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Opinião

DIRCEU CARDOSO – O dia D do voto impresso

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Nesta quinta-feira (05/08), às 14 horas, começará uma das mais importantes reuniões na Câmara dos Deputados. A comissão especial estará decidindo se apresenta (ou não) para votação do plenário a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) nº 135/2019, da deputada Bia Kicis, que cria a obrigatoriedade da impressão do voto pelas urnas eletrônicas nas eleições, referendos e plebiscitos que doravante forem realizados em todo o país. Depois de varias tentativas ao longo dos anos e até da aprovação de uma emenda de autoria do então deputado Jair Bolsonaro à reforma eleitoral de 2015 (promulgada e em 2018 barrada pelo Supremo Tribunal Federal), voltamos à discussão do tema. Hoje ele é turbinado pelo entendimento de que o voto impresso é o me io mais eficiente de conferir o resultado do pleito em caso de dúvida; e incendiado pelas desconfianças levantadas pelo presidente da Republica quanto a um possível complô para fraudar as próximas eleições e dar ganho ao ex-presidente Lula, libertado e reabilitado em seu direito a participar das eleições, por obra do STF.

A contenda estabelecida entre Bolsonaro e o ministro Luiz Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é perniciosa. Não devem as instituições e nem seus titulares bater boca, mesmo quando divergem. Até porque a decisão de adotar ou não a impressão do voto não lhes cabe nesse momento. Essa responsabilidade é dos parlamentares, que têm de adotá-la de forma responsável, conforme seu convencimento, no interesse do processo eleitoral, sem pressão (do Executivo, do Judiciário ou mesmo da população) e sem pensar em cargos, nas próximas eleições ou qualquer barganha que possa turvar a altivez do ato. Primeiro os membros da comissão especial da Câmara, em seguida os deputados e depois os senadores, que votarão a matéria em plenário. Tanto Bolsonaro quanto Barroso podem, até, como cidadãos, manifestar sua preferência, mas não devem pressionar o parlamento, pois isso seria ilegítimo, até ilegal. A troca de farpas e expedientes que hoje o TSE e o Supremo montam contra Bolsonaro, também não contribuem em nada para o deslinde da questão. Pelo contrário, só servem para tumultuar a vida política do país e nos caracterizar como uma república institucionalmente imatura, o que é lamentável.

A bola hoje está com os deputados e só a eles cabe decidir se adotam ou não o voto impresso. Não está nas mãos do presidente da Republica e nem da Justiça Eleitoral qualquer decisão. Ambos só terão o que fazer nesse sentido depois que o parlamento tomar a sua decisão. E, mesmo assim, sua tarefa não será decisória, mas de simples execução. Tomar (ou não tomar) as providências para equipar as urnas com o dispositivo de impressão em conformidade com o que decidirem os parlamentares. Todo muito claro e simples.

Na medida em que os poderes institucionais e seus dirigentes brigam, enfraquecem a democracia. Não é àtoa que temos hoje a população com a cabeça transtornada. Grande número de indignados despreza tudo e forma a crescente abstenção e os votos brancos e nulos. E os simpáticos a uns e outros, radicalizados, com propostas estapafúrdias como fechar os tribunais superiores e o Congresso, instituir um regime militar e outras alternativas que dependeriam de rasgar a Constituição. Os titulares do poder – Executivo, Legislativo e Judiciário – precisam conter seus ânimos, limitar suas ações ao que determina o quadro de atribuições de seus postos e, assumir com serenidade as suas altas responsabilidades. É isso que a Nação espera dos seus homens públicos, s ejam eles eleitos, nomeados por esquemas constitucionais ou concursados. Todos, na investidura, tomam conhecimento das obrigações e, para se desincumbirem, têm, antes de tudo, de manter o respeito e o equilíbrio institucional, sem o qual é impossível viver. Se não agirem dessa forma, um dia acabarão forçando a ruptura e o regime de exceção que todos imaginamos como começa, mas ninguém, em sã consciência, é capaz de prever como termina…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]                                                                                                     

 

 

 

 

 

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Opinião

PERCIVAL PUGGINA – Os verdadeiros terraplanistas

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A linha de frente do atraso é formada por aqueles que cultuam, entre nós, as ideias mais erradas que a humanidade produziu. Ouvi-los e lê-los permite prever o que acontecerá quando aberta a porta para desembarque no mundo com que sonham: as mentes intoxicadas, a dependência psicológica dos erros, o totalitarismo e o precipício.
Há ideias políticas que são, mesmo, como as drogas. Afetam o usuário, comprometem seu ambiente e estragam vidas. Algumas têm efeito cumulativo e causam danos generalizados. Vivemos tempos em que pais e mães, educadores, religiosos, formadores de opinião deveriam estar atentos em relação a conteúdos tão em voga no mundo aparentemente inocente das ideias.

