida dos filhos. No entanto, o perfil desses pais é muito específico e corresponde aos desejos de uma pequena parcela no Brasil.

“Essas micro mudanças estão acontecendo, principalmente, em homens de classes sociais média e alta e com escolaridade mais alta. Precisamos comemorar e estimular os avanços, mas não devemos nos deixar levar por uma ideia particular que representa o todo. A sociedade precisa de muita mudança”, afirma a antropóloga.

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Pais ausentes

Couto aponta que existe uma ausência no exercício de paternidade e de abordar o tema no processo de crescimento dos homens. Se para as mulheres esse é um papel obrigatório e de extensa preparação, para os homens é uma opção, algo facultativo.

“Não existe um diálogo sobre esse assunto em casa, na escola, no lazer ou na sociedade que traga ao homem essa dimensão e responsabilização de ser pai. Isso é ainda mais forte em lares em que se cresce sem um pai”, pontua a antropóloga.

Além de o homem ser socialmente “liberado” da paternidade e não saber lidar com ela, a antropóloga salienta que não há dificuldades na estrutura política, social e até judiciária para que essa participação plena aconteça. Isso porque os pais são condicionados apenas ao trabalho: “Nossa legislação impede o vínculo inicial de estabelecimento de reconhecer que ele não precisa só prover, mas que também deve dar o banho, cuidar da alimentação e do sono; ou seja, dos cuidados básicos mais atribuídos às mulheres”.

Para exemplificar, ela cita os cinco dias corridos de licença paternidade que são garantidos por lei, um período muito curto para participar do início da vida da criança. Dados da Catho, plataforma que conecta empresas e candidatos, apenas pouco mais de 5% das empresas oferecem aos funcionários mais tempo de licença paternidade. Além disso, 68% dos pais no Brasil não fizeram uso da licença paternidade , segundo dados da consultoria Filhos no Currículo.

“Não temos políticas públicas ou privadas de aliança de trabalho que incentivem o exercício dessa paternidade, pelo menos nesses cinco dias. Me pergunto qual associação de RH de empresa sabe que um colaborador homem não tirou a licença”, indaga a antropóloga, emendando que essa é uma das razões pelas quais o homem passa a engajar mais na criação dos filhos a partir dos dois anos.

Em lares onde o homem é o único provedor material, há menos tempo de engajamento nos cuidados básicos do filho. “Esse contato é restringido por jornadas de trabalho extensas, cumpridas em situações degradantes. Por isso, esse homem vai realmente acreditar que a sua função de pai está em garantir a materialidade àquela criança, excluindo-o do cuidado e de outras atividades”.

Sobrecarga em mulheres

Sociedade naturaliza cuidados principais para as mães e função de provedor para os pais, o que amplifica as desigualdades de gênero
Pexels/nappy

Sociedade naturaliza cuidados principais para as mães e função de provedor para os pais, o que amplifica as desigualdades de gênero

Por outro lado, a estrutura patriarcal reforça para as mulheres, ao longo de toda a vida, que elas serão as principais responsáveis pelos cuidados básicos e pelo engajamento emocional dos filhos. Para o homem, é empurrada a responsabilidade financeira.

Adriana Drulla, mestre em psicologia positiva e especialista em parentalidade consciente, aponta que esse arranjo social causa desgaste físico e emocional intenso. Drulla alerta que essa sobrecarga resulta em altos índices de Síndrome de Burnout Materno. “Essa mulher assume muitos papéis e muitas obrigações e isso, obviamente, acaba prejudicando a saúde mental e a capacidade dela de cuidar de si mesma ou mesmo de outro ser humano, como o próprio filho”, salienta a especialista.

Por serem impostas desde a infância para o papel dos cuidados, essas mulheres sentem que não são permitidas a errar ou pedir ajuda, por exemplo. Isso resulta na sensação de “não dar conta”. Segundo o Instituto On The Go, só no Brasil, 51% das mães afirmam sentir culpa na maternidade por não conseguirem atingir a perfeição esperada delas.

“Se pensa que a mulher é naturalmente mãe ou que é uma tarefa intuitiva. Essa crença é uma das razões pelas quais as mulheres sofrem tanto, por exemplo, de depressão pós-parto. Elas se sentem inadequadas por acreditarem que precisam nascer sabendo, o que é uma grande ilusão”, afirma.

Uma nova paternidade

A pesquisa “Retrato da Paternidade no Brasil”, divulgada no último mês pela Grimpa e feita sob encomenda do Grupo Boticário, mede o impacto que os pais têm na educação infantil. Os dados priorizam pais de 25 a 55 anos com filhos de 5 a 15 anos, de classes sociais ABC.

O levantamento aponta que 90% deste grupo sentem a necessidade de ter cuidados diários quanto à educação e que devem ser compartilhados igualmente entre os responsáveis. Além disso, 56% deles querem ser um exemplo positivo para os filhos. Esse desejo impactou, por exemplo, no desejo de perpetuar a equidade de gênero e o respeito às diversidade.

Como exemplo, houve uma redução de 50% no uso da frase “seja homem” e de 36% quando se trata dos dizeres “menino não chora” – o que pode encorajar a liberdade dos filhos de expressarem os próprios sentimentos. Por fim, 69% relatam que explicam aos filhos que as diferenças sociais entre homens e mulheres existem e que é necessário minimizá-las.

