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Opinião

DEUSDÉDIT ALMEIDA – Campanha da Fraternidade – 2020

Publicado

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoverá, durante a quaresma, a 57ª Campanha da Fraternidade, em vigor no Brasil desde 1964. Na arquidiocese de Cuiabá a campanha  é lançada no último dia do “Vinde e Vede:”

Este ano tem como tema, “fraternidade e Vida: dom e compromisso ” e como lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, versículo recolhido da parábola do bom Samaritano (cfr Lc 10,33-34).

O objetivo principal desta Campanha é conscientizar, à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, que é nossa casa comum.

Sobre a parábola, Jesus não temeu em colocar um Samaritano como protagonista e modelo do seu ensinamento. Historicamente falando, os Samaritanos eram menosprezados, rejeitados e tratados como pecadores hereges pelos Judeus. Entretanto, na postura inesperada do bom samaritano está o centro do ensinamento de Jesus: a compaixão e o cuidado com a vida humana. Jesus exalta a bondade e solidariedade de um Samaritano.

Segundo a parábola, o próximo não é apenas alguém com quem possuímos vínculos, mas todo aquele de quem nos aproximamos. Não se deve questionar quem é o destinatário do amor. Importa identificar quem deve amar e não tanto quem deve ser amado.

A medida do amor para com o próximo não é estabelecida com base em pertença religiosa, grupo social, ou visão de mundo. Ela é estabelecida pela necessidade do outro.

Por isso, a parábola do bom Samaritano é a chave para uma melhor compreensão do mandamento do amor, essência do cristianismo.

A Campanha da Fraternidade propõe a compaixão, a ternura e o cuidado como exigências fundamentais da vida para que as relações sociais sejam mais humanas, fraternas e cordiais.

A temática da “vida” vem ocupando, sucessivamente, a reflexão das ultimas campanhas realizadas pela CNBB. Isto porque estamos atravessando tempos que alguns chamam de “sombrios”.

Fala-se, hoje, do fim o até da morte das “grandes utopias” que moviam as mentes, os corações e inspiravam uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Os ares pós-modernos parecem conduzir o mundo para um individualismo exacerbado e egocêntrico, tornando as pessoas indiferentes e anestesiados contra as dores humanas. Vemos crescer, hoje, a naturalização do sofrimento alheio e a banalização da vida. Porquanto, a vida deve ser defendida e respeitada em todas as suas etapas e manifestações, desde a sua concepção até o seu declínio natural.

Preocupa-nos, hoje, o aumento da violência, do ódio, do feminicídio e o  retorno aos tempos da barbárie: “olho por olho, dente por dente”. Esta campanha, retomando o tema da vida, denuncia a cultura da morte que vem se impondo na sociedade.

O tema da indiferença foi amplamente abordado pelo Papa Francisco, logo no início do seu pontificado, chamando-a de “globalização da indiferença”.

A campanha da fraternidade nos ensina que a compaixão é o antídoto da indiferença. Finalmente, a Campanha da fraternidade é uma atividade evangelizadora global  para aproximar as pessoas de Deus e ajudá-las a se tornarem  mais cristãs, mais humanas, mais fraternas, mais serenas, mais respeitosas e no relacionamento com seus semelhantes.

Vamos refletir e rezar, durante a quaresma, em grupos, a via-sacra em Família. Os livrinhos estão disponíveis nas livrarias Católicas de Cuiabá e nas Paróquias.

Este pequeno subsídio preparado para as famílias, além de construir relações fraternas, de amizades, redes de solidariedade e orações com a vizinhança, contém as ideias mais proeminentes  da Campanha da fraternidade.

Deusdedit M. de Almeida é sacerdote Diocesano e Pároco da Paróquia Coração Imaculado de Maria (Cuiabá).

