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Opinião

EDUARDO PÓVOAS – Você conhece o cara?

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Que pergunta besta não?

Claro que você conhece o cara que faz gol pro seu time, o cara que canta aquilo que você quer ouvir, o cara que dirige o seu carro, enfim, em cada atividade você deve ter o seu cara.

Mas, e o Chefe dos CARAS? Você o conhece?

Creio que milhares de vocês o conhecem, e quem ainda não teve a oportunidade de conhece-Lo que tenha o mais rápido possível, e por outros caminhos que não os meus. Pelo caminho da alegria, da saúde, da paz, e do conforto espiritual, diametralmente opostos aos que me levaram à intimidade com Ele.

Conheci o Cara que a mim foi apresentado pela minha mãe nos meus primeiros anos de vida.

Nunca percebi, talvez pela minha juventude, que caminhávamos em estradas paralelas, um ao lado do outro, mas sempre sentido que algo não me deixava só nos meus momentos de fraqueza física e principalmente espiritual.

Em 1978, após o nascimento da minha filha, necessitei de sua bondade e caridade de maneira ímpar.

Recebi dele que jamais saiu do meu lado, a graça e a misericórdia que suplicava.

A partir dessa data, tornei-me seu amigo mais íntimo, conversávamos em vários momentos do dia, necessitando ou não de sua compaixão.

Daí pra cá, recebi e a toda hora recebo graças que me deixam perplexo pois chego a duvidar que eu as mereço.

Procuro fazer por merecer, mas em nenhum momento me considero apto a achar que sim.

Nossa vida que nada mais é que um fio frágil, Ele já me devolveu algumas vezes. Tenho como provar que essas devoluções só Ele saberia dar, pois as situações que me levariam a outro plano foram cristalinas.

Agora eu e minha família recebemos outra enorme graça que só Dele poderia vir. Falo de você Pai Eterno Jesus Cristo, que se me der mais quinhentos anos de vida serão poucos, para que humildemente dobre meus joelhos diante de Vós em agradecimento por tudo que nos deu e ainda dará.

Não tenho finalidade de fazer você que não acredita Nele, ao ler isto passar a acreditar, a finalidade destas linhas é continuar, com sua permissão, caminhando ao seu lado, Pai!

EDUARDO PÓVOAS é pós-graduado pela UFRJ.

 

 

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GAUDÊNCIO TORQUATO – O país da piada

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No chiste atualizado, o venezuelano chega perto de Deus e indaga: por que o Senhor tem sido tão injusto com a Humanidade? Nosso subsolo contém uma das maiores reservas do mundo em petróleo. Temos um herói que dá brilho à nossa história, Simon Bolívar, hoje mera estampa atrás da cadeira de Nicolas Maduro. Padecemos de fome, miséria. Mais 3 milhões de pessoas já fugiram e  inflação de 2,5 milhões por cento corrói nossa economia. E agora esse bichinho mortífero de nome estranho, Covid-19.

Deus disse: tenho procurado ser justo. Vejam o Japão. Uma tripinha de terra com tufões, mas um gigante tecnológico.  Olhe os Estados Unidos, a maior potência mundial, porém atormentada por ciclones que devastam regiões. E mais: olhe para esse Covid-19 que mata milhares no país e contamina milhões. Aliás, esse coronavírus é a resposta para os malefícios que as Nações provocam contra a natureza, o ódio e a ambição que impregnam governantes e políticos.

Passeie pelos encantos e da Índia e contemple as belas paisagens africanas, mas fuja da miséria daquelas paragens. Já viu algo mais lindo que os fiordes da Noruega? Veja o gelo que joguei lá. Botei muito petróleo no subsolo da Arábia Saudita e do Kuwait. Sabe por quê? Para compensar a tristeza de viver sob costumes desumanos.

O venezuelano se deu por vencido quando Deus arrematou: veja o Brasil, com seu imenso território, sol o ano inteiro, costa monumental banhada pelo Atlântico, terras férteis, sem terremotos, ciclones e guerras. A pergunta veio na bucha: e por que tanta condescendência? Deus foi taxativo: conhece o povinho que coloquei lá? Eles não estão livres desse vírus. Veja o governante que foi eleito. E assim terminou a conversa. 

Pois é, esse governante acaba de acrescentar mais uma expressão ao seu besteirol: “quem é de direita usa cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína”, aquele xarope-refrigerante de tempos idos. A demonstrar que o Brasil é uma piada.

O fato é que o castigo dos céus parece ter chegado ao nosso meio, depois de termos cantado por séculos as belezas da “terra em que se plantando tudo dá”, conforme escreveu Pero Vaz de Caminha ao El-Rei de Portugal em 1500. 

O Brasil padece hoje da improvisação que baliza as responsabilidades dos homens públicos.

A incúria, o desleixo, a falta de planejamento por parte dos gestores públicos estão na base da gravidade da pandemia que assola o país. Crise dentro de crise: crise sanitária, crise econômica, crises políticas em escalada crescente. Muita improvisação.

