conecte-se conosco


Mulher

Diagnosticada com autismo na vida adulta: “Não queria estar viva”

Publicado

source
 Bianca Bittencourt só conseguiu o diagnostico do autismo adulta
Arquivo pessoal

Bianca Bittencourt só conseguiu o diagnostico do autismo adulta

“Sempre soube que eu não conseguia me encaixar com as outras crianças, mas eu tentava muito. Isso é algo que, inclusive que chamamos de ‘masking. O que cansa muito, principalmente quando você é criança. Com dez anos de idade já tinha episódios depressivos, eu chorava todos os dias ao chegar em casa da escola. 

Eu estava exausta as outras crianças que eu era como elas, mas eu não era. O barulho, a luz, a sensação térmica, tudo isso me incomodava. Em muitos dias, almoçava dentro do banheiro porque não queria estar com outras crianças. Eu não queria o barulho.

Aos seis anos de idade comecei a fazer terapia devido a episódios depressivos. Minha mãe teve que ir e voltar comigo da terapeuta. Na época era muito difícil encontrar um profissional adequado para diagnosticar o autismo em meninas. A maior parte dos especialistas acreditavam que o autismo só era presente em meninos. Nunca chegaram a considerar o autismo no meu caso. Para mim, apesar, da minha mãe ter me colocado na terapia desde a primeira infância. Ela sabia que eu tinha algo de diferente que ninguém conseguia dizer o que era. Ela sabia que, para mim, era difícil viver socialmente

A minha mãe é coordenadora de uma APAE, (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) tem pós-graduação em psicopedagogia e está fazendo uma segunda pós-graduação em autismo. Ela já lidou com diversos tipos de deficiência e sempre achou que eu tinha todos os sinais do autismo. No entanto, ela não conseguia fazer nenhum profissional olhar para isso de verdade.

Só anos mais tarde, na minha vida adulta, consegui procurar um especialistaEm uma consulta, afirmei que tinha todas as características e que preenchia todos os critérios do espectro autista desde a primeira infância. Disse ainda que minha mãe poderia atestar isso e que tentava conseguir um diagnóstico desde os meus 6 anos, mas nenhum profissional deu atenção”.

Eu passei a minha infância inteira sofrendo muito na escola, porque eu não tive acomodação nenhuma. Todos tentaram fazer com que eu fosse igual as outras crianças, quando, na verdade, a minha experiência era muito mais difícil. 

As pessoas não costumam ouvir as crianças, acham que crianças não têm compreensão do que está acontecendo. Na verdade, ha compreensão sim. Me lembro muito bem que, aos dez anos, eu já não queria estar viva de tão difícil que era estar em sociedade

Falo que o processo do diagnóstico foi bem simples, porque eu procurei um especialista em mulheres e adultos. Fui diagnosticada com autismo, transtorno de ansiedade e transtorno obsessivo compulsivo. 

No entanto, o meu laudo foi feito por uma psicologa. Por isso, o meu processo de diagnóstico ainda não acabou. Não tenho um laudo médico e, consequentemente, nenhum direito legal ainda assegurado

No começo desse ano tentei ir a um psiquiatra, o que acabou não resultando em nada. Ela queria que eu fosse em outra terapeuta, que não era uma especialistae que eu deveria voltar lá depois de três meses.

Tenho interesse em mudar minha documentação para garantir que eu tenha todos os direitos legai previstos. Então, para conseguir esse laudo, tenho consultas marcadas com um neurologista e outros psiquiatras.

Ir aos médicos é sempre um processo muito irritante. Os profissionais sempre me olham e perguntam: ‘Por que você acha que precisa de um laudo médico?’ ou  ‘Você está conseguindo viver até hoje’  estou conseguindo viver até hoje aos tropeços. 

Existem direitos meus que não estou tendo. É muito chato dizer tudo isso a alguém e ouvir que estou exagerando em querer direitos, ou mesmo dizerem que eu ‘falo normal’ ou ‘pareço normal’, questionando o porquê  de eu querer os meus direitos como pessoa com deficiência. Não é porque eu consigo me passar por neurotípico que a minha vida é mais fácil”.