 

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Opinião

LÍCIO MALHEIROS – Linha tênue

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A chamada em questão “linha tênue”, expressão usada para indicar a proximidade ou semelhança entre dois conceitos distintos.
É lamentável sob todos os aspectos que tenhamos que voltar a falar sobre um tema maçante, desgastante, porém de importância singular; principalmente, quando alguns meios de comunicação de massa, conduzem esse assunto de forma dirigida, tendenciosa e irresponsável, como, a toda poderosa vem agindo em relação ao mesmo; desde a chegada desse maldito vírus no Brasil, o coronavíus ou (Covid-19).
Sei que muitos me acham: chato, insistente, teimoso e por ai vai, isso não me afeta em nada, pois durante toda a minha vida sempre procurei pautar pela verdade doa a quem doer; sempre trabalhei em sala de aula ganhando uma merreca, dando um duro danado para sustentar  minha família, portanto não preciso ficar rendendo homenagem a minguem, posso até errar por excesso e nunca por falta.
Vamos voltar no tempo, primeiro caso de infecção por coronavírus no Brasil foi confirmado em (26) de fevereiro, após exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz, trata-se de um homem de 61 anos que voltou de viagem à região da Lombardia, na Itália, esse homem morador de São Paulo.
Os críticos de plantão irão dizer; isso, todos nós já sabemos, porém um fato foi totalmente esquecido por todos. As autoridades competentes de Saúde Pública de São Paulo, já sabiam dessa pandemia.
Em especial as autoridades paulistas, comandantes da maior metrópole da América Latina, tendo como governado João Doria (PSDB), mesmo sabendo da doença, incentivou o carnaval, uma das manifestações culturais mais conhecidas no mundo.
Agora, esse mesmo governador de estado, vem atacando sistematicamente, excelentíssimo senhor Presidente da República Jair Messias Bolsonaro grande estadista. Exigindo dele, ações e medidas  radicais, no combate ao coronavírus ou (Covid-19).
Se lá atrás, esse magnânimo governador, tivesse adotado  postura diferenciada com relação ao Carnaval, por certo, essa pandemia não teria chegado a níveis alarmantes; atirar pedras é fácil quero ver fazer.
Outro governado de estado, que vem adotando postura diferente a do Presidente, é o magnânimo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), que  também sabia da pandemia mundial; e incentivou a realização do  Carnaval.
Hoje, o mesmo vem  cobrando o Presidente da República de forma acintosa, exigindo ações mais efetivas, contra o coronavírus. Só que se esquece de ter sido também, incentivador da realização do  Carnaval, o mesmo,  de forma indireta ajudou à propagação do  vírus no país, nobre governador é fácil ser estilingue.
O tempo passou, o quadro se agravou, os oportunistas de plantão se aproveitando disso, iniciaram as cobranças de forma mais acintosas, obrigando o presidente Jair Bolsonaro, vir a público fazer seu primeiro pronunciamento.
Em sua fala, com o tom de voz que lhe é peculiar, fala dos problemas da doença, e das medidas a ser adotadas; devemos sim, nos preocupar com a letalidade e gravidade da doença, fazendo isolamento, apenas aos idosos e aquelas pessoas, com doenças preexistentes e as de baixa imunidade, em momento algum ele disse, voltem todos ao trabalho.
Uma parte tendenciosa da imprensa televisiva brasileira, encabeçada pela toda poderosa, abriu o canhão de artilharia pesada, assim que o presidente terminou a fala, já dispararam, distorcendo tudo que foi dito pelo presidente, levando às pessoas a dúvida.
Dados estatísticos dão conta, através do último informativo, que o número de mortos pelo coronavírus,  era de 299 e de  contaminados de 7.910 casos confirmados, ambos, poderão aumentar até a publicação do mesmo. É preocupante sim, por isso necessário se faz  cuidados, com higiene, uso do álcool gel, evitar aglomeração e por ai vai.
Agora, parece que esse maldito vírus, fez desaparecer outras doenças infectocontagiosas, que tem grande letalidade também. O coronavírus do ponto de vista de escala de mortalidade, cuja taxa tem   se mantido entre 3% e 4%, este percentual está bem aquém de outras doenças contagiosas, como, tuberculose, em 2018, 10 milhões de pessoas contraiu  no mundo 1,5 milhões morreram; hepatite B e C afetaram 325 milhões de pessoas em todo o mundo, levando a óbito 1,34 milhões  e por ai vai.
Desculpem o texto ter ficado  prolixo, porém  não tem como resumir.