Vemos um governante “receitando” a cloroquina para combater o Covid-19. Ministros da Saúde, médicos, que saem do governo por discordar do protocolo que prega o uso da droga não recomendada por organismos científicos. Um novo ministro da Saúde, um general, capaz e respeitado no mister da logística, mas sem conhecimento técnico para aprovar uso de remédios. General que, de uma tacada só, nomeia dez militares para “militarem” na Pasta.

E mais: uma Secretária da Cultura, atriz famosa, que deixa seu cargo depois de fritura por parte do chefe, assumindo novo cargo longe de Brasília. Um ministro da Educação, gerador de termos e frases que desmontam a língua portuguesa. Um grupo de generais do Exército, instituição séria e respeitada, que dá sinais de concordar com os impropérios do capitão que nos governa, abandonando trincheiras do bom senso. Um ministro que comanda a área da economia, mas dá sinais de desespero ante a projeção de queda de mais de 5% do PIB para este ano. Um chanceler que “chancela” a mais estapafúrdia visão do mundo, parecendo um cultor de nova “guerra fria” entre as potências. A lista de disparates é longa. Paro por aqui.   

A ganância, a ambição, o ataque feroz à natureza, a ausência do Estado no cumprimento de suas tarefas constitucionais, como se observa nesse momento de grande angústia, são responsáveis pela  e ocupação maior dos cemitérios.

Continuaremos a ser um território tomado pela improvisação caso as normas de boa conduta sejam jogadas na cesta do lixo. Temos boas leis, um conjunto de disposições para proteger a sociedade e o meio ambiente. São desprezadas. Quando as catástrofes ocorrem, uns jogam a culpa em outros. Agora, a guerra que se trava entre potências, é para saber onde nasceu o vírus. Ora, o foco  deve ser o combate a ele. Pressões políticas não podem balizar decisões técnicas.

O momento é de fazer brotar a semente do civismo. A grandeza de uma Nação não é apenas a soma de suas riquezas materiais, o produto nacional bruto. Abriga um conjunto de valores, o sentimento de pátria, a fé e a crença, o sentido de família, o culto às tradições e aos costumes, o respeito aos velhos, o amor às crianças, o respeito às leis, a visão de liberdade, a seiva que faz correr nas veias dos cidadãos o orgulho pela terra onde nasceram.

Só assim deixaremos de ser o país da piada pronta.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação [email protected]

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Opinião

JOSÉ DE PAIVA NETTO – Desconstruir o homem-ser-restrito

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A brevidade do tempo  é o fantasma que atormenta o homem-ser-restrito, até que, um dia, ele perceba que, na verdade, é Espírito Eterno, pairando acima de todos os grilhões da carne perecível limitante. A Alma Imortal, criada à imagem e semelhança de Deus-Espírito, traz em si infinita fonte de Esperança.

Dessa maneira, veremos que o tempo é, na realidade, o nosso fiel amigo, que nunca deve ser negligenciado, o que, muitas vezes, fazemos inconsequentemente. Cabe mencionarmos este instigante pensamento atribuído a Abraão Lincoln (1809-1865), 16o presidente dos Estados Unidos, que se encontrava exposto no gabinete do Irmão Zarur (1914-1979), no Rio de Janeiro/RJ: “O homem que se decide a parar até que as coisas melhorem verificará, mais tarde, que aquele que não parou e colaborou com o tempo estará tão adiante, que jamais poderá ser alcançado”.

Tenho afirmado em minhas palestras fraternas que, se é difícil, comecemos já, ou melhor, ontem!, porquanto muito resta a ser feito.

Leiamos o testemunho, em forma de poesia, da lavra do médico e poeta Laurindo Rabelo (1826-1864), fundamental para o nosso aprendizado. O “Poeta Lagartixa” — assim conhecido porque era magro e de estatura alta — possuía um espírito francamente crítico. Vendo quanto tempo tinha perdido em coisas fúteis que antes considerava sérias, ele aconselha aqueles que desperdiçam oportunidades a não mais cometer essa falta grave, para mais tarde não chorar amargamente. Eis o extraordinário soneto:

A Conta do Tempo

Deus pede estrita conta do meu tempo;

Forçoso é do meu tempo já dar conta.

Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,

Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo,

Dado me foi bom tempo e não fiz conta;

Não quis, sobrando tempo, fazer conta;

Quero hoje fazer conta e falta o tempo.

Oh! vós que tendes tempo sem ter conta,

Não gasteis esse tempo em passatempo!

Cuidai de, enquanto é tempo, fazer conta!

Mas, ah! se os que contam com seu tempo,

Tivessem desse tempo alguma conta,

Não choravam, como eu, o não ter tempo!

Costumo dizer que o tempo vai passar de qualquer maneira. Não o percamos. Gastemo-lo praticando o Bem. E, ao compreender nossa origem divina, jamais olvidaremos esta salvadora lição evangélica deixada pelo Sublime Professor: “Ajuntai para vós tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não escavam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 6:20 e 21).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. 

[email protected] ― www.boavontade.com  

 

 

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