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Política Nacional

Deputados criticam política esportiva brasileira e apontam retrocessos

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Integrantes da recém-instalada comissão especial da Câmara dos Deputados que vai analisar mudanças na Lei Pelé criticaram a inexistência de um Ministério do Esporte no governo federal e defenderam mais centralidade da pauta nas políticas públicas do País. A pasta existiu entre 1995 e janeiro de 2019, quando foi extinta e incorporada ao Ministério da Cidadania pelo presidente Jair Bolsonaro.

Eleita nesta quarta-feira (23) presidente da comissão especial, a deputada Celina Leão (PP-DF) considerou a medida um retrocesso.

“A política pública do esporte não pode ser uma política de segundo escalão. Foi um retrocesso não termos um ministério. Deve ser uma política de primeira linha, tão importante quanto a infraestrutura, a saúde, quanto outros temas que são tratados pelo Executivo como mecanismo para o desenvolvimento do País”, afirmou a parlamentar.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Reunião de líderes. Dep. Celina Leão(PP - DF)
Celina Leão: extinção do Ministério do Esporte foi um retrocesso

O deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) ressaltou que a existência de um Ministério do Esporte leva à criação de secretarias nos estados e nos municípios, com atenção específica ao setor.

“Há um discurso segundo o qual, diminuindo o número de ministérios, você economiza. Não é verdade, visto que cada ministério tem que ter alguém que responda por aquela área. Só que não tem autonomia, não tem orçamento próprio, não tem status”, ponderou Calheiros.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Reunião deliberativa. Dep. Luiz Lima (PSL - RJ)
Luiz Lima: educação física não é levada a sério nas escolas

Para o deputado Luiz Lima (PSL-RJ), eleito 1º vice-presidente do colegiado e professor de educação física, o esporte deveria ser um pilar da educação. “No Brasil é cultural: nem nas escolas particulares a educação física é levada a sério. O americano, o japonês, o alemão, o cubano, o russo, o chinês, embora com vertentes políticas diferentes, todos entendem que o esporte é um pilar da educação”, disse. “Já aqui você pode ir ao melhor colégio de São Paulo, ao melhor colégio do Rio de Janeiro, que educação física é levada como brincadeira”, lamentou.

Atualização
Os deputados também destacaram a necessidade de atualização da Lei Pelé, que estaria superada e não responderia de maneira adequada às necessidades de muitas regiões. Felipe Carreras (PSB-PE), designado relator do colegiado por Celina Leão, defendeu uma revisão com democratização do esporte.

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas. Dep. Felipe Carreras(PSB - PE)
Felipe Carreras: Lei Pelé precisa ser atualizada

“Aqui a bandeira nossa vai ser o esporte brasileiro. Vamos fazer os enfrentamentos necessários do lobby, dos interesses daqueles que sempre, por meio da comodidade, comandam o esporte brasileiro. Se tiver que ter um enfrentamento, esta comissão não se furtará para fazer justiça”, declarou Carreras.

Na avaliação de Renildo Calheiros, o esporte é amplo e deve ser levado em consideração em todas as suas possibilidades, não apenas no alto rendimento. “Mais importante é o esporte que dá oportunidade às crianças. É importante socialmente porque integra”, exemplificou.

O deputado Helio Lopes (PSL-RJ), que também integra a comissão, acrescentou que o esporte levanta a autoestima de quem o pratica e de quem assiste, além de trazer paz e “uma grande satisfação”.

Projeto
O projeto de lei que a comissão vai analisar (PL 1153/19) altera a Lei Pelé para garantir novos direitos aos atletas em formação. A proposta assegura a participação em programas de treinamento nas categorias de base do clube, a segurança nos locais de treinamento e assistências psicológica e médica.

Além disso, obriga o clube a proporcionar, para os atletas em formação que morarem em alojamento, instalações físicas certificadas, assistência contínua de monitor, convivência familiar, atividades culturais e de lazer nos horários livres e assistência religiosa, quando solicitada.

O projeto foi apresentado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) após o incêndio que, em fevereiro de 2019, causou a morte de dez atletas de base abrigados no centro de treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Trâmites
O PL 1153/19 tramita em regime de prioridade e está sujeito à apreciação conclusiva da comissão especial, ou seja, não precisará de análise do Plenário para ser aprovado ou rejeitado.

A comissão especial terá prazo inicial de dez sessões da Câmara, contados a partir de 21 de junho, para proferir parecer sobre a proposta. Até lá, Celina Leão pretende promover audiências públicas com a participação de vários setores.

