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DIRCEU CARDOSO – Privatize-se a Saúde e a Educação

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Saúde e Educação são “direitos do cidadão e obrigações do Estado”, assim definidos na Constituição. O artigo 6°, que trata dos direitos sociais, inclui também alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados. Está tudo muito bem estabelecido, mas a simples inclusão no texto legal não garante o cumprimento do direito ou obrigação. São necessários recursos e métodos e estes devem estar de acordo com as carências da sociedade. Atualmente, a Saúde tem dificuldades para atender às massas e a Educação não educa o alunado na forma prevista pelo constituinte. Os demais setores, em proporções maiores ou menores, também registram queixas.

Vivemos a véspera do envio do pacote da reforma administrativa ao Congresso. Sabemos que o governo não vai alterar a estrutura de cargos mas o pretende fazê-lo para as futuras contratações. Isso evitará impactos imediatos e irá aliviando o Estado gradativamente. Seria importante considerar que o poder público, em regra, não é um bom administrador porque lhe falta a agilidade da iniciativa privada e, por isso, os serviços que executa, acabam tendo preço maior. É por isso que também se desenvolve o plano de desestatização, onde os investimentos que o governo tem hoje em 670 empresas públicas e privadas deverão retornar ao cofre público mediante a venda de empresas (estatais) e das ações daquelas onde é sócio. Está na hora de pensar, também, na terceirização dos serviços que são “obrigações do Estado”, notadamente Saúde e Educação.

Em vez de continuar mantendo hospitais, ambulatórios e escolas públicas, transferi-los  ao particular e fiscalizar para garantir bom atendimento. Fazer o acesso da população através de “vouchers” para hospitais e ambulatórios e de bolsas de estudos para a Educação. A iniciativa privada já demonstrou capacidade para atuar nas áreas da Saúde e da Educação. Na Saúde existem competentes grupos empresariais além das tradicionais Santas Casas. Na Educação atuam estabelecimentos modelares que oferecem bom ensino e operam em segmentos que não recorrem à escola pública, mas poderiam, com o tempo e recursos, ampliar esse serviço para toda a clientela.

Terceirizando os serviços, os governos poderão garantir sua prestação à população e, ao mesmo tempo, se livrarão do grevismo, absenteísmo, exploração político-ideológica e de uma  série de vícios e distorções que só sobrevivem no serviço público. O sistema que temos hoje é resultante do paternalismo e do modelo inadequado mantido por sucessivos governos federais, estaduais e municipais. Isso, evidentemente, deve demandar uma transição onde os sindicatos e associações classistas poderão atuar como importantes fiscais tanto para defender os profissionais seus associados, hoje servidores públicos, quando para recepcionar os que virão no novo modelo, além de fiscalizar até a eficiência dos serviços terceirizados. O ideal é reformar diminuindo o tamanho do Estado e incentivando a geração de emprego e renda privados. O governo, no devido nível, tem de ficar só com as funções exclusivas de Estado, como segurança pública, justiça e governança. Mesmo assim, não deve ignorar possibilidade de terceirizá-las ainda que parcialmente, nos seus serviços de apoio que não envolvem o “imperium” estatal.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]                                                                                                     

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Opinião

JORGE MACIEL – A FMF e marcas que patrocinam a segregação e o monopólio

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JORGE MACIEL

Faz poucos dias e espero a tramitação que consome mais algum tempo, protocolei no Ministério Público (MPE), como jornalista e como [muito] pequeno empresário das comunicações uma petição a fim de me acercar do modus operandi da sra. FMF (federação de futebol local), cujos procedimentos pertinentes ao campeonato mato-grossense são, ao meu ver, completamente sombrios e duvidosos.

Ora, há em curso uma competição em que puseram uma única TV, exclusividade, para explorar [no sentido letal da palavra] o certame, com um contrato nada insuspeito em que jogos, que de maneira arrepiante ou cômica, são transmitidos de dentro para dentro, com fosca comprovação de audiência, afastando o torcedor dos estádios – ou a fazer torcedores, que não vão aos estádios, trocarem de canais  para outras praças de SP, RS ou RJ.

Essa é o eis da primeira questão !

A Federação de futebol local, não se sabe bem ao quê, envida todos e quaisquer esforços para que empresas de porte patrocinem os clubes (e a FMF), sem que a opinião saiba que, no fundo, essas empresas (Sicredi, Eletromóveis Martinello, Fiat / Domani, Unimed sic, sic) estão drenando suas verbas publicitárias[ tolamente ou pela intenção de também segregar -,  para uma única emissora e de forma antiética e nada democrática .

