Conteúdo/ODOC - “É um dia muito difícil para a nossa família. A gente espera uma condenação que possa pelo menos amenizar o sentimento de injustiça que a gente sente no nosso país”. A afirmação é do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), feita na manhã desta quinta-feira (22), ao chegar ao Fórum da Comarca de Nova Mutum para acompanhar o julgamento dos acusados pelo assassinato da filha, Raquel Cattani.
Emocionado, o parlamentar chegou ao local usando uma camiseta com o rosto da filha e acompanhado da esposa, Sandra Cattani. “A dor é diária, mas hoje ela pesa ainda mais”, resumiu. A mãe de Raquel preferiu não falar com a imprensa.
Raquel Cattani tinha 26 anos, era produtora rural e mãe de dois filhos. Moradora do assentamento Pontal do Marape, em Nova Mutum, construiu sua vida ligada ao campo e ao empreendedorismo. À frente da Queijaria Cattani, ganhou reconhecimento nacional ao conquistar medalhas de ouro e superouro no 3º Mundial do Queijo do Brasil, em São Paulo. “Ela tinha orgulho do que fazia e da comunidade onde vivia”, recordou o pai.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Raquel foi assassinada dentro da própria casa. Rodrigo Xavier Mengarde, ex-cunhado da vítima, é apontado como o executor do crime. Já Romero Xavier Mengarde, ex-marido de Raquel, responde pela acusação de ter planejado o homicídio. Para a promotoria, o crime foi premeditado e motivado pela não aceitação do fim do relacionamento, com indícios de pagamento para a execução.
O julgamento ocorre sob forte esquema de segurança e com regras rígidas de acesso ao plenário, devido à grande repercussão do caso. A sessão é presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, da 3ª Vara da Comarca de Nova Mutum, e segue o rito do Tribunal do Júri, com a atuação do Ministério Público, das defesas e do Conselho de Sentença, formado por sete jurados.