A próxima reunião do grupo está marcada para 1º de julho, às 14 horas. Na ocasião, deverão ser eleitos o 2º e o 3º vice-presidente do colegiado e ainda definido um plano de trabalho, com deliberação de requerimentos.

Nesta quarta, Celina Leão e Luiz Lima foram eleitos com 21 votos, cada. Um voto foi em branco. No total, o colegiado tem 34 integrantes titulares.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Marcelo Oliveira

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Política Nacional

Vídeos comprovam que Pazuello mentiu sobre a oferta das vacinas da OMS

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Ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello
Foto: Anderson Riedel/PR

Ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello

O governo Bolsonaro não comprou uma quantidade de vacinas do consórcio Covax Facility , em setembro de 2020, suficientes para imunizar metade da população brasileira, como foi oferecido, e resistiu a aderir a compra coordenada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em uma publicação exclusiva de Crusoé, foram divulgados vídeos de reuniões que mostram que o ministério da Saúde ignorou os alertas do Itamaraty, de que seria uma operação arriscada, e aderiu à iniciativa coordenada pela OMS em quantidade mínima, com a compra de doses para apenas 10% da população. 

Pazuello disse que não aceitou a oferta de 50% porque a negociação era “nebulosa”. O então ministro também mentiu sobre o preço inicial da vacina, que alegou ser de 40 dólares a dose .

No vídeo divulgado, a embaixadora do Brasil em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevêdo, deixa claro que o valor inicial da dose era de 20 dólares e que, logo depois, foi reduzido para 10,55 dólares. “O preço da dose baixou bastante. De 20 foi para 12…entre 12 e 16… e agora está sendo apresentado para nós a 10 dólares e 55 centavos”, disse. 

Sete meses depois, o ministério da Saúde, sob o comando de Pazuello, negociava a Covaxin por 15 dólares.

A embaixadora também alerta, em um dos vídeos, sobre a repercussão política de não aderir ao consórcio. Fábio Marzano, secretário de Soberania e Cidadania do Itamaraty, braço direito do então chanceler Ernesto Araújo , chega a falar que o país viveria “um inferno” pela falta de vacinas se não aderisse à proposta. “Acho muito difícil não termos ao menos uma vacina premiada”, emendou Nazareth.

O Brasil foi um dos últimos a ingressar no Covax, optando pela quantidade mínima de vacinas oferecias. Foi necessário pedir, inclusive, uma extensão da data de assinatura do contrato, pela demora do Governo Bolsonaro.

– Com informações de Crusoé.

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Política Nacional

“Bolsonaro vai totalmente contra o que Jesus ensinou”, diz padre Lino

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Padre Lino Allegri
Reprodução/redes sociais

Padre Lino Allegri

Era uma tranquila manhã de domingo quando o padre italiano Lino Allegri , que vive no Brasil há mais de cinco décadas, ousou dizer que o governo de Jair Bolsonaro também tem responsabilidade pelas mais de meio milhão de vítimas da Covid-19 no país. Por conta disso, aos 82 anos de idade e quase meio século depois de ter sido ameaçado de morte por grileiros na ditadura militar, o sacerdote voltou a ser alvo de intimidações , só que desta vez em plena democracia.

As perseguições contra o padre Lino começaram em 4 de julho, durante uma missa matutina na Paróquia da Paz, em Fortaleza (CE) . Durante sua homilia, o sacerdote relacionou a palavra de Deus com as dificuldades enfrentadas pelo povo na pandemia, afirmando que o governo Bolsonaro também tinha responsabilidade pelo saldo de mortes por Covid no Brasil.

Ao fim da missa, oito pessoas – sete mulheres e um homem – entraram na sacristia e afirmaram, aos gritos, que o padre estava errado e que Bolsonaro era um bom cristão. Esquerdopata, comunista, petista e lulista foram alguns dos adjetivos ouvidos pelo padre Lino, além dos “convites” para voltar à Itália.

“Isso durou alguns minutos, até que os ministros da eucaristia, que estavam na sacristia, se colocaram entre mim e as pessoas e as convenceram a sair. Não foi uma tentativa de diálogo, foi uma agressão verbal”, conta o sacerdote em entrevista por telefone à ANSA.

No domingo seguinte, 11 de julho, o padre Lino não participou da missa das 8h, mas um apoiador de Bolsonaro se levantou após a leitura de uma breve nota da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o caso da semana anterior e começou a gritar palavras de ordem. “Eu não estava presente, mas isso criou uma grande confusão”, diz.