Exemplifico. Certa feita, enquanto frequentava aulas de Teologia numa universidade católica, um douto amigo surpreendeu-se com a permanente utilização pelo professor, não por acaso um religioso, de farto material didático de extração marxista e de análise marxista em suas dissertações à turma. Tão monocórdio conteúdo levou o aluno a interpelá-lo: “Professor, por que o senhor apela tanto para a doutrina marxista em suas aulas?”.  Conta ele que o sujeito olhou-o detidamente, como que surpreso com a indagação, pensou um pouco e o desafiou: “Quem eu usaria, em lugar de Marx?”. Diante da turma em expectante silêncio, meu amigo retrucou: “Professor! O senhor percebe que usou as palavras de Pedro para Jesus? – ‘Mestre, a quem iremos?’ –. O senhor acabou de revelar a quem vai sua fidelidade, professor!”.
O marxismo é uma dessas drogas servidas por terraplanistas ideológicos em repetidas doses como suplemento alimentar das mentes. É ele, e só ele, que justifica o culto aos disparates pedagógicos de Paulo Freire.
Outra droga sustenta não existir uma “lei natural” decorrente da natureza humana. O combate debochado aos bons princípios e valores vem dessa negação. O terraplanismo filosófico leva ao relativismo moral e à desordem em que vivemos.

Segundo o relativismo moral, nada se deduz daquilo que somos em relação ao que devemos ser. Será que os bons pais e mães que me leem concordarão com isso ao meditarem sobre suas funções paternais? Esse mal ataca e prospera, levando à letargia das consciências. Droga desastrosa e de fácil acesso.
Terrível terraplanismo filosófico!

Se não existirem normas que se possam extrair da natureza do ser humano, tudo será segundo a vontade dos príncipes, sem que haja qualquer sentido em interrogá-los sobre seus fundamentos morais.
É por isso que o STF e o Congresso têm feito muito do que fazem.
Ao transferirmos para o Estado a edição e administração de uma errática lei moral, renunciamos ao tesouro da Lei Natural. Vale dizer: abdicamos a muito de nossa essência humana e transformamos o Estado em poderoso “educador moral”, coisa que ele, como não cansa de nos demonstrar, tem nenhuma condição de ser. É o que está acontecendo no Brasil e foi contra isso, à beira do precipício, que nos insurgimos em 2018.

Percival Puggina é membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

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Opinião

LUCIANO VACARI – Quem vai liderar a comunicação global da carne?

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Diversos fóruns nacionais e internacionais relacionados à cadeia da carne brasileira têm discutido a comunicação do setor. Esses eventos, com a participação de pessoas de governo, iniciativa privada e também de universidades têm, de maneira geral, demonstrado que quando realizada de maneira sustentável, a produção de proteína animal é parte da solução para o desenvolvimento regional e cumprimento de vários dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em algumas regiões do mundo é fato que haverá uma redução do consumo da carne per capta, especialmente em áreas já mais desenvolvidas economicamente, onde cresce o número de vegetarianos e principalmente, flexitarianos.

Flexitarianos são aquelas pessoas que aderem aos movimentos como “segunda sem carne” ou mesmo buscam reduzir a quantidade consumida. Também deve crescer o número de pessoas que reduz o consumo total de carne vermelha, mas aumenta o consumo de cortes com maior valor agregado e qualidade.

Em outras regiões do mundo, especialmente a Ásia e a África a tendência é de aumento do consumo per capita e total, já que sua população cresce consideravelmente. Além do aumento per capta, também há classes sociais que devem aumentar o consumo de maior valor agregado.

A China hoje tem uma população de 1,3 bilhão de pessoas, quase 20% do total mundial. O consumo médio per capita é de apenas 5 kg. Supondo que, na média, suba para 5,1 kg, haverá uma demanda mundial de 130 mil toneladas de carne. Se apenas o Brasil atendesse isso, haveria um acréscimo de 6,5% da exportação – supondo que a demanda doméstica do Brasil fique estável.

Entre aumento do consumo e crescimento de grupos que não comem carne, cabe uma reflexão: por quê o setor tem sofrido tantos ataques? Existem inúmeros fatores, mas precisamos falar das soluções. O setor precisa se unir. Toda a cadeia produtiva, produtores, indústrias e associações.

O Secretariado Internacional da Carne (IMS) tem realizado inúmeras reuniões do seu workshop de marketing. Quando visto o relato dos encontros, fica evidente: não é apenas no Brasil onde a cadeia da carne sofre com as informações com poucas bases científicas. Em todos os países, a produção de carne tem se defendido. A conclusão do fórum global é que o setor é reativo, e não pró-ativo.

Já se perguntaram os motivos que alguém se torna vegetariano? Existem diversos artigos científicos que falam sobre isso. A maior parte deles aponta alguns motivos: religião, relação com a mudança climática, perda de biodiversidade.

Cada um desses temas poderia ser foco das instituições envolvidas com a cadeia. Chamar cientistas e elaborar materiais não para os convertidos. Afinal, hoje a maior parte da cadeia prega para convertidos. Falamos entre nós e para nós mesmos. Quando vamos falar para o público da cidade?

A comunicação precisa ser com o consumidor. Mostrar o que fazemos, como fazemos e para quem fazemos.

Luciano Vacari é gestor de agronegócios.

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