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Economist diz que Brasil precisa tirar Bolsonaro em 2022 para sair de crises

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Com Cristo no oxigênio, Economist diz que Brasil precisa tirar Bolsonaro em 2022 para sair de crises
Reprodução: BBC News Brasil

Com Cristo no oxigênio, Economist diz que Brasil precisa tirar Bolsonaro em 2022 para sair de crises

Um relatório especial da revista britânica The Economist, publicado nesta quinta-feira (03/06), afirma que o Brasil vive hoje “sua maior crise desde o retorno à democracia em 1985” e atribui a maior parte dos problemas ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

A capa do relatório — que contém sete reportagens em 11 páginas — traz uma imagem do Cristo Redentor usando uma máscara de oxigênio e a manchete “On the brink” (“Na beira”).

“Seus desafios [do Brasil] são assustadores: estagnação econômica, polarização política, ruína ambiental, regressão social e um pesadelo ambicioso. E teve de suportar um presidente que está minando o próprio governo. Seus comparsas substituíram funcionários de carreira. Seus decretos têm forçado freios e contrapesos em todos os lugares”, diz o texto de abertura do relatório assinado pela correspondente do Economist no Brasil, Sarah Maslin.

No artigo que conclui o relatório — intitulado “Hora de ir embora” — a revista diz que o futuro do Brasil depende das eleições de 2022, e que a prioridade mais urgente do país é se livrar de Bolsonaro.

“Os políticos precisam enfrentar as reformas econômicas atrasadas. Os tribunais devem reprimir a corrupção. E empresários, ONGs e brasileiros comuns devem protestar em favor da Amazônia e da constituição”, diz a revista.

“Será difícil mudar o curso do Brasil enquanto Bolsonaro for presidente. A prioridade mais urgente é votar para retirá-lo do poder.”

A revista não sugere qual candidato seria o mais indicado para governar o Brasil.

“As pesquisas sugerem que Lula ganharia em um segundo turno [contra Bolsonaro]. Mas, à medida que a vacinação e a economia se recuperam, o presidente pode recuperar terreno. Lula deve mostrar como a forma de [Bolsonaro de] lidar com a pandemia custou vidas e meios de subsistência, e como ele governou para sua família, não pelo Brasil. O ex-presidente deve oferecer soluções, não saudades.”

A revista, fundada em 1843 e lida por muitos empresários e políticos em todo o mundo, costuma fazer relatórios detalhados do Brasil. A imagem do Cristo Redentor costuma ser usada nas capas da revista como analogia para a sua opinião sobre o país.

Em 2009, uma capa mostrava o Cristo Redentor decolando, como se fosse um foguete, com a manchete “O Brasil decola” — elogiando políticas econômicas da época. Mas em 2013, em uma imagem semelhante, o mesmo Cristo Redentor aparecia na capa como um foguete desgovernado e a manchete “O Brasil estragou tudo?”. Naquela edição, a revista criticava uma mudança de rumo nas políticas econômicas.

Cristo Redentor foi usado pelo 'Economist' para ilustrar a opinião da revista sobre o Brasil em 2009 e 2013; em 2019, uma capa falava sobre o desmatamento na Amazônia

BBC
Cristo Redentor foi usado pelo ‘Economist’ para ilustrar a opinião da revista sobre o Brasil em 2009 e 2013; em 2019, uma capa falava sobre o desmatamento na Amazônia

‘Década de desastres’

A publicação afirma que o Brasil já enfrentava uma “década de desastres” antes mesmo da chega do presidente ao poder, mas que agora o país está retrocedendo — com Bolsonaro e com a pandemia de covid-19.

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“Antes da pandemia, o Brasil sofria de uma década de problemas políticos e econômicos. Com Bolsonaro como médico, o Brasil agora está em coma.”

A Economist argumenta que Bolsonaro não deu um golpe de Estado — como alguns temiam que pudesse acontecer —, mas possui instintos autoritários que enfraqueceram as instituições democráticas brasileiras, com suas constantes agressões.

“Muitos especialistas disseram que as instituições brasileiras resistiriam a seus instintos autoritários. Até agora, eles provaram estar certos. Embora Bolsonaro diga que seria fácil realizar um golpe, ele não o fez. Mas, em um sentido mais amplo, os especialistas estavam errados. Seus primeiros 29 meses no cargo mostraram que as instituições do Brasil não são tão fortes quanto se pensava e se enfraqueceram sob suas agressões.”

A revista diz que Bolsonaro encerrou a investigação da Lava Jato após acusações feitas contra seus filhos — beneficiando “políticos corruptos e grupos criminosos organizados” —, não promoveu mais reformas significativas desde a reforma da Previdência de 2019 e causou danos à Floresta Amazônica, por se solidarizar com madeireiros, mineiros e fazendeiros que promovem o desmatamento.