Na semana posterior, em 18 de julho, outra tentativa de intimidação, apesar de o italiano novamente não estar na igreja. A missa matutina teve presença em peso de bolsonaristas, muitos deles vestindo camisas verde e amarelo e com o número 17. Não houve confusão, mas após a celebração, o grupo posou para uma foto na frente da igreja, como se comemorassem uma conquista. Na visão do padre Lino, a atitude dos apoiadores do presidente de extrema direita na Igreja foi “ostensiva” e até “provocatória”.

Desde a confusão de 4 de julho, o sacerdote não voltou a celebrar missas na Paróquia da Paz, cuja secretaria já recebeu telefonemas de tons ofensivos e ameaçadores.

Meio século no Brasi Nascido em dezembro de 1938, em San Giovanni Ilarione, cidadezinha de 5 mil habitantes situada na região italiana do Vêneto, Lino Allegri era parte de uma família de oito filhos e se mudou aos seis anos para Bolzano, um importante município do extremo-norte do país.

Após estudar em um seminário de Trento, foi ordenado padre em 1965 e iniciou sua carreira eclesiástica na diocese de Bolzano.

O sacerdote conta que um de seus sonhos quando jovem era atuar diretamente com os pobres e ser uma espécie de “padre operário”, seguindo a tradição de uma família de chão de fábrica.

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“Minha família toda era operária, então eu queria ser operário na siderúrgica onde meu pai trabalhou. Em julho, que é mês de férias, eu fui lá e trabalhei, mas depois o bispo não deixou. Eu era um padre novo, bastante obediente, então decidi que, se não fosse lá, queria ir para a América Latina”, diz o italiano.

Na época, um grupo de padres estava se preparando para partir para o subcontinente, e Lino resolveu se juntar ao movimento, desta vez com a bênção do bispo. “Quando completei cinco anos de trabalho na Itália, o bispo me deixou sair e eu fui destinado ao Brasil em 1970”, acrescenta.

Em 1974, Lino e outros padres italianos foram enviados à diocese de Bom Jesus da Lapa (BA), que era marcada por conflitos de terra entre latifundiários e posseiros. Os sacerdotes logo tomaram o lado dos trabalhadores e receberam até ameaças de morte por parte de grileiros.

“Foi um momento tenso, porque os pistoleiros não eram brincadeira. Houve várias mortes de lavradores na paróquia e até de um advogado do sindicato. O momento atual é menor em perigo e violência, mas não deixa de ser preocupante”, afirma.

Segundo o sacerdote, causa incômodo em algumas pessoas ouvir um padre falar sobre opressão, pobreza, desigualdade. “Tem palavras que quase não se pode pronunciar. Falar de pobre, para muita gente, é fazer política.”

Esses temas são recorrentes nas homilias e nos discursos de ninguém menos que o papa Francisco, líder da Igreja Católica e que já dedicou até uma encíclica a questões sociais, a “Fratelli tutti” (“Todos irmãos”, em tradução livre).

Para o padre Lino, o surgimento do pontífice argentino é um “milagre de Deus na Igreja”. Já taxado de “comunista” pela ultradireita, Francisco prega desde o início de seu mandato a construção de uma “Igreja de saída”, ou seja, uma Igreja que procure o povo ao invés de esperálo, especialmente nas periferias.

Lino seguiu esse exemplo e criou um grupo em Fortaleza com pastorais sociais e comunidades de base para estar “no meio do povo”. “E acho que isso incomoda. Alguns acham que dá para viver o Evangelho sem se meter nos problemas concretos dos pobres”, diz o padre, que não poupa críticas a Bolsonaro – ele já participou até de protestos contra o mandatário.

De acordo com o sacerdote, o presidente contraria todos os ensinamentos de Jesus Cristo, especialmente por sua atitude debochada em relação à pandemia, pelo apoio ao armamento da população e por sua postura com mulheres, homossexuais, negros e os “que são diferentes”.

“Ele vai totalmente contra aquilo que é o ensinamento de Cristo. Não é parcialmente, não, é totalmente. Ele é católico quando interessa, evangélico quando interessa, não está respeitando as religiões”, afirma.

Diante das intimidações, não há previsão para o padre Lino retornar às missas na Paróquia da Paz, mas ele garante que vai voltar, “se Deus quiser”.

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