Como se sabe, há rádios, outras TVs, sites e jornais que cobrem a competição, mas todas as campanhas  publicitárias são dadas pela FMF, como uma mãe serve como colher o ‘papá’ à cria, na boca e esôfago famintos da TVCA.

O campeonato mato-grossense não pertence, verdadeiramente, ao público (veja que torcedores pagantes são, na média, menos que 380 pessoas por partida, porque o interior do Estado ajuda muito – posto que na Arena Pantanal esse número despenca, pela média, para o abismal montante de 210 torcedores pagantes/jogo. Desde que essa transmissão foi instituído, a média de público vem caindo como pencas.

Mesmo no tempo de crise bem maior que esta, o público ainda era de 1.200 na média total dos campeonatos daquela época: até o quádruplo, antes desse espetáculo enfadonho e de aborrecimento das 15 horas, aos domingos.

Mesmo com o esconde-esconde de seus atos, pudemos levantar que a TVCA transfere a cada um dos dez clubes de Mato Grosso a bagatela de cerca R$ 30 mil para toda a jornada, ou seis mil reais mensais que deverão, por lei, ser repassados aos planteis [atletas, pelo sistema naming right, ou direito de imagem], dados referentes a 2019. Ao cabo do campeonato, nenhum atleta receberá mais que R$ 10 ou 13 reais, individualmente. É uma forma de escravidão.

O Sicredi, Martinello, Fiat, e afins, se sabem dessa exploração (de índole inegavelmente escravagista) misturam-se à política suja e excludente da FMF, pois que, em sabendo, julgo natural pô-las no esquadro da famosa frase do cientista e escritor Johann Goete: “Diz-me com quem anda, dir-te-ei quem és”. Alguns cartolas assinam embaixo, a custa de “merreca” e  se unem à essa política discriminatória.

Todos sabemos que as federações de futebol de outros estados, alguns bem mais pobres que Mato Grosso, como Sergipe e Piauí, auxiliam (pagam, na verdade) as emissoras de rádio, TVs, sites e jornais que cobrem os campeonatos patrocinados por elas, sem monopólio.

Todos sabemos, também, que a FMF, como todas as demais federações, recebem da CBF o quinhão para custeio de estrutura e logística, incluindo folha e salário do presidente. Mas a FMF sempre se mostra indiferente e incapaz de esclarecer isso. Como faz com o contrato com a única emissora.

Há, contam nas bocas e botecos, variáveis procedimentos na gestão institucional do futebol profissional que são lucrativos e bons para um ‘grupelho’, mas são nocivos ao o futebol,  protagonizados pela dupla FMF, com o auxílio luxuoso de empresas que a patrocinam.

Ademais, há o sentimento estreito de que é a tevê em tela a dona do campeonato, cujos repórteres são tratados com mimos, enquanto os demais são quase que escorraçados (nada contra os profissionais, pessoalmente). Como entidade de perfil indiretamente público, o presidente da FMF deveria por à mesa as cartas, ser mais transparente e mais educado, deixar de pensar que é onisciente e impermeável às ações da lei.

O maioral da minha profissão, Assis Chateaubriand, cunhou uma frase onde se lê que “o jornalista nada sabe, mas quer saber”. A minha iniciativa de conhecer pormenores de um contrato que me parece estrambótico e maléfico ao futebol do meu estado não é de má intenção. É apenas porque assimilo e nutro admiração pela frase cunhada por Martin Luther King, segundo a qual é criminoso maior não aquele que pratica o crime, mas o que vê e se omite.

JORGE MACIEL

Jornalista – Fenaj/MT 404-02

JORGE MACIEL 
Jornalista – Fenaj/MT 404-02
É diretor de Redação do Futebolpress, correspondente em MT do Futebolinterior,  e editor-adjunto (plantonista) do Grupo ODocumento, site odocumento e TV Cuiabá. Foi editor de vários jornais grandes da Capital e de Goiânia (Diário da Manhã (GO), O Popular (GO), A Gazeta, Folha do Estado, Diário de Cuiabá, Revista RDM e Municípios, Assessor de Imprensa do Conselho Regional de Economia,  IBGE, Creci entre outros veículos)  

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Opinião

JOSÉ DE PAIVA NETO – Religião não rima com intolerância

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Em 21 de janeiro, celebra-se o Dia Mundial da Religião. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, na década de 1980, arguido por um leitor se não sectarizaria minha palavra o fato de, em meus escritos, dar muito valor à Religião, expande o que anteriormente havia registrado no primeiro volume de O Brasil e o Apocalipse (1984), que já esgotou várias edições.

