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Opinião

DAVID PINTOR – Redução de impostos e flexibilização aquecem economia, mas cenário pede equilíbrio

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O ano começa com boa expectativa de crescimento econômico para  Mato Grosso e todo o país. Apesar de lento, está longe da retração vivida em 2020, pois a flexibilização das medidas impostas pela pandemia e a redução de impostos  feita pelo Governo deram um fôlego para comerciantes e consumidores, e isso fez aumentar  as ofertas de emprego e, consequentemente, circulação de dinheiro.

Só para termos ideia do potencial para este ano, em 2021 foram registradas a abertura de 75 mil empresas em Mato Grosso, onde o setor de serviços lidera esse montante seguido pelo comércio. O número é 20% maior que o mesmo período do ano anterior, quando a pandemia de covid-19 pegava a todos de surpresa e impôs medidas inéditas ao comércio e ao convívio interpessoal.

Mais empregos, maior renda e economia aquecida após quase dois anos de incertezas e contenção.

Outro ponto positivo que favorece o comércio e a economia como um todo é o pacote de redução de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), executada pelo Governo com corte de impostos em vários setores: energia elétrica, comunicação, gás industrial, gasolina e o diesel. As medidas vão aliviar o orçamento doméstico de milhares de pessoas e também de empresas.

Apesar do otimismo perante tais números, os próximos meses serão desafiadores, já que a inflação, a instabilidade política, as altas taxas de câmbio seguram o crescimento e o retorno à estabilidade. Somadas  a isso, temos as novas variantes do corona vírus, surto de gripe que acende novamente o alerta sobre o futuro e exige precaução.

A palavra para 2022 é EQUILÍBRIO  entre os interesses dos comerciantes e do consumidor, para que o excesso de otimismo não possa comprometer a cadeia produtiva em nenhuma das partes.

Existem grandes possibilidades para recuperação dessa tração de crescimento, mas sem tirar os olhos das necessidades humanas e de estarmos preparados para as dificuldades de um ano de eleições, no qual as medidas, que ainda recomendam que se evitem certos eventos, impactam diretamente a economia de algumas cidades, e a inflação que não convida a população a focar no extremo necessário.

Contudo, ressaltamos que mesmo com as dificuldades que nos são impostas, seguimos acreditando em mais um ano de crescimento econômico e de bons resultados na geração de empregos  em Mato Grosso, a exemplo de 2021.

David Pintor é comerciante e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Várzea Grande (CDL VG), e da Federação de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso (FCDL MT). Email: [email protected]

 

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Opinião

ROSANA LEITE – 14 anos sem Zélia Gattai

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Zélia Gattai Amado de Faria, ou apenas Zélia Gattai, foi escritora, fotógrafa e memorialista, tendo contribuído sobremaneira para a literatura nacional. Inicia a carreira como escritora aos 63, quando lança o seu primeiro livro, tendo sido coadjuvante do companheiro por muitos anos.

A memorialista, como gostava de ser chamada, é filha de imigrantes italianos do movimento político-operário anarquista. Seguiu os passos do pai e da mãe, sempre se interessando pela política.

E, em razão dos movimentos políticos que ela e o companheiro sempre participaram, no período da ditadura acompanhou o exílio de Jorge Amado na Europa por três anos.

Zélia sempre esteve ao lado do marido passando a limpo as suas escritas, transcrevendo para a máquina de escrever os originais, ou o ajudando no processo de revisão. O gosto pelas letras sempre foi muito real na vida da memorialista. O tempo do exílio foi um momento em que ela se especializou em fotografia e teve a oportunidade de estudar por lá.

Assim que começou a escrever se dedicou em narrar sobre a sua família. Como primeira obra publicada teve um livro de fotobiografia de Jorge Amado intitulado “Reportagem incompleta”.

Todavia, a obra que deslanchou a carreira da escritora foi o livro “Anarquistas graças à Deus”, inclusive, transformado em minissérie de uma grande emissora de televisão, e que contava a saga da sua família recém chegada de Florença. Foi possível perceber a origem de tão importante mulher, a forma com que a família se portava, e entender um pouco da convivência em verdadeiras crônicas íntimas.

A memória afetiva a fez deixar de ser reconhecida apenas como a esposa de Jorge Amado, saindo da condição de coadjuvante no universal mundo literário.  É dela: “Dizem que a vida muitas vezes parece um romance, mas ela é uma realidade e é essa realidade que conto.”

O número 33, da rua Alagoinhas, abrigou o casal por muitos anos. A conhecida “Casa do Rio Vermelho”, na atualidade memorial, possui um belo jardim, onde cada pedacinho rememora a arte da escrita.

A alegria e a ternura são contagiantes, mesmo porque o imóvel foi palco de celebração da vida junto a amigos e amigas. Começar e terminar o passeio pelo jardim, é saber que a respectiva visita é assunto para um dia inteiro. Pés de manga, jambo, sapoti, tamarindo e pitanga receberam as cinzas do casal letrado.

Tudo lembra um bom livro, cada tiquinho do recinto, que está brilhantemente preparado para visitação. Enquanto a casa é explorada pelos visitantes, cartas e trechos de livros são narrados, o que traz uma vontade imensa de se debruçar nas obras dela e dele. Ditou: “Continuo achando graça nas coisas, gostando cada vez mais das pessoas, curiosa sobre tudo, imune ao vinagre, às amarguras, aos rancores.”

O laboratório fotográfico de Zélia Gattai se encontra preservado no local, com alguns retratos expostos e pendurados com se estivessem acabado de revelar a imagem.