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

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Opinião

WILSON PIRES – O que foi o saladeiro

Publicado

Instalado em 12 de junho de 1922, matadouro público, para abastecimento de carne da população cuiabana, ainda estava nas proximidades da “Boca do Valo”, em condições precárias de instalação e de higiene.

Daí as providências do Intendente Municipal (Designação dada, até pouco depois de 1920, aos chefes do poder executivo municipal, hoje chamados prefeitos), celebrando contrato com a firma Curvo & Irmãos, após a devida autorização da Câmara, removendo o matadouro para a margem direita do rio Cuiabá, no então terceiro distrito (Várzea Grande).

A partir de 1922, entrara a firma Curvo & Irmãos em ação, construindo o saladeiro de material, coberto de zinco, com regular área de boa altura.

Feitos os currais, cercados, instalada a aparelhagem geral, iniciou-se o abate das reses, passando a ser feita a remessa dos quartos de bois para os açougues de Cuiabá, a princípio em pequena lancha, até o porto e, mais tarde em automóvel, diretamente ao açougue.

A firma Curvo & Irmãos compunha-se dos sócios João Barbuíno Curvo (Sinjão Curvo), depois virou um abastado atacadista da praça comercial de Cuiabá, na qual, com seus filhos, organizou a firma J. B. Curvo, todos integrados na lata sociedade da Capital mato-grossense.

Os outros dois sócios desse empreendimento foram  Eugênio Agostinho Curvo e Plácido Flaviano Curvo que foram figuras de projeção dos meios comerciais e sociais de Cuiabá, destacando-se entre os filhos o jovem e educadíssimo, médico Dr. José Curvo.

Quando, em 1928, Sinjão Curvo, um dos dirigentes da firma, desligou-se dela pacificamente, ocupou seu lugar o irmão mais novo, Joaquim Agostinho Curvo, que logo passou para a direção do matadouro. Infelizmente foi o primeiro a desaparecer, na década de 1950, colhido pela fatalidade.

Inaugurado o saladeiro em 1922, não tardou a aparecer a concorrência clandestina de antigos açougueiros, que não contando coma legalização para fornecimento de carne aos açougues de Cuiabá e faltando-lhes, dar condições de higiene nos lugares de abate de reses, abasteciam, assim mesmo os próprios açougues com os quartos de bois, que conduziam em carroças, de Várzea Grande para a Capital.

Durante dois anos, enquanto permaneceu o desentendimento, o saladeiro sujeitou-se à charqueada, distribuindo carne em Cuiabá apenas aos seus açougues, a princípio em número de dois e, mais tarde, de quatro, obrigados que foram à montagem de mais estabelecimentos de distribuição do produto.

Em 1924, os advogados João Vilas Boas e Mário Mota defenderam a firma na justiça, entrando os açougueiros de Várzea Grande num acordo com os irmãos Curvo.

Nessa época já era açougueiro o senhor Generoso Malheiros, único a respeitar os direitos da firma, pois eram velhos amigos dos Curvo.

Recomeça, pois em 1924, a distribuição da carne verde aos açougues cuiabanos, sendo, talvez por isso que o serviço de estatística de Várzea Grande traga registrada a data de inauguração do Saladeiro a 15 de maio de 1924.

Decorreram vinte anos com altos e baixos, ataques de jornais à qualidade e ao atraso na entrega da carne aos açougues, concorrendo com outros abatedores de Várzea Grande e às variações de preço no comércio de gado.

