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Política Nacional

E agora, PT? Partido patina entre o ‘Lula Livre’ e perda de força na oposição

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Ricardo Stuckert

Com Lula preso, PT se dividiu na luta pela liberdade do ex-presidente e viu a concorrência pela oposição crescer


Há exatamente um ano, o Brasil assistia à prisão do principal líder do Partido dos Trabalhadores. Condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e criou uma grande comoção entre os petistas. Em pleno ano eleitoral, o PT se viu obrigado a disputar sua primeira eleição misturado na luta pela inocência de Lula e a ameaça do crescimento do viés liberal no País. Não ganhou nenhuma das disputas.

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Os números das eleições mostram que o PT
continua forte. Seu candidato a presidente, Fernando Haddad, foi escolhido por mais de 47 milhões de brasileiros, pouco menos de 45% dos votos válidos. O partido ainda elegeu quatro governadores (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte) e, até o início da nova legislatura, tinha a maior bancada da Câmara, com 54 deputados.

As maiores derrotas, porém, começaram junto com o governo Bolsonaro. Em fevereiro, seu aliado histórico, PCdoB, se aliou ao PDT para apoiar a reeleição de Rodrigo Maia à presidência da Câmara. Assim, o bloco formado por PT, PSB, PSOL e Rede ficou acuado, sendo apenas o terceiro maior da Casa, com 97 parlamentares.

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Sem força, o Partido dos Trabalhadores ainda não conseguiu ficar com as principais lideranças de oposição na Câmara. Alessandro Molon (PSB-RJ), foi escolhido como líder da Oposição e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) é a líder da Minoria.

Para o cientista político Humberto Cardoso, o PT ainda não conseguiu entrar de cabeça na oposição ao governo porque coloca o mote de que Lula é um preso político em primeiro lugar e, sem o ex-presidente, ainda não apresentou um líder com força junto aos políticos e à sociedade.

“O Lula é uma liderança histórica não só do PT, mas da política brasileira. Ele centralizou o partido ao entorno dele e, de certa forma, espantou a chance para que uma nova liderança fosse criada no partido. A luta do ‘Lula Livre’ reflete isso. Com exceção da Gleisi (Hoffmann, presidente do partido), o PT não tem nenhum deputado que boa parte da população brasileira reconheça de imediato, então a estratégia virou manter a força de Lula viva e tentar sobreviver ao redor da causa”, opina Cardoso.

Aposta do PT em Haddad


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Ricardo Stuckert – 6.10.2018

Fernando Haddad assumiu a candidatura que era de Lula à presidência e recebeu mais de 47 milhões de votos


Ainda que o discurso dos filiados ao Partido dos Trabalhadores é de que não há busca para um substituto de Lula, já que há esperança de que o ex-presidente deixe a prisão, Fernando Haddad desponta como a escolha do PT para o futuro. O ex-prefeito de São Paulo, consolidado com os mais de 47 milhões de votos e vitória em todos os estados do Nordeste, tenta se colocar como o principal líder de oposição a Bolsonaro.

A estratégia é parecida com a criada por Lula antes da prisão. Haddad organizou caravanas pelo Brasil, com foco nas cidades nordestinas. Mais do que se manter conhecido pelos brasileiros, o petista tenta frear os planos de Ciro Gomes, que também se coloca como um opositor do atual governoe a solução de resposta aos eleitores de esquerda.

Leia também: Gleisi associa condenação de Lula a possibilidade de petista ganhar Nobel da Paz 

“O Haddad foi ministro do Lula, mas não é o Lula. O PT, desde sua fundação, foi dividido em duas alas: a dos sindicalistas, como Lula e a dos acadêmicos, na qual o Haddad se insere melhor. Não é um problema, mas dificulta o partido a tentar criar um espelho de um no outro”, acredita Humberto Cardoso.

Ida de Gleisi a posse de Maduro dividiu o PT


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Ricardo Stuckert

Gleisi Hoffmann foi a única liderança do PT a comparecer à posse de Maduro


Com Lula comandando parte das ações do PT de dentro da Superintendência da PF – seus advogados levam todas as gravações das reuniões e encontros com filiados – o PT mantém sua força e ainda é um dos partidos mais fortes do País. Amado ou odiado, é sempre citado em discursos de parlamentares a favor ou contrários ao governo Bolsonaro. O movimento ‘Lula Livre’, apoiado pela maioria dos representantes petistas do Congresso, segue a todo vapor mesmo após um ano da ida do ex-presidente para a prisão.

No começo de 2019, porém, a ida da presidente do partido, Gleisi Hoffmann, à posse de Nicolás Maduro na Venezuela dividiu os petistas. Deputados e senadores se negaram a comentar o caso. No núcleo do partido houvesse quem defendesse a manutenção do alinhamento político com o presidente venezuelano em contraposição ao discurso de Bolsonaro, porém houve os que entenderam que uma simples carta bastaria e viram exagero na viagem à Caracas.