“Nessa medida, há uma preocupação e um cuidado com as próprias atitudes, pois os pais se auto percebem como inspiração e influência no comportamento dos filhos, bem como na formação dos seus valores”, afirma Marisa Camargo, diretora de pesquisa da Grimpa. “O ganho disso é incomensurável. Há menos exigência de comportamentos dentro de padrões e a valorização de cada ser humano como indivíduo, com a possibilidade de expressar integralmente suas potencialidades independentemente de gênero, raça, sexualidade etc.”, acrescenta.

Camargo salienta que criar espaços de discursos e de atitudes que buscam impedir a perpetuação de conceitos antigos, bem como a abertura de espaço para que os filhos questionem e falem o que pensam, são atitudes que podem fazer a diferença e impactar na diminuição da desigualdade de gênero, por exemplo.

“As mudanças implicam em um esforço conjunto, em que os pais podem assumir um papel de agente transformadores. Ter uma postura criteriosa e questionadora sobre as próprias ações é fundamental para minimizar as diferenças que ainda perduram. Essa transformação está em expansão, mas há muito a ser conquistado”, salienta.

Do ponto de vista das relações cotidianas, Camargo aponta que os pais devem sair da posição de coadjuvante para serem protagonistas. “Compartilhar experiências, pensamentos, emoções e sua subjetividade são mudanças de atitude, uma transformação de postura, em que todos saem ganhando.”.

No entanto, Couto afirma que também é preciso que haja mudanças não apenas subjetivas, mas estruturais, como as mudanças de políticas de instituições públicas e privadas e da forma como se enxerga a paternidade – principalmente, deixando de acreditar que prover financeiramente é o sinal prioritário da participação.

“A estrutura patriarcal ainda precisa ser muito debatida para que esses homens possam se sentir menos culpados a prover materialmente e mais implicados no cuidado direto – algo que eles precisam aprender com as mulheres”, finaliza a antropóloga.

Fonte: IG Mulher

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Ane Macedo: pais são essenciais no desenvolvimento dos filhos

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Pais são essenciais para o crescimento e desenvolvimento de seus filhos
Pixabay

Pais são essenciais para o crescimento e desenvolvimento de seus filhos

O Dia dos Pais é um dos momentos de mais movimentação nas lojas. Contudo, o principal do dia é a comemoração da relação entre pais e seus filhos. Essa relação tem muita importância na vida de qualquer um, segundo a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cerca de 56,9 mil crianças nasceram neste ano sem que tivessem o nome de um pai registrado em suas certidões de nascimento, o número é um recorde histórico.

O número assusta, não apenas pelo número de mães que vão criar seus filhos sozinhas, mas também pelo efeito que a ausência de uma figura paterna terá nessas crianças, uma vez que a presença de um pai é importante para o emocional e psicológico do ser humano.

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A relação com a mãe, para muitos especialistas, é considerada essencial para o desenvolvimento de uma criança. No entanto, as relações paternas também são um elemento importante na criação de uma criança. A relação com o pai tem diversos benefícios sociais. A presença paterna atuante influencia a vida do filho. Estudiosos do assunto reforçam a necessidade do envolvimento do pai, pois construir e alimentar um bom relacionamento entre pai e filho faz muito bem para a criança e também para o adulto.

Os deveres de ser pai

O dever de um pai é estar presente na vida do filho, criar uma relação de confiança e disponibilidade, estando lá para ajudar, sempre que possível. A criança pode ser impactada tanto positivamente quanto negativamente de acordo com a relação que tem com os pais. Quanto mais próxima e baseada na confiança e respeito for essa relação é melhor. Dessa forma a criança aprende mais rápido a ter autoconfiança, respeito por si e pelos outros, e entende melhor seu papel na sociedade.

Para a criança, o pai deve ser visto como um lugar seguro para desabafar, conversar ou pedir ajuda sem ser julgado. Conversar, fazer elogios, refletir sobre os erros, partilhar interesses comuns, transmitir conhecimentos, são algumas atitudes que devem estar presente na relação pai e filho. É importante entendermos que, depois do nascimento, a criança precisa dos pais para ter apoio emocional e psicológico, o que perdurará por toda a sua vida.

Benefícios da paternidade 

Alguns pais têm dificuldade em se relacionar com seus filhos, muitas vezes sentem que os filhos estão distantes e acabam perdendo parte do crescimento do filho, porém é importante buscar estar presente. É importante o pai amar seu filho e deixá-lo saber disso em qualquer situação. Aceitar as particularidades de cada um e conversar bastante. Desenvolver uma rotina e compartilhar hobby também é uma excelente opção para criar uma conexão ainda mais forte.

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Logo, a relação com o pai tem muita importância no crescimento de uma criança, ensinando e dando exemplo para o filho, além de criar memórias que duram para o resto da vida. Um bom relacionamento entre pais e filhos, portanto, é fundamental para a criança crescer com segurança, confiança e autonomia. Dessa maneira, ela aprende a ter respeito ao próximo e a identificar o que realmente importa. Além disso, a relação familiar vai influenciar diretamente os valores das próximas gerações.

Fonte: IG Mulher

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