“Ele levou uma motosserra para o Ministério do Meio Ambiente, cortando seu orçamento e forçando a saída de pessoal competente. A redução do desmatamento requer um policiamento mais firme e investimento em alternativas econômicas. Nenhum dos dois parece provável.”

Em outra reportagem, a revista afirma que depois de uma “geração de progresso”, a mobilidade social está desacelerando no país. Segundo a revista, anos de políticas voltadas para o controle da inflação e diminuição da pobreza foram seguidos por uma “década de políticas ruins e sorte pior ainda”.

A revista critica as gestões do PT por investirem pouco em infraestrutura, abandonarem reformas pró-negócios e por adotarem políticas semelhante à substituição de importação. Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, também são criticados.

” Guedes se gabava de que seriam feitas reformas para simplificar o código tributário, reduzir o setor público e privatizar empresas estatais ineficientes. No entanto, o espírito reformista se mostrou fugaz. Bolsonaro não é muito liberal. Seu desgosto por reformas duras tornou fácil para o Congresso ignorar a agenda de Guedes.”

O relatório traz também análises sobre corrupção e crime, Amazônia, reformas políticas e eleitores evangélicos.

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Renan Calheiros pede quebra de sigilo bancário da Jovem Pan

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Renan Calheiros (MDB-AL)
Divulgação/Agência Senado/Jefferson Rudy

Renan Calheiros (MDB-AL)

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), apresentou requerimento da quebra do sigilo bancário da rádio Jovem Pan. Para o senador, a emissora é “grande disseminadora das chamadas fake news” na pandemia. O pedido de quebras de sigilo é retroativo ao início do ano de 2018.

O objetivo da quebra, segundo o parlamentar, é descobrir se a rádio recebeu aportes financeiros após a pandemia: “Deve ser apresentada análise comparativa entre os períodos, anterior e posterior à situação de pandemia, até a presente data”, diz trecho do requerimento.

“Ademais, a quebra, a transferência e todas as análises, em especial a comparativa, deverão ser elaboradas com dados e informações, outrossim ligações com outras pessoas naturais e jurídicas, disponíveis nas diversas bases de dados da Receita Federal do Brasil”.

A CPI pretende investigar mais a fundo a disseminação de notícias falsas sobre a Covid.

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Bolsonaro não admite corrupção na Saúde, mas fala em “responsabilizar culpados”

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Presidente Jair Bolsonaro
Agência Brasil

Presidente Jair Bolsonaro

Em meio à investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o presidente Jair Bolsonaro admitiu a possibilidade de “problemas” no Ministério da Saúde, mas voltou a falar que não há nenhuma denúncia de corrupção no governo.

Neste sábado, 31, Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que é formalmente investigado pela CPI, visitaram o Hospital Regional do Câncer de Presidente Prudente (SP), para oficializar o credenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) na unidade.

“Pode ser que apareça algum problema no ministério dele (Queiroga), afinal de contas o orçamento diário dele são R$ 550 milhões. Não é fácil você coordenar, fiscalizar e executar esse recurso. Mas, repito, se aparecer algum problema, eu e Queiroga seremos os primeiros a colaborar com as investigações e chegar na responsabilização dos possíveis culpados”, afirmou o presidente.

A CPI da Covid investiga um suposto esquema de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin, cujo contrato foi cancelado pelo Ministério da Saúde após o avanço das investigações no Senado. Os senadores suspeitam de favorecimento à empresa Precisa Medicamentos, que intermediou a negociação, e acusam Bolsonaro de ter cometido o crime de prevaricação por não ter determinado a investigação das denúncias. O governo nega as acusações e tenta conter o desgaste na CPI.

No mês passado, o ministério demitiu o diretor do Departamento de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, após ele ser acusado de pedir propina para negociar vacinas. Agora, o grupo majoritário da CPI decidiu que vai solicitar o afastamento da médica Mayra Pinheiro, acusada de interferir nas apurações, da Secretaria de Gestão em Trabalho.

No evento, Queiroga declarou que Bolsonaro “interfere” no Ministério da Saúde, mas, para cobrar a execução das políticas públicas. A falta de autonomia dos ministros da pasta na pandemia de covid-19 é uma das linhas de investigação da CPI, que retoma os trabalhos na terça-feira, 3, após o recesso parlamentar.

“As pessoas me perguntam: o presidente Bolsonaro interfere no Ministério da Saúde? A resposta é sim. O presidente interfere no Ministério da Saúde e em todos os ministérios porque ele cobra que os ministros trabalhem para que todos recursos públicos sejam revertidos em políticas públicas para a sociedade brasileira”, disse Queiroga.

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