Não vejo Religião como ringues de luta livre, nos quais as muitas crenças se violentam no ataque ou na defesa de princípios, ou de Deus, que é Amor, portanto Caridade, e que por isso não pode aprovar manifestações de ódio em Seu Santo Nome nem precisa da defesa raivosa de quem quer que seja. Alziro Zarur (1914-1979), dizia: “O maior criminoso do mundo é
aquele que prega o ódio em nome de Deus”.

Compreendo Religião como Fraternidade, Solidariedade, Entendimento, Compaixão, Generosidade, Respeito à Vida Humana, Salvação das Almas, Iluminação do Espírito que todos somos. Tudo isso no sentido mais elevado. Creio na Religião como algo dinâmico, vivo, pragmático, altruisticamente realizador, que abre caminhos de luz nas Almas e que, por essa razão, deve estar na vanguarda
ética
. Não a vejo como coisa abúlica, nefelibata, afastada do cotidiano de luta pela sobrevivência que sufoca as massas.

Não a entenderia se não atuasse também, de modo sensato, na transformação das realidades tristes que ainda atormentam os povos.
Estes, cada vez mais, andam necessitados de Deus, que é antídoto para os males espirituais, morais e, por consequência, os sociais, incluídos o imobilismo, o sectarismo e a intolerância degeneradores, que obscurecem o Espírito das multidões. (…) E de maneira alguma devem-se excluir os ateus de qualquer providência que venha beneficiar o mundo.

Deus, Sabedoria e Misericórdia

Religião, como sublimação do sentimento, é para tornar o ser
humano melhor, integrando-o no seu Criador, pelo exercício da Fraternidade e da
Justiça entre as Suas criaturas. O Pai Celestial é fonte inesgotável de Sabedoria e Misericórdia, quando não concebido como caricatura, estereótipo, ódio, vingança,
porquanto “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João, 4:8), sinônimo de Caridade.

Com apurado senso de oportunidade, preconiza o Profeta Muhammad (570-632) — “Que a Paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele!” — no Corão Sagrado, Surata Al ´Ankabut (A Aranha), 29:46: “(…) Cremos no que nos foi revelado e no que vos foi revelado. Nosso Deus e vosso Deus é o mesmo. A Ele nos submetemos”.

Vêm-me à lembrança estas palavras de Santa Teresa d’Ávila (1515-1582): “Procuremos, então, sempre olhar as virtudes e as coisas boas que virmos nos outros e tapar-lhes os defeitos com os nossos grandes pecados”.

Religião na vanguarda

Tudo evolui. Ontem os homens diziam, por exemplo, que a Terra era chata. Afirmava-se que o nosso planeta seria o centro do Universo. Por que, então, as religiões teriam de estacionar
no tempo?
 Pelo contrário. Religião, quando sinônimo de Solidariedade e Misericórdia, tem de iluminar harmoniosamente a vanguarda de tudo: da Filosofia, da Ciência, da Política, da Arte, do Esporte, da Economia etc. É também por intermédio dela — a Religião — que Deus, que é Amor, nos manda os mais potentes raios da Sua Generosidade. (…)

Bem a propósito esta meditação do nada menos que cético Voltaire (1694-1778): “A tolerância é tão necessária na política como na religião. Só o orgulho é intolerante”.

Para amainar a frieza de coração

Cabe reiterar esta máxima abrangente de Zarur: “Religião, Filosofia, Ciência e Política são
quatro aspectos da mesma Verdade, que é Deus”.

Ora, querer conservar os ramos do saber universal confinados em departamentos estanques, em preconceituosa conflagração, tem sido a origem de muitos males que nos assolam, em especial tratando-se de Religião, entendida no mais alto sentido. É principalmente de sua área que deve provir o espírito solidário, que, faltando à Comunicação, à Filosofia, à Educação, à Economia, à Arte, ao Esporte, à Política e à própria Religião, resulta na frieza de sentimentos que tem
caracterizado as relações humanas, nestes últimos tempos.

(…) O milagre que Deus espera dos seres espirituais e humanos é que aprendam a amar-se,
para que não ensandeçam de vez, como na pesquisa para o uso bélico da antimatéria.

O melhor altar para a veneração do Criador são Suas criaturas. Torna-se
urgente que a humanidade tenha Humanidade.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. [email protected] www.boavontade.com

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