Uma vida em comum, ao gosto dela, é possível vislumbrar com a interessante visita. Fica bastante evidente nos cômodos que o conforto foi privilegiado. Passear por lá é pensar que naquela localidade viveu uma mulher dedicada incondicionalmente à história familiar e à escrita.

Zélia fez questão de deixar evidenciado o amor por Jorge Amado. No livro ‘Vacina de Sapo e outras lembranças’, discorreu sobre o primeiro e último beijo dos dois, dentre outras curiosidades da vida em conjunto. Contou, com toda a cômica inerente, que ao final da vida do marido, após muito tentar para trazer melhora à saúde fragilizada dele, fizeram uso de baba de sapo por indicação de um curandeiro.

Deixou o mundo da matéria em 17 de maio de 2008, lúcida, aos 91 anos. Marcou com a prosa o contar e encantar de sua vida e existência. Tinha lemas explicativos da sua escrita: “Uma leitura ou uma história só prestam, empolgam e nos fazem sonhar quando transmitidas com prazer e emoção.” E continua: “Escrevo, assim, com liberdade e com o coração.”

Viva Zélia!

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual

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Opinião

NATASHA SLHESSARENKO – Para combater o sarampo, a vacina é fundamental

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Mato Grosso infelizmente registrou seu primeiro caso de sarampo, na cidade de Tangará da Serra. Uma criança de cinco anos teve o diagnóstico confirmado pela Secretaria de Saúde do município no dia 11 de maio. O sarampo é uma doença viral, transmitida por gotículas de saliva, altamente contagiosa e que pode levar à morte, especialmente em crianças menores de 5 anos, imunodeprimidos e desnutridos.

Para se ter uma ideia da contagiosidade do sarampo, um indivíduo infectado pode transmitir o vírus para até 18 pessoas, enquanto que a COVID-19, quando a pandemia iniciou, uma pessoa infectada transmitia para 2 a 3 outras pessoas.

O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde aponta que desde 2018 foram registrados no Brasil mais de 40 mil casos de sarampo e 40 mortes foram causadas pela doença, sendo mais da metade em crianças menores de 5 anos. Até março deste ano, o Ministério confirmou 14 infecções pelo vírus, sendo dois casos em São Paulo e 12 no Amapá.

Até então os casos registrados no país não eram autóctones, ou seja, eram importados, tinham origem fora do Brasil. Agora essa realidade já mudou, as pessoas contraíram o vírus no próprio território brasileiro, ou seja, o vírus está circulando entre nós.

Os sintomas clássicos do sarampo são febre acompanhada de manchinhas vermelhas no corpo (exantema), além de tosse, irritação nos olhos (conjuntivite), nariz escorrendo ou entupido.

O exantema surge por volta do 4º dia de evolução da doença, iniciando atrás da orelha e, em aproximadamente 3 dias, atinge todo o corpo, concomitantemente há intenso mal-estar. A persistência da febre além de 3 dias e agravamento dos sintomas sinalizam complicações da doença, principalmente em crianças com menos de 2 anos. Importante ressaltar que não são só crianças que desenvolvem o sarampo.

O avanço dos casos no Brasil ocorreu em um intervalo de dois anos. Basta observarmos que em 2016 chegamos a receber uma certificação de país livre do sarampo pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), o braço da Organização Mundial de Saúde (OMS) para as Américas. O Brasil permaneceu com esse status em 2017. Já em 2018 começou-se a registrar as infecções pelo vírus do sarampo. Somente naquele ano foram 10 mil casos. Esse revés ocorreu em virtude da baixa cobertura vacinal.

A única forma de evitar a doença é através da vacina. Entretanto, em lactentes cujas mães já tiveram a doença ou tomaram a vacina, anticorpos temporários passam da mãe através da placenta e pelo leite materno, protegendo estas crianças ao longo do primeiro ano de vida. Esta é a razão da vacina ser dada aos 12 meses. Em situações de aumento dos casos, a vacina pode ser feita aos 6 meses.

Muito antes da pandemia, já existia um movimento antivacina no mundo, que ganhou força após publicação de um estudo falso assinado pelo médico inglês Andrew Wakefield e publicado pela revista científica The Lancet, em 1998, que ligava a vacina tríplice viral (combate sarampo, caxumba e rubéola), ao surgimento do transtorno do espectro autista.

Estudos realizados posteriormente, o maior deles na Dinamarca, comprovaram que a afirmação não passava de uma falácia. Estudos subsequentes apresentaram evidências contundentes de fraude, manipulação dos dados e conduta antiética. O médico Andrew Wakefield teve sua licença médica cassada e a revista anulou o artigo, mas o efeito devastador sobre a saúde pública já tinha acontecido.

Não há qualquer relação do imunizante com o transtorno.

A pandemia de COVID-19 contribuiu muito para a queda das coberturas vacinais. O medo de contrair o vírus, que já matou mais de 665 mil pessoas no país, fez com que as famílias deixassem de se deslocar até o posto de saúde mais próximo para vacinar as crianças.

A vacina contra o sarampo é aplicada quando a criança está com 12 meses. Atualmente não temos uma vacina exclusiva para sarampo, ela é a tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. Aos 15 meses se faz a 2ª dose com a vacina tetraviral, que além das doenças protegidas pela tríplice viral, protege também contra a varicela (catapora).

Neste momento, o Ministério da Saúde está fazendo campanha de vacinação contra o sarampo e a gripe. Crianças menores de 5 anos devem ser imunizadas. Vacine o seu filho (a). É só com uma ampla cobertura vacinal que vamos conseguir derrotar, de uma vez por todas, o sarampo. Nunca é demais lembrar, a vacina salva vidas.

Natasha Slhessarenko é médica pediatra e patologista clínica e está pré-candidata ao Senado pelo PSB

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