Ao menos nesta semana em que a prisão de Lula completa um ano, Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann estiveram juntos na ‘Caravana Lula Livre’ no Sul do País. Além de promoverem atos de defesa da inocência do ex-presidente, o PT
tenta continuar a campanha iniciada ainda nas eleições de 2018 na busca de colar a imagem do ex-prefeito de São Paulo na popularidade do seu maior líder.

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Política Nacional

Datafolha: 72% discordam da frase de Bolsonaro sobre armar população

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Bolsonaro
Marcos Corrêa/PR

Segundo levantamento, população discorda de posicionamento do presidente sobre armas

Na noite deste sábado (30), uma nova  pesquisa do Datafolha mostrou que mais de 70% da população discorda da ideia do presidente de dar armas para a população, frase proferida por ele durante a reunião ministerial que se tornou pública após autorização do ministro Celso de Mello.

Leia também: Bolsonaro ataca imprensa e fala em “negociar bilhões” para acabar com fake news

Segundo o levantamento, que ouviu, por telefone, 2.069 pessoas nos dias 25 e 26 de maio e tem margem de erro de dois pontos percentuais, 72% discordam da frase de que “povo armado não é escravizado”, enquanto outros 24% concordam, 2% não concordam e nem discordam e 2% não souberam responder.

Entre os grupos ouvidos, as maiores desaproações são de pessoas que consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo (92%), quem votou em Fernando Haddad no segundo turno das eleições de 2018 (91%), mulheres (80%, contra 62% dos homens) e de quem recebe até um salário mínimo (77%).

Por outro lado, o único grupo que registra aprovação maior do que desaprovação ao discurso armamentista do presidente é o de apoiadores do governo que avaliam a gestão como ótima ou boa (54% aprovam, contra 40%).

Leia também: Com máscaras e tochas, grupo “300 do Brasil” protesta em frente ao STF; assista

A pesquisa Datafolha mostra que, mesmo em grupos que estão sintonizados com Bolsonaro – como empresários, a faixa da população que recebe mais de dez salários mínimos e até mesmo os eleitores do presidente no segundo turno na última eleição -, a aceitação não é das maiores: 50% dos empresários discordam, 60% de quem tem maior renda e 52% dos eleitores de 2018.

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Política Nacional

Bolsonaro ataca imprensa e fala em “negociar bilhões” para acabar com fake news

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Bolsonaro
Agência Brasil

Em postagem neste domingo, presidente voltou a criticar atuação de veículos de imprensa

Neste domingo (31), o presidente Jair Bolsonaro utilizou as redes sociais para, mais uma vez, criticar o trabalho da imprensa. Segundo ele, a “mídia podre” segue produzindo fake news sobre o governo e não apresenta provas sobre as acusações. Além disso, ainda questionou se negociar bilhões em propaganda poderiam ser a solução para o problema: “será que tudo isso se acaba?”.

Leia também: Bolsonaro critica notícias: ‘Tudo aponta para uma crise’

“O maior dos fake news é o “gabinete do ódio” inventado pela imprensa. Até o momento a Folha, Globo, Estadão… não apontaram uma só Fake News produzida pelo tal “gabinete”. Por outro lado, essa mesma mídia podre produz, diariamente, dezenas de Fake News contra o Presidente”, afirmou Bolsonaro .

Na sequência, ele listou alguns dos casos vistos por ele como fake news : a interferência na Polícia Federal, no qual o acusam de tentar trocar o comando da corporação no Rio de Janeiro para proteger familiares, a “fita bomba” da reunião ministerial , evento que o ex-ministro Sergio moro apontava como relevante para a situação da PF , e o “caso porteiro”, relacionado à investigação da morte da ex-deputada Marielle Franco.

“O caso da “interferência na PF” é um dos mais claros. A dita dita fita bomba foi mais um fiasco. O “caso porteiro” também… Agora investem no julgamento do TSE sobre “disparos em massa” de mensagens por ocasião da campanha. Falam em disparos mas não apontam uma só mensagens disparada contra quem quer que seja. Será que, se eu chamar essa imprensa e negociar com ela alguns BILHÕES DE REAIS em propaganda , tudo isso se acaba?”, finalizou o presidente .

Ato pró-Bolsonaro

O domingo será marcado também por mais um ato pró-governo nas ruas de Brasília, algo que se tornou comum nos últimos finais de semana e que tem reunido diversos apoiadores do presidente mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus .

Leia também: É preciso mudar as regras da república, diz Weintraub

A expectativa é que a movimentação no local comece ainda na parte da manhã e conte com a participação de Bolsonaro mais uma vez.

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