A empresa lutou com dificuldades algumas vezes, fases essas amenizadas com os lucros resultantes da criação de porco e galináceos em regular quantidade, alimentados com os detritos das reses abatidas diariamente.

Pacatos e trabalhadores, os irmãos Curvo passaram a negociar até mesmo os chifres e os cascos das reses, tal a procura vinda mais tarde, e assim lograram vencer metade do prazo do contrato, em modestas condições de prosperidade.

Passados vinte anos, a firma conseguiu a renovação de contrato, mas, poucos anos depois, falecendo o sócio Joaquim Agostinho Curvo, o que conservava relativa mocidade e, portanto quem andava à frente dos negócios do abate das reses, eis que outros dois irmãos, já encanecidos (velhos) naquela luta e que eram mais dos escritórios, resolveram transferir os direitos da firma a Generoso Malheiros e Filho.

Com a inauguração da Sadia em 1977, quando o Saladeiro já não mais existia, sendo demolidos os paredões restantes das instalações que os irmãos Curvos construíram, apagou-se na memória de alguns, na grande Cuiabá, a lembrança dos serviços prestados pelo antigo matadouro, durante cerca de quarenta e cinco anos.

E nem se pode estabelecer confronto entre o moderno, para uma população dez vezes superior nos nossos dias, e o arcaico, que resolvia os problemas de 40 a 50 mil habitantes da Capital mato-grossense do passado.

Cada povo tem a sua época e atual e de renovação, mas para muitos cuiabanos dos velhos tempo ficou o respeito que se deve aos irmãos Curvos e recordações do velho Saladeiro, que eles com sacrifício construíram.

 

LOCALIZAÇÃO DO ANTIGO SALADEIRO

Em 1911, Várzea Grande passou a ser 3º Distrito de Cuiabá e a chácara do Isolamento como era chamado o local lhe pertencia por estar na margem direita do rio. Quatro anos depois, a 17 de novembro de 1915, essa área era reincorporada ao patrimônio do Estado, pelo decreto nº 413, face a dissolução da Sociedade Mato-grossense de Agricultura, com todas as benfeitorias que diga-se de passagem eram pouquíssimas.

Em 1921, pela resolução nº 854 de 7 de novembro, o governo cedeu os direitos de posse desse terreno à municipalidade de Cuiabá e pelo decreto da Intendência da Capital, de nº 592 de 12 de junho de 1922, era ali instalado o Matadouro Modelo dos Irmãos Curvos, que permaneceu no ramo até a década de 50, transferindo o a Firma Malheiros e Filho. Pela Lei já do Município de Várzea Grande, de nº 354 de 19/02/1968, na gestão da Prefeita Sarita Baracat, a referida área foi doada ao Grupo Frivar S/A, com o compromisso de instalar nela um Frigorífico com abate de bovinos e suínos.

Findo o prazo e não tendo sido possível cumprir o ajuste, entrou a Frivar em espécie de convênio com a Sadia Oeste S/A e a partir de 1972, por intermédio do empresário Ingo Klein, iniciaram-se as negociações com o município e contou com a colaboração imediata do prefeito que assumia em 1º de fevereiro de 1973, o jovem Júlio José de Campos. Com a significativa colaboração de Júlio Campos os trabalhos de instalações da Empresa se aceleraram e em 25 de novembro de 1977 foi inaugurado no bairro hoje chamado de Alameda Júlio Muller, que já teve o nome de Estrada do Saladeiro porém, não mais na margem do rio Cuiabá e sim em uma área alguns metros acima, que recebeu um enorme aterro e sobre este erigiram-se grandes depósitos, escritórios e demais instalações.

O casarão do antigo Saladeiro sito na barranca do rio, foi demolido e nada ficou do antigo Porto de Isolamento, senão as lembranças dos sombrios tempos das revoluções em Mato Grosso, ao romper do século.

Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso

 

 

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