Agora você pode acompanhar todos os conteúdos do iG Delas pelo nosso canal no Telegram. Clique no link para entrar no grupo. Siga também  o perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Mulher

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Mulher

Falsificação na moda: conheça as consequências desse tipo de mercado

Publicado

Falsificação na moda: conheça as consequências desse tipo de mercado
Redação EdiCase

Falsificação na moda: conheça as consequências desse tipo de mercado

A comercialização de produtos falsificados pode impactar negativamente na sociedade e no meio ambiente

Por Luana Pellizzer

A compra de produtos falsificados é uma prática muito comum no Brasil, especialmente no mercado da moda. Impulsionados pelos preços mais baixos do que os produtos originais, muitos consumidores optam por adquirir réplicas não oficiais. Mas a falsificação, além de ilegal, gera consequências para o meio ambiente, para a economia e para a sociedade. 

> Conheça as tendências de moda para o outono/inverno de 2022

Legislação Brasileira 

A especialista em direito da moda Dra. Regina Ferreira explica que o Brasil não tem uma legislação específica para proteger as criações de moda , mas que as leis vigentes são usadas na prática para resguardar os direitos dos criadores e para reprimir cópias não autorizadas. “A falsificação é crime e pode gerar consequências cíveis”, ressalta.

Consequências sociais 

Em um primeiro momento, a falsificação gera consequências às marcas, pois resulta na desvalorização de um produto exclusivo. Mas a Dra. Regina Ferreira destaca que o processo de produção e comercialização da falsificação também desencadeia uma questão social séria, que passa despercebida.

“O mercado ilícito, em razão da sua natureza informal, fomenta as atividades ilícitas de organizações criminosas, a exploração do trabalho. A penalidade para a falsificação é relativamente baixa, mas as consequências para a sociedade são altamente danosas”. 

> Cabelos coloridos: veja 4 tendências que não saem da moda

Problemas ambientais 

Além dessas questões, existe também o comprometimento ambiental. A Dra. Regina Ferreira explica que, “geralmente, as fábricas não respeitam legislações ambientais. Assim, o processo de produção pode conter resíduos e substâncias tóxicas, com a possibilidade de contaminação de afluentes e a exposição dos trabalhadores a esses produtos químicos que são danosos à saúde.”

Por fim, a especialista em direito da moda explica que em ações de busca e apreensão, os produtos falsificados são descaracterizados e descartados, já que não podem ser devolvidos ao mercado, e que por consequência geram ainda mais lixo para sociedade. 

Confira mais conteúdos sobre beleza.

Fonte: IG Mulher

Continue lendo

Mulher

Irmãs Hadid surpreendem com cabelo semi raspado em desfile

Publicado

Irmãs hadid tem se tornado ícones da moda desfilando para marcas de renome.
Reprodução/Instagram AfterParty.al

Irmãs hadid tem se tornado ícones da moda desfilando para marcas de renome.

As modelos Bella e Gigi Hadid participaram do mais recente desfile da grife Marc Jacobs, realizado na Biblioteca Pública de Nova York, EUA. O visual mostrado pelas irmãs chamou a atenção do público, especialmente em relação às madeixas das duas, estilizadas em um semi raspado, dando um ar “futurista” e “extraterrestre” às duas. 

Em contraponto, o look usado pelas Hadid  foi bem mais minimalista do que os cabelos, Gigi usou uma regata branca acompanhada de uma capa bege e uma calça rosa, enquanto a Bela desfilou com apenas um roupão branco. 

A mais nova das irmãs, Bella, de 25 anos, também aproveitou as redes sociais para compartilhar um pouco dos bastidores do evento, mostrando parte da sua preparação para o desfile. 

Agora você pode acompanhar todos os conteúdos do iG Delas pelo nosso canal no Telegram. Clique no link para entrar no grupo. Siga também  o perfil geral do Portal iG.

Fonte: IG Mulher

Continue lendo

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana